INICIAR SESIÓNDaily estranhava um pouco ter Ika o tempo inteiro com ela, perguntando se queria algo, anunciando quem chegava, o que acontecia. Servia-lhe o tempo todo. Talvez com o tempo acostumasse com aquilo, mas por enquanto sentia-se um pouco presa. Talvez sentisse falta de sua liberdade, seus vestidos folgados, seus cabelos soltos e seus pés descalços pela floresta. Era acostumada a fazer as coisas pelos outros e não o contrário. As mulheres Kasenkinas nasciam para servir e não pra serem servidas. Primeiro serviam os pais e as mães até se casarem e servirem ao marido e aos filhos.
Ela olhou para o enorme travesseiro ao lado do seu. Passou a mão com carinho depois sentiu o cheiro de Mark. Nem acreditava que ele havia passado a noite com ela, lhe dando tanto carinho que ela jamais imaginou receber. Tudo parecia um sonho. E naquele momento ela teve certeza que entre a liberdade, os pés descalços e a floresta, ela escolhia Mark... Para sempre. Mesmo que tivesse que ficar trancada na torre do castelo. Se ele fosse voltar todas as noites, ela estaria ali, esperando por ele, mesmo que tivesse que abrir mão de tudo.
Ela tentou levantar, mas realmente não estava bem. Além do mais nem sabia o quanto teria que andar para chegar na sala de visitas.. Tudo naquele lugar era longe enorme. Então pediu que Ika trouxesse Sherylin até ela.
Logo Ika retornou com a moça atrás de si, apresentando-as. Sherylin era bem mais bonita do que Daily imaginava. Cabelos claros bem presos em cachos até os ombros, pele lisa como seda e olhos de um azul claro e profundo. Usava um vestido muito elegante, feito de um tecido que Daily jamais imaginou existir, com muitas rendas e sapatos altos da mesma cor. Ela impressionaria qualquer mulher. Daily sempre fora muito elogiada por sua beleza, mas frente àquela mulher, refinada e visivelmente dona de si, ela sentiu-se um pouco retraída.
Sherylin, por sua vez, entrou no quarto sem cerimônia e fez sinal para que Ika fosse embora. Ika olhou para Daily, que assentiu.
- Bem, você deve ser Daily. – disse ela firmemente, sentando-se na poltrona próxima da cama, onde Daily se encontrava recostada nos travesseiros.
- Eu mesma. – confirmou Daily. – E a que devo a sua visita?
- O que desejo? – ela riu ironicamente. – Você chega do nada na vida de Mark, toma conta do castelo se dizendo a esposa e dele e pergunta o que desejo?
Daily ficou com raiva da forma como ela falou, mas procurou ficar calma.
- Sherylin, em primeiro lugar não me digo a esposa de Mark... Eu realmente sou a esposa dele. Em segundo lugar, caso não saiba, nós nos amamos.
Ela riu sarcasticamente:
- Mark me ama... Sempre me amou. Será que você não percebeu?
- A única coisa que sei é que Mark me ama, Sherylin. Assim como eu o amo. Não tenho dúvidas do amor dele.
- Você sabe que este casamento não vai durar, não é mesmo?
- Sinceramente, não sei quanto tempo vai durar, pois não posso prever o futuro. No entanto posso garantir que nosso amor é para sempre.
- Pensei que os Kasenkino não dessem tanto valor ao amor. – disse ela.
- Como... Você sabe que sou uma Kasenkina?
Sherylin riu novamente:
- Acho que ninguém sabia? Todos em Machia já sabem. E há como esconder? É só olhar para você para saber que é uma Kasenkina. Só faltou o véu para entregar sua verdadeira identidade.
- Não importa o fato de eu ser uma Kasenkina. Isso não muda o que eu sinto por Mark.
- Eu nasci para ser esposa de Mark. Eu cresci com ele sabendo que isso aconteceria um dia. E vem você e estraga todos os planos de uma vida toda.
- Sinto muito ter estragado seus planos. Não se pode m****r no coração, não é mesmo?
- Mark já disse que a ama? – perguntou ela. – Ele lhe falou sobre amor?
- Na verdade ele me diz isso todos os dias. – disse Daily. – E o que importa? O amor é muito mais que falar... O amor é preciso sentir.
- Eu nunca vou entender como Mark casou com uma Kasenkina... Vocês são a escória de todos os povos. Ainda sonho com o dia que todos serão caçados e pagarão, um a um, por todas as mortes que causaram.
- Não cabe a mim julgar meu povo ou o seu, Sherylin.
-Como pode nos comparar? Machia nunca matou tantas pessoas como vocês fizeram aqui. Seu povo é cruel, sem escrúpulos, traidor...
-Este ódio é do meu povo ou por eu ter casado com Mark? – perguntou Daily.
- Quantas pessoas inocentes morreram nas mãos de vocês...
- Muitos Kasenkinos também foram mortos nas mãos de soldados de Machia, inclusive pessoas inocentes.
- Sinceramente, eu não sei como Mark pôde fazer isso com seu próprio povo... Trazer você para cá foi uma afronta à memória do pai dele.
- Ele fez esta escolha... Poderia ter ficado com você não é mesmo? E ter seguido o que foi combinado entre os pais de vocês dois. Ainda assim ele preferiu desfazer o tratado e trazer uma Kasenkina para morar em Machia como sua esposa.
- Eu dei tudo que tinha a Mark... Ele não poderia ter feito isso.
- Amar é isso... Dar e doar o que se tem de melhor, sem pedir nada em troca. Eu dei a ele um filho... – falou Daily sentindo uma dor no coração ao tocar naquele assunto novamente.
Sherylin a fuzilou com o olhar:
- Você está grávida?
- Perdi o bebê...
- Perdeu o bebê? E como pode dar certeza de que este filho era de Mark?
Daily levantou-se. Estava nervosa. Aquelas palavras a ofenderam de tal forma que ela precisava pensar em algo para revidar a altura. Mas sentiu uma forte dor na cabeça.
- Ika. – falou ela em voz alta para que a mulher a ouvisse do quarto, mesmo sem ter certeza de onde ela poderia estar.
Ika entrou no mesmo momento que foi chamada. Certamente estava atrás da porta aguardando o desfecho da conversa. Antes que Daily pudesse falar o que sentia ou pedir ajuda, tudo começou a rodar. Ela percebeu a presença de Mark naquele instante. Ouviu algumas discussões, mas não conseguia identificar muito bem o que estava acontecendo.
Ela percebeu que Mark a deitou na cama. Ele falava, mas ela não entendia muito bem. Tudo rodava. Mas Sherylin ainda estava ali.
- Daily, meu amor, o que você tem? Fale comigo.
- Mark... Eu te amo.
- Daily, o que está havendo?
Daily permaneceu com os olhos fechados. Estava cansada. Mas conseguia ouvir a voz do doutor que havia vindo no outro dia vê-la.
- Como ela está? – perguntou Mark.
- Eu avisei que ela precisava descansar. – falou o médico. – A perda do bebê ainda é muito recente. Entendo que ela possa parecer forte, mas está extremamente fraca, Rei Mark.
- Ela não aceitou muito bem a perda do bebê... Mesmo não tendo nem nascido, sendo tão pequenino dentro dela...
- Ela não me parece saudável... Está muito magra e pálida. Fico pensando no que ela pode ter passado antes de chegar ao castelo. – disse o médico.
- Sim... A vida não foi muito fácil para ela.
- Não temos muito o que fazer, Rei Mark. Ela ainda inspira cuidados. Não pode ficar nervosa ou ter preocupações. Ela só precisa descansar e se recuperar de tudo que passou. Tanto o corpo quanto a cabeça dela precisam deste tempo.
- Eu vou cuidá-la, doutor. Obrigado por tudo.
Ela ouviu a porta fechar. E adormeceu novamente. Quando ela despertou sentiu seu rosto sendo acariciado. Abriu os olhos e viu Mark olhando-a. percebeu que já havia anoitecido.
- Mark... Você está aqui comigo? – falou ela alegremente.
- Fiquei o tempo todo com você, meu amor.
- Você... Foi ao povoado Kasenkino?
- Não... Eu não faria isso de forma alguma sem falar com você antes. Fui procurar Moa e Guerreira do Sol.
- E eles aceitaram vir morar no castelo?
- Infelizmente não. Eles são felizes lá... Não querem ir para outro lugar.
- Eles se amam tanto...
- Sim...
- Falei com Moa sobre tudo que aconteceu com você. – disse Mark.
- O que ele disse?
- Disse que teremos outro filho.
- Eu... Eu não quero... Não estou preparada para isso novamente, Mark.
- Meu amor, acalme-se. Não quero que fique preocupada com isso. Apenas quis que você percebesse que poderá ter outros filhos quando quiser.
- Eu... Tenho tanto medo.
- Você não precisa ter medo, Daily. Eu nunca mais vou deixá-la sozinha. Você está comigo e vou protegê-la para sempre. Nossos filhos sempre estarão seguros. – garantiu ele.
- Mark... Ika é a mulher que pegou o bebê de Terry.
Mark olhou-a confusa, um pouco incrédulo.
- Acredite em mim, Mark. É ela mesma. Ela me confessou. E o bebê de Terry pode estar vivo.
- Daily, se passou tanto tempo... E onde Ika deixou a criança... No reino?
Daily rapidamente lhe contou sobre tudo que sabia sobre o bebê de Terry que foi entregue nas mãos de Ika, que o devolveu para os Kasenkinos.
- Mas então qualquer um pode ser o filho de Terry... – falou Mark. – É praticamente impossível encontrar o verdadeiro herdeiro Kasenkino nessas circunstâncias.
- Mark, ele está vivo. E eu preciso encontrá-lo. Ele é a única salvação para o meu povo.
- Eu prometo ajudá-la no que for preciso. Mas não antes de você estar totalmente recuperada.
- Eu agradeço por poder contar com você, mesmo com tudo que meu povo lhe fez. Entretanto temos que agir rápido.
- Você precisa descansar, Daily. A sua saúde vem em primeiro lugar agora. Seu povo pode esperar depois de tudo que lhe fez.
Daily ficou calada e pensativa. Logo acabou adormecendo novamente.
Daily conseguia sentir as mãos de Erone junto das dela. Não sabia o que sentia naquele momento com relação a ele. Uma vida inteira de mentiras... Sentimentos que ela não sabia mais identificar. Sentia afeto por ele. Fora bom com ela tantas vezes... Mas ainda assim a oferecera em casamento ao próprio pai. Quem conseguia fazer isso e depois viver normalmente? Ele, o homem que trouxera a cabeça do rei Pollo para ser queimada entre os Kasenkinos. O homem que matou mais pessoas que todos os Kasenkinos juntos. Como Darla pudera amar aquele homem? Quem era Darla na verdade? Nem sequer Moa sabia daquele segredo que os dois esconderam. Sentimentos bons e ruins se misturavam a dor horrível que ela sentia. Um líquido quente escorreu por suas pernas e ela sabia que o bebê iria nasce
- Mas... Por que fizeram isto, Burt?- Ahau lhes prometeu ouro, muito ouro, se eles ajudassem na construção da muralha. E assim eles fizeram...- E de onde Ahau tiraria ouro para lhes dar?- Não havia ouro algum... Ahua mentiu para eles. E agora eles vão matar todos. Será o fim dos Kasenkinos. – disse ele rindo nervosamente, com os olhos não parando de mexer nunca.Percebia-se que ele estava visivelmente abalado com tudo e não parecia estar pensando bem. Falava rápido, olhava para todos os lados, com muito medo.- Burt... Você tem certeza de que eram os Naiguãs?- Sim... Muitos deles... Nunca vi tantos... Todos montados nos cavalos, seres místicos dos deuses.- E Ahua?- Mataram Ademoore... E muita gente.Daily o abraçou. Ela tinha tanto medo, mas Burt parecia estar mais amedrontado do que ela.- Burt, meu amigo, o que fizeram
Daily percebeu que Ika estava falando devagar, parecendo ter dificuldade em pronunciar as palavras.- Ika, você está bem? – perguntou ela preocupada.- Não me sinto muito bem...Daily podia ver o suor escorrendo pelo rosto dela e parecia estar sem ar. Daily gritou em desespero por socorro. Logo os empregados vieram em seu auxílio. O nervosismo tomava conta de Daily. Percebeu em sua boca uma espuma esbranquiçada. Quando o doutor chegou, ela ainda segurava na mão de Ika.Não demorou até que fosse dado o motivo da morte:- Envenenamento. – disse o doutor.- Como? – perguntou Daily chocada.- Um veneno forte, com certeza. Mas nada mais pode ser feito por ela, infelizmente. Era uma boa mulher. Fiel criada do rei Pollo e depois do rei Mark.Daily olhou para a xícara de chá próxima da cama e gritou em lágrimas:- Não pode
Mark entrou no quarto rapidamente, muito preocupado.- Daily, o que houve? Eu soube que o médico veio vê-la. Você está doente? Passou mal?- Está tudo bem, Mark. – disse ela deitada confortavelmente na cama.- Eu sabia que Sherylin não a deixaria em paz... Foi por isso que eu a proibi de entrar no castelo.- Ela não teve culpa... Inclusive me pediu desculpas. Disse que irá embora de Machia.- Sherylin lhe pediu desculpas? Sinceramente eu não acredito nas desculpas sinceras dela.- Ela pode ter percebido que nosso amor é real, Mark. Talvez tenha decidido não mais acabar com nossa felicidade. Que de nada adiantaria nos fazer mal...- Daily, não se iluda com Sherylin. Se tem uma coisa que ela sabe muito bem é como manipular as pessoas.- Eu não me importo com Sherylin, Mark. Tenho coisas mais importantes a tratar com você.
Daily despertou com os raios de sol batendo em seu rosto. Ika estava abrindo a janela para o sol entrar no quarto. Ela olhou para o lado e percebeu que Mark não estava mais ali. Ela levantou a cabeça e sentiu-se muito bem. Nem parecia que havia estado péssima nos últimos dias.- Parece bem melhor, senhora. – disse Ika sorrindo.- Realmente Ika, pareço uma nova pessoa.- Gostaria de banhar-se?- Eu adoraria.- Então me acompanhe, por favor.Ika levou Daily até um enorme quarto de banho. Jamais ela imaginou tomar um banho com água quente e perfumada. Os Kasenkinos não acreditariam que aquilo era possível. Mais uma vez ela fez comparativos e ficou chocada de quantos costumes diferentes entre os dois povos que viviam tão próximos.- Você vai ficar me olhando? – perguntou Daily para Ika.- Sim... Caso a senhora queira que eu a esfre
Daily estranhava um pouco ter Ika o tempo inteiro com ela, perguntando se queria algo, anunciando quem chegava, o que acontecia. Servia-lhe o tempo todo. Talvez com o tempo acostumasse com aquilo, mas por enquanto sentia-se um pouco presa. Talvez sentisse falta de sua liberdade, seus vestidos folgados, seus cabelos soltos e seus pés descalços pela floresta. Era acostumada a fazer as coisas pelos outros e não o contrário. As mulheres Kasenkinas nasciam para servir e não pra serem servidas. Primeiro serviam os pais e as mães até se casarem e servirem ao marido e aos filhos.Ela olhou para o enorme travesseiro ao lado do seu. Passou a mão com carinho depois sentiu o cheiro de Mark. Nem acreditava que ele havia passado a noite com ela, lhe dando tanto carinho que ela jamais imaginou receber. Tudo parecia um sonho. E naquele momento ela teve certeza que entre a liberdade, os pés descalços e a floresta, ela escol







