Compartir

Capítulo 34

last update Fecha de publicación: 2021-09-08 03:19:01

Daily conseguia sentir as mãos de Erone junto das dela. Não sabia o que sentia naquele momento com relação a ele. Uma vida inteira de mentiras... Sentimentos que ela não sabia mais identificar. Sentia afeto por ele. Fora bom com ela tantas vezes... Mas ainda assim a oferecera em casamento ao próprio pai. Quem conseguia fazer isso e depois viver normalmente? Ele, o homem que trouxera a cabeça do rei Pollo para ser queimada entre os Kasenkinos. O homem que matou mais pessoas que todos os Kasenkinos juntos. Como Darla pudera amar aquele homem? Quem era Darla na verdade? Nem sequer Moa sabia daquele segredo que os dois esconderam. Sentimentos bons e ruins se misturavam a dor horrível que ela sentia. Um líquido quente escorreu por suas pernas e ela sabia que o bebê iria nascer. Ela olhou para Burt, implorando pela própria vida.

- Não adianta, Daily, você não tem provas do que está falando. – disse Ahau. – Ninguém acredita em você, nem mesmo Burt. E não se iluda, você não é filha de Ahau. Erone está mentindo.

- Por isso você me odiou sempre. – falou Daily para Ahua.

Todos ficaram imóveis olhando a mulher vestida com armadura reluzente do sol, trazendo nas mãos uma enorme espada e montada num cavalo, o animal sagrado dos Kasenkinos. Vestia-se como uma guerreira de Machia, trazendo no peito o brasão do reino, no entanto tinha todo traço de uma Kasenkina. A enorme cicatriz no rosto mostrava a bravura das batalhas que ela havia lutado.

- Quem é você? – perguntou Ahua. – O que faz aqui?

- Sou Terry. – gritou ela para ser ouvida por todos. – Lembra-se de mim, Ahua?

- Mentira... Terry está morta. – falou ele pouco convincente.

- Você gostaria que eu estivesse morta e fez de tudo para que isto acontecesse. Mas eu vivi... – ela riu. – Vivi para presenciar o dia de hoje, povo Kasenkino.

- O que você quer aqui?

- Povo Kasenkino, ouça-me, por favor. – gritou ela erguendo a espada para o alto.

Todos se calaram, olhando para a mulher guerreira reluzente de sol.

- Eu sou Terry... Muitos de vocês nem souberam da minha existência. Fui esposa de Ahau ate Ahua achar que eu não era boa o suficiente para ele. Confesso que eu nunca amei meu marido, mas o respeitava. No entanto, meu coração sempre pertenceu a um Kasenkino que todos vocês conhecem: Moa. Ahua insistiu no meu casamento com Ahau por um só motivo: ele me desejava para si. E assim foi. Eu era esposa de Ahau, mas era obrigada a traí-lo com seu fiel conselheiro Ahua, sem contar nada, pois os deuses poderiam me punir. Um dia eu tive coragem e contei para meu marido o que acontecia. Mas ele não acreditou em mim. Confiou no melhor amigo dele e feiticeiro do povo. Só que ele nunca soube que Ahua nunca foi amigo de ninguém... E duvido que seja feiticeiro de verdade. Ele sempre disse ouvir os espíritos antigos... Mas sempre foi o maior inimigo Kasenkino. Quando se cansou de mim, ele mentiu que os espíritos queriam que Darla, mãe de Daily, fosse esposa de Ahau. Tudo isso porque ele passou a se interessar por ela e não mais por mim. Aproveitou para dizer ao líder que eu mentia sobre ele e que era hora de me banir para longe do meu próprio povo. Eu sempre cumpri com todas as regras... No entanto tive que partir contra vontade por não ser bela o suficiente para ele e por ter falado a verdade. Mas ninguém sabia que eu trazia um filho no ventre. Um filho do líder Kasenkino Ahau. Não havia como criar meu filho no lado escuro da floresta, para onde fui mandada e vigiada por muitas e muitas luas. Não tendo como criar meu filho e como meio de lhe fazer sobreviver, o entreguei a uma mulher do reino de Machia, pedindo que ela o cuidasse para mim. Ela, com medo de criar um bebê Kasenkino no reino, o trouxe de volta e o deixou no rio até que uma Kasenkina o pegasse e o levasse dali, deixando-o em segurança entre seu próprio povo. E uma bondosa mulher o criou dentro de seu próprio povo, sem saber que ela era o verdadeiro herdeiro Kasenkino. Não houve um só dia em que eu não pensei nele e em como ele estava. – Terry olhou para Burt.

Burt foi até Terry e ajoelhou-se em frente ao cavalo da Guerreira do Sol.

- Tudo é mentira. – falou Ahua.

- Matem Ahua. – gritou Burt. – Como novo líder Kasenkino, ordeno que matem Ahua.

Em pouco tempo, cercaram Ahua e enfiaram em seu peito nú uma lança, matando-o. Daily observou tudo assustada. Sempre desejou que aquele homem fosse punido, mas nunca pensou que fosse daquela forma, rápida, sem que ele tivesse tido tempo sequer de lutar ou se arrepender ou mesmo pedir abrigo aos deuses. Ela via o sangue escorrer dele e sentia cada vez mais dores pélvicas, sentindo o filho querer vir ao mundo naquele momento, enquanto ela estava amarrada em meio ao povo Kasenkino, sendo julgada por sua traição de amar e partir com o seu pai, rei de Machia. Agora todos sabiam da verdade e ela, mesmo sabendo que era filha de Ahau tanto quanto Burt, desejava que tudo não fosse em vão e que ele fosse um bom líder Kasenkino, que trouxesse prosperidade, união e amor ao povo junto a Machia. Ela só desejava naquele momento ver Mark, que ele estivesse com ela quando o bebê nascesse.

- Soltem Erone. – ordenou Burt.

Assim foi feito. Erone foi solto.

- Agora ordene que soltem Daily. – pediu Terry firmemente, olhando para Burt.

- Daily nos traiu. Merece a morte. – falou Burt.

Daily não acreditava no que ouvia. O próprio irmão ordenava que ela fosse morta, mesmo sendo ela a responsável por todo poder que ele tinha naquele momento. Ela fechou os olhos. Sentiu que não havia mais muito que fazer. Morreria ali, junto de seu filho, sem ver Mark pela última vez. Já nem lembrava do rosto dele, do cheiro... Ela lembrou-se dos encontros no rio durante a noite, o dia em que se conheceram, o primeiro beijo, a primeira noite de amor... Era isso que lhe restaria. Somente lembranças. Onde estaria seu marido naquele momento?

Vários cavaleiros entraram entoando espadas gigantescas no povoado Kasenkino, com o emblema de Machia no peito. Terry ergueu sua espada e começou a lutar junto deles. Daily via tudo acontecer ali, amarrada ao próprio pai que não era pai. Mas ela não estava esquecida. Burt foi até ela e trazia uma pequena espada esculpida por ele mesmo, extremamente afiada. Primeiro ele a encostou na barriga dela e depois foi subindo lentamente até sua garganta, fazendo-a sentir todo o medo e dor que uma pessoa podia sentir ao perceber que perderia a vida junto do filho no ventre.

Ela não tinha mais forças para lutar. Nem para falar. Muito menos para mudar o que o destino havia lhe reservado. Ela viu a faca cair no chão e Burt ser morto na sua frente, por uma espada aferida em suas costas. Ele caiu lentamente, olhando para ela, deixando Mark a frente de seus olhos. Ela não conseguia dizer nada. Ele rapidamente cortou a corda e pegou no colo, levando-a para junto dele em seu cavalo. Ela não sabia se era um sonho... Ou se já estava morta e sentindo seu marido junto de si. Ela via sangue e morte por todos os lados, mas ela estava partindo dali com Mark. Enquanto deixavam o povoado Kasenkino, ela viu os Naiguãs chegando, sedentos de sangue, não importava de qual povo vinha.

- O bebê está nascendo. – ela conseguiu dizer num fio de voz.

Enquanto eles corriam pela floresta a galope, ela percebeu que eram seguidos por alguém também à cavalo. Quando chegaram ao rio, Mark desceu Daily e empunhou a espada pronto para lutar, quando reconheceu Terry.

- Não tema, Mark, sou eu. – disse ela descendo do animal.

- Eu sabia que minha melhor guerreira nunca me abandonaria. – falou ele.

- Por Machia. – disse ela erguendo a espada.

Moa já os esperava do outro lado do rio. Ela foi transportada nos braços de Mark com a ajuda de Terry na travessia.

- Minha menina, eu sabia que você estava viva. – disse Moa quando a viu.

- Moa... O bebê vai nascer.

Moa começou a auxiliá-la a ter o bebê. Ela sentia muita dor e percebia o sangue em sua roupa.

- Você precisa fazer força para ele nascer, minha querida. – disse Moa.

Ela tentava, mas não tinha forças para conseguir tirar o filho. Estava exausta. Não lembrava quando havia dormido e comigo pela última vez. Sentia o frio da água sobre seu corpo, fazendo-a tremer involuntariamente.

- Daily, olhe para mim. - pediu Moa. – É seu amado filho... Você consegue, minha menina. Você é a Kasenkina mais forte que eu já conheci. Eu sei que você pode fazer isso.

- Eu não posso, Moa... Não tenho mais forças... Eu sinto que vou morrer.

- Sua mãe morreu assim. – falou ele. – Ela não conseguiu lutar contra o destino. Mas você vai conseguir. Os deuses planejaram este bebê. Os espíritos antigos Kasenkinos estão todos aqui conosco neste momento. Darla está com você e ela vai ajudá-la. Acredite...

Daily respirou profundamente entre as lágrimas que não paravam de correr e fez toda força que conseguiu até ouvir o choro de seu filho ecoando na floresta, entre o som da correnteza do rio.

- Um menino. – disse Moa entregando a criança a Mark, que logo o cobriu.

- Eu sabia que seria menino. – disse ela entre lágrimas.

Ela sentia-se exausta, mas seu filho estava ali, vivo, mesmo depois de tudo que ela havia passado. Não havia dúvidas de que os deuses e os espíritos estavam com eles naquele momento.

- Nosso filho. – disse Daily entregando o bebê nos braços dela.

- Eu te amo, Mark.

- Eu amo você mais que nunca. Você me deu o nosso filho.

Mark pegou ela junto do filho nos braços e os levou para abrigarem-se do frio na cabana de Terry.

Terry a limpou e vestiu-lhe uma roupa limpa. Ela pegou o filho novamente, não conseguindo conter a emoção.

- Ele é lindo e saudável. – disse ela.

- Como vai chamá-lo? – perguntou Moa.

- Pollo. – responderam os dois ao mesmo tempo.

Daily olhou para Terry e disse:

- Daily... Desculpe-nos... Matamos seu filho.

Terry respirou fundo e disse:

- Será que era mesmo o meu filho, Daily? Nunca teremos certeza disto. Sim, poderia ser Burt... Mas também pode ser qualquer Kasenkino na idade dele... Ou talvez ele nem tenha sobrevivido. Confesso que fiquei feliz ao vê-lo e acreditar que ele podia ser o meu bebê que entreguei há tanto tempo atrás. Mas quando vi a atitude dele com relação a você meu coração me disse que não era ele, Daily. E meu coração nunca me enganou... Você é a única e verdadeira líder Kasenkina. Você é a filha de Ahau. E agora entendo o motivo de os deuses terem feito você e Mark se encontrarem. Líderes de povos opostos com um bebê com um só sangue correndo dentro dele. Este bebê é a união e salvação dos povos.

- Nunca poderemos saber a verdade, não é mesmo, Terry?

- Infelizmente, não, menina.

Moa pegou o bebê nos braços e disse:

- Você é um pequeno milagre, meu menino.

- Filho legítimo dos herdeiros dos dois povos: Machia e Kasenkinos. – disse Mark.

- Moa, ele vai conseguir fazer com que os dois povos se unam e esqueçam este ódio de toda uma vida? – perguntou Daily.

Moa sorriu:

- Na verdade, não. Você e Mark são os responsáveis por isso. O pequeno Pollo só seguirá o legado de seus pais... E liderará um só povo. Um povo que um dia foi dois. – confirmou ele.

Daily olhou para Mark. Ela estava cansada, exausta. Mas sabia que eles ainda tinham muito a fazer. Estavam sendo caçados por Machia e pelos Kasenkinos. E nada deteria os dois povos. Eles só queriam vingança e em seus corações só havia ódio pelos dois. Ódio pelo amor que ambos sentiam.

- Será que eu poderia ficar um pouco a sós com meu marido e meu filho? – pediu Daily.

Moa e Terry saíram, fazendo o que Daily pedia.

Ela olhou para o bebê e disse:

- Eu sonhei tanto com este momento... Eu, você e nosso filho. – disse ela deixando lágrimas caírem.

- Daily, me desculpe por ter demorado tanto... Por ter deixado tudo isso acontecer.

- Mark, você não deve se desculpar. Sei tudo que você passou para dar tudo certo. Você sempre tentou me proteger e nosso filho também. Fez o que era preciso. Além do melhor marido, amigo, amante, você é o melhor rei e líder que já conheci. Mesmo me amando, tentou conter seu povo e fazer o que acreditava. Sempre me senti segura com você. E sabia que você chegaria na hora certa... Para me salvar.

- Eu sinto tanto por tudo que você passou... E eu não estava lá.

- Sim... Você estava junto comigo o tempo todo... No meu coração. Mas Mark há uma guerra enorme do outro lado do rio, com muitas pessoas inocentes morrendo. E nós dois causamos esta guerra, entende? Eu não posso aceitar isso.

- Daily, esta guerra nunca acabará. Tentamos de todas as formas, mas parece que eles não querem que acabe.

- Nosso filho liderará um só povo... Que foi dois. – disse ela. – Você ouviu o que Moa disse.

- Daily, se sairmos daqui, morreremos.

Daily olhou profundamente para Mark. Naquele olhar ele não disse nada. Entendeu tudo que ela queria dizer. Os dois se abraçaram com carinho.

- Amo você, Daily... Com todo meu coração.

- Meu marido, os deuses escolheram você para mim... Foram eles que me fizeram curiosamente entrar naquele caminho na floresta quando nos conhecemos. E quando você viu meu rosto, eles sabiam que aquilo podia acontecer, pois você seria o meu marido.

Os dois beijaram o bebê que dormia nos braços dela. Tinha a pele tão macia, cabelos tão finos e curtinhos.

- Nós sempre te amaremos. – disse ela ao filho.

Quando eles saíram da cabana de Terry a noite já caía. Daily entregou o pequeno Pollo nos braços de Terry e disse:

- Entendo o que você fez quando entregou seu filho para protegê-lo. E hoje entrego meu filho, herdeiro de Machia e dos Kasenkinos para que você o proteja de tudo, Terry. – disse Daily.

- Onde vocês estão indo? – perguntou Terry confusa com o bebê nos braços.

- O destino os chama. – disse Moa sorrindo. – Eles irão onde precisam ir.

- Guerreira do Sol... Confio a você o que eu tenho de mais precioso. – disse Mark. – Minha fiel escudeira... O crie com toda bravura que só você tem.

Daily beijou novamente o filho, tentando guardar na memória aquela imagem para sempre.

- Seu filho sempre terá orgulho de vocês. – disse Moa.

Daily e Mark partiram sem olhar para trás na escuridão, acompanhados pela lua, sua sempre testemunha. Deixavam para trás parte de seus corações, na certeza de que era por um bem maior.

Desta vez, eles foram pelo lado oposto do rio. Ela ainda sentia dores e andava devagar e com dificuldade. Por vezes Mark a levava no colo para ajudá-la.

- Fui traído por Machia. – disse Mark.

- Eu sei. – respondeu ela. – E eu quase fui morta pelo meu.

- Precisa ser forte, estamos quase chegando.

- Aonde estamos indo, Mark?

- Finalmente ser felizes. – disse ele.

A noite dava lugar ao dia e pela primeira vez ela viu o sol e a lua juntos, no alto da cachoeira, onde ela tanto sonhou conhecer e nunca havia chegado. Por ironia do destino, naquele momento estava ali, no lugar mais fantástico que já vira em toda sua vida.

- Eu quis tanto conhecer este lugar... Desde a minha infância. – lembrou ela.

- Por este motivo escolhi este lugar. – disse ele apertando a mão dela com carinho.

- Apesar de tudo, acho que o destino bom conosco. – disse ela sentindo as lágrimas escorrerem pela face.

- Nunca achei o contrário. – concordou ele.

- Ele me trouxe você e o nosso filho... O que eu poderia querer mais?

- O que nós poderíamos querer mais? – corrigiu ele. – Nada. Sou pleno por ter você. E quando a vi pela primeira vez, eu sabia que você seria a minha esposa.

- Tantas perguntas... Poucas respostas... – disse ela.

- Por que Erone me criou mesmo sabendo que eu não era filha legítima dele?

- Por amor à Darla. E acho que sim, ele sentiu amor por você.

- Me ofereceria como esposa ao meu próprio pai...

- Ofereceria... Não ofereceu.

- O que Ahau faria se soubesse que eu era filha dele?

- Ficaria tão feliz quanto quando soube que Terry tinha tido um filho dele. Qualquer pai se orgulharia de ter você como filha.

- E por que Ahua me odiava tanto?

- Por ter sido rejeitado por você como foi por todas as outras mulheres que amou... Darla, Terry...

- Tanto me pergunto e não tenho respostas: por que as pessoas tem tanta maldade no coração? Até onde isso vai?

- A maldade acaba onde começa o bem, Daily.

- Erone, Sherylin, Ahua, Burt... Todos tentaram nos destruir sem motivo algum... Nosso único erro foi nos amarmos, Mark.

- Mas nosso amor venceu... Estamos aqui. E nosso filho está seguro com Moa e Terry, pessoas que seus deuses colocaram nos nossos caminhos.

Os dois subiram na enorme pedra onde o rio descia violento e ensurdecedor para formar um lindo lago verde depois do penhasco.

Logo aconteceu o que eles previam. Chegou o que restava dos Kasenkino, armados de lanças e espadas curtas e bem afiadas. Do outro lado, soldados e rebeldes de Machia, lindamente vestidos com suas armaduras desenhadas de sol, armados de espadas deslumbrantes e cheias de sangue. Ambos os povos, com todo seu ódio e diferenças, agora estavam unidos e por único motivo: queriam a morte de Daily e Mark, julgados como traidores por terem se apaixonado por alguém do povo inimigo.

- Como eu disse... A maldade termina onde começa o bem... – falou ele.

- E o sacrifício é necessário por um bem maior. – disse ela olhando nos olhos dele.

- Estamos com as testemunhas dos melhores momentos da nossa vida. – observou ele olhando para a lua que se mostrava naquela manhã de sol.

- Eu te amo, Mark.

- Obrigada por aparecer no rio naquele dia, sem o seu véu e me mostrando seu lindo rosto.

Os dois sentiram os corpos unidos pela última vez. E certamente nenhum dos povos presentes naquele momento imaginava que Daily e Mark se jogariam do alto da cachoeira, abrindo mão de suas vidas por um bem maior: a união entre seus povos e o fim das lutas que só traziam sangue e morte de inocentes.

 O sol que brilhava no céu, naquele instante foi escondido por enormes nuvens negras que se formaram do nada, trazendo ventos intensos e uma chuva torrencial que caiu por muitos dias e noites. Era a prova de que os deuses não aprovavam o que os povos haviam feito com seus líderes. Daily não sabia, mas ela e Mark também podiam fazer tempestades. Mas aquela não era uma tempestade formada por feitiçaria. Era uma tempestade de amor. E quando a chuva acabasse, o mundo seria diferente em Machia e no povoado Kasenkino. O mundo seria melhor... Para todos.

Continúa leyendo este libro gratis
Escanea el código para descargar la App

Último capítulo

  • A Saga dos Kasenkinos   Capítulo 34

    Daily conseguia sentir as mãos de Erone junto das dela. Não sabia o que sentia naquele momento com relação a ele. Uma vida inteira de mentiras... Sentimentos que ela não sabia mais identificar. Sentia afeto por ele. Fora bom com ela tantas vezes... Mas ainda assim a oferecera em casamento ao próprio pai. Quem conseguia fazer isso e depois viver normalmente? Ele, o homem que trouxera a cabeça do rei Pollo para ser queimada entre os Kasenkinos. O homem que matou mais pessoas que todos os Kasenkinos juntos. Como Darla pudera amar aquele homem? Quem era Darla na verdade? Nem sequer Moa sabia daquele segredo que os dois esconderam. Sentimentos bons e ruins se misturavam a dor horrível que ela sentia. Um líquido quente escorreu por suas pernas e ela sabia que o bebê iria nasce

  • A Saga dos Kasenkinos   Capítulo 33

    - Mas... Por que fizeram isto, Burt?- Ahau lhes prometeu ouro, muito ouro, se eles ajudassem na construção da muralha. E assim eles fizeram...- E de onde Ahau tiraria ouro para lhes dar?- Não havia ouro algum... Ahua mentiu para eles. E agora eles vão matar todos. Será o fim dos Kasenkinos. – disse ele rindo nervosamente, com os olhos não parando de mexer nunca.Percebia-se que ele estava visivelmente abalado com tudo e não parecia estar pensando bem. Falava rápido, olhava para todos os lados, com muito medo.- Burt... Você tem certeza de que eram os Naiguãs?- Sim... Muitos deles... Nunca vi tantos... Todos montados nos cavalos, seres místicos dos deuses.- E Ahua?- Mataram Ademoore... E muita gente.Daily o abraçou. Ela tinha tanto medo, mas Burt parecia estar mais amedrontado do que ela.- Burt, meu amigo, o que fizeram

  • A Saga dos Kasenkinos   Capítulo 32

    Daily percebeu que Ika estava falando devagar, parecendo ter dificuldade em pronunciar as palavras.- Ika, você está bem? – perguntou ela preocupada.- Não me sinto muito bem...Daily podia ver o suor escorrendo pelo rosto dela e parecia estar sem ar. Daily gritou em desespero por socorro. Logo os empregados vieram em seu auxílio. O nervosismo tomava conta de Daily. Percebeu em sua boca uma espuma esbranquiçada. Quando o doutor chegou, ela ainda segurava na mão de Ika.Não demorou até que fosse dado o motivo da morte:- Envenenamento. – disse o doutor.- Como? – perguntou Daily chocada.- Um veneno forte, com certeza. Mas nada mais pode ser feito por ela, infelizmente. Era uma boa mulher. Fiel criada do rei Pollo e depois do rei Mark.Daily olhou para a xícara de chá próxima da cama e gritou em lágrimas:- Não pode

  • A Saga dos Kasenkinos   Capítulo 31

    Mark entrou no quarto rapidamente, muito preocupado.- Daily, o que houve? Eu soube que o médico veio vê-la. Você está doente? Passou mal?- Está tudo bem, Mark. – disse ela deitada confortavelmente na cama.- Eu sabia que Sherylin não a deixaria em paz... Foi por isso que eu a proibi de entrar no castelo.- Ela não teve culpa... Inclusive me pediu desculpas. Disse que irá embora de Machia.- Sherylin lhe pediu desculpas? Sinceramente eu não acredito nas desculpas sinceras dela.- Ela pode ter percebido que nosso amor é real, Mark. Talvez tenha decidido não mais acabar com nossa felicidade. Que de nada adiantaria nos fazer mal...- Daily, não se iluda com Sherylin. Se tem uma coisa que ela sabe muito bem é como manipular as pessoas.- Eu não me importo com Sherylin, Mark. Tenho coisas mais importantes a tratar com você.

  • A Saga dos Kasenkinos   Capítulo 30

    Daily despertou com os raios de sol batendo em seu rosto. Ika estava abrindo a janela para o sol entrar no quarto. Ela olhou para o lado e percebeu que Mark não estava mais ali. Ela levantou a cabeça e sentiu-se muito bem. Nem parecia que havia estado péssima nos últimos dias.- Parece bem melhor, senhora. – disse Ika sorrindo.- Realmente Ika, pareço uma nova pessoa.- Gostaria de banhar-se?- Eu adoraria.- Então me acompanhe, por favor.Ika levou Daily até um enorme quarto de banho. Jamais ela imaginou tomar um banho com água quente e perfumada. Os Kasenkinos não acreditariam que aquilo era possível. Mais uma vez ela fez comparativos e ficou chocada de quantos costumes diferentes entre os dois povos que viviam tão próximos.- Você vai ficar me olhando? – perguntou Daily para Ika.- Sim... Caso a senhora queira que eu a esfre

  • A Saga dos Kasenkinos   Capítulo 29

    Daily estranhava um pouco ter Ika o tempo inteiro com ela, perguntando se queria algo, anunciando quem chegava, o que acontecia. Servia-lhe o tempo todo. Talvez com o tempo acostumasse com aquilo, mas por enquanto sentia-se um pouco presa. Talvez sentisse falta de sua liberdade, seus vestidos folgados, seus cabelos soltos e seus pés descalços pela floresta. Era acostumada a fazer as coisas pelos outros e não o contrário. As mulheres Kasenkinas nasciam para servir e não pra serem servidas. Primeiro serviam os pais e as mães até se casarem e servirem ao marido e aos filhos.Ela olhou para o enorme travesseiro ao lado do seu. Passou a mão com carinho depois sentiu o cheiro de Mark. Nem acreditava que ele havia passado a noite com ela, lhe dando tanto carinho que ela jamais imaginou receber. Tudo parecia um sonho. E naquele momento ela teve certeza que entre a liberdade, os pés descalços e a floresta, ela escol

Más capítulos
Explora y lee buenas novelas gratis
Acceso gratuito a una gran cantidad de buenas novelas en la app GoodNovel. Descarga los libros que te gusten y léelos donde y cuando quieras.
Lee libros gratis en la app
ESCANEA EL CÓDIGO PARA LEER EN LA APP
DMCA.com Protection Status