LOGINNo celular dela, ele é o “Idiota Arrogante”. No dele, ela é só “princesa”. Bianca chegou à universidade com um plano: recomeçar longe do passado e não chamar atenção. Durou um dia — o tempo de descobrir que seu colega de quarto seria Eduardo. Aos 22, Eduardo é o bad boy mais calado da UCC: sorriso cínico, resposta pronta e um violão que quase ninguém sabe que ele toca. Ele provoca, ela revida. Ela finge que odeia o apelido. Ele finge que não liga para o dele. Só que os dois carregam segredos que não contam pra ninguém. Quando o passado de Bianca volta a ameaçá-la bem ali no campus, ela descobre que por trás das confusões, os cinco bad boys são os amigos mais leais que ela já teve — e que aquele colega de quarto "arrogante e idiota" pode ser muito mais do que um problema. Agora ele quer provar isso do jeito que sabe melhor: com uma música inédita, escrita para ela. Asas de Anjo é uma comédia romântica sobre recomeços, amizade e aquele amor que nasce entre uma provocação e outra...
View MoreEduardo olhou mais uma vez para as palavras que acabara de escrever em seu bloco de anotações. Respirou fundo balançando a cabeça, insatisfeito. Arrancou a folha com um misto de raiva e frustração, amassando-a e atirando-a no cesto de lixo, junto com as outras oito bolinhas de papel que já tinham sofrido a mesma rejeição. Faltavam poucos meses para o concurso de música voltado à descoberta de novos talentos. Eduardo participou do concurso anterior, sua música conseguiu o segundo lugar, mas isso não bastava.
Eduardo olhou mais uma vez para as palavras que acabara de escrever em seu bloco de anotações. Respirou fundo balançando a cabeça, insatisfeito. Arrancou a folha com um misto de raiva e frustração, amassando-a e atirando-a no cesto de lixo, junto com as outras oito bolinhas de papel que já tinham sofrido a mesma rejeição. Faltavam poucos meses para o concurso de música voltado à descoberta de novos talentos. Eduardo participou do concurso anterior, sua música conseguiu o segundo lugar, mas isso não bastava
Precisava da primeira colocação para conseguir o prêmio em dinheiro, além do contrato com uma renomada gravadora. Ao olhar mais uma vez para a pilha de bolas de papel dentro da lixeira, Eduardo se lembrou das palavras de um dos julgadores do concurso: “Sua música é boa, você tem talento, mas precisa encontrar a alma de sua música dentro de si para que ela chegue até o público”. Aquelas palavras ecoavam na mente de Eduardo, deixando-o ainda mais irritado. Levantou-se da cama e começou a andar de um lado para o outro em seu quarto.“O que esse jurado pensa que sabe sobre música? Encontrar a alma da minha música? Quanta besteira!”
Eduardo olhou para o bloco sobre a cama, então para o violão pendurado na parede e saiu do quarto batendo a porta atrás de si com um estrondo.
– Eita cara, o que houve? – Perguntou Rafael, que estava parado no corredor da Pensão Universitária.
Rafael era um jovem de 22 anos, estatura mediana, loiro de olhos azuis e rosto angelical, muito popular entre as garotas da faculdade. Somados a Renato, Val e Alex, formavam um grupo de cinco amigos inseparáveis que, caso fossem personagens de um livro, se encaixariam perfeitamente no estereótipo de Bad Boys.
Pelo menos assim que eram vistos na universidade por seus colegas, mas a vida real é muito mais complexa…
– Nada, só estou de mau humor… – Respondeu Eduardo enquanto continuava a seguir na direção da saída.
– Qual a novidade? Você sempre está de mau humor!– Rafael soltou uma risada e seguiu Eduardo.
– Sabe quando o pessoal vai chegar?– Perguntou Rafael.
– Não. Val disse que voltaria hoje da casa do pai, mas não disse a hora. Os outros eu não faço ideia.
Era a última semana de férias e muitos alunos que moravam na pensão universitária ainda estavam nas casas de suas famílias. Rafael chegou pela manhã, Val passou uma semana na casa do pai e já estava à caminho. Os irmãos Renato e Alex disseram por telefone que só voltariam no dia seguinte. Eduardo foi o único a ficar na pensão...
– Como estão as coisas com ela? – A voz de Rafael mudou, demonstrando sincera preocupação.
– Do mesmo jeito… – Eduardo respondeu hesitante, sem olhar para o amigo.
– Sinto muito cara… – Rafael passou o braço pelos ombros do amigo de modo consolador. – Tudo vai dar certo!
Escuridão Ele se sentia perdido, vazio, sozinho com frio em meio a escuridão. Um pequeno feixe de luz e fez notar, reflexo de um pequeno objeto que parecia tão perto, mas por mais que esticasse o braço, não alcançava Vozes confusas, como se estivesse debaixo d'água. Era quase impossível discernir o que estava sendo dito por aquelas vozes tão distantes. A intensa dor que sentia o fazia acreditar que estava vivo, ou no inferno... Onde ele estava? Que vozes eram aquelas, quem seriam aquelas pessoas que falavam tanto intensificando ainda mais aquela dor? " Você acha que ele vai morrer, Val?" As palavras chegaram mais inteligíveis aos seus ouvidos. Se pelo menos ele alcançasse as asas de anjo... " Hum..." " É que...poxa, mano... vai ser culpa minha, não vai?" " Hum... não é sua culpa ter nascido idiota!" " Pô! Não precisa xingar! Se eu soubesse que isso ia acontecer não- " Falem baixo ou a enfermeira vai expulsar a gente de novo!" " Não era para ele estar assim, em
******Eduardo dirigia com toda a atenção necessária, pois sabia que àquela hora da noite haviam muitos motoristas irresponsáveis e pouca ou nenhuma fiscalização. Estava seguindo uma estrada pela qual raras vezes havia passado, que ligava as duas principais cidades da região. De vez em quando, ele olhava para o cordão com pingente de asas de anjo que havia pendurado no retrovisor, o que o ajudava a se manter desperto.Ligou o som do carro em volume alto, mas o sono teimava a invadir seu corpo. Vendo que não tinha jeito de continuar dirigindo depois de seguidos bocejos, decidiu que pararia no primeiro motel ou pensão que encontrasse na beira da estrada.Um sorriso triste se formou nos lábios dele quando o locutor da rádio anunciouOne direction. Eduardo já não sabia se estava em um turbilhão no espaço tempo, ou se o
Val chegou na pensão apressado, subiu correndo as escadas e foi direto para o quarto do amigo. Sem bater na porta, entrou, e se deparou com Eduardo tirando as últimas peças de roupa do armário e atirando em uma mala que estava sobre a cama.— Hey, Bro, o que você está fazendo? Para que essas malas?Eduardo estacou os movimentos por um momento quase imperceptível, então foi até a cômoda e tirou algumas peças de roupa se objetos de lá, atirando na mala de qualquer jeito, fechando-a em seguida. Val estava encostado no umbral com os braços cruzados sobre o peito e expressão facial irritada.Eduardo olhou para o amigo de soslaio e notou na hora que Val estava perdendo a paciência. Com um suspiro ele sentou na cama, ao lado da mala, e sem olhar para o amigo, finalmente respondeu:— Eu... Eu vou dar um tempo, saca? Meter o pé?— "Meter o pé"? Val repetiu as palavras do amigo em tom de pergunta erguendo uma sobrancelha.— Não tem como ficar aqui, Val.— Eduardo passou a mão de maneira aflita p
Asas de AnjoQuando na escuridão me acostumei a estar sozinhoQuando o vazio me fez sentir do amargo fel, o gostoCom alma e corpo envoltos em espinhosChuva e lágrimas se fundem em meu rosto.Quando, aprisionada, uma gota de esperançaA garra covarde e fria, do peito arrancaOlhando para o céu, te chamo perdendo a vozSobra apenas você, eu, nunca um nós.Bianca não foi a única pessoa a notar a lágrima que rolou pelo rosto de Eduardo enquanto cantava a estrofe. Os olhos dele expressavam exatamente o que sentia, como ele havia retornado ao estado inicial em que antes de se apaixonar por ela.Branca, luz divina, em meio a escuridãoCabelos ao vento, lábios sorrindoBranca, suave, perfeita invasãoUm sopro, brisa do mar, muros demolindoAs asas de um anjo, condenado, caído. Perdido, tolo, de joelhos no chãoSangrando pelo perdão divino, aprisionado, temendo esperar em vão.No peito o veneno se torna a curaLiberto das correntes da solidão que seduzA emoção incontida nas palavras daquela












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