MasukEra ele o rapaz do vídeo. Fiquei estarrecida. Meu pai dissera que ele havia morrido, não dissera? Como então poderia estar ali, internado?Meu cérebro, lento e pesado, custava a processar aquilo; a sensação me causava tontura e náusea. A presença de Verde, porém, era como uma agulha a perfurar minha mente: mantinha-me desperta e me roubava o apetite.Na calada da noite, esgueirei-me até a ala masculina e o encontrei. Para minha surpresa, ele também estava desperto. Ao me ver, não demonstrou o mínimo espanto.— Finalmente chegou.Fitei-o, sem compreender.— Meu pai disse que você estava morto. Por que está vivo?Verde pediu silêncio com um gesto e me conduziu a uma pequena sala escondida no fim do corredor. Ali, revelou-me algo que me deixou sem fala.A verdade era que, naquela época, eu não havia agredido ninguém. Nada daquilo com o porco acontecera. A gravação havia sido adulterada. Tudo começara quando eu, por acidente, adentrara o santuário e descobrira provas dos crimes de meu pai.
Após um breve silêncio, todos insistiram com meu pai para que me levasse dali imediatamente. Eu me sentia tomada por um desespero sem igual. De volta à aldeia, pretendiam novamente trancar-me no chiqueiro. Não ofereci resistência, mas fiz um único pedido:— Deixem-me ver uma última vez o que se encontra no santuário. Depois disso, façam comigo o que bem entenderem.Alguns trocaram olhares entre si e concordaram.No interior do santuário, antes mergulhado em trevas, as luzes se acenderam, revelando equipamentos modernos de vigilância. Uma câmera apontava diretamente para o meu quarto. Meu pai aproximou-se, ajustou alguns controles e exibiu uma gravação antiga.Nas imagens, eu aparecia dormindo na cama ao lado de um rapaz. Assim que ele adormeceu profundamente, levantei-me sem fazer barulho. Meia hora depois, retornei trazendo um porco que havia capturado. E então… comecei a praticar atos abomináveis com o animal.O rapaz despertou durante a madrugada e, tomado por horror ao que via, pôs
— O que existe nesse santuário de que tanto fala? — Interrompi a sequência de perguntas, apoiando-me com dificuldade na mão ferida para me sentar. — Não há nada ali! Não façam mais perguntas! Tudo o que aconteceu antes foi uma encenação preparada por mim. Pensem que não passo de uma mulher desequilibrada.O policial franziu o cenho.— Fizemos um exame completo enquanto estava inconsciente. À exceção da lesão na cabeça, não há nenhum comprometimento em seu cérebro. Está perfeitamente sã. No entanto, seu corpo apresenta sinais de maus-tratos e espancamentos prolongados. Suspeitamos que tenha sido coagida.Esforcei-me ao máximo, tentando encontrar uma forma de afastar suas suspeitas.— Eu… eu fiz tudo isso de propósito. Odiava meu pai, então fingi ter esses ferimentos. Inventei cada detalhe. Por favor, não investiguem mais nada.Minhas palavras apenas aumentaram a desconfiança dos agentes. Após conversarem entre si, insistiram que meu pai os levasse até o santuário para examiná-lo. Supliq
Não conseguia acreditar no que via e esfreguei os olhos com força. Mesmo assim, aquelas coisas continuavam ali, nítidas. Os punhos de meu pai e de meu avô desceram sobre mim novamente. Desta vez, não me esquivei. Apenas deixei que me batessem.— Bata até me matar. Realmente não mereço viver, nem ser amada por ninguém.Fechei os olhos na desesperança. O que me atingia começou com punhos, mas logo virou todos os tipos de objetos e ferramentas.— Devia ter morrido há muito tempo. Por que ainda está viva?— Deveria se matar logo. Iria poupar-nos da vergonha.“É verdade, devia me matar”, pensei. Assim, não atrapalharia mais ninguém. Com esse pensamento, me levantei devagar do chão.— Vou me matar. Só deixem-me ir.Eles me olharam com desconfiança.— Não está tentando usar isso como desculpa para fugir, é? Vou te dizer: não pense em nada disso. Toda a aldeia está cheia de nossos informantes. Será pega e trazida de volta, não importa para onde vá.Meu pai completou:— Isso mesmo. E assim que
Assim que terminei de cuidar de minhas feridas, meu avô, Dan Miller — que há muito tempo havia rompido todos os laços com meu pai —, apareceu de repente. Ele foi direto ao meu quarto e, ao ver meu corpo coberto de hematomas, virou-se e desferiu um tapa forte no rosto de meu pai.— Como pode tratar seu próprio sangue desta forma? Ainda é um ser humano? Se não me explicar tudo com clareza hoje, jamais o perdoarei!Meu pai tentou falar, mas eu não ousei deixar que meu avô ouvisse uma única palavra. Segurei depressa a mão dele e supliquei:— Vovô, sei que faz isso por meu bem, mas me prometa que não irá ao santuário, está bem?— Não se preocupe, não irei lá. — Ele apertou minha mão com carinho. — Que santuário? Não me importo com isso de forma alguma. O que me importa é saber se minha neta foi ferida.Meu avô soltou um suspiro, e lágrimas rolaram por seu rosto já enrugado pela idade.— A culpa é minha. Não o eduquei como deveria. Criei um filho que é um verdadeiro monstro. Não tema: am
— É um costume de nossa aldeia. Ele concordou em levar as pessoas até o santuário para prestar homenagens. O que acontece depois disso está fora de nosso controle.— Tudo está nas mãos do destino.Minha melhor amiga, que havia vindo junto com a polícia, viu meus ferimentos e tomou-se de indignação. Lançou-se sobre meu pai e agarrou-o pela gola.— Ela é sua própria filha! Como pode ser tão cruel! Não dizia que os costumes de sua terra são atrasados? Não espera que ela acenda uma vela em sua memória quando partir? Se a espancar até a morte agora, ninguém sequer cuidará de seu enterro quando estiver velho! Se não quer essa filha, então não a traga de volta vez após vez apenas para tratá-la como lixo. O senhor é um homem sem coração!Assim como eu, ela não conseguia compreender por que meu pai desejava minha morte e, ao mesmo tempo, não me deixava partir.Os policiais insistiam para que ele desse uma explicação. Meu pai soltou uma risada fria.— Se querem saber o motivo, acompanhem-me até