INICIAR SESIÓNDaily percebeu que Ika estava falando devagar, parecendo ter dificuldade em pronunciar as palavras.
- Ika, você está bem? – perguntou ela preocupada.
- Não me sinto muito bem...
Daily podia ver o suor escorrendo pelo rosto dela e parecia estar sem ar. Daily gritou em desespero por socorro. Logo os empregados vieram em seu auxílio. O nervosismo tomava conta de Daily. Percebeu em sua boca uma espuma esbranquiçada. Quando o doutor chegou, ela ainda segurava na mão de Ika.
Não demorou até que fosse dado o motivo da morte:
- Envenenamento. – disse o doutor.
- Como? – perguntou Daily chocada.
- Um veneno forte, com certeza. Mas nada mais pode ser feito por ela, infelizmente. Era uma boa mulher. Fiel criada do rei Pollo e depois do rei Mark.
Daily olhou para a xícara de chá próxima da cama e gritou em lágrimas:
- Não pode ser.
- O que houve, alteza? – perguntou o médico.
- O chá... Certamente havia veneno no chá.
O doutor pegou a xícara de chá e a olhou atentamente. Depois disse:
- Pode sim ter sido colocado no chá...
Daily estava em desespero. Não conseguia acreditar no que estava acontecendo.
- Alteza, precisa acalmar-se. – pediu o médico.
- Como vou ficar calma? Ika está morta por minha culpa. Este veneno era para mim. – disse ela.
- De onde veio este chá?
- Veio da cozinha do castelo, mas foi trazido por Sherylin.
- Acha que ela pode ter colocado veneno no chá?
- Tenho certeza de que foi ela, doutor.
- E onde ela está agora?
- Ela disse que iria partir... Já deve ter saído do reino...
- Precisa impedir a saída dela caso ainda não tenha ido, Alteza. – sugeriu o doutor.
- Eu... Não sei como posso fazer isso. – confessou Daily.
- Vou ver o que posso fazer...
O médico saiu e Daily ficou ali, olhando para o corpo sem vida de Ika sobre sua cama. Como não carregar a culpa pela morte da boa senhora, que se tornara sua única amiga nos últimos tempos? Além do mais, ela havia sido prevenida por Mark e pela própria Ika sobre as artimanhas de Sherylin e não havia dado ouvidos. Achava realmente que a moça poderia mudar e ser uma boa pessoa. Infelizmente ninguém mudava. Pessoas más morriam más. Esta era a verdade. Não havia como dar segundas chances às pessoas. A maldade tomava conta de todos. Há quanto tempo Sherylin planejara aquilo? Havia preparado a morte de Daily mesmo sabendo que ela esperava um filho...
Daily se retirou do quarto. Não queria nunca mais dormir naquele lugar. A lembrança de Ika ali ficaria para sempre.
Mark retornara algum tempo depois, sem ter encontrado o tal pó mágico explosivo. Sherylin havia escapado e não havia mais sido vista pelo reino ou estava sendo encoberta por todos. A rebelião não era contida e ainda exigiam de Mark as terras Kasenkinas em nome de sua devoção à Machia, pelo fato de estar casado com Daily. E a única alternativa ainda era uma forma de explodir a muralha.
Mesmo contrariado, mas sem alternativas, Mark foi obrigado a partir novamente em busca do que precisava para entrar no povoado Kasenkino. Tudo foi feito pela segurança de Daily dentro do castelo. A nova pessoa que ficava aos serviços dela era boa, mas Mark implorou que Daily não confiasse em ninguém, devido aos rebeldes poderem ter aliados dentro do castelo. Ele não falou, mas ela entendia que sua vida corria riscos em Machia. Ela sabia e sentia que a presença dela no reino não era bem vinda por ninguém a não ser pelo próprio rei e pela finada Ika. Ela também confiava no médico, que parecia ser uma pessoa sensata, fiel a Mark e preocupado com ela.
O tempo passou, cruel, sombrio e solitário como só ele podia ser. Ela estava em meio à muitas pessoas dentro do castelo, mas nunca em sua vida se sentiu tão sozinha. Mark não havia retornado ainda. E ela seguia os conselhos de não confiar em ninguém. A segurança do filho que crescia a cada dia era mais importante que qualquer coisa. O médico fazia visitas frequentes para acompanhar a gravidez e sempre dizia que tudo estava correndo bem e que a criança era saudável. A barriga já estava enorme, o bebê se mexia com muita frequência e o coração de Daily era todo dele. Apesar do medo que vivenciava morando dentro do castelo, ainda sabia que havia feito a escolha certa. Mark era sua vida e por ele qualquer coisa valia a pena. Queria muito que ele estivesse com ela, acompanhando o crescimento do filho, mas sabia que não era possível. Se Mark ainda não havia voltado, era porque ainda não conseguira resolver a situação que precisava. Jamais ele a deixaria sozinha se não fosse preciso. Embora se ouviam comentários de que o rei poderia estar morto, ela sentia que não era verdade. Sentia seu marido vivo, assim como o bebê deles que estava pronto para nascer a qualquer momento. O fato de Mark estar longe de Machia há muito tempo fez com que a força dos rebeldes crescesse ainda mais. O rei estava longe e eles tinham a Kasenkina que tanto odiavam ali, próxima deles e completamente desprotegida. E Daily entendia a fúria deles, pois se fosse o contrário e uma pessoa de Machia estivesse no povoado Kasenkino, aconteceria o mesmo sentimento de rejeição. Daily sentia que a luta dela e Mark para unir os dois povos parecia cada vez mais difícil e impossível, pois naquele momento, em que ela estava em Machia, ele estava viajando há muito tempo atrás de algo que poderia acabar com os Kasenkinos. Talvez fosse ilusão dela querer a paz entre dois povos que sempre se odiaram sem motivos. Faltava para eles amor... Como ela sentia por Mark. Somente o amor poderia mudar o que havia entre Machia e os Kasenkinos. Eles se amaram incondicionalmente, no momento em que se conheceram, sem saber a que povo cada um pertencia. E depois que os olhos deles se cruzaram, o amor já era forte o bastante para derrubar qualquer barreira. Os deuses haviam planejado aquele encontro. E aquele bebê que ela carregava era uma mistura dos dois povos. E isso lhe dava medo... Seu filho, herdeiro de Machia, futuro rei, seria odiado por carregar sangue Kasenkino? Deixariam algum dia ele assumir o trono? E se fosse uma menina? Certamente teria muito mais dificuldades para ter o que era dela por direito, principalmente o respeito dos dois povos. A saudade de Mark consumia Daily dia após dia. Tinha medo de nunca mais vê-lo. Tinha medo que ele não conhecesse o próprio filho ou filha.
Ouviu-se uma grande explosão e fumaça. Daily correu até a janela de sua torre. Ela não tinha dúvidas de que era no povoado Kasenkino. E Mark estava lá, certamente. Havia conseguido o tal pó mágico que tanto buscara e estava realizando o desejo de seu povo, mesmo a contragosto, pela segurança da esposa e do filho. Ela temia por seu povo, mas também sabia que não havia muito a fazer em seu estado. Só podia esperar por seu marido, morrendo de ansiedade e agonia.
A porta abriu-se de repente e duas empregadas assustadas entraram correndo nos aposentos da rainha:
- Senhora, precisa colocar logo um agasalho que está frio na rua. Vossa alteza precisa deixar o castelo imediatamente. Os plebeus invadiram.
Daily ficou ali, parada, olhando para as duas, segurança a própria barriga com medo de acontecer algo a seu bebê. No momento, somente a segurança do filho lhe preocupava.
O médico entrou no quarto com olhar perturbado. Uma criada rapidamente pegou um grosso manto e cobriu Daily, dizendo:
- Leve-a em segurança, doutor.
- Venha comigo, alteza. – disse ele.
Daily deu a mão para ele e seguiu-o rapidamente, sem nenhum guarda junto deles. Foram andando por vários corredores que começaram a ficar cada vez mais estreitos. Ela percebia que desciam o tempo todo. Tinha muitas perguntas para lhe fazer, mas não queria gastar energia. Somente andava o mais rápido que podia, mesmo com a barriga grande espremendo-se em alguns pontos estreitos. Chegaram a uma pequena porta, que ele abriu e ela pôde ver a luz do sol e um pequeno gramado a alguns passos da floresta.
- Alteza, é preciso que fuja daqui. – disse o médico.
- Eu... Para onde vou? – disse ela confusa.
- Qualquer lugar é mais seguro que este castelo para a senhora neste momento. Andando pela floresta poderá chegar ao seu povoado.
- Eu não posso ir para lá... Seria mais perigoso do que estar aqui em Machia.
- O Rei Mark foi enganado. Irão destroná-lo, pois não concordam com a união dele com uma Kasenkina. Fizeram uma armadilha e o colocaram dentro do povoado Kasenkino para morrer.
- Obrigada por sua devoção ao rei. – agradeceu Daily. – Obrigada por tudo que fez por mim, doutor.
Ele a abraçou:
- Cuide do bebê. Você deve saber o quanto ele é importante para os dois mundos.
Ela sorriu e saiu correndo adentrando na floresta. Ela andou sem rumo, até anoitecer. Não sabia para que lado ir. Estava completamente perdida dentro da mata. Achava que conhecia muito bem tudo, mas estava enganada. Só conhecia o trajeto dentro de seu próprio povoado Kasenkino. De repente ela não tinha mais forças para andar e a barriga começou a parecer mais pesada do que nunca. Ela sabia que precisava fugir, que o reino de Machia estava atrás dela, querendo sua morte. Mas não conseguia mais. Parou e sentou-se, sentindo o suor escorrer por seu pescoço mesmo naquela noite fria. Suas pernas doíam muito e seus pés pareciam não mais caber dentro do calçado que estavam. Em meio à tanta tristeza, medo e solidão, ela sentiu seu bebê mexer dentro dela e levou à mão carinhosamente à barriga. Novamente olhou para o céu e agradeceu aos deuses por terem lhe dado Mark e aquele filho. Olhando para cima ela viu a lua, sua testemunha de tantas coisas na vida e disse:
- Minha querida lua, testemunha do meu casamento... Só peço que me ilumine até encontrar Mark. Não posso morrer sem vê-lo pela última vez.
Ela não podia mais ficar parada. Precisava continuar seu caminho. A floresta continuava escura e ela ainda temia encontrar alguém... Tanto Kasenkinos quanto rebeldes de Machia. Sabia que qualquer um tinha como objetivo matá-la. E ela não temia por ela e sim pela vida do filho. Chegava de mortes por sua culpa. Era culpada pela morte da mãe, pela morte do primeiro filho, pela morte de Ika, pela tristeza de Burt e pela infelicidade de Erone. Não deixaria que mais ninguém sofresse ou morresse por sua culpa. A lua deu lugar ao sol e Daily andava perdida sem rumo pela floresta. Sentia fome e muita sede. O corpo, mesmo suado, tremia de frio pelo ar gelado dentro da floresta. Finalmente ela chegou o rio. Em algum lugar ela chegaria agora. Precisava beber água, mas as margens estavam congeladas. Ainda assim ela adentrou quebrando o gelo até finalmente pegar nas mãos água gelada para beber. Ela nem se deu conta de quanto tempo ficou ali, saciando sua sede com água pega entre o gelo. Quando ela saiu, olhou para o lado e viu a enorme muralha de pedra a sua frente, quase alcançando o céu. Correu até ela. Seus pés molhando estavam congelando. Mas ela ainda tinha esperanças... Estava no povoado Kasenkino. Mesmo sabendo do ódio que eles deviam estar sentindo dela, seu coração se aqueceu quando pensou em seu pai e em Burt. Ela começou a contornar a imensa muralha, certa de que encontraria uma entrada em algum ponto. E finalmente ela encontrou as pedras esfareladas no chão, abrindo o povoado. Mark havia conseguido. Mark... Ela sentiu o coração bater mais forte. Pensou em como e onde ele estaria naquele momento. Não podia morrer antes de encontrar seu grande amor. Morrer... Ela sentia que aquilo aconteceria... Sentia que sua hora estava chegando. Não via alternativas para que qualquer um dos povos a deixasse viver. Quando avistou o povoado, ela sentiu o coração apertado. Alguma coisa não estava certa. Tudo estava deserto... Não havia ninguém ali. Várias casas destruídas, algumas ainda com fogo baixo sendo consumidas. O que teria acontecido? O bebê continuava a mexer, pedindo a atenção de Daily. Ela sentia tanta fome...
Ela foi até a casa de Burt. Chamou, mas não foi atendida. A porta estava entreaberta e ela entrou. Estava tudo exatamente como ela deixou há tanto tempo atrás, quando deixara aquele lugar. Ela encontrou algumas frutas e comeu com muita vontade.
- Daily... É você mesma?
Ela demorou a reconhecer Burt, com a barba enorme, já não era mais tão magro com antes, mas os olhos eram os mesmos. O rosto limpo dera lugar a grandes tatuagens Kasenkinas, parecidas com as de Ahua, inclusive nos braços e nas mãos.
Ela parou de comer, amedrontada com a reação dele em vê-la ali depois de tanto tempo.
- Você não mudou nada. – disse ele.
Ela não falou nada. Não podia dizer o mesmo dele, que estava completamente mudado.
- Você está grávida.
- Burt...
- Sim, Daily, minha querida, sou eu.
Ele se aproximou devagar e colocou a mão na barriga dela. O bebê mexeu ao toque e ele sorriu.
- Ele mexeu para mim... – falou ele emocionado.
Ela sorriu em meio às lágrimas:
- Burt, estou tão feliz em ver você... – confessou ela.
Ele afastou-se, um pouco confuso e disse:
- Onde está seu outro bebê?
- Ele... Morreu.
- Morreu? – perguntou ele surpreso.
- Eu o perdi quando parti daqui...
- Onde você este tempo todo?
- Eu... Estava em Machia. – confessou ela. – Com meu marido.
- Você sempre sonhou conhecer o reino. – lembrou ele.
- Burt... O que está acontecendo aqui?
- Eles atacaram... E voltarão. – disse ele se abaixando e puxando ela para que fizesse o mesmo.
- Eles quem, Burt?
- Os Naiguã.
- Os Naiguãs... Atacaram o povoado? – perguntou ela confusa.
- Sim... E voltarão.
- Como pode ter tanta certeza disto?
- Eles prometeram voltar.
- Mas... Por que vieram? O que aconteceu?
- Uma explosão enorme... A muralha já era. Logo em seguida entraram os Naiguãs... Muitos, que nem dava para contar. Montavam cavalos, proibidos pelos deuses... E matavam... Matavam... E matavam... – ele pôs as mãos na cabeça, visivelmente abalado com tudo que vira.
Daily conseguia sentir as mãos de Erone junto das dela. Não sabia o que sentia naquele momento com relação a ele. Uma vida inteira de mentiras... Sentimentos que ela não sabia mais identificar. Sentia afeto por ele. Fora bom com ela tantas vezes... Mas ainda assim a oferecera em casamento ao próprio pai. Quem conseguia fazer isso e depois viver normalmente? Ele, o homem que trouxera a cabeça do rei Pollo para ser queimada entre os Kasenkinos. O homem que matou mais pessoas que todos os Kasenkinos juntos. Como Darla pudera amar aquele homem? Quem era Darla na verdade? Nem sequer Moa sabia daquele segredo que os dois esconderam. Sentimentos bons e ruins se misturavam a dor horrível que ela sentia. Um líquido quente escorreu por suas pernas e ela sabia que o bebê iria nasce
- Mas... Por que fizeram isto, Burt?- Ahau lhes prometeu ouro, muito ouro, se eles ajudassem na construção da muralha. E assim eles fizeram...- E de onde Ahau tiraria ouro para lhes dar?- Não havia ouro algum... Ahua mentiu para eles. E agora eles vão matar todos. Será o fim dos Kasenkinos. – disse ele rindo nervosamente, com os olhos não parando de mexer nunca.Percebia-se que ele estava visivelmente abalado com tudo e não parecia estar pensando bem. Falava rápido, olhava para todos os lados, com muito medo.- Burt... Você tem certeza de que eram os Naiguãs?- Sim... Muitos deles... Nunca vi tantos... Todos montados nos cavalos, seres místicos dos deuses.- E Ahua?- Mataram Ademoore... E muita gente.Daily o abraçou. Ela tinha tanto medo, mas Burt parecia estar mais amedrontado do que ela.- Burt, meu amigo, o que fizeram
Daily percebeu que Ika estava falando devagar, parecendo ter dificuldade em pronunciar as palavras.- Ika, você está bem? – perguntou ela preocupada.- Não me sinto muito bem...Daily podia ver o suor escorrendo pelo rosto dela e parecia estar sem ar. Daily gritou em desespero por socorro. Logo os empregados vieram em seu auxílio. O nervosismo tomava conta de Daily. Percebeu em sua boca uma espuma esbranquiçada. Quando o doutor chegou, ela ainda segurava na mão de Ika.Não demorou até que fosse dado o motivo da morte:- Envenenamento. – disse o doutor.- Como? – perguntou Daily chocada.- Um veneno forte, com certeza. Mas nada mais pode ser feito por ela, infelizmente. Era uma boa mulher. Fiel criada do rei Pollo e depois do rei Mark.Daily olhou para a xícara de chá próxima da cama e gritou em lágrimas:- Não pode
Mark entrou no quarto rapidamente, muito preocupado.- Daily, o que houve? Eu soube que o médico veio vê-la. Você está doente? Passou mal?- Está tudo bem, Mark. – disse ela deitada confortavelmente na cama.- Eu sabia que Sherylin não a deixaria em paz... Foi por isso que eu a proibi de entrar no castelo.- Ela não teve culpa... Inclusive me pediu desculpas. Disse que irá embora de Machia.- Sherylin lhe pediu desculpas? Sinceramente eu não acredito nas desculpas sinceras dela.- Ela pode ter percebido que nosso amor é real, Mark. Talvez tenha decidido não mais acabar com nossa felicidade. Que de nada adiantaria nos fazer mal...- Daily, não se iluda com Sherylin. Se tem uma coisa que ela sabe muito bem é como manipular as pessoas.- Eu não me importo com Sherylin, Mark. Tenho coisas mais importantes a tratar com você.
Daily despertou com os raios de sol batendo em seu rosto. Ika estava abrindo a janela para o sol entrar no quarto. Ela olhou para o lado e percebeu que Mark não estava mais ali. Ela levantou a cabeça e sentiu-se muito bem. Nem parecia que havia estado péssima nos últimos dias.- Parece bem melhor, senhora. – disse Ika sorrindo.- Realmente Ika, pareço uma nova pessoa.- Gostaria de banhar-se?- Eu adoraria.- Então me acompanhe, por favor.Ika levou Daily até um enorme quarto de banho. Jamais ela imaginou tomar um banho com água quente e perfumada. Os Kasenkinos não acreditariam que aquilo era possível. Mais uma vez ela fez comparativos e ficou chocada de quantos costumes diferentes entre os dois povos que viviam tão próximos.- Você vai ficar me olhando? – perguntou Daily para Ika.- Sim... Caso a senhora queira que eu a esfre
Daily estranhava um pouco ter Ika o tempo inteiro com ela, perguntando se queria algo, anunciando quem chegava, o que acontecia. Servia-lhe o tempo todo. Talvez com o tempo acostumasse com aquilo, mas por enquanto sentia-se um pouco presa. Talvez sentisse falta de sua liberdade, seus vestidos folgados, seus cabelos soltos e seus pés descalços pela floresta. Era acostumada a fazer as coisas pelos outros e não o contrário. As mulheres Kasenkinas nasciam para servir e não pra serem servidas. Primeiro serviam os pais e as mães até se casarem e servirem ao marido e aos filhos.Ela olhou para o enorme travesseiro ao lado do seu. Passou a mão com carinho depois sentiu o cheiro de Mark. Nem acreditava que ele havia passado a noite com ela, lhe dando tanto carinho que ela jamais imaginou receber. Tudo parecia um sonho. E naquele momento ela teve certeza que entre a liberdade, os pés descalços e a floresta, ela escol







