LOGIN— Preciso de você.Ella.Meus olhos se abriram bruscamente.Eu estava debruçado sobre o volante. O sangue gotejava de algum lugar no meu rosto, embora eu não conseguisse dizer de onde. O para-brisa estava completamente estilhaçado agora, e o ar frio invadia o carro através do vidro quebrado, fazendo minhas feridas abertas arderem.Sentei devagar. A dor atravessou minhas costelas como uma lâmina. Me encolhendo de dor, ergui a mão e toquei a testa. Meus dedos ficaram vermelhos.Mas não importava. Eu estava vivo, o que significava apenas uma coisa: eu precisava continuar, pela Ella.Tateei em busca da maçaneta e a empurrei. A porta gemeu, mas não abriu de imediato, então a forcei com mais violência, usando o ombro, mesmo sentindo a articulação parcialmente deslocada. Metal rangeu contra metal e, finalmente, ela cedeu.Quase caí do carro direto no chão. O mundo girou. Pressionei a mão contra a terra e tentei não vomitar. Quando olhei para cima, vi faróis se aproximando. Os SUVs. Ele
Ponto de Vista de Alexander.Pisei no acelerador com tudo no segundo em que entrei no carro. O motor rugiu, os pneus cantando contra o asfalto enquanto eu disparava pela entrada. Nem esperei os portões abrirem totalmente; simplesmente passei em alta velocidade, quase atropelando um guarda na minha pressa. Mas eu não me importava.Richard estava no hospital, e com certeza iria machucá-la.Eu tinha que me apressar.O velocímetro subia. Certo. Cento e dez. Cento e trinta. O mundo lá fora virou um borrão de árvores e estradas sinuosas.Eu sabia que deveria ter ido até ela imediatamente e estar lá no momento em que Tony ligou. Mas fiquei para trás para lidar com o incêndio, as evidências e os lobos de Stormhollow. Desperdicei tempo, e agora Ella era quem estava pagando por isso.Estúpido. Tão estúpido pra caralho.Fiz uma curva na estrada, ganhando ainda mais velocidade, e notei um movimento no meu retrovisor. Havia um carro que não estava ali antes. Ele devia estar correndo mais do
— Você acha que venceu. — Disse eu. As palavras simplesmente saíram. Eu não sabia bem o que estava dizendo, mas sabia que precisava mantê-lo falando. Distraído. — Você acha que tirou tudo de mim, mas está errado. — Engoli em seco, pensando em minha mãe. Naquele calor em meu peito que havia dobrado de intensidade depois que absorvi seu espírito. — Foi sempre a mamãe quem cuidou de mim. Mesmo quando morreu, mesmo quando não podia me dizer quem era. Ela nunca parou de me proteger. Nunca parou de me amar. E não vai parar agora.A mandíbula de Richard se travou.— Eu nunca precisei da sua aprovação. — Continuei. — Nunca precisei do seu amor. E estou feliz pra caralho que meu filho nunca terá que sofrer por sua causa. Ele nunca saberá o que é ter um monstro como avô. Ele nunca será ferido por você.— Seu filho? — Richard riu. Foi um som frio e áspero. — Você quer dizer o bastardo que teve com o Alexander? Aquele que morreu naquele incêndio hoje à noite?Meu coração parou:— O qu
Ponto de Vista de Ella.Meu sangue virou gelo.Richard deu mais um passo para a luz. Ele parecia pior do que da última vez que o vi. Seus cabelos estavam desgrenhados, suas roupas amassadas e manchadas. Círculos escuros rodeavam seus olhos como hematomas negros. Mas seu sorriso era o mesmo de sempre.Torcido, furioso e cheio de ódio.— Olá, Ella.Tentei me sentar, mas meu corpo não cooperava. O remédio que a Dra. Evelyn me deu deixava tudo lento e pesado. Consegui pronunciar apenas duas palavras:— Saia daqui.— É assim que você cumprimenta seu pai?— Você não é meu pai. Nunca foi.— Odeio ter que lhe contar isso, querida, mas eu sou. E você puxou a mim mais do que gostaria de admitir. — Ele se aproximou, parando aos pés da minha cama. — É uma pena, sabe? Se você tivesse nascido homem, eu poderia ter sentido orgulho.Pisquei, sem saber direito o que responder a isso.— Eu já lhe contei que queria que sua mãe tivesse abortado você? — Perguntou ele.— Uma ou duas vezes. — M
Ponto de Vista de Alexander.Encarei o homem ajoelhado à minha frente e, em seguida, os outros quatro atrás dele, que também haviam caído de joelhos. Suas cabeças estavam curvadas, as mãos pressionadas sobre os corações.— Richard é um tirano. — Disse o homem, enquanto eu ainda estava atônito demais para falar. — Um assassino. Ele não é o nosso Alfa, e nunca foi. Lilith é a nossa verdadeira Alfa. — Sua garganta se moveu ao engolir em seco. — Nós ficamos com medo. Nos dispersamos quando Richard matou nosso líder. Mas ouvimos dizer que ela havia escapado, e viemos para oferecer nosso apoio novamente, e para pedir desculpas por termos sido covardes.Meu coração se partiu. Percebi de onde conhecia aquelas pessoas; elas estavam lá naquela noite, naquela casa. Eram parte da resistência contra Richard.— Lilith está morta. — Disse eu, baixinho. Dizer aquilo em voz alta me fez sentir enjoado, mas eu precisava ser honesto. Não podia alimentá-los com falsas esperanças.— Nós sabemos. —
— Eu sei. Eu sei, querida. — Ela afastou uma mecha de cabelo do meu rosto.Por um longo momento, apenas a encarei. Eu queria acordar, queria que tudo aquilo fosse apenas um pesadelo horrível. Passei duas décadas da minha vida sem conhecer minha mãe. Passei tanto tempo sem perceber que ela estava bem ali, ao meu lado, incapaz de revelar sua identidade por causa daquela porra de maldição.A maldição havia sido quebada. Finalmente, depois de tanto tempo, estava quebrada e podíamos nos conhecer novamente. Reencontrei minha mãe, mas para quê? Para que ela me fosse tirada poucos meses depois?Minha mandíbula se travou:— Eu queria nunca ter quebrado a maldição. Quero que você volte. De novo. — Sussurrei.O rosto dela suavizou:— Eu já voltei à vida e tive uma segunda chance que a maioria das pessoas não tem. A usei para salvar meu neto. Agora que chegou a hora, me sinto pronta. — Ela olhou para o mar de almas. — Estou pronta para seguir em frente.Encarei seu perfil. Ela sorria, com
Ponto de vista de Ella.Deixei Gabriel e Sophia parados no jardim. Não me virei para olhar para eles, embora pudesse sentir suas expressões de choque. O pensamento de que dois dos maiores estorvos da minha vida estavam boquiabertos com minhas ações trouxe um sorriso ao meu rosto.Agora, eu só tinh
Ponto de vista de Ella.A reação dele, o tom de raiva em sua voz, me surpreendeu ainda mais. Ele não estava rindo ou zombando de mim, nem parecia chateado. Apenas... furioso ou frustrado.— Eu não entendo! Você me odeia, Alexander. Se sou eu quem vai assumir a culpa, protegendo a sua reputação de
Ponto de vista de Ella.Invadi o escritório espaçoso, e o aroma de livros antigos, mogno e couro imediatamente me envolveu. Mas havia outros dois cheiros ali também: bourbon e fumaça de lenha, o perfume de Alexander, meu companheiro e marido — por enquanto. E algo mais doce, floral.Sophia.Vi o
Ponto de vista de Ella.— Luna, você... tem apenas um ano de vida. — A Dra. Evelyn retirou os óculos lentamente, mantendo o olhar fixo no chão. — Sua loba entrou em estado de dormência.Eu não conseguia processar as palavras dela.— Minha loba... está dormente? — Balbuciei. — Certamente deve ha







