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Capítulo 5: A cena

Author: Ogwu kosiso
last update publish date: 2026-03-17 22:50:39

 

A viagem de carro decorreu em silêncio.

 

 

  Emily e Denovon estavam sentados no banco de trás, ambos a olhar pela janela enquanto o motorista fazia curvas suaves pelas ruas da cidade. Não havia qualquer constrangimento — apenas silêncio, daquele tipo que não precisava de ser preenchido com palavras.

 

 

  De repente, o telemóvel de Emily vibrou na sua mala. Ela tirou-o e viu o nome de Valentina.

 

 

 Atendeu. «Olá, Val.»

 

 

  «Olá, miúda», disse a voz de Valentina, um pouco apressada. «Só uma coisinha — podes ajudar-me a ir buscar umas coisas ao centro comercial? Estou presa no trabalho, ainda a pôr as coisas em dia, e o centro comercial provavelmente vai fechar antes de eu terminar. Vou buscar-te de manhã cedo.»

 

 

Emily olhou para o relógio. «Claro, manda-me a lista.»

 

 

«És a melhor! Vou enviar-te agora mesmo. Fico-te muito agradecida!»

 

 

  Emily sorriu ligeiramente. “Já me deves mesmo.” Ambos riram-se antes de desligarem.

 

Ela virou-se para Denovon, com voz suave. “Hum… não te importas de me deixar no centro comercial? É só um recado rápido para uma amiga.”

 

Denovon acenou com a cabeça sem hesitar. “Sem problema.”

 

 

 Alguns minutos depois, o carro parou em frente ao centro comercial. Emily desatou o cinto de segurança e pegou na sua bolsa.

 

 

 

  “Obrigada, Denovon. Pela boleia… e pelo que fizeste há pouco também.”

 

 

  Ele acenou levemente com a cabeça, sem tirar os olhos dela. “De nada.” Ela abriu a porta e saiu.

 

Enquanto caminhava em direção à entrada, Denovon observava-a. Ela movia-se com uma força tranquila, sem pressa, sem tentar parecer corajosa — apenas sendo ela mesma.

 

 

 Algo brilhou nos olhos dele. Um lampejo de interesse… ou talvez curiosidade. Ele não desviou o olhar até que ela desaparecesse pelas portas do centro comercial.

 

Emily percorreu a loja, escolhendo lentamente os artigos que Valentina tinha enviado na lista — colocou cada um deles no cesto, com a mente tranquila.

 

Mas assim que virou para o corredor seguinte, os seus pés pararam.

 

 

  O coração-lhe deu um salto.

 

 

 

  Ali, apenas alguns passos à frente, estavam duas pessoas que ela nunca mais queria ver — a Julie e a sua meia-irmã, a Evelyn. Estavam a rir, a conversar baixinho, enquanto pegavam em artigos da prateleira. Tão próximas, como melhores amigas. Como se nada tivesse acontecido.

 

 

 

  A Emily ficou paralisada. Os dedos apertaram-se à volta da pega do cesto. As memórias voltaram — Charles, o hospital, a traição, as mentiras. O seu bebé.

 

 

 

 A dor que ela enterrou durante meses atingiu-a com força no peito. Era difícil respirar. Os seus olhos ardiam, mas ela não chorou. Aqui não. Não na frente delas.

 

 

 

  Virou-se rapidamente, pronta para sair, mas —

 

 

 

  «Mana?

 

 

  A voz a fez parar.

 

Evelyn tinha-a visto.

 

Emily virou-se lentamente, tentando manter a expressão calma. Evelyn estava a sorrir — aquele mesmo sorriso falso e doce que outrora a enganara.

 

Julie estava ao lado dela, de braços cruzados, com um olhar penetrante e cheio de orgulho. Nenhuma delas parecia culpada. Pareciam… felizes.

 

 

  Emily não disse nada.

 

 

  O seu peito subia e descia lentamente enquanto tentava conter a tempestade dentro dela. A dor. A raiva. A traição. Emily ficou imóvel, com o rosto calmo, mas o coração a bater acelerado. Ela só queria virar-se e ir embora — mas então Evelyn aproximou-se, com a voz suave e cheia de emoção falsa.

 

 

  «Mana, é bom ver-te de novo», disse Evelyn com voz trémula, os olhos brilhantes com lágrimas falsas.

 

«Sabes... não devias ter saído de casa. Compreendo que te sintas magoada, mas deves saber que não o fizemos de propósito...»

 

Os olhos de Emily estreitaram-se ligeiramente, sem dizer nada ainda.

 

«Eu tentei mesmo dizer-te, mas sabes como é», continuou Evelyn, com as mãos junto ao peito, como se fosse ela quem tivesse sido injustiçada. «Não foi decisão minha, foi do pai. Tentei impedi-lo. Tentei mesmo… mas sabes como é o pai. Por favor, não o culpes. Ele só quer o melhor para todos nós.»

 

 

  Emily cerrou os dentes. As mentiras soavam tão doces vindo dos lábios de Evelyn.

 

 

“Tu és minha irmã”, acrescentou Evelyn em voz mais alta, chamando a atenção dos clientes que estavam por perto. “A minha única irmã. Por favor… não deixes que um homem se intrometa entre nós.”

 

 

  Suspiros e murmúrios começaram a espalhar-se à sua volta. As pessoas olhavam para a Emily como se ela fosse o problema — como se fosse ela quem tivesse destruído a família.

 

A Emily não disse nada.

 

 

  Antes que ela pudesse, Julie avançou, colocando-se entre a Evelyn e a Emily como um cão de guarda.

 

 

 

“Eve, o que estás a dizer?”, retrucou Julie em voz alta. “Não precisas de implorar-lhe. Deixa-a apodrecer.”

 

 

 

Ela voltou toda a sua atenção para a Emily, com a voz aguda e cheia de ódio.

 

 

  «Como te atreves a deitar os olhos a alguém que não é teu? Ao homem de outra pessoa? És uma destruidora de lares, Emily. É isso que tu és.»

 

Julie aproximou-se com um sorriso cruel.

 

«Pensaste que podias tirar-me o Charles só porque tinhas algum dinheiro? Algumas ações? Não me faças rir.»

 

 

  O rosto de Emily permaneceu impassível, mas as suas mãos tremiam ligeiramente. Julie inclinou-se para a frente, as suas palavras como facas. «Não passas de uma falhada. Devias esconder o rosto e nunca mais o mostrar.»

 

 

 

  Então, com o sorriso mais cruel, acrescentou: «Ah — e antes que me esqueça… obrigada por teres dado à luz o meu filho.»

 

 

  O peito de Emily apertou-se.

 

 

 

E, quando ela pensava que a cena não podia piorar, Evelyn disse rapidamente: «Julie, não digas isso da minha irmã. A culpa não é dela. Ela não sabia que tu e o Charles eram amantes. A minha amada irmã não é uma destruidora de lares.»

 

 

 Disse-o alto o suficiente para que todos ouvissem — fingindo defender a Emily, mas apenas fazendo-a parecer pior. A multidão parecia mais confusa, alguns abanando a cabeça, outros murmurando.

 

 

  Os olhos da Emily moveram-se lentamente da Evelyn… para a Julie… depois para o chão.

 

 

 E quando voltou a olhar para cima — o seu coração estava frio. A Emily olhou calmamente para a Evelyn e disse:

 

 

 “Pára de me chamar de irmã. Eu não sou tua irmã.”

 

“Não digas isso, irmã”, respondeu Evelyn, tentando alcançá-la. Mas Emily deu um passo para trás —

 

Paa!

 

Evelyn caiu no chão.

 

“Evelyn!”, gritou Julie, correndo para a ajudar a levantar-se. As pessoas ao redor começaram a cochichar.

 

 

  «Ela é malvada.» «Mesmo quando a Evelyn estava a ser simpática, ela empurrou-a.»

 

 

  «Não admira que ela não conseguisse manter um homem.»

 

«Mana...» chorou a Evelyn, com lágrimas a cair, a voz suave e lastimosa — o suficiente para fazer com que estranhos sentissem pena dela.

 

 

  «Pára de lhe chamar irmã», retrucou Julie. «Tu a consideraste tua irmã, mas ela nunca o fez.»

 

Julie virou-se para Emily, com os olhos cheios de ódio.

 

«Não mereces nada de bom na vida… apenas a morte.»

 

Paa!

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