LOGINSilver colocou o anel na palma da minha mão. — Eu esperava que, pelo menos uma vez na vida, pudesses ser sincero comigo. Meu coração disparou. — Silver… — Mas estava enganada. — Ela respirou fundo. — Eu não quero mais casar contigo. Fiquei imóvel. — O quê? — Não me procures mais. — Estás falando sério? — Muito. Senti uma onda de raiva subir pelo meu corpo, seis anos. Seis anos da minha vida. Não, não permitiria que ela simplesmente terminasse tudo daquela maneira. Segurei-lhe o braço quando ela tentou passar por mim. — Que palhaçada é essa, Silver? Ela olhou para a minha mão. — Solta-me. — Vais cancelar o casamento por causa de quê? — Já disse. — Não, não disseste! — Minha voz aumentou. — Tu amas-me. — Amo. — A resposta veio imediatamente e aquilo me deu esperança. — Então qual é o problema? Silver ergueu os olhos para mim. — Eu amo-te. Mas não vou casar com um homem que não me ama. — Fiquei sem resposta por um segundo. — Quem colocou essas coisas na tua cabeça?
O meu casamento com Silver deveria ser a parte mais fácil do meu plano, estávamos juntos havia seis anos. Seis anos. Tempo suficiente para conhecer os seus hábitos, as suas inseguranças, os seus medos e, principalmente, a maneira certa de fazê-la acreditar nas minhas palavras. Silver confiava em mim. Amava-me. Durante anos, fiz questão de alimentar exatamente essas duas coisas. Por isso, faltando apenas um mês para o casamento, eu não conseguia compreender como tudo começara a desmoronar tão depressa. A ligação de Elsa não saía da minha cabeça. Segundo ela, Silver parecia cada vez mais próxima de Cole ao ponto de marcarem de se encontrar nos domingos. A maneira como se aproximavam me incomodava… No fundo, esperava que Elsa estivesse enganada sobre o Cole tendo interesse nela, precisava que estivesse. Saí mais cedo do banco porque já não conseguia concentrar-me no trabalho. Passei o caminho inteiro tentando encontrar uma explicação lógica para a mudança repentina de Silver. Talvez
A mulher fechou os olhos por um instante. — Não foi um pesadelo. Senti o sangue desaparecer do meu rosto. — Não. — Foi a tua última memória. Dei um passo para trás. — Não. — Há verdades que a alma reconhece antes de a mente estar pronta para aceitá-las. — Eu não posso ter morrido. — Mas morreste. As palavras foram ditas com uma serenidade assustadora, levei a mão à boca. — Então… tudo aquilo aconteceu? Ela assentiu. — Foste traída por mãos que um dia seguraste com confiança. Foste ferida por pessoas a quem entregaste o teu coração. E quando percebeste a verdade, já havia pouco tempo para fugir dela. As lágrimas começaram a formar-se nos meus olhos. — Porquê? — A pergunta saiu num sussurro. — Porque eu? A mulher levantou-se. — O destino raramente escolhe os inocentes por serem culpados. Às vezes, escolhe aqueles que precisam aprender a diferença entre amor e posse, entre amizade e dependência, entre uma promessa e uma corrente. Engoli em seco. — Então por que estou a
Depois de mais uma tentativa frustrada de Elsa de se aproximar de mim, percebi que já não conseguia suportar a presença dela por mais um minuto. Não porque ela tivesse feito alguma coisa naquele momento, era pior. Era porque eu sabia o que ela seria capaz de fazer. — Silver, estás a evitar-me — Elsa comentou, aproximando-se de mim mais uma vez com aquele sorriso delicado que tantas vezes me enganara. — Estou cansada. Foi tudo o que consegui responder. Antes que ela pudesse insistir, virei-me e saí do salão. Precisava de ar, distância e de alguns minutos em que não tivesse de olhar para o rosto da mulher que, segundo as minhas próprias “lembranças”, um dia será responsável pela minha morte. Atravessei os corredores da fundação até chegar ao jardim, o silêncio daquele lugar foi quase um alívio. Havia árvores antigas, roseiras cuidadosamente podadas e um pequeno lago cuja superfície refletia o céu. Caminhei até um banco afastado e sentei-me. Fechei os olhos. Uma brisa suave passou p
Era sempre assim, tudo acabava nas mãos dela. O fotógrafo pediu outra fotografia, Cole continuou com a mão na cintura de Silver. Ela virou ligeiramente o rosto para ele e disse alguma coisa. Ele sorriu, meu maxilar ficou tenso. Não gostei daquilo, nem nem um pouco. Assim que a fotografia terminou, caminhei até Silver. — Podemos conversar agora? Ela olhou para mim. — Elsa, estou ocupada. — São apenas cinco minutos. — Depois. — Silver… — Depois, Elsa. O tom dela foi educado, mas definitivo. Ela virou-se e afastou-se. Fiquei parada, olhando para as costas dela. Aquilo estava começando a passar dos limites. Ela não podia simplesmente decidir que eu já não era importante. Não depois de tudo. Não depois de todos os anos em que estive ao lado dela, eu tinha feito muito por Silver. Tinha sido sua amiga quando ela precisava de alguém. Tinha ouvido suas reclamações ridículas, tinha aconselhado-a. Tinha estado presente. E, mesmo assim, bastou um novo corte de cabelo, algumas conversa
Desde o momento em que Silver entrou na fundação, eu tentei falar com ela. Tentei e aquilo, por si só, já era irritante. Eu não estava habituada a precisar de perseguir Silver para conseguir alguns minutos da sua atenção. Durante anos, tinha sido o contrário. Bastava eu dizer que precisava dela e Silver largava tudo para me ouvir. Se eu queria fazer compras, ela acompanhava-me. Se queria conversar, ela ficava horas comigo. Se precisava de ajuda, Silver nunca perguntava se tinha tempo. Ela simplesmente estava lá, agora, aparentemente, eu precisava esperar pela boa vontade dela e eu odiava isso. — Silver — chamei quando finalmente consegui aproximar-me. Ela virou-se. Por um instante, fiquei incomodada com o quanto ela estava diferente. O cabelo preto ficava-lhe bem, muito bem. Aquilo irritou-me ainda mais, Silver sempre teve tudo. O cabelo bonito, as roupas caras, o corpo que parecia ficar bem em qualquer vestido, a família perfeita, o dinheiro, a casa, o nome, os homens que a admira







