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Capítulo 31

last update Fecha de publicación: 2021-09-08 03:17:29

Mark entrou no quarto rapidamente, muito preocupado.

- Daily, o que houve? Eu soube que o médico veio vê-la. Você está doente? Passou mal?

- Está tudo bem, Mark. – disse ela deitada confortavelmente na cama.

- Eu sabia que Sherylin não a deixaria em paz... Foi por isso que eu a proibi de entrar no castelo.

- Ela não teve culpa... Inclusive me pediu desculpas. Disse que irá embora de Machia.

- Sherylin lhe pediu desculpas? Sinceramente eu não acredito nas desculpas sinceras dela.

- Ela pode ter percebido que nosso amor é real, Mark. Talvez tenha decidido não mais acabar com nossa felicidade. Que de nada adiantaria nos fazer mal...

- Daily, não se iluda com Sherylin. Se tem uma coisa que ela sabe muito bem é como manipular as pessoas.

- Eu não me importo com Sherylin, Mark. Tenho coisas mais importantes a tratar com você.

Ele a olhou preocupado:

- O que houve?

- Eu... Estou grávida.

- Como?

- É isso mesmo que você ouviu... Vamos ter um filho.

- Daily... Eu nem sei dizer o que estou sentindo... Isso é maravilhoso. – ele a abraçou.

- Mark... Eu estou com medo.

- Não precisa ter medo, meu amor. Vou cuidar de você e nada vai acontecer com nosso bebê.

- Não quero perder nosso filho novamente.

- Isso não vai acontecer, Daily.

- Mark... Eu soube que o seu povo está se rebelando contra você por minha causa...

- Quem lhe disse isso?

- Sherylin...

- Eu sabia que ela não havia vindo aqui à toa e...

- Mark, é verdade? – perguntou ela seriamente.

- Sim... – confessou ele abaixando a cabeça visivelmente entristecido.

- E o que você pretende fazer?

- Eu sinceramente não sei. Tenho conversado com os rebeldes e tentado convencê-los de que você não é uma pessoa horrível como eles pensam. Sei de tudo que houve entre os Kasenkinos e Machia em parte entendo o ódio que eles sentem... Mas eles precisam entender que você não é culpada por tudo que seu povo fez. Além do mais, eu sou o rei... No meu castelo entra quem eu quero. Eles podem ir embora se não estiverem satisfeitos com a sua presença aqui. Procurem outro lugar para morar.

- Mark... Eu não quero causar problemas para você.

- Daily, você nunca me causa problemas. Eu sabia que talvez não a aceitassem muito bem, mas imaginei que com o tempo tudo ia se resolver. Não entendo o porquê de somente agora iniciarem esta insatisfação que até então não existia. Você está aqui há bastante tempo e todos já sabiam. Por que agora isso?

- Não sei... Mas acho que eles têm direito de serem contrários a minha presença em Machia. Meu povo matou seu rei Pollo. Imagina se eles soubessem quem foi o responsável por isso...

- Eu preciso de tempo para descobrir o que há por trás disto, Daily. Desde a época do reinado de meu pai, nunca mais houve rebeliões em Machia.

- Talvez porque nunca houve um Kasenkino no reino. – observou ela tristemente.

- Daily, nós iremos enfrentar isso juntos.

- Eu enfrento qualquer coisa por você, Mark. Eu te amo.

- E eu consigo amá-la mais a cada dia...

Ele a beijou. E ela procurou não pensar nas coisas ruins que estavam acontecendo em Machia. Ela estava com Mark e agora esperava um filho dele novamente. A presença dele, seus beijos, seu cheiro... Ele a fazia esquecer tudo.

Daily percebeu que Mark estava saindo da cama e perguntou, sonolenta:

- Aonde você vai?

Ele perguntou seriamente:

- É seu desejo salvar seu povo?

Ela sentou-se rapidamente na cama e disse:

- Sim, é o que eu mais quero.

- Então venha comigo.

Ela levantou da cama rapidamente e sentiu um forte enjoo. Parou, respirou fundo e tentou não pensar em nada para se sentir melhor. Mas não adiantou.

- Daily, o que houve? – perguntou Mark já junto dela.

- Nada... Somente um enjoo muito forte.

- Esqueça o que eu disse... Você vai esperar no castelo.

- Eu posso ir, Mark. Estou bem e...

- Daily, não vou colocar em risco novamente a sua vida e a do nosso bebê.  Vou resolver tudo sozinho, não se preocupe.

- Mark, o que você vai fazer?

- Há uma maneira de entrar no povoado Kasenkino.

- E como é?

- Eu soube de um pó poderoso que pode explodir tudo à sua volta. Posso encontrar no povoado atrás das montanhas.

- Será um pó de feitiçaria? – perguntou ela.

- Não tem a ver com magia, Daily... Não cremos muito nisso aqui em Machia. Cremos somente na nossa força e poder do corpo e da mente... E no que nosso poder pode comprar.

- E... Qual sua intenção com esta explosão?

- Destruir o muro dos Kasenkinos, criando uma livre passagem.

- Não corre risco de machucar alguém, Mark?

- Não há outra alternativa. Se não for assim, nunca conseguiremos entrar lá. Além do mais, este muro tirou parte de nossas terras férteis em Machia. Eles ficaram com tudo...

- Mark, sabemos que esta discussão por terra não leva à nada, somente a uma nova guerra. Temos tantas terras por todos os lugares... Por que brigar por um único pedaço?

- O povo de Machia exige isso de mim, Daily. – falou ele visivelmente cansado. – Eu não tenho mais muito que fazer. Preciso acabar com as rebeliões. Isso acalmaria eles.

- Concordo com o fato de tentarmos entrar no povoado Kasenkino, mas a fim de contar a verdade a todos. Quanto à discussão pelas terras, não aprovo, como você bem sabe. Tenho medo das consequências que esta luta por pedaços de terra pode trazer.

- Eu entendo, Daily. Mas eu preciso fazer isso. Ou vou ter ainda mais problemas do que já estou tendo em Machia. Não quero revolta maior do povo. O que eu preciso agora é provar que mesmo você estando aqui, sendo uma Kasenkina e minha esposa, eu vou lutar por Machia até o fim... Mesmo que seja contra o seu povo.

- Prometa que vai se cuidar, Mark.

- Eu vou me cuidar... E tentarei voltar o mais rápido possível.

 - Vou reforçar a guarda do castelo para que você não corra nenhum tipo de perigo.

- Você acha necessário?

- Sim... Na minha ausência todos sabem que você fica sozinha aqui. Todo cuidado é pouco com você e nosso filho.

- Não se preocupe, Mark. Eu sei me cuidar também.

Ele colocou a mão carinhosamente sobre o ventre dela e disse:

- Quando será que vamos ver ele crescer aí dentro?

- Acho que leva um tempo. – disse ela sorrindo e colocando a mão sobre a dele.

- Será um menino ou uma menina? – perguntou ele ansioso.

- Independente disso, será muito amado ou amada. Se for um menino, gostaria de chamá-lo Pollo, em homenagem ao seu pai, que foi um bom rei para Machia.

- Fico emocionado com suas palavras, Daily. Sempre sensata. Obrigado.

- Os avôs dele foram heróis... Cada um em seu povoado. Um dia ele entenderá isso.

Mark abraçou Daily e lhe deu um beijo na testa:

- Me prometa que vai se cuidar.

- Eu prometo. Não se preocupe.

- Eu te amo.

- Mark... Você voltará aqui antes de ir para o povoado Kasenkino? Ou pretende invadir logo que conseguir o pó mágico?

- Pego o pó e vou para o povoado. Tenho homens o suficiente para estarmos seguros.

- Tome cuidado. Cuidarei-me por você e por nosso filho.

Assim que ele saiu Daily já sentiu um vazio enorme no coração. Há muito tempo ele não viajava por dias.

- Daily...

- Bom dia, Ika...

- Mark me recomendou que Sherylin não pudesse entrar novamente. E eu vou obedecê-lo desta vez. Vou mandá-la embora.

- Não, Ika. A deixe entrar, por favor.

- Daily...

- Por favor, Ika, confie em mim.

Ika obedeceu a contragosto. Daily permaneceu na cama para receber sua convidada, que entrou sem cerimônia no quarto, como sempre, muito segura de si.

- Como você se sente, Daily? – perguntou ela.

- Estou bem agora.

- Eu soube da viagem de Mark.

- Ele vai me ajudar a salvar nossos povos. – disse ela.

- Mark sempre foi um bom homem... Herança do rei Pollo.

- Este é um dos motivos pelos quais eu amo ele. – confessou ela.

- Eu estou indo embora hoje à noite. – disse Sherylin.

- Acha mesmo que esta viagem fará bem para você, Sherylin?

- Sim... Como eu lhe disse, preciso sair de Machia.

- Acho até que vou sentir sua falta. – confessou Daily.

- Creio que não vá sentir. – falou ela sinceramente. – E se sente melhor hoje?

- Bem e feliz.

- Posso lhe ajudar em algo? Acabou de acordar... Posso lhe trazer um chá?

- Não, obrigada. Não é preciso que você faça isso, Sherylin.

- Eu acabei tirando você cedo da cama. Faço questão de me redimir de alguma forma.

- Se prefere assim, tudo bem. Realmente ainda não comi nada, talvez por isso não me senti muito bem logo que acordei.

- Realmente está bem abatida. Vou pedir para Ika preparar um chá.

Daily adorava tomar chá quente pela manhã. Era um hábito Kasenkino que ela não fazia questão de mudar. E Sherylin realmente parecia mudada. E Daily acreditava na mudança dela para melhor. Era preciso acreditar que isso pudesse acontecer com as pessoas ou o que restaria aos que quisessem se redimir?

Não demorou muito para Sherylin retornar com o chá:

- Tome tudo que lhe fará bem... Sei que os Kasenkinos tem o hábito do chá matinal.

- Obrigada, Sherylin. Acredito realmente que você será muito feliz longe daqui.

- Também julguei você mal, Daily. Talvez pudéssemos ter sido amigas em outras circunstâncias.

Daily pegou a xícara quente de chá na mão. Ika entrou no quarto:

 - Senhorita Sherylin, acho que está na hora de se retirar. O doutor veio ver vossa alteza.

- Tudo bem, Ika. Eu já estava de saída. Adeus, alteza. – disse ela fazendo uma reverência até antes nunca feita. Daily achou engraçado, mas não riu:

- Lhe desejo uma boa viagem, Sherylin.

Ela saiu do quarto sem olhar para trás.

 O médico logo entrou:

- Como está se sentindo, alteza?

- Doutor, um pouco de enjoo pela manhã, mas me sinto muito melhor.

- Me parece que você está bem. E esta criança tem tudo para nascer forte e saudável. Procure não se preocupar à toa e tudo ficará bem.

Ela sorriu:

- Prometo me cuidar.

- Nosso amado Rei Pollo ficaria muito feliz com esta criança. – observou ele.

- Tenho certeza disto, doutor.

- O Rei Pollo sempre acreditou nas pessoas... E na ciência. Ele me ajudou muito.

Daily pensou em Erone. Ele poderia ser feliz ao lado do neto, mas não aceitava o casamento dela com o rei de Machia, assim como nunca aceitaria o neto. Ironicamente ela achava que Pollo, o homem morto por Erone, a aceitaria em Machia. Parecia realmente ser um bondoso rei e homem acima de tudo. Talvez ela não quisesse que o filho tivesse contato com Erone ou soubesse que o que ele fazia era matar pessoas na guerra, sem motivo algum. A vida pregava peças... Ela estava casada com o filho do homem que seu pai havia matado. E Mark nunca a havia julgado por isso... Colocara o amor acima de tudo, mesmo tendo idolatrado o próprio pai pela vida inteira.

- Não caminhe demais... Procure ficar no castelo e repousar. Sempre achei sua saúde um pouco frágil.

Daily riu:

- Não se preocupe, doutor. Eu nunca saí deste castelo desde que entrei.

- Então é bom que continue assim até que o bebê nasça.

- Farei qualquer coisa para meu filho nascer saudável, doutor.

Daily pensou em levantar-se um pouco depois que o médico saiu, mas pensou melhor no enjoo da manhã e decidiu ficar na cama pelo resto do dia.

- Não passe mal novamente, senhora, ou vai me matar de susto.

Daily riu:

- Não se preocupe, Ika. Estou bem. Só estou repousando, como o doutor mandou.

Ela foi tomar o chá, mas percebeu que havia esfriado.

- Ika, se importaria de me trazer um chá quente? Este ficou para o seu gosto agora. – ela riu.

Ika pegou a xícara e bebeu o chá todo:

- Daily, eu realmente preciso me acalmar com este chá. Cada vez que o Rei Mark sai eu ficou muito preocupada. Minha responsabilidade agora é dupla... A senhora e este bebê lindo que logo estará correndo por tudo e nos alegrando.

- Mal vejo a hora de isso acontecer... – disse Daily suspirando.

- Eu também. – disse Ika. – Faço questão de cuidar do pequeno herdeiro do trono.

- Ika, como era a mãe de Mark?

- Era uma mulher maravilhosa. Além de bonita era uma excelente rainha. Preocupava-se muito com todo povo. Era muito amada por todos, assim com o rei Pollo.

- E como os Kasenkinos foram responsáveis pela morte dela?

- Houve uma batalha entre Machia e os Kasenkinos. Muitos homens ficaram feridos e ela foi ajudar a tratar as feridas. Ela não conseguia ficar parada quando alguém precisava de ajuda. Sem comida e com poucos homens para auxiliar no reino todo, começaram a buscar suprimentos em outros reinos e povoados. E foi trazida junto uma peste que matou várias pessoas no reino. Ela contraiu a doença. Nada pôde ser feito... Mark ainda era pequeno.

- Estas guerras não trazem nada de bom... Só tristeza e dor... Sinto-me tão culpada por tudo que meu povo fez.

- Não se sinta assim, Daily. Deve ter orgulho do seu povo.

Daily ficou surpresa:

- Acha mesmo?

- Ninguém é simplesmente ruim. Acredito que todo mundo tem sim um lado bom... E seu povo também deve ter coisas muito boas.

- Mas e as guerras sem motivo real? Meu sonho era que tudo isso acabasse um dia. Não gostaria que meu filho nascesse entre os dois povos... Queria que houvesse trégua e união.

- Todos temem a magia Kasenkina. – ela riu. – Isso é verdade? Vocês podem fazer magia, feitiços e tudo mais?

- É verdade, Ika. Temos um feiticeiro que hoje é líder dos Kasenkinos. Mas ele não fala com espíritos bons... Mas tem Moa... Ele é muito especial. Ele fala com deuses e espíritos, conhece tudo sobre o mundo inteiro. Moa consegue ver o que vai acontecer no futuro e você não vai acreditar, mas ele fez até uma tempestade uma vez.

- Eu me afeiçoei muito ao bebê Kasenkino... Gostaria de ter ficado com ele, mas eu não podia. O devolvi para a segurança dele.  E depois de conhecê-la, eu passei a ver seu povo com outros olhos. Você é uma boa mulher. O reino de Machia deveria conhecê-la como eu a conheço. Hoje entendo porque o rei Mark escolheu você. Preocupa-se com seu povo, mas também se preocupa com o meu. Eu acredito sim que um dia vocês conseguirão unir o reino de Machia e os Kasenkinos. E todos ficaremos orgulhosos de vocês, principalmente estas crianças que ainda estão por vir.

- Este será o dia mais feliz da minha vida, Ika. Quando os dois povos se entenderem e as guerras acabarem.

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