INICIAR SESIÓNAdrien permaneceu ao lado da cama, observando-a.
— Achavas mesmo que eu tinha me apaixonado por ti? A voz dele carregava desprezo. — Eu te amava… — Não me faças rir. Silver fechou os olhos. — Não… — Sabes qual foi a parte mais divertida? — perguntou Adrien. — Ver-te acreditar em cada palavra que eu dizia. Quando te entregava flores, tu sorrias como uma criança. Quando dizia que eras a mulher da minha vida, acreditavas. Quando te prometi que ficaria contigo para sempre… — Ele fez uma pausa. — Tu realmente acreditaste. Elsa riu. — Ela até chorou no casamento. — Eu lembro — respondeu Adrien. — Foi patético. Silver levou uma mão ao peito. — Por favor… — Por favor o quê? — Adrien perguntou. — Que eu finja novamente que te amo? Ela começou a soluçar. — Eu não fiz nada para vocês… — Esse foi justamente o problema — disse Elsa. — Tu não precisaste fazer nada. — Ela se levantou— Precisávamos apenas esperar. Silver olhou para ela, confusa. — Esperar o quê? Elsa sorriu. — A morte dos teus pais. O quarto pareceu ficar em silêncio, Silver sentiu o estômago revirar. — O acidente… Adrien desviou o olhar por um instante, como se estivesse entediado. — Não foi um acidente. Silver arregalou os olhos. — Não… — Teus pais tem uma fortuna enorme — explicou Elsa. — E tu eras a única herdeira. — Adrien aproximou-se ainda mais. — Bastava que eles desaparecessem. Silver começou a tremer. — Foram vocês? — Nós cuidamos disso. Uma lágrima caiu pelo rosto de Silver. — Meus pais… Elsa deu de ombros. — Eles morreram acreditando que tinha sido apenas uma tragédia. Silver fechou os olhos, sentindo o coração despedaçar. Então uma nova compreensão surgiu. Sua doença, as dores, a fraqueza e a perda dos movimentos. Ela abriu os olhos lentamente. — E eu? Elsa sorriu. — Tu eras a última parte do plano. — A doença… — Finalmente entendeste. Adrien cruzou os braços. — Precisávamos que parecesse natural. Uma mulher que perde os pais, entra em depressão, adoece e finalmente morre. Ninguém suspeitaria. Silver olhou para os dois como se estivesse vendo monstros. — Vocês me envenenaram… — Durante meses — confirmou Elsa. Silver começou a chorar. — Por quê? Adrien respondeu sem hesitar: — Dinheiro. A simplicidade daquela resposta foi mais dolorosa do que qualquer outra coisa. Não havia arrependimento. Não havia culpa. Não havia sequer hesitação. Apenas dinheiro. — Eu te amava… — sussurrou Silver. Adrien riu. — Isso foi problema teu. Elsa aproximou-se novamente. — E agora que estás prestes a morrer, finalmente podemos ter tudo aquilo que sempre quisemos. Silver olhou para as joias no pescoço de Elsa. Depois para o vestido. Depois para Adrien. — Vocês vão se casar? — Assim que morreres — respondeu Elsa. — E ele vai herdar toda a fortuna dos Walton. Silver sentiu uma dor aguda no peito. — Não… — Sim — disse Adrien. — E sabes qual é a parte mais engraçada? — Ele inclinou-se sobre ela.— Tu ainda tens dificuldade para aceitar que eu nunca te amei. Silver virou o rosto, tentando esconder as lágrimas. Elsa retirou uma pequena seringa da bolsa. O coração de Silver disparou. — O que é isso? — A última etapa. — Não… Silver tentou se mover, suas pernas não responderam. Tentou empurrar Elsa, mas seus braços estavam fracos demais. — Adrien… — Pela primeira vez, ela pediu ajuda ao marido. — Por favor. — Ele apenas observou. — Faz alguma coisa. — Adrien permaneceu imóvel. — Eu já fiz. Elsa segurou o braço de Silver. — Não tornes isso mais difícil. — Adrien, por favor! Eu sou tua esposa! Ele a encarou por alguns segundos. Então respondeu: — E amanhã serás apenas uma mulher morta. Elsa aplicou a seringa. Silver gritou. O líquido entrou em seu corpo e, quase imediatamente, uma dor intensa percorreu seu peito. Ela começou a tossir. Sangue surgiu em seus lábios. — Elsa… A visão começou a ficar turva, ela olhou uma última vez para Adrien. Esperava encontrar algum arrependimento. Qualquer coisa. Uma lágrima. Um olhar de culpa. Mas ele apenas ajeitou as mangas da camisa. — Pelo menos, no fim, serviste para alguma coisa. Silver sentiu o coração falhar. Elsa aproximou-se do ouvido dela. — Obrigada pela fortuna, querida amiga. As duas palavras ecoaram na mente de Silver. Querida amiga. A mesma mulher que havia compartilhado seus segredos agora estava comemorando sua morte. Silver respirou com dificuldade. Sentia o corpo ficando cada vez mais pesado. As vozes começaram a desaparecer, antes que seus olhos se fechassem completamente, uma última lágrima escorreu pelo seu rosto. Ela desejou nunca ter amado Adrien. Desejou nunca ter confiado em Elsa. Desejou ter percebido todos os sinais. Desejou ter sido menos ingênua. E, acima de tudo, desejou ter uma segunda oportunidade, uma única oportunidade para voltar ao passado. Para fazer tudo diferente. Para descobrir a verdade antes que fosse tarde demais, para destruir aqueles que destruíram sua vida. Então Silver fechou os olhos e o mundo mergulhou na escuridão. ☆ Cole tinha muitos arrependimentos em sua vida. Havia decisões que gostaria de ter tomado de maneira diferente, palavras que deveria ter dito e momentos que desejava poder reviver. Entretanto, nenhum deles se comparava ao maior arrependimento que carregava desde a morte de Silver. Ele deveria ter ficado, era tudo o que conseguia pensar. Deveria ter permanecido ao lado dela quando seus pais morreram. Deveria ter percebido que havia algo errado quando Silver começou a adoecer. Deveria ter estado presente quando ela mais precisou de alguém. Talvez, se não tivesse passado tantos anos afastado, tivesse percebido o que estava acontecendo. Talvez tivesse descoberto a verdade antes que fosse tarde demais. Talvez Silver ainda estivesse viva. Cole fechou os olhos. Desde a infância, Silver fazia parte de sua vida. As duas famílias eram próximas, e, durante muitos anos, eles praticamente cresceram juntos. Ele ainda conseguia se lembrar das tardes em que corriam pelo jardim das duas casas, das brincadeiras que terminavam com Silver reclamando porque ele sempre ganhava e das vezes em que os dois escondiam-se dos adultos para comer doces antes do jantar.E nunca mais voltaria a ser. Aquela era a primeira coisa que via sempre que olhava para um espelho. A segunda era Silver. A mulher que, na sua opinião, lhe roubara tudo. Elsa culpava-a pela morte de Adrien, pela própria queda e por todos os dias que passara atrás das grades. Não importava quantas vezes tentasse convencer-se de que as suas escolhas também tinham contribuído para a sua desgraça. Era mais fácil odiar Silver do que admitir a verdade. Ao chegar à estrada principal, encontrou um pequeno quiosque. Parou diante dele, procurando alguma coisa para beber, mas o olhar foi atraído pelas revistas expostas numa das prateleiras. Uma capa em particular chamou-lhe a atenção. Nela, Silver aparecia ao lado de Cole, ambos sorridentes. Cole tinha um braço em volta da cintura da mulher, enquanto os filhos se apertavam à volta dos pais. Os quatro rapazes pareciam felizes, e Silver, com o rosto iluminado por um sorriso genuíno, segurava a mão da menina mais nova. A fotografia tinha sido ti
Cole sentou-se do outro lado de Silver, passando um braço pelos ombros da mulher. Por alguns instantes, ninguém discutiu. Os três rapazes mais velhos começaram a contar as novidades do dia, interrompendo-se constantemente. Noah brincava tranquilamente junto da mãe. Cole escutava as histórias, fazia perguntas e, de vez em quando, roubava um beijo a Silver. Era uma cena simples. Uma família reunida em casa depois de um dia comum. Mas, para Silver, aquela simplicidade era um dos maiores luxos que a vida lhe tinha oferecido. Mais tarde, quando os rapazes estavam ocupados a preparar-se para o jantar, um deles voltou à sala segurando uma folha de papel. — Mãe, olha o que fiz na Creche! Silver recebeu o desenho com um sorriso. Havia seis figuras desenhadas com lápis de cores diferentes: Cole, Silver, os quatro rapazes e uma pequena figura com um vestido cor-de-rosa, colocada ao lado da barriga da mãe. Acima deles, o menino escrevera, com algumas letras tortas, a palavra família. Silver s
Dez anos depois… A luz do sol entrava pelas grandes janelas da sala, iluminando o ambiente acolhedor e revelando os brinquedos espalhados pelo chão. Sobre o sofá, Silver estava sentada com um livro nas mãos e algumas almofadas estrategicamente colocadas atrás das costas para aliviar o desconforto provocado pela barriga de sete meses. Aquela era uma das poucas tardes tranquilas que conseguia ter ultimamente. Ou, pelo menos, teria sido, se o filho mais novo não estivesse empenhado em destruir a torre de blocos que acabara de construir. — Noah, querido, tens a certeza de que queres fazer isso? — perguntou Silver, sem desviar completamente os olhos do livro. O menino de um ano e oito meses olhou para ela com os seus grandes olhos inocentes. Depois, sorriu e derrubou a torre com as duas mãos. Os blocos espalharam-se pelo chão. — Caiu! — anunciou ele, batendo palmas. Silver fechou o livro e olhou para o filho, tentando conter o riso. — Caiu sozinha, não foi? Noah assentiu vigorosame
A pergunta atingiu-me em cheio, como poderia ela sequer duvidar? Como poderia, depois de todos aqueles meses, imaginar que o meu amor tivesse desaparecido? Segurei-lhe o rosto entre as mãos. — Silver, eu nunca deixei de te querer. Os olhos dela encheram-se novamente de lágrimas. — Mesmo depois de tudo? — Mesmo depois de tudo. Acariciei-lhe a face com os polegares. — Mas há uma coisa que preciso de saber. Estás aqui porque sentes a minha falta ou porque queres realmente estar comigo? Ela não hesitou desta vez. — Quero estar contigo. Quero uma relação séria, Cole. Quero que construamos alguma coisa juntos, sem fugas, sem jogos e sem deixar que tudo o resto tenha sempre prioridade sobre nós. Não te posso prometer que nunca mais vou ter problemas ou que não vou cometer erros. Aproximou a testa da minha. — Mas posso prometer que não quero voltar a fugir de ti quando as coisas ficarem difíceis. Quero aprender a deixar-te estar ao meu lado. Fechei os olhos por um instante, era tud
A pergunta saiu mais áspera do que eu pretendia. Não porque não a quisesse ali, mas porque tinha passado tanto tempo a desejar aquele momento que não sabia como reagir quando ele finalmente chegara. Silver olhou para as compras, depois para mim. — Eu… vim falar contigo. Soltei uma respiração trémula. — Depois de seis meses? Ela baixou os olhos. — Sim. — Silver, eu liguei-te. Enviei-te mensagens. Tentei falar contigo tantas vezes que já nem sei quantas. — A minha voz começou a falhar. — Não me respondeste uma única vez. — Eu sei. — Sabes? Ela assentiu, e os seus olhos começaram a brilhar. — Sei. Li todas as tuas mensagens. Ouvi as tuas chamadas. Só não consegui responder. Senti a mágoa regressar, misturada com o alívio absurdo de finalmente a ter diante de mim. — Porquê? Silver respirou fundo. Depois, afastou-se da bancada e caminhou na minha direção. Parou a poucos passos de mim, olhando-me como se estivesse a reunir coragem para dizer algo que ensaiara muitas vezes. — D
Seis meses. Fazia seis meses desde que eu cometera o maior erro da minha vida. Seis meses desde que terminara com a mulher que amava, convencido de que estava a fazer a coisa certa. Na altura, dissera a mim mesmo que estava cansado, que não podia continuar a competir com o passado dela, que merecia alguém capaz de me colocar em primeiro lugar. Eu tinha as minhas razões. Pelo menos, era isso que repetia sempre que a saudade se tornava insuportável mas a verdade era muito mais simples e dolorosa. Eu amava Silver. E, em vez de lutar por nós, escolhera afastar-me. Nos primeiros dias depois da separação, pensei que ela me procuraria. Imaginei que apareceria à minha porta, que me ligaria ou que, de alguma forma, me daria uma razão para acreditar que a nossa história ainda não tinha terminado. Esperei por uma mensagem. Depois, por uma chamada. Quando percebi que Silver não faria nada disso, fui eu quem tentou estabelecer contacto. Liguei-lhe tantas vezes que perdi a conta. Enviei mensagen







