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Capítulo 4: O Encontro às Cegas

Author: Ogwu kosiso
last update publish date: 2026-03-17 22:43:51

Quando Emily entrou no restaurante, ouvia-se ao fundo o som suave de música clássica. Os seus olhos percorreram o local e foi então que o viu.

 

  Um homem alto estava de pé junto à grande janela, com uma mão no bolso e a outra a segurar um telefone junto ao ouvido. Vestia um fato escuro que lhe assentava na perfeição e, mesmo de costas, parecia poderoso — calmo, sereno, no controlo.

 

Ele não se virou imediatamente, mas quando reparou na presença dela, acenou ligeiramente com a cabeça e, com a mão que tinha no bolso, fez-lhe sinal para se sentar. Ele continuou a falar ao telefone, com uma voz baixa e firme, embora ela não conseguisse ouvir as palavras.

 

Emily caminhou até à mesa e sentou-se em silêncio. O seu coração batia acelerado, não por medo, mas algo na presença dele deixava-a nervosa. Havia algo de imponente nele. A sua calma, a forma como se mantinha de pé, a força silenciosa que exalava — era diferente de qualquer homem que ela tivesse conhecido antes.

 

 

  Ele desligou pouco depois e dirigiu-se ao seu lugar. Ela reparou que ele já tinha uma chávena de chá à sua frente. Ele sentou-se lentamente e olhou para ela com olhos calmos. Eram perspicazes, escuros e profundos — como se pudessem ver através das mentiras.

 

«Olá, és a Emily, certo?», perguntou ele, com uma voz grave mas suave.

 

 

  Emily esboçou um pequeno sorriso e acenou com a cabeça. «Sim, sou eu.»

 

 

 

Ele estendeu a mão para um aperto de mão. «Sou o Denovon. Prazer em conhecê-la.» Emily apertou-lhe a mão. Era quente e firme.

 

 

«Prazer em conhecê-lo também», respondeu ela educadamente.

 

  Seguiu-se um breve silêncio, mas não foi constrangedor. Denovon não se apressou a falar. Apenas olhou para ela com um interesse discreto, como se estivesse a tentar lê-la — não apenas o rosto, mas o coração. Emily endireitou-se, recusando-se a deixar transparecer o nervosismo. Ela já não era a mesma mulher destroçada de meses atrás. Já não.

 

 

  Denovon parecia calmo por fora, mas, no fundo, também não queria estar ali.

 

 

 

 

 

  Este encontro às cegas não tinha sido ideia dele. Tinha trinta anos, era bem-sucedido e determinado — mas, aos olhos da sua família, estava atrasado.

 

 

  «Trinta anos e ainda não casado? Do que estás à espera?», dizia a avó.

 

 

  «Precisas de uma esposa para ajudar a construir o futuro», lembrava-lhe frequentemente a mãe.

 

 

  Mas era a voz do avô que mais importava. O avô, chefe da família e fundador da Rowland Corporation, tinha sido claro:

 

 

 

  “Estás de volta agora, Denovon. Está na hora. E esta rapariga — ela é a neta de um velho amigo. É bem-educada, culta. Conhece-a.”

 

 

 

 

 

  Denovon tinha regressado ao país há apenas um mês, depois de passar cinco anos na América, a gerir a filial da empresa lá. Trabalhou dia e noite, fez a empresa crescer e ganhou o respeito da sua família — especialmente do seu avô.

 

 

 

  Agora estava de volta para assumir a empresa principal. Era uma grande responsabilidade, e o casamento não estava nos seus planos — pelo menos não por enquanto. Mas o seu avô tinha pedido educadamente, e Denovon sempre o respeitou. Foi por isso que concordou com este encontro às cegas.

 

 

 

  Apenas um jantar, disse a si mesmo.

 

 

 

 

 

  Não esperava grande coisa disso. Talvez algumas palavras educadas e, depois, ambos se iriam embora. Silenciosamente. Sem pressão. Mas quando viu a Emily a entrar no restaurante — simples, calma, bela de uma forma suave — algo dentro dele parou.

 

Ela não se vestiu para impressionar. Não andava como alguém que procurasse chamar a atenção.

 

 

 

  Era discreta e, no entanto... forte. Como alguém que tinha passado por muito e continuava de cabeça erguida.

 

 

 

  Ele deu por si a observá-la atentamente, mesmo depois do aperto de mão.

 

 

  Talvez este jantar... não fosse assim tão simples, afinal.

 

 

 

 

 

  Denovon pegou novamente no seu chá e deu um gole lento antes de falar.

 

 

 

 

 

  «Então... costumas ir a encontros às cegas?», perguntou ele casualmente, olhando para ela com um pequeno sorriso educado.

 

 

 

  Emily soltou uma risada suave e abanou a cabeça. «Não. Na verdade, este é o meu primeiro.»

 

Ele acenou com a cabeça. «Eu também.»

 

Ambos sorriram levemente. O silêncio entre eles não parecia estranho — apenas calmo. Até mesmo tranquilo.

 

 

 

  “O que fazes?”, perguntou Emily, tentando manter a conversa.

 

 

  “Trabalho na área dos negócios. Regressei ao país há apenas um mês. Estive nos EUA durante cinco anos a gerir uma filial da empresa lá”, explicou ele.

 

  “Isso parece importante”, disse ela.

 

 

  “Era muito trabalho”, respondeu ele simplesmente. “Mas ensinou-me muito.” Ele tomou outro gole de chá, sem tirar os olhos dela.

 

 

  “E tu?”, perguntou ele. “O que fazes?”

 

 

  Emily hesitou por um segundo antes de responder. “Sou gestora na Rowland Corporation.”

 

 

 

  Denovon reparou na forma como a voz dela baixou ligeiramente quando falou. Não foi muito, mas ele percebeu.

 

 

 

 

 

  Ela parecia bem por fora — bem vestida, educada, sorridente — mas os olhos dela estavam cansados. Como alguém que carrega algo pesado por dentro.

 

 

 

 

 

  Ele não queria deixá-la desconfortável, por isso falou suavemente.

 

 

 

  “Não precisa de me contar o que se passa”, disse ele gentilmente, “mas… seja o que for, não deixe que isso a derrote.”

 

 

 

 

 

  Emily olhou para ele, surpreendida.

 

 

 

 

 

  Denovon recostou-se na cadeira, com a voz calma e firme. “Já vi pessoas a carregar a dor como se fosse a sua própria pele. Ela consome-as lentamente. Mas tu… tu és mais forte do que isso. Eu consigo ver.»

 

 

 

 

 

  Emily ficou em silêncio por um momento. As palavras dele tocaram-na, mais do que ela esperava. Ninguém lhe tinha dito algo assim desde que tudo desmoronou. Ela esboçou um pequeno sorriso — daqueles verdadeiros. «Obrigada.»

 

 

 

 

 

  Ele acenou com a cabeça uma vez, sério. “Só não te esqueças de quem és. O que quer que tenha acontecido antes, isso não te define.”

 

 

 

 

 

  O encontro às cegas terminou bem, com ambos a sentirem-se mais relaxados do que quando começou.

 

 

 

 

 

  Ao saírem do restaurante, o ar da noite estava fresco e calmo. Emily mencionou que iria chamar um táxi, mas Denovon abanou a cabeça gentilmente.

 

 

 

  “Eu levo-te”, disse ele simplesmente. “Já é tarde e não acho que me sentiria bem em deixar-te ir sozinha.”

 

Emily hesitou por um momento, depois acenou com a cabeça. “Está bem… obrigada.” Caminharam juntos em direção ao carro dele, em silêncio, mas à vontade.

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