INICIAR SESIÓN- Mas... Por que fizeram isto, Burt?
- Ahau lhes prometeu ouro, muito ouro, se eles ajudassem na construção da muralha. E assim eles fizeram...
- E de onde Ahau tiraria ouro para lhes dar?
- Não havia ouro algum... Ahua mentiu para eles. E agora eles vão matar todos. Será o fim dos Kasenkinos. – disse ele rindo nervosamente, com os olhos não parando de mexer nunca.
Percebia-se que ele estava visivelmente abalado com tudo e não parecia estar pensando bem. Falava rápido, olhava para todos os lados, com muito medo.
- Burt... Você tem certeza de que eram os Naiguãs?
- Sim... Muitos deles... Nunca vi tantos... Todos montados nos cavalos, seres místicos dos deuses.
- E Ahua?
- Mataram Ademoore... E muita gente.
Daily o abraçou. Ela tinha tanto medo, mas Burt parecia estar mais amedrontado do que ela.
- Burt, meu amigo, o que fizeram com você.
- Eu? Seu amigo?
- Sim... Meu melhor amigo de toda vida. – disse ela. – Me responda, Burt, como Ahua se portou como líder Kasenkino?
- Um bom líder. – disse ele sem pensar muito.
- Ahua um bom líder? – perguntou ela confusa.
- Trabalhamos muito mais, mas comemos muito melhor. – se limitou ele a dizer.
- Burt, eu preciso que você me ajude a encontrar uma pessoa... Pode ser que você saiba de alguma história de alguém que se pareça...
- O que quer saber?
- Há muito tempo atrás... Um Kasenkino bebê foi deixado na beira do rio, próximo ao nosso povoado... E foi pego por uma mulher... Eu preciso achar esta pessoa, que foi encontrada no rio.
Ele riu e disse:
- Sou eu.
- Burt, isso é muito sério. Não quero que brinque com este assunto. Isso é muito importante para mim e para todos do povoado Kasenkino. Você sabe da origem de alguém que seja desta forma? Já ouviu algo sobre isso?
- Sou eu. – repetiu ele.
Daily ficou confusa. Não sabia se acreditava ou não em Burt e nem tinha certeza da sensatez dele falando com ela.
- Burt, este bebê, que hoje é um homem, é herdeiro do trono Kasenkino, o verdadeiro líder.
Burt levantou-se do canto que se escondia. Daily fez o mesmo. Precisava continuar aquela conversa e aprofundar a certeza que ele tinha de que era o bebê encontrado no rio. De repente ele começou a sacudi-la com força pelos ombros, machucando-a.
- Você continua a mesma pessoa, não?
Ele apertava os dedos com força na pele frágil dela, fazendo doer intensamente.
- Burt, por favor, me solte... Você está me machucando. – falou ela amedrontada.
- Machucando? – ele riu ironicamente, sem soltar as mãos fortes dela. – Você tem noção de quanto tempo você me machucou, Daily?
- Burt... Está doendo.
Ela não conseguiu conter as lágrimas devido à dor das sacudidas fortes e o aperto dos dedos dele que chegava com força aos seus ossos.
- Você não é minha amiga, Daily. Nunca foi. – disse ele olhando profundamente nos olhos dela. E ela sentiu o ódio que ele tinha dela.
- Crescemos juntos... Sempre confiei em você.
- Nunca foi minha amiga. Somente me usou o tempo inteiro para seus próprios interesses.
Daily percebeu o quanto ele estava magoado e certamente nada mudaria aquilo.
- Pois bem, Burt, me solte que eu vou lhe contar um grande segredo, que só contaria ao meu melhor amigo. – disse ela.
Ele soltou-se imediatamente.
- Não chore, Daily. Não quero fazê-la chorar. Mas embora eu ame você, quero muito que você sofra.
- Burt, o garoto que foi encontrado no rio... Ele é filho de Ahau. Por isso é herdeiro do líder Kasenkino, nosso verdadeiro chefe.
- E por que não acredita quando eu digo que eu sou o bebê? Eu fui encontrado por minha mãe no rio, ainda bebê. Ela me criou e me contou a verdade antes de morrer. Mas nem por isso eu a amei menos. Pelo contrário, a admirei ainda mais por toda sua garra e tudo que fez por mim. Ela foi uma verdadeira guerreira... Mas nunca deixou que eu fosse um. Achou melhor que eu fosse ferreiro para ficar mais protegido.
Daily ficou ainda mais confusa. Não sabia se acreditava ou não em Burt, mas realmente sabia que ele havia sido criado somente pela mãe, embora nunca procurou saber o que havia acontecido com o pai dele. E sobre ele ser ferreiro, também era verdade que a mãe nunca quisera que ele fosse para as batalhas e havia feito aquilo para que ele ficasse próximo dela. Mas jamais passou por sua cabeça que ele poderia ser o filho de Ahau e Terry. Mas sim, fazia sentido. Se poderia ser qualquer um, por que não Burt?
- Burt, isso é muito sério e importante não só para mim mas para todos os Kasenkinos. Você tem certeza disto?
- Não sou um mentiroso como você.
Burt começou a chorar, deixando Daily confusa.
- Então talvez Ahau era meu pai... Esteve tão próximo de mim o tempo todo e eu não sabia...
- Eu... Sinto muito. Ninguém sabia.
Ele continuou ali, imerso nos próprios pensamentos. Ela continuou:
- Burt, se você é quem diz ser, você é o verdadeiro chefe Kasenkino. Precisa sair daqui e lutar por nosso povo.
- Deixe-o em paz. – disse alguém entrando pela porta dos fundos.
Daily reconheceu o pai pela voz. Estava tão envelhecido naquele pouco tempo. O coração dela se emocionou e ela correu até ele, lhe dando um forte abraço, que não foi correspondido. Aos poucos ela foi se afastando, não conseguindo sentir absolutamente nada, nenhum tipo de afeto nele. Ele falou, como uma rocha:
- Vá embora daqui. Deixe-o em paz.
- Meu pai... Quanta saudade. Você está bem? – tentou ela uma reaproximação.
- Estou muito bem. – disse ele olhando seriamente para a barriga dela, fixo no bebê que ela trazia dentro de si.
- Meu pai, ao que tudo indica, Burt é o novo líder Kasenkino.
- Como você soube disso tudo? – perguntou Erone certamente ouvindo tudo que eles falavam há um tempo.
- Terry me contou. – confessou ela.
- Terry está morta. – disse Erone.
- Terry não está morta... Ela vive na floresta desde que foi banida. Eu mesma falei com ela.
- Quem você pensa que é para vir aqui tentar tirar Ahua do poder?
- Ahau estava comigo quando Ahau me implorou, em seu leito de morte, que encontrasse o filho dele e lhe desse seu verdadeiro lugar entre os Kasenkinos. Ele mesmo avisou a Ahua que ele estaria no poder até o herdeiro ser encontrado.
- Você não está falando coisa com coisa, Daily. Não deve estar bem. – falou Erone.
- Tudo que falo é verdade, meu pai. Vim até aqui para dizer a verdade a todos.
- Está grávida. – disse ele.
- Sim, espero um filho, também herdeiro.
- Onde deixou seu outro filho?
Daily não conteve as lágrimas ao relembrar a perda de seu bebê e perceber que estava junto dos dois homens que eram um pouco responsáveis pela perda, quando a deixaram na rua, na tempestade, no meio da floresta, sem lhe dar abrigo por sequer uma noite.
- Eu o perdi. – disse ela.
- E seu marido? A deixou?
- Eu só quero ajudá-los... E eu prometi a Ahau. Esperei muito para ajudar meu povo... E vim até aqui para isso. Ahua não merece ser líder dos Kasenkinos. Ele mentiu para todos. Ele sempre soube que havia um verdadeiro herdeiro que poderia ser encontrado.
- Você veio aqui para trazer desgraça e discórdia, como sempre. Você não traz sorte aos Kasenkinos... Nunca deu valor ao nosso povo... Sempre questionou nossas tradições.
- Meu pai, acredite, só quero ajudar todos. Burt é o verdadeiro líder Kasenkino. Precisamos dar a ele o que é dele por direito. Foi o último pedido de Ahau.
- Minha mãe... Está viva? – perguntou Burt olhando para Daily confuso.
- Sim, Burt... Terry está viva.
- Burt, se você realmente é o novo líder Kasenkino você precisa fazer cumprir nossas leis. – disse Erone. – Daily nos traiu... Traiu nosso povo. Ela merece a morte e o sacrifício aos deuses em nome do perdão ao nosso povo.
- Você não pode estar falando isso. – disse Daily perplexa olhando para o pai.
- Vamos, Burt. Mate a traidora.
Burt obedeceu Erone e pegou Daily pelo pescoço, levando-a com força até o centro do povoado. Ele a jogou com força no chão, machucando-a com o tombo.
- Burt... Eu só tentei ajudar... – disse ela sentindo dor, especialmente na barriga.
- Mas você infelizmente não me ama, Daily. – disse ele sem demonstrar nenhum tipo de sentimento.
- Eu gosto de você... Sempre gostei. Mas realmente não o amo como você gostaria. Desculpe-me.
Daily olhou para os dois e só via ódio nos olhos deles. Em sua volta, somente destruição do que um dia foi o povoado Kasenkino.
Daily olhou para o pai e disse:
- Como pode fazer isso comigo? Como pode pedir a morte de sua própria filha?
- Você não é minha filha. – disse ele seriamente.
Burt amarrou as mãos de Daily no alto de um grande tronco de madeira que havia no círculo de oferendas e sacrifícios.
- Minha intenção foi sempre ajudar a todos. Vocês são o meu povo. – disse ela.
- Daily, meu amor... É preciso. – lamentou Burt. – Como novo líder Kasenkino eu preciso cumprir as regras e leis do nosso povo, as quais você nunca soube respeitar e aceitar. E você nos traiu... Da pior forma possível.
- Burt... Eu não acredito que você vai fazer isso comigo. – falou ela aos prantos. Mais uma vez ela não se importava consigo mesma, mas com o filho que carregava. Não acreditava no que estava acontecendo naquele momento, que seria sacrificada por seu melhor amigo e seu próprio pai.
- Meu pai, sou eu, Daily, sua filha... Carrego no ventre seu neto... Como pode fazer isso?
Ela estava tão cansada que não tinha quase mais forças para lutar.
- Eu vou repetir: você não é minha filha. – afirmou Erone.
- O senhor até pode desejar isso, meu pai, mas eu sempre serei a sua filha, por mais que me odeie.
Erone esbofeteou-a e ela nada pôde fazer. Permaneceu ali, amarrada, sentindo todo ódio e dor que aqueles dois homens podiam lhe causar.
- Estou falando a verdade que jurei nunca falar. – disse Erone. – Você não é minha filha.
- Meu pai... – implorou ela.
Ela sentia que a morte estava cada vez mais próxima, como sentira na floresta. Era tanto ódio emanando daquele lugar que ela sentia que realmente não queria nunca te pertencido aquele povo e aquele lugar. Seu único desejo era ver Mark antes de partir para sempre.
- Darla é sua mãe... Mas eu não sou seu verdadeiro pai. – falou Erone.
- Quem... É meu pai? – perguntou ela já aceitando que ele falava a verdade.
Erone ficou calado. Ahua apareceu de repente, vestido somente com uma calça larga, o corpo tatuado por todos os deuses e espíritos antigos Kasenkinos. Uma espada na cintura e sangue mostravam que ele havia lutado por sua vida e talvez pelo povo.
- Olha quem os espíritos nos trouxeram... Daily, a traidora. – disse ele ironicamente.
Outros Kasenkinos foram surgindo após Ahua sair da floresta, formando um círculo ao redor de Daily, a traidora.
- Lembram de Daily, a traidora? – disse Ahua em voz alta. – Que pena merece uma mulher que trai seu marido e principalmente o próprio povo indo embora para o reino inimigo?
- Morte. – gritaram todos juntos.
- Ela tem no ventre um filho... O filho do Rei de Machia. O que ela merece?
- Morte. – gritaram todos novamente.
Daily respirou fundo, sentindo gosto de sangue na boca. Depois disse, o mais alto que conseguiu:
- Escutem todos... Ahua não é líder de vocês. Burt é o verdadeiro líder Kasenkino, filho de Ahau.
- Como consegue inventar tamanha mentira? – perguntou Ahua. – Acha que alguém acreditaria em você?
- É a verdade... E você sabe, Ahua. O último pedido de Ahau foi que eu encontrasse o filho dele... E eu consegui.
- Nos envergonha quando faz menção de que pertence a este povo, Daily. Você não é uma de nós... Nunca foi.
- Ahua, você sabe que estou dizendo a verdade. – falou ela fraca.
- Além de traidora, você é mentirosa. – disse ele lhe dando um tapa na face.
- Vou morrer... – disse ela. – Mas cumpri a promessa que fiz a Ahau de encontrar o filho dele. – Eu fiz o que me era destinado... Mas se vocês não acreditam, eu nada posso fazer para salvá-los da ira de Ahua e de toda ganância dele.
- Morra. – disse Ahua entre dentes.
- Antes eu quero sabe quem é meu pai. – falou ela olhando para Erone, já certa de que não era mesmo filha dele.
Erone aproximou-se dela e disse:
- Deseja mesmo saber quem é seu pai?
- Por favor... Só peço isso.
- Você é filha de Ahau.
Todos ficaram surpresos com a revelação. Até mesmo Ahua olhou para Erone confuso, buscando respostas que certamente não teria naquele momento.
- Isso não é verdade, meu povo. – gritou Ahua.
- É verdade. – falou Erone. – Ahau possuiu Darla e lhe deixou um filho no ventre.
- Isso é mentira. – gritou Daily. – É mentira.
Daily olhou para Burt e disse em voz baixa, aos prantos:
- Você é meu irmão, Burt. Somos filhos do mesmo pai... Eu não posso acreditar que crescemos juntos sem sabermos da verdade.
- Você pode ter inventado toda esta história. – disse Burt confuso. – Somente para que Ahua fosse destronado.
- Burt, eu jamais faria isso... Procurei você por tanto tempo... Acredite em mim. – implorou ela.
- Eu não posso, Daily. Ninguém aqui acredita em você. – falou ele.
Daily tentou tirar forças de onde não tinha para novamente falar:
- Ouçam todos... Se realmente sou filha de Ahau eu sou a herdeira da liderança de nosso povo... Não podem deixar que me matem...
Daily percebeu que havia deixado todos confusos. Havia poucos Kasenkinos ali, provavelmente os demais estavam mortos. E os que estavam ali permaneciam armados esperando por uma nova guerra que poderia acontecer a qualquer momento. Ahua exigiu silêncio e foi atendido. Logo ele disse:
- Não percebem que Erone, com pena de a própria filha ser sacrificada inventou tudo isso para protegê-la? Matem ele também. Os mentirosos precisam morrer juntos.
Enquanto Erone era colocado de costas para Daily, também amarrado, ela perguntou:
- Tudo que o senhor me disse hoje é verdade? – perguntou ela. – Ou Ahua está certo?
- Eu falei a verdade, Daily. – ele disse.
- Permitiria que eu me casasse com meu próprio pai?
- Eu só queria que Ahau sofresse tudo que eu sofri quando soube que Darla estava esperando um filho dele...
- Ahau... Ele sabia?
- Não... Darla nunca quis que ele soubesse... Ela pediu que eu assumisse o lugar de pai... O nosso amor era verdadeiro... O resto foi tudo ilusão e tristeza... – lamentou ele.
Daily conseguia sentir as mãos de Erone junto das dela. Não sabia o que sentia naquele momento com relação a ele. Uma vida inteira de mentiras... Sentimentos que ela não sabia mais identificar. Sentia afeto por ele. Fora bom com ela tantas vezes... Mas ainda assim a oferecera em casamento ao próprio pai. Quem conseguia fazer isso e depois viver normalmente? Ele, o homem que trouxera a cabeça do rei Pollo para ser queimada entre os Kasenkinos. O homem que matou mais pessoas que todos os Kasenkinos juntos. Como Darla pudera amar aquele homem? Quem era Darla na verdade? Nem sequer Moa sabia daquele segredo que os dois esconderam. Sentimentos bons e ruins se misturavam a dor horrível que ela sentia. Um líquido quente escorreu por suas pernas e ela sabia que o bebê iria nasce
- Mas... Por que fizeram isto, Burt?- Ahau lhes prometeu ouro, muito ouro, se eles ajudassem na construção da muralha. E assim eles fizeram...- E de onde Ahau tiraria ouro para lhes dar?- Não havia ouro algum... Ahua mentiu para eles. E agora eles vão matar todos. Será o fim dos Kasenkinos. – disse ele rindo nervosamente, com os olhos não parando de mexer nunca.Percebia-se que ele estava visivelmente abalado com tudo e não parecia estar pensando bem. Falava rápido, olhava para todos os lados, com muito medo.- Burt... Você tem certeza de que eram os Naiguãs?- Sim... Muitos deles... Nunca vi tantos... Todos montados nos cavalos, seres místicos dos deuses.- E Ahua?- Mataram Ademoore... E muita gente.Daily o abraçou. Ela tinha tanto medo, mas Burt parecia estar mais amedrontado do que ela.- Burt, meu amigo, o que fizeram
Daily percebeu que Ika estava falando devagar, parecendo ter dificuldade em pronunciar as palavras.- Ika, você está bem? – perguntou ela preocupada.- Não me sinto muito bem...Daily podia ver o suor escorrendo pelo rosto dela e parecia estar sem ar. Daily gritou em desespero por socorro. Logo os empregados vieram em seu auxílio. O nervosismo tomava conta de Daily. Percebeu em sua boca uma espuma esbranquiçada. Quando o doutor chegou, ela ainda segurava na mão de Ika.Não demorou até que fosse dado o motivo da morte:- Envenenamento. – disse o doutor.- Como? – perguntou Daily chocada.- Um veneno forte, com certeza. Mas nada mais pode ser feito por ela, infelizmente. Era uma boa mulher. Fiel criada do rei Pollo e depois do rei Mark.Daily olhou para a xícara de chá próxima da cama e gritou em lágrimas:- Não pode
Mark entrou no quarto rapidamente, muito preocupado.- Daily, o que houve? Eu soube que o médico veio vê-la. Você está doente? Passou mal?- Está tudo bem, Mark. – disse ela deitada confortavelmente na cama.- Eu sabia que Sherylin não a deixaria em paz... Foi por isso que eu a proibi de entrar no castelo.- Ela não teve culpa... Inclusive me pediu desculpas. Disse que irá embora de Machia.- Sherylin lhe pediu desculpas? Sinceramente eu não acredito nas desculpas sinceras dela.- Ela pode ter percebido que nosso amor é real, Mark. Talvez tenha decidido não mais acabar com nossa felicidade. Que de nada adiantaria nos fazer mal...- Daily, não se iluda com Sherylin. Se tem uma coisa que ela sabe muito bem é como manipular as pessoas.- Eu não me importo com Sherylin, Mark. Tenho coisas mais importantes a tratar com você.
Daily despertou com os raios de sol batendo em seu rosto. Ika estava abrindo a janela para o sol entrar no quarto. Ela olhou para o lado e percebeu que Mark não estava mais ali. Ela levantou a cabeça e sentiu-se muito bem. Nem parecia que havia estado péssima nos últimos dias.- Parece bem melhor, senhora. – disse Ika sorrindo.- Realmente Ika, pareço uma nova pessoa.- Gostaria de banhar-se?- Eu adoraria.- Então me acompanhe, por favor.Ika levou Daily até um enorme quarto de banho. Jamais ela imaginou tomar um banho com água quente e perfumada. Os Kasenkinos não acreditariam que aquilo era possível. Mais uma vez ela fez comparativos e ficou chocada de quantos costumes diferentes entre os dois povos que viviam tão próximos.- Você vai ficar me olhando? – perguntou Daily para Ika.- Sim... Caso a senhora queira que eu a esfre
Daily estranhava um pouco ter Ika o tempo inteiro com ela, perguntando se queria algo, anunciando quem chegava, o que acontecia. Servia-lhe o tempo todo. Talvez com o tempo acostumasse com aquilo, mas por enquanto sentia-se um pouco presa. Talvez sentisse falta de sua liberdade, seus vestidos folgados, seus cabelos soltos e seus pés descalços pela floresta. Era acostumada a fazer as coisas pelos outros e não o contrário. As mulheres Kasenkinas nasciam para servir e não pra serem servidas. Primeiro serviam os pais e as mães até se casarem e servirem ao marido e aos filhos.Ela olhou para o enorme travesseiro ao lado do seu. Passou a mão com carinho depois sentiu o cheiro de Mark. Nem acreditava que ele havia passado a noite com ela, lhe dando tanto carinho que ela jamais imaginou receber. Tudo parecia um sonho. E naquele momento ela teve certeza que entre a liberdade, os pés descalços e a floresta, ela escol







