Compartir

Capítulo 9

last update Fecha de publicación: 2026-09-16 08:15:55

Luna Smith

Brandon — Está ansiosa para sair desse lugar?

Meu irmão pergunta animado ao entrar no quarto do hospital onde estou internada há duas semanas, trazendo um copo de café e um croissant consigo.

Luna — Muito.

Respondo com sinceridade.

Brandon — Então acho que tenho uma notícia muito boa para te dar.

Olho para ele, esperando que continue a falar, mas ele apenas sorri e toma um gole do café, fazendo suspense.

Luna — Brandon! Fala logo.

Digo, já ficando ansiosa.

Brandon — Tá bom, tá bom, eu falo. Mas, antes, trouxe uma coisa para você.

Ele tira um saquinho com um donut de chocolate e me entrega.

Luna — Isso é...

Brandon — Um donut de chocolate. E é melhor você comer logo, antes que alguma enfermeira entre. Isso é comida contrabandeada da cafeteria do hospital.

Luna — Eu posso mesmo?

Brandon — Acho que pode. O médico não mencionou nenhuma restrição alimentar. Além disso, seus exames estão bons.

Luna — Não é isso.

Digo sem jeito.

Brandon — O que é então?

Luna — Papai nunca me deixou comer doces. A única vez que comi chocolate foi quando tia Agnes fez um bolo de aniversário escondido para mim.

Meu irmão arregala os olhos, surpreso, e vejo quando engole seco, mas, felizmente, não faz nenhum comentário sobre o que acabei de dizer.

Ele já tinha entendido que eu não queria que sentisse pena de mim.

Brandon — Bem, aquele desgraçado não está aqui para te impedir de comer, está?

Faço que não com a cabeça e abro o saquinho com o coração disparado.

Parece que estou fazendo algo muito errado, mas sigo em frente.

Quando dou a primeira mordida, não consigo segurar um gemido baixinho.

Aquilo é delicioso.

Não digo nada. Estou ocupada demais apreciando o sabor.

Aquela é a primeira vez que como um donut. Uma comida que, segundo nosso pai, era mundana.

No dia em que uma senhorinha, membro da igreja, me deu alguns na saída do culto, ele só esperou entrarmos no carro para tomá-los de mim e jogá-los pela janela.

Brandon — É bom, não é?

Faço que sim com a cabeça, já que estou ocupada demais mastigando.

Uma batida na porta me faz dar um salto na cama e esconder o doce atrás de mim, com medo de ser o médico e de ele tentar tirá-lo de mim.

Brandon — Calma, Luninha. Deve ser o Sebs. Ele voltou de viagem ontem à noite e disse que passaria por aqui para ver como você estava esta manhã.

Meu coração continua batendo acelerado, mas, dessa vez, sei que é por um motivo muito diferente.

Sebastian havia voltado depois de quase duas semanas viajando a trabalho.

Não entendo por que toda aquela agitação toma conta de mim.

Quer dizer, nós mal nos conhecemos.

Desde que fui internada aqui, ele só apareceu uma vez para me visitar. Não falou quase nada e ficou poucos minutos.

Nem chegamos a ficar sozinhos no quarto, e eu não tive a chance de agradecer por ter me ajudado.

Lembro da forma cuidadosa como ele me carregou no colo quando estávamos vindo para o hospital e de como me senti protegida em seus braços.

Atribuo essa minha reação a ele ao fato de Brandon ter dito que posso confiar nele, mas não tenho certeza.

Afinal, fazia anos que não via meu irmão. Achava que ele nem queria ter contato comigo.

Vim para Chicago baseada apenas no laço de sangue que nos unia e na garantia que tia Agnes me deu de que ele me ajudaria.

Não consegui me abrir com ele. Ainda não me sinto confortável o suficiente para dizer o que me fez fugir.

Além dos maus-tratos, com esses eu já estava acostumada.

Afinal, essa sempre foi a minha realidade.

Brandon abre a porta e lá está Sebastian, tão bonito quanto eu me lembrava.

Olhos verdes penetrantes, cabelos castanhos-claros perfeitamente arrumados e quase dois metros de altura.

Usa terno e gravata e mantém aquela mesma postura intimidante da primeira vez em que o vi.

Só de olhar para ele, sinto que estou pecando.

Só não sei qual é o meu pecado.

Desvio o olhar rapidamente quando ele percebe que eu o estava encarando e dá um meio sorriso.

Meu corpo reage imediatamente, e sinto minhas bochechas ficarem vermelhas.

Brandon — Entra aí, cara. A Luna está comendo um donut que eu trouxe escondido para ela.

Sebastian entra no quarto, e seu cheiro invade o ambiente no mesmo instante, fazendo-me suspirar baixinho.

Meu Deus, por que eu faço isso?

Sebastian — Como vai, Luninha? Está melhor?

Pergunta, chamando-me pelo mesmo apelido que meu irmão usa.

É uma pergunta simples, mas o efeito que causa em mim é... o completo oposto disso.

Parece que existem milhares de borboletas dentro da minha barriga.

Luna — Eu... eu... estou muito... muito bem.

Respondo nervosa.

Brandon — O médico disse que é provável que a Luninha receba alta hoje.

Meu irmão diz, pegando-me de surpresa.

Luna — Então era essa a boa notícia que tinha para me dar?

Questiono, sem conseguir esconder o entusiasmo.

Fiquei tão imersa na sensação de experimentar um donut pela primeira vez que acabei esquecendo de insistir para Brandon me contar.

Brandon — Sim, Luninha. Você vai poder sair daqui. Aliás, vou aproveitar que o Sebs está aqui e vou atrás do médico para ele vir te examinar e te liberar logo.

Eu queria pedir para ele não ir, para não me deixar sozinha com o amigo dele, mas não teria nenhum motivo para fazer isso.

E eu jamais admitiria que ficar perto de Sebastian faz meu coração bater mais forte e meu estômago ficar agitado.

Brandon — Fica de olho nela, Sebs. Eu não demoro.

Sebastian não responde em palavras. Apenas assente com a cabeça e volta o olhar para mim.

Quando a porta do quarto se fecha, deixando apenas nós dois ali, um silêncio toma conta do ambiente, e eu fico sem saber o que dizer ou para onde olhar.

Sebastian — É melhor terminar de comer o seu donut antes que o Brandon volte com o médico.

Fala, apontando para as minhas mãos atrás das costas.

Só então me lembro de que ainda o escondia.

Puxo o doce, já sem apetite algum, e dou uma mordida apenas para ter algo que tire minha atenção de Sebastian.

Assim que sinto o sabor do chocolate, outro gemido me escapa.

Luna — Nossa, é tão bom!

Exclamo e continuo comendo, sentindo o olhar dele sobre mim.

Não sei o que tanto chama sua atenção e prefiro não pensar nisso.

Só sei que ele não desvia os olhos da minha boca por um segundo sequer.

Quando termino de comer, ele vem até mim, pega a embalagem da minha mão e j**a no lixo.

Sebastian — Você não comia muito disso na casa do escroto do seu pai?

Pergunta, parecendo interessado.

Luna — Não, nunca. Na verdade, essa foi a primeira vez que comi um donut.

Admito, sem nem saber por quê.

Luna — E eu achei delicioso. Eu gostei muito.

Sebastian sorri de um jeito divertido e se aproxima novamente.

Então, passa os dedos delicadamente pelos meus lábios, limpando o pouco de chocolate que havia ficado neles.

Meu corpo fica rígido no mesmo instante.

Sebastian — Eu percebi.

Comenta, levando os próprios dedos, ainda sujos de chocolate, até a boca e limpando-os com a língua diante dos meus olhos arregalados.

Meus lábios queimam pelo simples toque dele.

Sebastian — E então, animada para ir para casa?

Pergunta como se não tivesse acabado de provocar um ataque cardíaco em mim.

A verdade é que não entendo por que fico assim perto dele.

Luna — Casa? Que casa? Eu não tenho uma casa. Não mais.

Sebastian — É claro que tem.

Ele responde com naturalidade, como se aquilo fosse óbvio.

Sebastian — Você vai morar com o Brandon e comigo.

Fico completamente imóvel.

Luna — Com... vocês?

Pergunto, sentindo meu coração acelerar outra vez.

Sebastian apenas me encara, parecendo não entender por que aquela informação me deixou tão surpresa.

Sebastian — Sim. A partir de hoje, você vai para casa conosco.

Engulo em seco.

Eu tinha vindo para Chicago em busca do meu irmão.

Pensava que encontraria apenas um lugar seguro para ficar enquanto tentava descobrir o que fazer da minha vida.

Mas, de repente, percebo que sair daquele hospital não significava apenas recuperar minha liberdade.

Significava também começar uma vida completamente nova.

E, pelo jeito, Sebastian Callahan faria parte dela.

Continúa leyendo este libro gratis
Escanea el código para descargar la App

Último capítulo

  • A filha do pastor e o Ceo obcecado    Capítulo 24

    Sebastian CallahanLuna — Estou com medo.Fala, olhando para a bicicleta como se ela fosse um monstro ou algo do tipo.Sebastian — Sabe o que é legal em sentir medo?Pergunto.Luna — Não. O que pode ser legal no medo?Sebastian — Enfrentá-lo. Provar para si mesma que, mesmo com medo, você consegue seguir em frente e fazer.Luna — Mas...Sebastian — Não quer aprender a andar de bicicleta?Luna — É claro que quero.Sebastian — Então não vai deixar o medo te impedir, não mesmo?Vejo-a olhar para a bicicleta mais uma vez, respirar fundo e voltar a me encarar.Luna — Não, não vou.Finalmente, responde com uma determinação que não estava ali antes.Sorrio e assinto com a cabeça.Sebastian — Confia em mim?Luna — Confio.Sebastian — Então saiba que vou estar ao seu lado o tempo todo.Luna — Promete?Sebastian — Prometo.O sol da tarde cai sobre nós, e uma brisa leve, dando sinais de que o inverno está próximo, sopra sobre nossos rostos, tornando a atmosfera perfeita para aquele momento.Segu

  • A filha do pastor e o Ceo obcecado    Capítulo 23

    Luna SmithAinda não acredito que amanhã vou começar a estudar artes.Vou aprender mais sobre o que amo fazer: desenhar.Quero poder pintar quadros, adquirir técnica e me tornar uma artista. Já começo até a sonhar que, um dia, poderei expor minhas obras.Por que não?Agora eu posso sonhar.Posso fazer planos e seguir o caminho que meu coração escolheu.Tudo isso é novo para mim, e ainda estou me acostumando com essa nova realidade. Mesmo que, às vezes, eu ainda sinta que estou presa ao meu pai e às correntes invisíveis que ele colocou sobre mim.Sei que não vou me libertar totalmente de um dia para o outro, mas, um passo de cada vez, chegarei lá.Só o fato de poder estudar já é uma das maiores vitórias que eu poderia ter.Estou tão feliz que, mesmo sabendo que, esta noite, Brandon e Sebastian voltarão mais tarde para casa, não me abalo.Vi os dois combinando de sair com os amigos depois do expediente, e Brandon acabou confirmando ao se despedir de mim.Apesar de detestar ficar sozinha

  • A filha do pastor e o Ceo obcecado    Capítulo 22

    Sebastian CallahanDroga, o que eu acabei de fazer?Eu flertei com a irmãzinha do Brandon?Devo estar ficando maluco. Só pode ser isso.E por que as bochechas dela estão tão vermelhas? Será que ela percebeu o que fiz?Minha nossa, ela fica ainda mais linda assim, envergonhada.Caralho, preciso sair.É isso.Hoje à noite vou sair, transar com alguma desconhecida e liberar toda essa tensão acumulada dos últimos dias. É disso que preciso urgentemente.Desvio o olhar do rosto dela e termino de fritar os ovos e o bacon.A cozinha fica em um silêncio estranho que não estava ali antes, e me lembro do motivo pelo qual estava evitando Luna nos últimos dias: para evitar essa coisa estranha que ela me faz sentir e mostrar a Brandon que não estou interessado nela.Mas, porra, não posso fazer isso para sempre.Tenho que ajudá-la com a lista.Vou apenas cumprir minha promessa e depois me afastarei dela.É o melhor a fazer.Quando termino os ovos e o bacon, despejo tudo em uma travessa e a coloco so

  • A filha do pastor e o Ceo obcecado    Capítulo 21

    Luna SmithComo acontece todos os dias, estou acordada pontualmente às cinco da manhã.Nunca imaginei que dormir até mais tarde fosse se tornar um item tão difícil de cumprir. Faz três semanas que estou tentando, mas nada. O sono simplesmente não vem, não importa o quanto eu tente ou insista em ficar deitada.Não consigo dormir novamente.Sempre acabo ficando entediada e me levantando antes de Brandon e Sebastian.Com isso, minha lista está parada, ainda com apenas dois itens riscados.Estava pensando em falar com Sebastian para me ensinar a andar de bicicleta. Esse é um dos itens que estou mais ansiosa para cumprir. Assim, poderei andar pelo condomínio todas as manhãs.Mas ele tem andado tão ocupado que, às vezes, penso até que está me evitando.Só não entendo o porquê.E Brandon está muito estranho há alguns dias. Sei lá, é como se estivesse escondendo alguma coisa de mim.Com um suspiro resignado, levanto-me e vou ao banheiro tomar um banho rápido.Meu corpo está suado.Tenho tido

  • A filha do pastor e o Ceo obcecado    Capítulo 20

    Sebastian CallahanTalvez vir direto para a empresa depois de duas horas e meia de voo de Dallas até Chicago não tenha sido uma boa ideia, não depois de ter dormido tão pouco na noite passada.Aqueles malditos empresários bajuladores me seguraram até tarde naquele coquetel chato para caralho.Ao menos consegui cumprir minha missão: comprar a empresa na qual estava de olho há algum tempo e conquistar mais quatro clientes dispostos a deixar seu dinheiro nas minhas mãos para multiplicarem suas fortunas.De qualquer maneira, eu precisava vir para a empresa.Tinha duas reuniões agendadas para hoje e muito trabalho pendente.Mas saber disso não impedia o cansaço de me atingir com força. Minha cabeça doía e meu humor estava péssimo.Bufei irritado e levei as mãos à testa, massageando as têmporas na tentativa de aliviar a dor.É claro que não funcionou.Nesse momento, ouvi uma batida na porta e, logo em seguida, ela se abriu.Já sabia que era Brandon. Só ele tinha liberdade para entrar sem se

  • A filha do pastor e o Ceo obcecado    Capítulo 19

    Luna SmithLista de coisas que sempre quis fazer:— Comer mais daqueles donuts de chocolate.— Assistir a um filme de terror. ✅️— Dormir até mais tarde.— Ter um celular.— Ouvir músicas que não são da igreja.— Escolher o que vou comer.— Tomar sorvete. ✅️— Ler um romance hot.— Tomar banho de chuva.— Sair sozinha pela primeira vez.— Aprender a andar de bicicleta.— Fazer uma amiga.— Cortar o cabelo.— Escolher minhas roupas.— Fazer um curso de pintura e arte.— Ir ao cinema.— Decorar o meu quarto.— Conhecer o mar.— Ir a uma festa.Brandon — Espera aí, já tem dois itens riscados dessa lista. Quando foi que você fez essas coisas?Meu irmão perguntou ao ler a lista pela primeira vez.Ele ainda não tinha visto.No domingo, tinha ido se arrumar para sair quando mostrei a lista para Sebastian. Na segunda, saiu atrasado para o trabalho e, na terça-feira, saiu antes das sete, pois tinha um café da manhã com alguns investidores.Só hoje, na quarta-feira, teve tempo para ficar comigo

Más capítulos
Explora y lee buenas novelas gratis
Acceso gratuito a una gran cantidad de buenas novelas en la app GoodNovel. Descarga los libros que te gusten y léelos donde y cuando quieras.
Lee libros gratis en la app
ESCANEA EL CÓDIGO PARA LEER EN LA APP
DMCA.com Protection Status