LOGINAs semanas correram, e Dark Yami já se tornou um sonho ruim do passado. Os Montes Korionenshõ se tornaram muito mais brandos com suas nevascas, permitindo a travessia semi-segura deles, pois ainda possuíam seus riscos naturais. E todos os reinos receberam o convite de uma grande festa em Kyuden que pretendia pronunciar uma grande noticia especial.
Não foram poucos os curiosos para a tal revelação.
Bara partiu com o pai, Acnarepse, Kimbe e Askherone uma semana antes para ajudarem na preparação da noticia, pois o plano era de apresentar Nemuru (acompanhado de Bara) a todos os presentes somente depois da revelação da verdade.
– Ainda acho que iria ser mais interessante se eu me revelasse saindo do meio de todos eles do que de um “esconderijo”. – reclamava Nemuru em seu novo quarto.
– Do jeito que você fala, até parece que aguardar do meu lado é algo ruim... – argumentava Bara – E ainda estou impressionada de a Zona do Silêncio agora se chamar simplesmente de Área de Pesquisas.
– Você um incômodo?! Nunca! E agora, todos que mantinham voto de silêncio, estão livres para falarem se o desejarem. Minha mãe transformou totalmente o funcionamento do palácio depois que retornamos. Chegou a dar uma olhada na sala que ela montou para a Zula com a ajuda dos Soamri?
– Vi sim. Não imaginava que havia tanto conteúdo místico escondido em Kyuden.
– Mom guardou bastante coisa mesmo. Tanto objetos que eram herança, quanto coisas que minha mãe havia ordenado o banimento em Kyuden. Soube que até o seu pai elogiou o lugar.
– O que só comprova a qualidade do ambiente!
Os dois riram. E continuaram conversando na tentativa de acalmar a ansiedade do príncipe.
No Grande Salão, onde a festa ocorria, os ex-pretendentes de Bara se reuniam.
– Ora, ora, se não é o Lord James... Cadê a sua noiva meu caro!?
– Como?! – questionava James ao ser pego de surpresa enquanto estava recostado a um pilar, desgostoso por ter sido ameaçado de ser jogado na prisão se não guardasse segredo sobre a razão daquele evento, uma vez que aceitou comparecer.
– Deixe de bancar o parvo, James! – era lord Kalel – Todos nós já sabemos que você foi o último a continuar querendo arriscar o pescoço pela mão da princesa de Heiwa!
– Estão enganados. Eu não era o último. – todos ficaram perplexos – Existia mais alguém, e que chegou na frente de todos nós.
– Quem? Nós dez éramos os únicos nobres que haviam se apresentado para fazer tal pedido. – indignava-se o mesmo príncipe que tinha segurado o braço de Bara.
– Prestem atenção no anúncio da Rainha de Kyuden e irão descobrir. – explicou James encarando as mãos ainda marcadas pela espada Candra.
Todos os demais rapazes ficaram intrigados. O quê que a tal declaração de Jõo A****n tinha haver com a disputa interna deles? Nenhum deles se esqueceu de que ela estava presente no momento do pedido deles, mas, ainda assim, qual seria a relação?
Como Lord James passou a bancar o mudo (por razões óbvias), eles não o questionaram mais, e ficaram erguendo hipóteses entre si, sendo que apenas três deles se recordaram de Nemuru.
– Parece que os dez ex obstáculos já estão reunidos... – comentava Acnarepse para Zula que os observavam juntas.
– Sim parece. Não vou tirar meus olhos de cima deles. – respondia Zula.
– Nem eu. E adoraria saber a reação deles ao conhecerem o novo guarda-costas da minha menina.
– Se quatro deles correu só com a ideia de enfrentar um dragão, o que dirá ter de se aproximar de um. Acha que Bara iria permitir que Askherone fizesse mal a eles?
– Mal, não. Mas com certeza iria pedir que os colocasse para correr!
– Concordo plenamente! – declarava Keberanian que se aproximou das duas, ouvindo a conversa divertida – E como o nosso futuro casal está passando? “Ele” fará o pedido hoje ou em um outro dia?
– Majestade Keberanian.
– Majestade.
Reverenciavam as duas falando quase ao mesmo tempo.
– Oh, por favor... Sem essas formalidades neste dia de festa. E quanto à minha pergunta...
– Acho... Que se dependesse de Bara, hoje estariam celebrando a união deles. – respondia Acnarepse.
– Apesar de ter ajudado muito “ele” depois de retornar de Heiwa, não fiquei sabendo de nada sobre o pedido. – completou Zula.
– Então teremos de esperar para descobrir... Que bom! Alguma surpresa ficou guardada para gente! Mas me diz Acnarepse, como anda a convivência do dragão em Heiwa?
As três continuaram conversando entre si. Kimbe fazia companhia a Mahotsukai e Jõo, pois seria ele quem chamaria os príncipes enquanto Askherone lhes fazia guarda.
Jõo esperou que até o último convidado que havia confirmado presença (no caso, todos) tivesse chegado. Ao mesmo tempo em que guardas aguardavam ansiosamentes pela ordem de espalhar pelo reino a boa nova que seria revelada aos nobres presentes.
Quando finalmente o momento chegou, Jõo ordenou Kimbe a chamar seu filho, e respirou bem fundo para atrair a atenção de todos para si, utilizando de sua taça e uma pequena colher após o parar dos músicos e o começar do sair dos guardas que aguardavam.
– Senhores, um instante de sua atenção, por favor. – todos interromperam suas conversas – Agradeço de coração que tenham aceitado comparecer a este palácio para que eu possa lhes repassar algo extremamente importe. Como alguns já devem ter percebido, eu... Eu meio que me abri um pouco para o misticismo. E há um grande motivo para isso! E esse motivo, é uma grave mentira que espalhei entre todos vocês e o meu povo.
Sussurros começaram a se espalhar entre os nobres, pois nenhum poderia sequer imaginar tal atitude vinda dela, enquanto os que sabiam da historia seguravam o riso. Kimbe, acompanhado dos príncipes e de Askherone, já esperavam pelo consentimento para adentrarem o salão, ocultos por uma grosa cortina. Jõo voltou a pedir o silêncio.
– Damas e cavalheiros, permitam-me continuar... – todos se calaram novamente – Imagino o tamanho da surpresa de vocês, mas o que eu fiz, fiz pelo bem de Kyuden e dos A****n. A mentira que eu mencionei, tem haver com o meu filho... – ela respirou fundo vagarosamente antes de continuar em pleno sorriso – Ele nunca esteve morto!
Muitos dos nobres ficaram boquiabertos. Chocados; impressionados; e alguns até mesmo aliviados. Teve aqueles que questionaram o que de fato significava aquilo tudo, junto de outros que perguntavam o porquê dela ter mentido daquele jeito e tantas outras perguntas ao mesmo tempo, que foi preciso que Mahotsukai intervisse para que Jõo pudesse continuar com a declaração.
– Obrigada Rei-Mago. Permitam-me, caros nobres, continuar minha declaração. Vocês me questionam o porquê de eu ter feito isso e o quê de fato aconteceu com o meu filho. Pois bem, sobre a doença de meu filho, isto, era um fato. Mas o meu orgulho e a dureza que abrangeu meu coração com a perda de meu marido, me impediram de descobrir o que realmente acontecia com o meu menino, e... Temendo possíveis ameaças, decidi declara-lo morto para todo o mundo, e mantive esse segredo por longos anos...
– O quê a fez mudar de ideia? – perguntava uma condessa.
– Conseguiu finalmente descobrir a cura de seu filho?! – perguntou um lord.
– Onde ele está agora? – questionava um dos ex-pretendentes de Bara.
– Caríssimos, se estou declarando isto agora, é porque sim, meu filho está livre do que o afligia. Mas não fui eu quem descobriu o seu mal. Isto, eu devo totalmente a uma pessoa que nem é desde reino! Devo a vida de meu filho à Bara Kuroshy, a princesa de Heiwa. Se não fosse por ela, eu ainda estaria lutando para tentar descobrir um meio de salvar o meu filho, Nemuru.
No que Jõo pronunciou o nome do príncipe, muitos dos ex-pretendentes ficaram em choque. Poucos eram aqueles que ainda recordavam do nome do príncipe de Kyuden. Keberanian, Hilfe, Mahotsukai, Acnarepse e os Soamri já não conseguiam mais esconder o riso diante das reações de todos. Principalmente dos dez jovens que intencionaram a mão de Bara. E quando estes viram quem era o rapaz que adentrava o salão assim que teve seu nome mencionado, acompanhado da princesa de Heiwa e de um dragão, quase que os olhos de alguns deles escapavam da cabeça de tão arregalados que ficaram. Entendendo imediatamente o que Lord James lhes quisera dizer.
Agora era a vez de Nemuru se pronunciar.
– Senhores, agradeço a presença de todos. Vocês não tem ideia do pelo o quê que eu passei por todos estes anos. Faz alguns meses que eu finalmente comecei a me livrar de minha moléstia, e tive um longo e doloroso caminho para estar presente diante de vocês agora. Alguns entre vocês até chegaram a acompanhar parte de minha recuperação, mas havia um motivo especial para que a verdade só fosse revelada agora. Exatamente hoje, completo dezoito anos de idade...
Agora que os nobres tinham mesmo sido pegos de surpresa. Se poucos se lembravam do nome de Nemuru, menos ainda se lembrava de sua data de nascimento. Sem esquecer que, com dezoito anos, se ninguém se pusesse contra, ele poderia assumir a coroa de Kyuden no lugar de sua mãe se assim ela o considerasse preparado!
Os jovens que tentaram desposar Bara, compreendiam cada vez mais o mau-humor que Lord James lhes apresentava, pois começavam a sentir o mesmo que ele.
– E senhores... – continuava Nemuru – Preciso lhes dizer que, eu devo muito, mas muito mais do que gratidão a esta donzela que me devolveu para a vida, a princesa Bara. ...
– Parece que ele irá pedir... – sussurrava Keberanian para Acnarepse e Zula – Só estou em dúvida se continuo observando os nossos pombinhos, ou se encaro as reações dos corvos injuriados.
– Com certeza é uma escolha difícil. – respondia Acnarepse – Mas não abro mão de assistir a felicidade de minha menina...
– Shiii! Vocês duas. Ou vamos perder o momento! – alertava Zula.
– Ainda não acredito que aquele plebeu, era na verdade um príncipe. – retrucava o marquês Wolfran.
– Não era à toa que ele se esforçava tanto a se recuperar e ainda resistia aos treinos daquela megera da Jõo. Os A****n sempre foram duros na queda pelo o que sempre ouvi falar. – adicionava Duque Anthony, um dos que fugiram com o sequestro do dragão.
– Ele já era o favorito da princesa antes mesmo de todos nós chegarmos. – comentava Lord James emburrado – Por isso que ela nos rechaçou assim que soube de nossas intenções para com ela.
– Acham... Que ele irá aproveitar toda essa gente para pedir a mão dela? – ponderava conde Lafaard, outro que fugira por causa de Askherone.
– Só se for oficialmente. – era Lord James, “bem” humorado outra vez – Eles já estavam juntos antes mesmo de Anthony aparecer em Heiwa, por isso a princesa não nos dava atenção alguma.
Muitos eram os cochichos sussurrados entre grupos durante a fala de Nemuru. Alguns bons e outros nem tanto, mas Nemuru não parou de continuar falando.
– O meu problema, era realmente algo grave e complicado. E Bara, não só foi aquela que descobriu tudo, como também arriscou a própria segurança dela para me ajudar. Encarou diversas... complicações, por minha causa e, mesmo que eu pudesse lhe dizer obrigado toda hora de cada dia; todo dia de todos os anos; eu ainda não conseguiria agradecer o suficiente à ela.
Bara ficava cada vez mais encabulada com as palavras de seu amado. Ao ponto de começar a chorar emocionada, e até mesmo receber alguns aplausos.
– A princesa Bara, é uma mulher extremamente incrível. Bela; corajosa; inteligente; gentil; dedicada, e... Acho que eu iria gastar dias para terminar de exaltar todas as qualidades dela. – alguns risos foram ouvidos – E... Se todos os presentes me permitirem, há algo que eu gostaria de perguntar para ela. – todos passaram a lhe prestar profunda e verdadeira atenção – Princesa de Kyuden Bara Koroshy, você me presentearia no dia de hoje com a honra e a alegria de me aceitar ao seu lado, nos bons e maus momentos, até o último suspiro de nossas vidas?
Bara travou. Ela não esperava ser pedida daquela forma, e todos aguardavam ansiosos por sua resposta.
– Sim. – sussurrou ela de início, entre lágrimas – Sim eu o aceito. – Ela aumentava a voz gradativamente – E mesmo que você me perguntasse mil vezes, mil vezes eu lhe responderia sim.
O casal observava o crepúsculo da janela da torre.– O tempo voou, não é mesmo?... – Bara se recostava no marido.– Realmente. – ele a recolhia – Nem acredito que já faz um mês que você assumiu o lugar de seu pai. E nem no tanto que ele conseguiu viver! Não são muitos os que alcançam os 70 anos atualmente.– Isso só foi possível por minha causa e de Tsuki. Se minha mãe não tivesse sido impedida de me criar, meu pai teria vivido muito mais...– Teria gostado de conhecer minha sogra. A mulher que gerou o mais precioso tesouro de minha vida. – ele lhe roubava um selinho.– Você é sempre um doce. Acha que nossos filhos já superaram a perda do avô? Meu pai foi muito coruja com eles...– Os gêmeos já fizeram 15 anos, a Reinheit está quase fazendo 13 e o Ad
A resposta de Bara foi agraciada com uma imensa e calorosa salva de palmas (se bem que os seus ex-pretendentes pareciam que perderiam os braços de tão sem vontade que aplaudiam), e o sorriso de Nemuru pela resposta de sua amada ia de orelha a orelha.Askherone criou com suas chamas azuladas a figura de um grande coração para cima. Um dos muitos truques que ele desenvolvera com a ajuda de Kimbe, do qual ficara mais amigo, para deslumbrar as tantas crianças que apareciam para brincar com a princesa no castelo. Impressionando os nobres e deixando o ambiente ainda mais formidável.– Senhores! – Mahotsukai tomava a atenção – Vocês não imaginam a alegria que sinto nesse momento. Há entre vocês alguns jovens que me procuraram para fazer esse mesmo pedido à minha filha, mas... Eu pude testemunhar por mim mesmo, tudo o que lhes faltava para que eu lhe cons
As semanas correram, e Dark Yami já se tornou um sonho ruim do passado. Os Montes Korionenshõ se tornaram muito mais brandos com suas nevascas, permitindo a travessia semi-segura deles, pois ainda possuíam seus riscos naturais. E todos os reinos receberam o convite de uma grande festa em Kyuden que pretendia pronunciar uma grande noticia especial.Não foram poucos os curiosos para a tal revelação.Bara partiu com o pai, Acnarepse, Kimbe e Askherone uma semana antes para ajudarem na preparação da noticia, pois o plano era de apresentar Nemuru (acompanhado de Bara) a todos os presentes somente depois da revelação da verdade.– Ainda acho que iria ser mais interessante se eu me revelasse saindo do meio de todos eles do que de um “esconderijo”. – reclamava Nemuru em seu novo quarto.– Do jeito que você fala, até parece que aguardar do meu lado &eac
Passou-se alguns dias. Kimbe ajudou a limpar as cavernas vulcânicas de todos os seres sombrios e também a esvazia-los de tudo. Gemas, mantimentos, equipamentos, tudo foi divido por igual entre os quatro Reis.Esvaziada e limpas as montanhas de Korionenshõ, Mahotsukai convidou Kimbe a viver em Heiwa como um de seus servos, pois, apesar dele ter servido ao seu pior inimigo, reconheceu nele uma preciosa fonte de conhecimento de defesa contra as artes das trevas.De início, Kimbe se sentiu receoso em aceitar tão maravilhosa oferta (pois já se imaginava voltando a mendigar pelos becos sombrios), mas Bara e Nemuru o convenceu a aceitar. Até Askherone se mostrou mais amigável com ele!Sobre Askherone, muitos foram os que se assustaram com o dragão ao vê-lo de imediato. Acnarepse quase desmaiou ao ver o lagarto gigante caminhando lado-a-lado de sua menina! Mas aos poucos, não só Askherone
Assim que Nemuru percebeu que a razão de Askherone ter criado barreiras de chamas em todas as saídas era para impedir que Dark Yami fugisse, saltou do lugar em que estava, com Candra na mão.“De jeito nenhum que esse demônio escapará outra vez!” – pensava ele enquanto se recordava da maneira que o mago costumava abandonar o seu mundo de sonhos, sempre que aparecia.Enquanto aqueles que não estavam responsáveis pelo vórtice se desnorteavam com as chamas de Askherone, Nemuru correu em direção ao mago que citava alguma coisa que o príncipe sabia que ele não podia terminar em hipótese alguma.Seja o que fosse que Dark Yami fazia, de olhos fechados, uma espécie de névoa negra se formava ao seu redor. E essa névoa que o cercava, era facilmente repelida pela Candra.Nemuru, usando cada gota de força que conseguira recup
A situação de Nemuru era complicada. Dark Yami se mostrava um adversário tão implacável quanto a sua mãe! E ainda tinha o extra que ele suportara com os espectros antes de encarar aquela batalha.– Pirralho desprezível, inconveniente, tolo e inútil! Fareis com que te arrependas de colocastes os pés nestas passagens! – ameaçava o mago enquanto o atacava.– Acredite peste, se não tivesse colocado as patas em Bara, nem em pesadelo que eu me aproximava daqui! – declarou Nemuru se defendendo e atacando como podia.– Ínfimo! Lhe dareis a lição de tua vida! Vou acorrentardes e o torturares pelo resto de tua miserável vida! E tudo bem diante dos olhos de tua querida princesinha...– Não permitirei isso nem mesmo sob o meu cadáver. – declarou o príncipe ganhando um novo estimulo com a ameaça.