Se connecterPietro saía da universidade ao lado de Paulo, como se estivesse fugindo de um incêndio a expressão carregada, o paletó aberto, a gravata um pouco frouxa, e uma sombra nos olhos que não vinha do clima nublado.
— Eu preciso de café. Forte — murmurou Pietro, com um suspiro tenso. — E talvez de terapia.
A república era uma das mais antigas da universidade, com arquitetura de pedra e janelas em arco, mas naquela noite, estava completamente transformada. Luzes coloridas iluminavam a entrada, e uma trilha sonora vibrante se espalhava pela rua. Grupos de estudantes bebiam, riam e dançavam no jardim da frente, enquanto dentro do salão principal, uma multidão já tomava conta do espaço. O cheiro de cerveja, perfume caro e algo levemente adocicado, talvez um coquetel, pairava no ar.Assim que Sophia e Anne Marie entraram, os olhares começaram a se voltar para elas como ímãs. Era impossível ignorá-las. Sophia, com sua beleza natural e aquele ar de mulher inatingível, parecia feita para roubar a cena.— Olha só… — Anne Marie sussurrou, inclin
O apartamento de Sophia estava tomado por um caos típico de duas mulheres tentando escolher a roupa perfeita para uma festa. Havia vestidos pendurados em cada cadeira, sapatos espalhados pelo chão, maquiagem aberta na bancada da cozinha e música alta tocando uma playlist de hits sensuais e animados.Anne Marie estava de pé diante do espelho da sala, com um vestido curto de lantejoulas prateadas que abraçava cada curva do seu corpo de forma indecente. Ela girou nos calcanhares e encarou Sophia, que estava sentada no sofá, ainda de roupão, com um copo de vinho na mão.— Então? — Anne ergueu as sobrancelhas, posando como uma diva. — Está pronta para me odiar porque eu vou roubar todos os olhares esta noite?Sophia deu
Annabelle Lancaster saiu da sala dos professores como quem carregava um furacão sob a pele. Os saltos firmes batiam contra o piso encerado da universidade, e cada passo ecoava como um protesto silencioso.Por fora, sua expressão era polida, elegante, contida, a típica postura da professora exigente, admirada e temida por alunos e colegas. Mas por dentro… por dentro ela ardia.As palavras de Natalie Hudson ainda retumbavam em seus ouvidos como estilhaços de vidro:— Uma festa com você presente, Pietro, certamente será… inesquecível.Annabelle apertou a mandíbula. Seu maxilar estava tenso, como se tentasse conter o grito que queria explodir. Aquele tom meloso, insinuante, a forma descarada co
A sala dos professores estava tomada por um clima incomum naquela tarde de quinta-feira. Em geral, aquele espaço servia apenas para discussões rápidas sobre provas, planejamentos e relatórios, mas agora o assunto era outro: a festa da república dos calouros. Havia um burburinho animado, interrompido por risadas esparsas e olhares carregados de segredos.Daniel Furlong, professor de Direito Processual e Jurídico, foi o primeiro a lançar a pergunta com um sorriso travesso nos lábios:— Vocês vão para a festa dos calouros? — disse, recostando-se na cadeira, com o olhar passeando pelos colegas como quem queria provocar reações.Annabelle Lancaster, a impecável professora de Direito Tributário, ergue
Os dias que seguiram foram lentos, quase arrastados, como se o próprio tempo tivesse se aliado ao destino para testar os limites de Sophia Jones. Era como se cada hora, cada minuto, fosse preenchido por uma ausência que queimava mais do que qualquer presença: a ausência de Pietro Ferrara.Desde o dia em que ele segurou seu braço na sala de aula, aproximando o corpo firme do dela e sussurrando com aquela voz baixa e grave— “Não me provoque, senhorita Jones” — Sophia não conseguia parar de pensar nele.Era como se cada lembrança, cada detalhe daquele instante, tivesse ficado marcado em sua pele, em
A noite havia caído sobre a cidade, e o apartamento de Pietro estava mergulhado numa penumbra suave, iluminado apenas pelas luzes amareladas da cozinha e o brilho distante das janelas dos prédios vizinhos.Ele estava descalço, usando uma calça de moletom cinza, frouxa nos quadris, o cós levemente baixo, revelando parte da linha do abdômen. O peitoral nu, definido, exibia uma tatuagem discreta no lado direito: "“Omnia vincit amor”, — O amor vence tudo. Os cabelos loiros, ainda úmidos do banho, estavam desalinhados de um jeito displicente, mas perigosamente atraente.Um toque na campainha quebrou o silêncio. Pietro franziu o cenho, não estava esperando ninguém. Ao abrir a porta, encontrou Natalia, colega de pr







