LOGINAbaixo os meus olhos para o chão da sala, incapaz de sustentar o olhar do meu primo.— Eu não tenho rigorosamente argumento algum para me defender, porque ele está coberto de razão em cada palavra pronunciada.— Nathan não precisa dizer mais uma única frase para que eu veja novamente a figura luminosa de Madison parada diante de mim no hall da casa sede naquela mesma manhã, com os olhos verdes transbordando lágrimas de dor e me perguntando com a voz trêmula o que havia acontecido de errado.“Eu fiz alguma coisa, Preston?” Ela me perguntou com a alma aberta e sem nada a esconder, eu não respondi absolutamente nada.— Eu não mostrei a mensagem envenenada do meu visor.— Não mostrei as fotografias do arquivo, não disse a ela que o meu orgulho e o meu peito estavam feridos por uma imagem.Eu simplesmente decidi, de forma prepotente e unilateral, que ela era uma mentirosa culpada e mandei categoricamente que ela arrumasse as malas e sumisse da minha fazenda e da minha história. Você defi
O GOLPE FINALPRESTONNathan respira fundo o ar pesado da sala de estar antes de tomar a palavra novamente. — Sua expressão facial continua extremamente dura, solene e sem qualquer concessão, e eu conheço o meu primo o suficiente para perceber, pelo ritmo da sua respiração, que ainda existe alguma informação crucial que ele não me contou sobre aquela tarde na cidade. — Alguma coisa verdadeiramente importante e definitiva. Ele me observa fixamente durante alguns segundos de um silêncio sufocante, e encontro em seu olhar azul-acinzentado uma mistura desconfortável e evidente de profunda irritação e pesar.— Para facilitar de vez a tua vida e acabar com qualquer sombra de dúvida que você ainda insista em nutrir, começa ele, com a sua voz grave, modulada e rigorosamente controlada. — Eu não apenas deixei a Madison na rodoviária com o coração despedaçado como fui direto da rodoviária ao restaurante italiano onde “supostamente” aconteceu a tal cena dos dragões que o Ethan te contou.— E
Meu filho ergue o queixo, ofendido com a minha dúvidaabsoluta, papai, ela falou bem alto para ele: — “Quem é você?! — Você me confundiu com alguém?!” quando ele beijou ela.— E ficou muito brava! — Depois, quando a gente chegou na mesa do dragão Olivia, a Olivia perguntou fingindo se eles já se conheciam. — E a tia Madison disse que não, que ele tinha confundido ela de propósito ou por engano com outra pessoa. — Foi exatamente isso o que a tia Madison falou!— E o moço ficou todo sem graça e envergonhado. Ele não gostou da armação da Olivia também. Eu vi tudo com meus próprios olhos e contei tudinho para o tio Nathan ontem no carro, não foi, tio Nathan?Nathan dá um passo à frente e me encara nos olhos com severidade.— Foi exatamente isso, Preston. Seu filho acabou de te contar a verdade nua e crua do jeito dele. — Eu tentei fazer você raciocinar e pensar hoje cedo, mas você preferiu se cegar de ciúmes e acreditar em três fotografias tiradas na hora certa e do ângulo certo po
O DRAGÃO LEVOU ELA EMBORAPRESTONEthan acorda naquela manhã sentindo que alguma coisa profundamente errada e fora do lugar aconteceu na casa sede, embora provavelmente não saiba explicar com palavras de adulto o que é. — Estou de pé perto da grande janela de vidro da sala de estar, encarando o verde do pasto sem realmente enxergar uma única folha de grama. — Eu não dormi um segundo sequer, e desde que Nathan me revelou o que sabia e me jogou na cara que Ethan estava de mãos dadas com Madison no restaurante, tento desesperadamente organizar dentro do meu peito o peso insuportável e a vergonha do que fiz.— Ouço os passos pequenos e leves no corredor e não preciso me virar para saber que é meu filho se aproximando.— Papai, Ethan me chama com a vozinha ainda rouca de sono, esfregando um dos olhos com a mãozinha. — Cadê a tia Madison, por que a porta do quarto dela está aberta e sem as coisas dela?Respiro fundo, sentindo uma pontada de dor no peito que quase me impede de puxar o ar
Preston fica completamente estático no lugar, a cor sumindo do seu rosto no mesmo segundo.— O que você quer dizer com isso Nathan?— O Ethan estava no restaurante de mãos dadas com a Madison quando essa cena aconteceu, como você já viu nas imagens.A pouca cor que restava na pele do meu primo desaparece por inteiro, dando lugar a uma palidez aterrorizada.O pior é que o Ethan está presente na hora desse beijo.— Sim, estava lá com ela, e me contou com detalhes toda a história assim que chegaram..Preston dá dois passos rápidos e desesperados na minha direção, segurando a minha camisa.— O que foi que o Ethan te contou, Nathan, me diga tudo agora!— Já não existe mais rigorosamente qualquer vestígio de raiva ou arrogância no rosto do meu primo.— Existe apenas um pavor puro, cru e devastador de quem começa a enxergar o abismo da própria burrice.— A Madison entrou no restaurante de mãos dadas com o seu filho para almoçar, com Olivia, que os convidou para esse almoço. — E esse su
NATHANEntro na sala de estar da casa sede a passos rápidos e paro imediatamente no lugar assim que avisto a imagem de Madison parada no centro do cômodo, segurando a alça de uma mala de viagem grande, há algo errado naquela cena.— Não é apenas a presença da bagagem no meio da manhã, é a expressão facial dela, a rigidez do seu corpo e a palidez do seu rosto.— Madison...? O que está acontecendo aqui?— Ela vira o rosto devagar na minha direção e, no mesmo segundo em que nossos olhares se cruzam, percebo com clareza o esforço descomunal e doloroso que ela está fazendo para não desabar em um choro copioso ali mesmo.— Nathan... por favor, você poderia me fazer o favor de me levar até a rodoviária da cidade na sua caminhonete?Olho para a mala pesada ao lado dela e depois para a sua fisionomia abatida.— Rodoviária? Como assim rodoviária, Madison, você por acaso está indo embora do Aras?— Sim, estou indo embora, não permaneço aqui nem mais um minuto.— E o Preston, o que ele pensa des







