LOGINPonto de vista de Vitória.No dia da minha alta, Maximus tinha ido assinar os papéis e realizar o pagamento. A contragosto, tive de confirmar que ele era meu noivo só para sair dali e não ter que ver mais a mulher que tinha me gerado e largado no mundo. Finalmente, eu ia voltar para casa, ou melhor, para a minha prisão de luxo. Nem tinha como escolher, pois não iria a outro lugar e deixaria meu filho sob cuidados de um Trevisani. Estava terminando de arrumar minha bolsa com auxílio de uma enfermeira bondosa quando a porta se abriu. — Vamos logo sair daqui — falei sem olhar quem entrava. No minuto em que me virei, travei no lugar. — Soube que recebeu alta — Simone falou. Indiferente, não respondi. Pus a alça da bolsa no meu ombro e prendi meus cabelos num coque alto no topo da cabeça. — O seu noivo acabou com a minha carreira… — mencionou. — Não sou mais vice-diretora do hospital. Dei de ombros e respondi: — Só lamento. Notei o olhar de Simone, que me analisava de cima a baix
Ponto de Vista de Maximus “Ma che cazzo dici?” Furioso, xinguei dentro da minha cabeça enquanto aguardava a resposta. Francesca continuava parada à minha frente, com o olhar preso no chão do escritório. Os seus ombros curvados denunciavam o peso de carregar algo que deveria ter morrido com o passado. — Como sabe disso? — Inquiri num tom mais áspero. Ela engoliu em seco antes de erguer o rosto, revelando olhos marejados que tentavam manter a compostura em vão. — Você era pequeno quando os seus pais se separaram por dois meses — A voz trêmula da idosa rompeu o silêncio pesado da sala. — Nesse meio tempo, a sua mãe se envolveu com outro homem e acabou engravidando. — Minha mãe? — perguntei, incrédulo. — Isso não faz o menor sentido. O testamento, os bens, a criação... O meu pai nunca desconfiou de nada? — Ele nunca soube. E sua mãe jurou que levaria o segredo para o túmulo — Francesca confessou, apertando a barra do avental entre os dedos enrugados. — Minha filha estava desesperad
Ponto de Vista de Vitória — Não tenho nada a esconder — afirmei, mantendo o queixo erguido e o olhar firme no homem à minha frente. — Sou inocente. — Ótimo, senhorita Clarke. Então podemos pular as formalidades e ser diretos — o investigador respondeu, sem erguer os olhos do bloco de anotações enquanto a ponta de sua caneta rabiscava algo indecifrável. — Como a senhora explica essas imagens? Ele exibiu o mesmo vídeo da casa de Helena que Maximus já tinha me mostrado outras vezes. “Aff! Quantas vezes vou ter que ver isso?" reclamou. A lembrança da minha falecida patroa trouxe consigo a saudade e o peso da injustiça. — As joias foram um presente da Helena — declarei, sustentando a voz para que ela não tremesse. — Ela me entregou tudo voluntariamente para que eu pagasse as despesas médicas da minha avó antes de ela falecer. Eu não roubei nada. De que adiantava repetir isso? Por mais que dissesse a verdade pra todos, ninguém acreditava em mim. O investigador ergueu a cabeça, com os
— Agora, não, principessa — Max falou com Allegra num tom de advertência.A pequena fez carinha de choro e veio para o lado da cama e tocou minha mão.— Tia, quando você vai voltar pra casa? — Os olhinhos dela cintilavam com as lágrimas quando meu perguntou.— Em breve, meu anjinho. — Afaguei seus cabelos.Já tinha pego meu bebê com Francesa. Ela foi pegar o buquê de flores da mão de Maximus para pôr num dos jarros.— Posso subir? — Educadamente, Allegra pediu.— Cuidado! — Maximus falou e então veio pra ajudar a pequena a sentar do meu lado.— Trouxe o ursinho pra você, tia — ela me deu bichinho de pelúcia.— Obrigada, meu anjinho. — Dei um beijo na testa dela.— O titio Max falou que agora você vai ser minha mamãe… — inocentemente, a garotinha me contou.Troquei olhares com ele ao pensar: “O que deu nesse cara? Meses atrás eu era a ladra e ele detestava quando Allegra me pedia pra ser mãe dela”. Estava perdida em minhas divagações, olhando para ele, quando a vozinha cheia de ternura
Ponto de Vista de Vitória — Era pra pagar as contas do hospital da vovó... — respondi, engolindo o choro e sentindo a garganta arranhar. — Ela estava morrendo, Simone. Eu não tinha escolha. — Ah, por favor! — Minha progenitora revirou os olhos, revigorada em seu cinismo. — Você nunca deveria ter se esforçado tanto pra salvar aquela velha. Olha só onde você foi parar! Por causa dessa mania de mártir, você acabou com a sua própria vida, caiu numa armadilha e agora está aí, destruída. Cerrei os punhos sobre o lençol, reunindo as últimas forças que me restavam. — A minha avó foi muito mais mãe pra mim do que você jamais foi na sua vida inteira! — esbravejei, com a voz trêmula, mas firme. — E se eu tivesse que fazer tudo de novo para salvá-la, eu faria mil vezes! Coisa da qual você, egoísta do jeito que é, nunca foi capaz de entender ou fazer pela própria filha. Sem dizer mais uma única palavra, ela virou as costas e saiu, revoltada, batendo a porta levemente ao sumir pelo corredor. F
Ponto de vista de Maximus. “Merda, ela gosta de perturbar!” Resmunguei dentro da minha cabeça. — Escuta aqui, Simone — fitei a mãe de Vitória, interrompendo qualquer nova tentativa de manipulação. — Se você continuar se metendo na nossa vida ou espalhar mais uma mentira sobre a minha noiva, eu juro que faço questão de destruir o que resta da sua reputação e acabar com a sua carreira de vez. Hai capito? Sem dar chance para que ela articulasse uma única palavra de resposta, dei as costas e caminhei a passos firmes para o lado oposto do corredor. Poucos metros adiante, vi o médico sair do quarto de Vitória. — Senhor Trevisani — disse o doutor, puxando o ar de forma controlada. — Ela foi estabilizada. Conseguimos baixar a pressão e o ritmo cardíaco, mas o quadro exige cautela. Ela sofreu um pico hipertensivo severo e precisa de repouso absoluto. Zero estresse, ou poderemos ter complicações mais graves. — Posso ver a minha noiva? — perguntei, cheio de ansiedade. — Apenas por dois min







