LOGINSebastian Callahan
Dr. Reys — É como eu suspeitava. A senhorita Smith está com três costelas quebradas. A desnutrição severa também foi comprovada, e a anemia está bem avançada, tanto que teremos que fazer uma transfusão de sangue. Olha, se ela continuasse mais tempo nessa situação... Brandon — Não precisa falar mais nada, doutor. Nós já entendemos. Só me diga o que posso fazer. Dr. Reys — Você, nada. Já eu vou mantê-la internada. Vou tratar a desnutrição e a anemia dela, que é o mais preocupante, e, claro, cuidar das costelas quebradas também. Sebastian — Quero os melhores tratamentos para a Luna, doutor Reys. Não poupe gastos. Falo, chamando a atenção do médico para mim. Dr. Reys — Sim, senhor Callahan. Ela será muito bem cuidada por todos aqui neste hospital. Sebastian — Ótimo. Agora vá fazer o seu trabalho e, assim que pudermos entrar no quarto para vê-la, deixe-nos saber. O médico assente e sai apressado da sala de recepção VIP onde estamos. Vejo Brandon praticamente desabar no sofá e abaixar a cabeça, desolado com o estado em que a irmã se encontra. Brandon — Cara, eu sabia que aquele desgraçado era um monstro, mas não sabia a dimensão disso. Tem noção do que ele fez com a própria filha? Eu devia ter ido atrás. Devia ter tirado ela daquela casa. Fala, claramente se sentindo culpado. Sebastian — Não se culpe, Brandon. Você não sabia de nada. Estava de mãos atadas. Se concentre no agora, no que pode fazer daqui em diante. Garanta que a sua irmã seja livre e feliz e que aquele homem nunca mais chegue perto dela. Falo, apertando de leve o ombro dele. Dá para sentir o quanto está tenso, mas ele parece relaxar um pouco depois de ouvir minhas palavras. Brandon — Tem razão. Eu vou cuidar dela. Luna nunca mais vai passar pelo que passou com aquele miserável. Sebastian — Nós vamos cuidar dela, cara. Eu vou te ajudar. Brandon me olha estranhamente. Ele me conhece bem. Sabe que não costumo me envolver nos dramas dos outros, mas também sabe que ele é minha família. E, se Luna é irmã dele, ela está incluída no pacote também. Pelo menos é isso que repito para mim mesmo. E é isso que quero que ele acredite. Mas a verdade só eu sei. Essa garota despertou em mim um instinto de proteção que nunca senti antes na vida. Quero cuidar dela. Quero garantir que esteja bem e segura. Quero vê-la livre daquela vida. Quero ver aquele rostinho angelical sem todas aquelas marcas e quero assistir a Luna reaprender a viver sem o domínio do pai e as amarras religiosas que ele colocou na mente dela desde criança. Mas isso eu não admitiria nem para mim mesmo. Brandon — Obrigado, cara. Ele diz por fim, provavelmente acreditando que estou fazendo isso por ele. E, de fato, estou. Mas... Luna Smith me desperta... curiosidade. Só preciso descobrir por quê. Por que ela desperta tantas coisas em mim se mal nos conhecemos? Talvez eu esteja apenas comovido com a história dela e com tudo o que passou. É isso. Só pode ser isso. Sebastian — Somos família, Brandon. Você sabe disso. Brandon — Tem razão. Somos irmãos. A Luna agora vai ser sua irmãzinha também. Concordo com a cabeça, mas não sei exatamente o que pensar sobre essa história de irmãzinha. Não sei se consigo enxergar Luna dessa maneira. E isso não tem nada a ver com aquele maldito cheiro de flores do campo que ela tem e que me faz querer respirar fundo só para senti-lo toda vez que está perto o suficiente. Foi difícil para caralho dentro daquele carro, quando ela estava em meus braços e todos os meus sentidos pareciam concentrados no perfume dela. Balanço a cabeça em negação, decidido a não pensar mais sobre aquilo. Levanto-me e olho para o relógio em meu pulso. Sebastian — Vou para a empresa. Era para eu estar lá há duas horas. Qualquer coisa, é só me ligar. Brandon — O quê? Não vai ver a Luna antes de ir? Sebastian — Melhor não. Acho que vocês precisam de um tempo e de privacidade para conversar. Outra hora eu venho visitá-la. Aquilo é uma desculpa. Eu apenas preciso ficar longe. Preciso me concentrar no trabalho, o meu ponto seguro, o lugar onde tenho controle sobre tudo o que acontece. Brandon — Tem razão. Quero que ela me conte tudo pelo que passou. Sebastian — Só... pegue leve consigo mesmo. Lembre-se: não é sua culpa. Brandon concorda com a cabeça, mas eu sei que não é simples assim. A culpa não é algo que se possa controlar. Eu mesmo carreguei esse sentimento por muito tempo, quando Celina me deixou. Hoje já não vejo as coisas da mesma forma. Tudo acontece por um motivo. Espero que, com o tempo, ele pare de se culpar também. Existem coisas que simplesmente vão além do nosso controle. E eu odeio não estar no controle. Mas, às vezes, acontece. Saio do hospital e vou para a empresa. Passo o resto do dia enterrado no trabalho, fazendo o que faço de melhor: ganhando dinheiro. É fácil lidar com números e com a bolsa de valores porque, apesar de algumas pessoas dizerem que esse meio é imprevisível, para mim é exatamente o contrário. Eu sempre sei o que esperar. Sempre sei o que fazer. É seguro. E eu gosto disso. Por volta das nove da noite, dou o expediente por encerrado. A essa hora, todos já foram embora, e o arranha-céu de mais de cem andares está praticamente vazio, com exceção da equipe de limpeza e dos seguranças. É o completo oposto do que acontece aqui durante o dia, com meus mais de quinhentos funcionários. Isso só aqui. Não estou contando as filiais que tenho em outras cidades e em vários países, todas em uma rede ligada a uma única coisa: investimentos e bolsa de valores. Ganhar e multiplicar dinheiro é comigo mesmo. Quando entro em meu carro, pronto para ir embora, o celular em meu bolso vibra, anunciando a chegada de uma mensagem. Pego o aparelho e olho para a tela. É Brandon avisando que vai passar a noite no hospital. Respondo com um "ok" e digo que, no dia seguinte, passo por lá para ver como estão. Não posso me manter longe. Ele precisa de mim. E Brandon esteve ao meu lado todas as vezes que precisei dele. Só preciso aprender a lidar com essa sensação estranha que a irmãzinha dele causa em mim. Já entendi que é curiosidade. Nunca conheci ninguém como ela. Aquele olhar carregado de inocência... Como alguém que nunca cometeu um pecado na vida. E provavelmente seja isso mesmo. Alguém como ela jamais fez qualquer coisa errada. E isso só aumenta a raiva que sinto do pai dela por tudo o que fez com uma garota tão indefesa. Ligo o carro e saio do estacionamento. Mas, pela primeira vez em muito tempo, percebo que não estou pensando nos negócios, na bolsa ou nos números. Estou pensando nela. E isso me incomoda pra caralho. Porque, pela primeira vez em muito tempo, existe algo que não consigo controlar. E o pior é que esse algo tem nome. Luna.Luna SmithLista de coisas que sempre quis fazer:— Comer mais daqueles donuts de chocolate. ✅️— Assistir a um filme de terror. ✅️— Dormir até mais tarde.— Ter um celular.— Ouvir músicas que não são da igreja.— Escolher o que vou comer.— Tomar sorvete. ✅️— Ler um romance hot.— Tomar banho de chuva.— Sair sozinha pela primeira vez.— Aprender a andar de bicicleta. ✅️— Fazer uma amiga.— Cortar o cabelo.— Escolher minhas roupas.— Fazer um curso de pintura e arte. ✅️— Ir ao cinema.— Decorar o meu quarto.— Conhecer o mar.— Ir a uma festa.Leio a lista pela milésima vez desde que a criei e faço um risco na frente do item que se refere ao curso de arte. Acho que já está valendo, afinal, começo minhas aulas hoje.Um sorriso involuntário me escapa ao descer os olhos pela lista, tentando decidir qual será o meu próximo desafio. É difícil acreditar que, há pouco tempo, eu nem me permitia sonhar, quem dirá ter uma lista dessas.Minha vida realmente mudou.Mas o medo ainda persist
Luna SmithSebastian_ Luna? O que está fazendo aqui embaixo? Pensei que finalmente fosse conseguir dormir até mais tarde, depois do dia de ontem.Sebs pergunta, surpreso ao me encontrar de pé e disposta.Luna_ Como assim, o que estou fazendo aqui? Estou te esperando. Quero ver o sol nascer e te acompanhar de bicicleta, como combinamos.Respondo, não contendo a minha empolgação.Sebastian_ Não está cansada?Luna_ Nem um pouco.Sebastian_ E o joelho, não está doendo?Faço que não com a cabeça, lançando-lhe um sorriso confiante, mas a verdade é que meu joelho está dolorido, sim. Só que sei que, se ele notar qualquer desconforto da minha parte, não vai me deixar ir com ele, e eu quero muito acompanhá-lo.Sebastian_ E acha que vai conseguir me acompanhar?Luna_ Isso é um desafio?Provoco, e vejo um pequeno sorriso surgir em seus lábios enquanto ele dá de ombros, confirmando que está, sim, me desafiando.Luna_ Pois você vai ver, então.As palavras saem da minha boca com uma mistura de deter
Sebastian CallahanLuna — Estou com medo.Fala, olhando para a bicicleta como se ela fosse um monstro ou algo do tipo.Sebastian — Sabe o que é legal em sentir medo?Pergunto.Luna — Não. O que pode ser legal no medo?Sebastian — Enfrentá-lo. Provar para si mesma que, mesmo com medo, você consegue seguir em frente e fazer.Luna — Mas...Sebastian — Não quer aprender a andar de bicicleta?Luna — É claro que quero.Sebastian — Então não vai deixar o medo te impedir, não mesmo?Vejo-a olhar para a bicicleta mais uma vez, respirar fundo e voltar a me encarar.Luna — Não, não vou.Finalmente, responde com uma determinação que não estava ali antes.Sorrio e assinto com a cabeça.Sebastian — Confia em mim?Luna — Confio.Sebastian — Então saiba que vou estar ao seu lado o tempo todo.Luna — Promete?Sebastian — Prometo.O sol da tarde cai sobre nós, e uma brisa leve, dando sinais de que o inverno está próximo, sopra sobre nossos rostos, tornando a atmosfera perfeita para aquele momento.Segu
Luna SmithAinda não acredito que amanhã vou começar a estudar artes.Vou aprender mais sobre o que amo fazer: desenhar.Quero poder pintar quadros, adquirir técnica e me tornar uma artista. Já começo até a sonhar que, um dia, poderei expor minhas obras.Por que não?Agora eu posso sonhar.Posso fazer planos e seguir o caminho que meu coração escolheu.Tudo isso é novo para mim, e ainda estou me acostumando com essa nova realidade. Mesmo que, às vezes, eu ainda sinta que estou presa ao meu pai e às correntes invisíveis que ele colocou sobre mim.Sei que não vou me libertar totalmente de um dia para o outro, mas, um passo de cada vez, chegarei lá.Só o fato de poder estudar já é uma das maiores vitórias que eu poderia ter.Estou tão feliz que, mesmo sabendo que, esta noite, Brandon e Sebastian voltarão mais tarde para casa, não me abalo.Vi os dois combinando de sair com os amigos depois do expediente, e Brandon acabou confirmando ao se despedir de mim.Apesar de detestar ficar sozinha
Sebastian CallahanDroga, o que eu acabei de fazer?Eu flertei com a irmãzinha do Brandon?Devo estar ficando maluco. Só pode ser isso.E por que as bochechas dela estão tão vermelhas? Será que ela percebeu o que fiz?Minha nossa, ela fica ainda mais linda assim, envergonhada.Caralho, preciso sair.É isso.Hoje à noite vou sair, transar com alguma desconhecida e liberar toda essa tensão acumulada dos últimos dias. É disso que preciso urgentemente.Desvio o olhar do rosto dela e termino de fritar os ovos e o bacon.A cozinha fica em um silêncio estranho que não estava ali antes, e me lembro do motivo pelo qual estava evitando Luna nos últimos dias: para evitar essa coisa estranha que ela me faz sentir e mostrar a Brandon que não estou interessado nela.Mas, porra, não posso fazer isso para sempre.Tenho que ajudá-la com a lista.Vou apenas cumprir minha promessa e depois me afastarei dela.É o melhor a fazer.Quando termino os ovos e o bacon, despejo tudo em uma travessa e a coloco so
Luna SmithComo acontece todos os dias, estou acordada pontualmente às cinco da manhã.Nunca imaginei que dormir até mais tarde fosse se tornar um item tão difícil de cumprir. Faz três semanas que estou tentando, mas nada. O sono simplesmente não vem, não importa o quanto eu tente ou insista em ficar deitada.Não consigo dormir novamente.Sempre acabo ficando entediada e me levantando antes de Brandon e Sebastian.Com isso, minha lista está parada, ainda com apenas dois itens riscados.Estava pensando em falar com Sebastian para me ensinar a andar de bicicleta. Esse é um dos itens que estou mais ansiosa para cumprir. Assim, poderei andar pelo condomínio todas as manhãs.Mas ele tem andado tão ocupado que, às vezes, penso até que está me evitando.Só não entendo o porquê.E Brandon está muito estranho há alguns dias. Sei lá, é como se estivesse escondendo alguma coisa de mim.Com um suspiro resignado, levanto-me e vou ao banheiro tomar um banho rápido.Meu corpo está suado.Tenho tido







