LOGINA resposta de Bara foi agraciada com uma imensa e calorosa salva de palmas (se bem que os seus ex-pretendentes pareciam que perderiam os braços de tão sem vontade que aplaudiam), e o sorriso de Nemuru pela resposta de sua amada ia de orelha a orelha.
Askherone criou com suas chamas azuladas a figura de um grande coração para cima. Um dos muitos truques que ele desenvolvera com a ajuda de Kimbe, do qual ficara mais amigo, para deslumbrar as tantas crianças que apareciam para brincar com a princesa no castelo. Impressionando os nobres e deixando o ambiente ainda mais formidável.
– Senhores! – Mahotsukai tomava a atenção – Vocês não imaginam a alegria que sinto nesse momento. Há entre vocês alguns jovens que me procuraram para fazer esse mesmo pedido à minha filha, mas... Eu pude testemunhar por mim mesmo, tudo o que lhes faltava para que eu lhe consentisse tal coisa. E ao contrário deles... O príncipe Nemuru foi quem se mostrou mais valoroso e digno de desposar minha filha. Por isso, estes dois têm todas as minhas bênçãos para a sua união.
– Muito obrigada pai. – respondia Bara o abraçando fortemente entre as felizes lágrimas que não paravam de lhe escorrer, e sob uma nova salva de palmas.
– Se bem que... – Mahotsukai se recordava de um detalhe – Como pretendem resolver as sucessões? Você é a minha única herdeira Bara, assim como Nemuru é de Jõo.
– Bom majestade, se o senhor não se importar... – Nemuru intervia – Acho, que o nosso primeiro ou segundo filho ou filha, pode assumir o lugar de minha mãe quando o mesmo estiver preparado. Não concorda?
– Sem dúvidas essa seria uma boa solução! – declarava Jõo sorridente – Já que a minha nora será a próxima a velar pela segurança de Heiwa, e por isso nunca poderá abandonar o seu reino.
– Abandonar não! – complementava Mahotsukai – Mas breves ausências para visitar parentes e amigos de outros reinos, ela poderá fazer tranquilamente.
Todos riram. A festa seguiu não só comemorando os dezoito anos de Nemuru, mas também parabenizando ele e Bara pelo noivado. Askherone vigiava Bara de um canto do salão para não “incomodar” aqueles que desejavam cumprimentar a princesa recém-comprometida. E muitos conversaram com Nemuru na intenção de saberem mais sobre o rapaz. Sendo que os ex-pretendentes de Bara não foram exceção.
– Então... Quer dizer que o senhor é filho da Sábia Amazona? Quem diria...
– Ficaram muito surpresos com a verdade? – os questionava Nemuru com toda a tranquilidade.
– Seria uma mentira se qualquer um de nós dissesse que não. – era Anthony.
– Mas você poderia ter sido um pouco mais honesto conosco quando o questionávamos sobre sua relação com Bara. – complementou Victor.
– Mas eu fui honesto! – Nemuru se defendia – Durante minhas lições de leitura, descobri que a palavra “amigo” já foi utilizada no lugar de “namorado” no passado. E uma vez que eu usava a palavra amigo nesse sentido antigo, não posso ser acusado de mentir-lhes em nada!
A explicação de Nemuru deixou alguns daqueles jovens chocados (se não, irritados), e eles só não fizeram mais perguntas ao Nemuru porque alguns Reis vieram falar-lhe.
A festa seguiu de forma maravilhosa. E como todos os presentes haviam sido pegos de surpresa por estarem em uma festa de aniversário, e inesperadamente de noivado também, aqueles que desejavam honrar o casal, fornecia-lhes inúmeros conselhos e historias de experiências de vida como prenda (no caso de Bara, ela nunca ficou tão vermelha diante de algumas das vivências das mulheres que lhe davam conselhos “amorosos”), e os dois aproveitaram para declarar todos os presentes convidados para o casamento.
A união de Bara e Nemuru ocorreu três meses depois, em Heiwa. Todos compareceram (com exceção de metade dos ex-pretendentes de Bara).
Foi uma celebração consideravelmente simples ao se tratar das bodas de dois príncipes, mas ainda assim, muito bela e venturosa. Sem esquecer de que a festa foi aberta assim como era nos aniversários de Bara! Tornando a festividade ainda mais animada.
A primeira “noite” do casal, foi na Torre Kendrada. Os dois haviam concordado que os aposentos de Bara (agora também de Nemuru) era o melhor quarto para eles habitarem no castelo. A guarda deles foi feita pelo Askherone, que permaneceu na base da torre (e francamente, nem mesmo os melhores guerreiros se atreviam a desafiar aquele dragão negro, de noite então...).
E aquela foi a primeira das muitas fascinantes noites que os dois teriam...
Menos de três meses.
Em menos de três meses de casamento, Bara descobriu que se tornaria mãe. Uma verdadeira alegria para Nemuru, a família e todo o reino de Heiwa.
A gestação de Bara correu tranquila, acompanhada de seu pai e de sua sogra com todo o esmero. Especialmente após a descoberta que ela levava gêmeos em seu ventre. Um herdeiro para cada um dos dois reinos: Heiwa e Kyuden.
Bara foi tão paparicada durante sua gestação que ela quase se aborrecia já que todos ficavam cheios de cuidados com ela, fazendo-a pensar se sua mãe também tivera de passar por tudo aquilo (se bem que as discussões para os possíveis nomes das crianças lhe entretinha um pouco). Até Askherone fazia questão de acariciar a barriga dela sempre que tinha chance.
Chegado o grande dia, onde as contrações vieram para romper com o sossego do reino, Bara sofreu.
Jõo, que antes quase não saía de perto de Bara, precisou retornar para Kyuden para resolver alguns problemas urgentes. Ficando nas mãos de parteiras que, apesar de experientes, não tinham a mesma capacidade médica que a Rainha poderia fornecer naquele momento.
A chegada dos infantes foi dolorosa. Bara estava tendo tantas dificuldades com os gêmeos que Nemuru temeu a possibilidade de que Dark Yami não tivera sido verdadeiramente derrotado. Esta teoria, Mahotsukai lhe rejeitava, e ainda explicando o ele havia visto no dia em que aquele pesadelo tinha terminado, mas ainda assim, se preocupava com sua filha.
Askherone foi o único que teve o consentimento para permanecer entre as mulheres, pois ele aquecia e esterilizava tudo que fosse necessário com suas chamas de forma bem rápida.
Levou horas, mas finalmente o primeiro choro começou a ecoar pelo reino. Com o segundo surgindo três minutos depois. E Nemuru e Mahotsukai nunca se sentiram tão aliviados quando receberam o consentimento sorridente de Acnarepse para que eles adentrassem no quarto. Acompanhados do escrivão e do sumo-sacerdote para registrarem o nascimento das crianças, como era costume em Heiwa.
Quando chegaram no quarto, não foi surpresa encontrarem Bara cansada depois de tudo que ela passara, surpresa foi vê-la sorrindo e amamentando as crianças recém-nascidas enquanto tudo era terminado de ser limpo pelas demais mulheres e Askherone ficava aos pés de Bara “ronronando” para os bebês.
– Como você se sente minha filha? – perguntava Mahotsukai se aproximando da cama junto de Nemuru.
– Me sinto estranha, mas muito feliz. Esses dois gulosos nos deu bastante trabalho! – um riso escapou de todos.
– Desculpe interromper alteza... – era o escrivão – ...Mas eu gostaria de terminar logo. As crianças são meninos ou meninas?
– É menino e menina.
– Um casal?! – Nemuru sorria largamente, com todos os demais impressionados.
– Certo alteza. Comecemos com a mais velha das crianças então, qual o gênero e o nome?
– O menino veio primeiro. – Bara tirava o rapazinho de seu colo – E Nemuru e eu chegamos ao acordo de nomearmos nosso primeiro menino de Yuki. – terminou ela de falar entregando Yuki nas mãos do pai.
– Yuki? – questionava o sacerdote.
– “Coragem cintilante”. – explicava Nemuru emocionado com a criança nos braços – Esse é o significado de seu nome.
– Um bom nome. – retomava o escrivão, anotando tudo o que precisava com a ajuda da parteira – Excelente significado. Agora... É a vez da menina. Como ela se chamará.
– O nome de nossa menininha deu mais trabalho. – Bara a entregava ao Nemuru, com Yuki já nos braços do avô – Mas Nemuru e eu também conseguimos chegar em um consenso.
– Que é...?
Antes que Bara ou Nemuru pudessem responder ao sacerdote, a bebezinha acabou pegando em uma planta que estava bem próxima de Nemuru e, imediatamente após ser tocada pela pequena, fez com que uma belíssima flor se abrisse.
– Tsuki?! – disseram Bara e Nemuru juntos ao reconhecerem a habilidade de Filha do Luar sobre a pequenina.
– Princesa Tsuki... Também é um bom nome! – comentava o escrivão, com os pais da menina sem palavras (pois não era esse o nome eleito) – Este eu sei que significa “lua”, e ouvi dizer que, se você carrega a lua em seu nome, terá sempre a proteção dela e de suas divindades.
Após ouvir isso, Bara e Nemuru se olharam para começarem a rir de leve em seguida por conta da “coincidência”.
Após as crianças serem apresentadas e registradas segundo os costumes para os responsáveis pelo controle de natalidade do reino, todo o castelo começou a se preparar para fazer a apresentação dos pequenos para o povo assim que a aurora surgisse. Concluindo a tradição do reino.
Bara foi deixada sozinha com as crianças e com Nemuru, mais Askherone que se recusava a afastar-se das crianças. E quando a noite chegou, o casal tirou proveito que era primeira noite de lua cheia e, aproveitando o pingente de Jõo que agora fazia parte da pulseira de vinte berloques (que Bara precisou de duas semanas para memorizar corretamente qual a permitiria visitar quem com a transição de luar), e visitou sua sogra junto de Nemuru e seus filhos para mostrar a ela seus netos recém-chegados no mundo dos sonhos.
O espanto da Rainha pelos nascimentos inesperados só não foi maior que a alegria em conhecê-los. Alegria esta que se mostrou semelhante no povo quando os gêmeos foram revelados. Recebendo, Bara e Nemuru, muitas bênçãos e elogios de todos os súditos que conseguiam permissão de Askherone para ver os bebês de perto.
O casal observava o crepúsculo da janela da torre.– O tempo voou, não é mesmo?... – Bara se recostava no marido.– Realmente. – ele a recolhia – Nem acredito que já faz um mês que você assumiu o lugar de seu pai. E nem no tanto que ele conseguiu viver! Não são muitos os que alcançam os 70 anos atualmente.– Isso só foi possível por minha causa e de Tsuki. Se minha mãe não tivesse sido impedida de me criar, meu pai teria vivido muito mais...– Teria gostado de conhecer minha sogra. A mulher que gerou o mais precioso tesouro de minha vida. – ele lhe roubava um selinho.– Você é sempre um doce. Acha que nossos filhos já superaram a perda do avô? Meu pai foi muito coruja com eles...– Os gêmeos já fizeram 15 anos, a Reinheit está quase fazendo 13 e o Ad
A resposta de Bara foi agraciada com uma imensa e calorosa salva de palmas (se bem que os seus ex-pretendentes pareciam que perderiam os braços de tão sem vontade que aplaudiam), e o sorriso de Nemuru pela resposta de sua amada ia de orelha a orelha.Askherone criou com suas chamas azuladas a figura de um grande coração para cima. Um dos muitos truques que ele desenvolvera com a ajuda de Kimbe, do qual ficara mais amigo, para deslumbrar as tantas crianças que apareciam para brincar com a princesa no castelo. Impressionando os nobres e deixando o ambiente ainda mais formidável.– Senhores! – Mahotsukai tomava a atenção – Vocês não imaginam a alegria que sinto nesse momento. Há entre vocês alguns jovens que me procuraram para fazer esse mesmo pedido à minha filha, mas... Eu pude testemunhar por mim mesmo, tudo o que lhes faltava para que eu lhe cons
As semanas correram, e Dark Yami já se tornou um sonho ruim do passado. Os Montes Korionenshõ se tornaram muito mais brandos com suas nevascas, permitindo a travessia semi-segura deles, pois ainda possuíam seus riscos naturais. E todos os reinos receberam o convite de uma grande festa em Kyuden que pretendia pronunciar uma grande noticia especial.Não foram poucos os curiosos para a tal revelação.Bara partiu com o pai, Acnarepse, Kimbe e Askherone uma semana antes para ajudarem na preparação da noticia, pois o plano era de apresentar Nemuru (acompanhado de Bara) a todos os presentes somente depois da revelação da verdade.– Ainda acho que iria ser mais interessante se eu me revelasse saindo do meio de todos eles do que de um “esconderijo”. – reclamava Nemuru em seu novo quarto.– Do jeito que você fala, até parece que aguardar do meu lado &eac
Passou-se alguns dias. Kimbe ajudou a limpar as cavernas vulcânicas de todos os seres sombrios e também a esvazia-los de tudo. Gemas, mantimentos, equipamentos, tudo foi divido por igual entre os quatro Reis.Esvaziada e limpas as montanhas de Korionenshõ, Mahotsukai convidou Kimbe a viver em Heiwa como um de seus servos, pois, apesar dele ter servido ao seu pior inimigo, reconheceu nele uma preciosa fonte de conhecimento de defesa contra as artes das trevas.De início, Kimbe se sentiu receoso em aceitar tão maravilhosa oferta (pois já se imaginava voltando a mendigar pelos becos sombrios), mas Bara e Nemuru o convenceu a aceitar. Até Askherone se mostrou mais amigável com ele!Sobre Askherone, muitos foram os que se assustaram com o dragão ao vê-lo de imediato. Acnarepse quase desmaiou ao ver o lagarto gigante caminhando lado-a-lado de sua menina! Mas aos poucos, não só Askherone
Assim que Nemuru percebeu que a razão de Askherone ter criado barreiras de chamas em todas as saídas era para impedir que Dark Yami fugisse, saltou do lugar em que estava, com Candra na mão.“De jeito nenhum que esse demônio escapará outra vez!” – pensava ele enquanto se recordava da maneira que o mago costumava abandonar o seu mundo de sonhos, sempre que aparecia.Enquanto aqueles que não estavam responsáveis pelo vórtice se desnorteavam com as chamas de Askherone, Nemuru correu em direção ao mago que citava alguma coisa que o príncipe sabia que ele não podia terminar em hipótese alguma.Seja o que fosse que Dark Yami fazia, de olhos fechados, uma espécie de névoa negra se formava ao seu redor. E essa névoa que o cercava, era facilmente repelida pela Candra.Nemuru, usando cada gota de força que conseguira recup
A situação de Nemuru era complicada. Dark Yami se mostrava um adversário tão implacável quanto a sua mãe! E ainda tinha o extra que ele suportara com os espectros antes de encarar aquela batalha.– Pirralho desprezível, inconveniente, tolo e inútil! Fareis com que te arrependas de colocastes os pés nestas passagens! – ameaçava o mago enquanto o atacava.– Acredite peste, se não tivesse colocado as patas em Bara, nem em pesadelo que eu me aproximava daqui! – declarou Nemuru se defendendo e atacando como podia.– Ínfimo! Lhe dareis a lição de tua vida! Vou acorrentardes e o torturares pelo resto de tua miserável vida! E tudo bem diante dos olhos de tua querida princesinha...– Não permitirei isso nem mesmo sob o meu cadáver. – declarou o príncipe ganhando um novo estimulo com a ameaça.