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Capítulo 4

Author: Sem Humor
Assim que terminei de cuidar de minhas feridas, meu avô, Dan Miller — que há muito tempo havia rompido todos os laços com meu pai —, apareceu de repente. Ele foi direto ao meu quarto e, ao ver meu corpo coberto de hematomas, virou-se e desferiu um tapa forte no rosto de meu pai.

— Como pode tratar seu próprio sangue desta forma? Ainda é um ser humano? Se não me explicar tudo com clareza hoje, jamais o perdoarei!

Meu pai tentou falar, mas eu não ousei deixar que meu avô ouvisse uma única palavra. Segurei depressa a mão dele e supliquei:

— Vovô, sei que faz isso por meu bem, mas me prometa que não irá ao santuário, está bem?

— Não se preocupe, não irei lá. — Ele apertou minha mão com carinho. — Que santuário? Não me importo com isso de forma alguma. O que me importa é saber se minha neta foi ferida.

Meu avô soltou um suspiro, e lágrimas rolaram por seu rosto já enrugado pela idade.

— A culpa é minha. Não o eduquei como deveria. Criei um filho que é um verdadeiro monstro. Não tema: amanhã mesmo a levarei para longe daqui.

Aconcheguei-me em seus braços e chorei com toda a dor que guardava no peito.

— Vovô, por favor… não vá ao santuário…

Ele ergueu a mão e fez um juramento solene:

— Prometo que não irei.

Meu avô sempre foi um homem de palavra. Com aquela garantia, senti-me finalmente mais tranquila e adormeci segurando suas mãos calejadas.

No entanto, na manhã seguinte, ao despertar, logo percebi que algo estava errado. Um silêncio pesado tomava conta da casa. Saí do quarto com cuidado e, para minha surpresa, toda a família estava reunida na sala, com expressões graves. Ao ouvirem meus passos, todos se voltaram para mim de uma só vez. Mas meu avô — que estivera comigo na noite anterior — não estava em lugar nenhum.

— Onde está o vovô? Por que ele não está aqui?

Meu pai fitou-me com um olhar gélido.

— Então agora aprendeu a fazer queixumes, sua ingrata?

O marido de minha irmã mais velha, Alex, olhou-me de cima a baixo com desdém.

— Se veste com tantos cuidados, mas quem diria que por dentro não passa de algo desprezível! Não é à toa que o homem que ia se casar com você desistiu ao saber a verdade. Se eu estivesse no lugar dele, também sentiria repulsa.

O marido de minha irmã mais nova, Aaron, foi ainda mais direto e cruel:

— Saia da minha frente. É uma afronta aos olhos. Se soubesse que havia uma irmã mais velha como você nesta família, jamais teria me casado com sua irmã. Só de mencionar que faz parte do mesmo sangue já é vergonhoso.

Ao ouvir aquilo, minha irmã mais nova tomou-se de fúria. Aproximou-se, segurou minha cabeça e bateu-a com força contra a parede.

— Tudo isso é culpa sua! Por pouco não fez com que Albert se separasse de mim!

Tentei me soltar, mas minha outra irmã veio ajudá-la e me segurou com força. Após me espancarem, riram ao ver o sangue espalhado pelo chão.

— Pai, o que devemos fazer com ela?

Lutei para me libertar e me arrastei em direção à porta. Pelas reações de todos, eu já compreendia: planejavam acabar comigo. Se não fugisse agora, morreria.

— Vovô, me ajude! Eles vão me matar!

Porém, meu avô — que na noite anterior havia sido tão doce comigo — simplesmente me empurrou para longe. E limpou com as mãos cada lugar que eu havia tocado, como se eu fosse algo imundo.

— Você merece.

Fiquei paralisada. Olhei para ele em silêncio, com os olhos vermelhos de lágrimas e sangue.

— Vovô… o senhor foi ao santuário, não foi?

Ele me olhou de cima para baixo, com um olhar frio e assustador.

— De que outro modo eu descobriria que você é uma mulher tão execrável?

— Mas o senhor me prometeu! Disse que não iria! Não disse que eu era a pessoa que mais amava? Por que mentiu para mim?

Naquele instante, a última esperança que restava em meu peito se despedaçou. Levantei-me cambaleando, como quem perde o juízo, e encarei a todos que estavam ali.

— Mesmo que me odeiem e queiram me ver morta, ao menos me deixem morrer sabendo a verdade! Eu vou ao santuário! E se for para morrer, que seja descobrindo o que realmente existe ali!

Os presentes trocaram olhares entre si. Por fim, meu avô acenou com a cabeça.

Ao entardecer, meu avô conduziu-me até o interior do santuário. Nenhuma luz havia sido acesa. Tudo estava mergulhado em trevas. Fitei aquilo que se revelava diante de meus olhos e fiquei imóvel, tomada por espanto.

— Agora compreendo… compreendo por que ninguém quis se casar comigo. Então é isso… é por isso que tudo aconteceu…

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