登入O dia do casamento sempre foi o mais idealizado por uma menina. Imaginar sua entrada mágica na igreja, o vestido de princesa e os enfeites que a adornam para que a deixe ainda mais bela naquele percurso até o grande amor de sua vida, sempre consumiu boa parte de seus dias. Um sonho tão real que era quase possível escutar a marcha nupcial, que deixava ainda mais intensa a conexão de olhar estabelecido com o seu amor. Isabelle sempre desejou isso. Uma brasileira de alma bondosa e amorosa, cresceu rodeada de sorrisos e amor, mesmo com todas as dificuldades que sua família enfrentava. Foi para os Estados Unidos ainda jovem na esperança de realizar seus sonhos, entre eles o maior de todos, mudar a vida de toda a sua família. Ela terá o vestido espetacular de noiva que sempre sonhou, em uma cerimônia e festa digna de seus sonhos. Uma música linda irá embalar o momento de sua entrada, mas diferente de tudo que poderia prever, o olhar que a aguardava do outro lado era frio, assim como aquele casamento por contrato, como seu futuro marido; Owen Brown. Um homem frio e calculista, que diferente dela cresceu em uma casa onde o silêncio e a distância entre seus habitantes predominava. Assim como todo o luxo que só a realeza do petróleo, como são chamados, poderia ter. Ele é frio; Ela é amorosa; Ele é inverno: Ela é verão.
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Ao sair do banho, seco meu corpo delicadamente com a toalha, passo meu hidratante e só então coloco minhas roupas debaixo. Visto a segunda pele, depois uma calça preta com um tecido que imita couro, uma blusa branca de alcinha e um casaco preto bem grosso por cima. Antes que Meg, minha melhor amiga e quem divide o apartamento comigo, bata na porta do banheiro, eu deixo o ambiente livre para ela e corro para o meu quarto, preciso terminar de me arrumar. Paro de frente ao espelho, vendo o quanto a roupa me valorizou. A calça acentuou minha cintura fina, quadril largos e a bunda consideravelmente grande. Posso estar nos Estados Unidos, mas minha maravilhosa genética brasileira jamais permitirá que eu pareça uma americana. Não tenho os cabelos loiros e escorridos, muito menos os olhos azuis como a maioria. Muito pelo contrário, minhas íris são castanhas, as mechas longas, onduladas e escuras feito a noite, contracenando perfeitamente com a minha pele morena. Pego as minhas coisas de maquiagem, passo um corretivo, um blush, rímel e um protetor labial em meus lábios volumosos. Não estou indo para nenhuma ocasião especial, então o básico da maquiagem já é o suficiente. Calço meu tênis branco, passo meu perfume, confirmo se na pequena bolsa de mão está tudo que preciso e saio do meu quarto. Deixo a bolsa no braço do sofá e vou direto para a cozinha. Faço um café na máquina e coloco um waffle no forno. Amo quando fazemos na hora, mas é sempre bom comprar esses pré prontos no mercado, facilita no dia a dia. Quando tudo fica pronto, sento-me na bancada que divide a minha cozinha da sala. Meu coração gela ao ver a carta do consulado exatamente onde a deixei na noite anterior. Ela é um lembrete cruel do motivo de eu ter passado boa parte da madrugada em claro: preciso renovar meu visto e, no momento, não existe um único motivo que faça o governo americano querer me manter aqui. O apartamento é pequeno, mas aconchegante. Moro em uma cidade vizinha à grande Nova York, então os aluguéis aqui não são tão baratos para ficar escolhendo. _ Good morning, princess.- Passa por mim, indo em direção a cozinha. Bom dia, princesa. _ Dormiu bem?- Tomo um gole do meu café, a acompanhando com o olhar. Nós nos conhecemos há oito anos atrás, quando fizemos o último ano do ensino médio juntas. Fomos fazer um trabalho em dupla e desde então nunca mais nos separamos. A família dela se tornou a minha aqui nessa terra tão distante da minha. Logicamente já tivemos algumas brigas, mas nada forte o suficiente para nos separar. Me mudei quando tinha apenas quinze anos. Fiz uma prova e consegui uma bolsa de estudos na cidade que nunca dorme, em uma escola comum, mas com alojamento. Minha família, que sempre me apoiou, se reuniu para fazer esse sonho acontecer. Meu irmão mais velho vendeu sua moto, assim conseguimos comprar a minha passagem. Mamãe comprou algumas roupas e parcelou em doze vezes. Eu também fiz a minha parte, assim que soube que havia passado, trabalhei que nem doida para conseguir juntar um dinheiro. Não foi muito, mas ajudou bastante assim que cheguei. Sempre fui boa em aprender novos idiomas, acho que tenho facilidade. Então ficar ouvindo muita coisa em inglês me fez ter uma noção gigantesca do idioma, quando cheguei, a própria escola me deu aulas sobre a língua e assim, dentro de pouco tempo, já sabia me comunicar e escrever perfeitamente no meu segundo idioma. Morar aqui fez toda diferença, afinal eu era obrigada a aprender, senão não conseguiria sobreviver aqui. _ Que nem um anjo, quase que nem acordava hoje.- Suspira. Mag pega uma xícara de café e se senta na minha frente. Ela é a típica menina loira que vemos nos filmes, só não é rica. Está vestida socialmente, pronta para encarar mais um dia andando para todos os lados, mostrando casas para pessoas que querem comprar ou alugar. Ela trabalha em uma imobiliária. _ Não sei como você consegue pular o café da manhã. _ Eu estou tomando café.- Argumenta. _ Mas não está comendo nada, pode acabar passando mal. _ Você sempre fala isso e eu nunca passo.- Revira os olhos.- Além do mais, odeio essa refeição, para mim é a que menos faz sentido. Eu sou uma pessoa que o meu dia só começa após o meu lanche da manhã, já ela pula ele com toda a facilidade do mundo. Isso simplesmente não faz sentido nenhum na minha cabeça. Dou de ombros, permitindo que o assunto morra. Iniciar uma nova discussão sobre isso não vai nos levar a nada. _ E aí, preparada? _ Não.- Deixo os meus ombros caírem em sinal de desânimo.- Se eu pudesse, voltaria para a minha cama e me esconderia debaixo do meu cobertor quentinho. _ Vai dar certo, amiga.- Segura minha mão em cima da mesa e deixa seu sorriso mais confiante desenhar o seu rosto. _ As minhas chances são poucas.- Solto um suspiro pesado. Não sou uma pessoa pessimista, muito pelo contrário. Mas neste momento não me resta outra opção a não ser encarar a realidade. Meu visto venceu este ano. Na época eu consegui um de estudantes, o que me deu dez anos aqui sem precisar me preocupar com isso. Bem, não era uma preocupação até um mês atrás, quando eu ainda trabalhava na cafeteria e conseguia pagar a mensalidade da faculdade. Mas tudo virou de cabeça para baixo, quando eu fui mandada embora e tive que trancar os estudos. Estou fazendo a unha de algumas conhecidas e ganhando por isso, o mínimo para conseguir pagar a minha parte das despesas, não cobre a mensalidade. Depois que tudo isso aconteceu, perdi qualquer motivo para estar aqui. Eu poderia até conseguir o de turista e ter mais três meses para tentar, mas com o novo presidente que é totalmente contra os imigrantes, minhas chances se reduzem drasticamente. _ Vai sim.- Sorrio de volta, tentando me agarrar a isso com todas as minhas forças.ISABELLE NOGUEIRAComo eu não tenho nenhuma roupa aqui, decidi descer para o café da manhã com o pijama que dormi. Acredito que não terá problema, afinal estamos em casa. Tudo bem que o short ficou um pouco curto por causa das minhas nádegas avantajadas, aparecendo a polpa. Mas esse, no momento, é o menor problema. Eu tenho uma bunda grande, independente da roupa que usar, vai ser óbvio. Escovei os dentes e lavei o meu rosto com o sabonete facial. Desembaracei o meu cabelo, deixando ele mais para o lado direito. Pego a pequena bolsa que levei ontem e retiro meu gloss rosado, passando pelos lábios ao menos para dar uma corzinha. Calço a pantufa que deixaram no quarto, pego o meu celular e saio do ambiente com a minha amiga. Fizemos o mesmo caminho de ontem, tomando todo cuidado do mundo para não se perder.Quando chegamos a sala de estar, a governanta nos guiou até a copa, onde Owen tomava café da manhã com sua irmã na enorme mesa de jantar. Ela estava com um conjunto de saia de linho
ISABELLE NOGUEIRA_ Você só pode ter fugido do hospício, isso sim.- Consigo responder assim que o choque por suas palavras passam.No entanto, o tal Owen não me responde. Sua atenção permanece centrada em mim. A postura decidida, imponente e impenetrável. Quando encarei seus lindos olhos azuis e enxerguei a veracidade de suas palavras ali, meu coração errou algumas batidas. Peguei a taça em minhas mãos e tomei um gole generoso, tentando engolir aquela informação. Encarei a minha amiga, que parecia tão assustada quanto eu na mão de um daqueles armários que estavam acompanhando o homem na minha frente. _ Eu aceito conversar lá fora, mas só se a minha amiga for._ É claro, docinho.Faz um sinal para o homem ao lado da sua irmã. O outro segurança. Ele guia a loira pelas escadas e o tal Owen, caminha de forma decidida como se fosse o dono do mundo bem na minha frente. No andar de baixo, que está ainda mais cheio, ele me colocou na sua frente e grudou o corpo atrás do meu segurando a mi
OWEN BROWN_ Quero sua bebida mais forte.- Ordeno ao barman._ Sim senhor.- Se apressa em atender o meu pedido._ Por que a maioria das pessoas aqui são americanas?- Minha irmã ousa perguntar._ Dia de semana, senhora. Os latinos mesmo costumam vir final de semana, deve ser folga do trabalho ou algo assim.- Responde._ A sorte não está do nosso lado.- Falo com a minha irmã, tomando um gole da bebida barata. _ E se não conseguirmos achar hoje?- Ela me olha um pouco preocupada._ Eu invento uma desculpa e amanhã procuramos de novo… talvez em outros lugares. Ter falado que é uma mulher latina, talvez, não tenha sido uma boa escolha. Tem limitado muito as minhas opções e as que tenho visto, nenhuma me encheu os olhos. Minha irmã pediu um drink e fomos até uma das mesas no centro. Concentrei no meu objetivo e observei bem todas as mulheres, esperando que alguma delas chamasse minha atenção um pouco que fosse. Mas nada, só estavam me deixando entediado. _ Talvez você devesse ser menos e
OWEN BROWN_ Reunião encerrada, podem ir embora.- Finalizo.Por causa da guerra no Oriente Médio, mais precisamente do Irã, um dos nossos principais pontos de extração foi afetado. Não sei o motivo de mais essa guerra, dessa vez um tanto quanto mais violenta, nem se quer me interessa. Estou em segurança, então a guerra não é minha. Meu problema é outro: teremos de direcionar um valor considerável para os reparos, além de lidar com os funcionários que pediram evacuação da base. O conselho chamou isso de preocupação humanitária. Eu chamo de quebra de contrato.A reunião foi para discutir uma forma de repassar esses gastos sem sofrer baixa nos nossos consumidores. A melhor escolha foi encarecer um pouco dos produtos, principalmente a gasolina, para os países que são dependentes do nosso petróleo. Como todas as empresas da área devem ter decisões parecidas, não terá problema. Isso e repassar um pouco o preço para os consumidores nacionais também. Nada muito exagerado, mas que trará um gan












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