LOGINEpílogoBrianna Sins Um ano depois.... O vento frio da noite de Istambul tocava as imensas vidraças da mansão à beira do Bósforo, mas lá dentro o ambiente estava envolto em um calor suave e acolhedor. Fazia exatamente um ano desde que o pesadelo havia ficado para trás, desde que Emir fora finalmente trancado em uma cela onde jamais voltaria a machucar ninguém. As sombras do passado haviam sido substituídas por uma nova e luminosa realidade. A mesa de jantar estava posta com elegância, mas a atmosfera era de pura descontração e afeto familiar. Minhas sobrinhas — agora oficialmente minhas filhas, a quem eu havia acolhido com todo o amor do mundo para preencher o vazio que a vida tentara nos impor — riam alto, contando travessuras do dia na escola. Meu irmão sorria na ponta da mesa, dividindo a alegria daquele lar que finalmente reencontrara a paz. E lá estava ele. Ares. Sentado ao meu lado, os olhos dele carregavam toda a devoção e o cuidado do mundo enquanto me observava. No últi
Brianna Sins O cheiro de mofo e poeira foi a primeira coisa que atingiu os meus sentidos antes mesmo de eu conseguir abrir os olhos. Quando a névoa escura do desmaio começou a se dissipar, percebi que o meu corpo estava pesado, dolorido e completamente imobilizado. Pisquei várias vezes, tentando ajustar a visão à penumbra de um quarto desconhecido, sem janelas, iluminado apenas por uma lâmpada fraca e amarelada que balançava levemente no teto. Olhei para os meus braços e pernas e o pânico travou a minha garganta: eu estava amarrada com correntes grossas a uma cama de ferro enferrujada. E o pior: vestia roupas que não eram minhas, uma camisola leve e estranha que eu nunca havia visto na vida. — Acordou, minha linda... — uma voz soou na penumbra. Virei o rosto bruscamente. Sentado na beira da cama, observando-me com um olhar completamente vazio, estava Emir. Mas ele não era o homem polido, calmo e cordial de antes. Ele vestia apenas uma calça escura, estava sem camisa, e o peito
Emir A noite avançava lenta e silenciosa no meu apartamento. Eu estava na sala, revisando mentalmente cada detalhe do plano para o dia seguinte. Tudo estava milimetricamente encaixado: a revelação da suposta irmandade, a fragilidade de Brianna após a perda e a desestabilização completa de Ares. Ele já havia caído na minha armadilha como um patinho, e o estrago psicológico que eu plantara começaria a dar frutos definitivos logo ao amanhecer. Foi quando o som abrupto da campainha ecoou pelo corredor. Franzi a testa, olhando para o relógio na parede. Quem ousaria me procurar a essa hora? Caminhei a passos firmes até a porta e a destranquei, girando a maçaneta. Antes que eu pudesse formular uma única palavra, a figura de Ares irrompeu pelo vão. Os olhos dele injetados de puro ódio, a respiração pesada e a fúria cega estampada em cada músculo do rosto. Ele não esperou. No segundo exato em que cruzou a porta, desferiu um soco brutal contra o meu rosto. A força do impacto estalou na mi
Brianna Sins O copo d’água gelada desceu pela minha garganta, mas o fogo que queimava no meu peito não diminuiu nem um pouco. As palavras de Emir ainda ecoavam dentro da minha cabeça como um eco metálico e insistente: "você é a irmã gêmea da minha falecida esposa." Como isso era possível? Como uma vida inteira, um passado inteiro antes dos seis anos, podia estar escondido atrás de uma cortina de fumaça que só agora começava a rasgar? Voltei para a sala de estar com o coração batendo desordenadamente, os passos pesados no chão. Eu precisava de respostas. Precisava que Ares dissesse que aquilo era mentira, que Emir era apenas um louco delirante inventando histórias para nos desestabilizar. — Ares... — comecei, parando na entrada da sala, olhando para os dois homens que se encaravam como dois animais prestes a travar uma luta mortal. A tensão entre eles era tão palpável que parecia cortar o ar. — O Emir disse que... que eu tenho uma família aqui. Que eu preciso conhecer a minha his
Emir Na manhã seguinte... Observar a confusão nos olhos de Brianna sempre foi um exercício de paciência, mas agora, ver o estrago que o tempo e os segredos haviam feito nela, era quase poético. Eu a olhava ali na sala, segurando aquela xícara de chá com as mãos ainda trêmulas pela noite anterior, e sentia uma satisfação sombria aquecer o meu peito. Ela não fazia ideia de quem era de verdade. Não lembrava de nada antes dos seis anos, um apagão conveniente que eu levei anos para mapear, desenhar e finalmente explorar a meu favor. Tudo o que eu construí até aqui teve um único propósito: tê-la para mim. E para que isso acontecesse, eu precisava primeiro destruir o castelo de cartas que Ares havia erguido ao redor dela. Ares sempre foi o cão de guarda perfeito — arrogante, superprotetor, sufocante. Mas os homens orgulhosos são os mais fáceis de derrubar, porque confiam cegamente na própria força. A armadilha da noite passada foi uma obra de arte em sua simplicidade. Bastou plantar uma
Ares Sins A claridade agressiva da manhã cortava as frestas da cortina pesada, esfaqueando meus olhos e trazendo consigo uma ressaca monumental. Minha cabeça latejava em um ritmo ditado por cada gota do uísque que eu havia despejado na garganta durante a madrugada. Respirei fundo, sentindo o gosto amargo na boca e o peso opressor no peito que na noite anterior não foi capaz de apagar. Rolei na cama, tocando o colchão à procura do vazio habitual, do espaço frio que ecoava a minha solidão. Mas a minha mão encontrou pele. Pele quente, macia e completamente nua. Um calafrio de pura pavor subiu pela minha espinha, estalando cada nervo do meu corpo. Abri os olhos de uma vez só, ignorando a pontada aguda na minha testa, e virei o rosto. Deitada ao meu lado, enrolada nos lençóis brancos que deslizavam por seus ombros, estava uma mulher desconhecida. Os cabelos compridos espalhados pelo travesseiro, a respiração profunda de quem dormia um sono pesado e tranquilo. O meu coração parou







