LOGINMABEL - CAPÍTULO 10Fingir estar ocupada ajeitando a fivela do salto agulha foi a única forma que encontrei de permanecer na antessala com os ouvidos bem atentos justamente por conta das câmeras de segurança, captando cada palavra que vinha de dentro da sala de Apolo. Dona Carlota raramente aparecia por ali, e quando dava o ar da graça, parecia carregar o peso do mundo — ou melhor, o peso de toda a sua conta bancária — nos ombros.Aquela mulher era simplesmente intimidadora.Ela olhava para todos nós, funcionários, de cima para baixo, como se fôssemos seres de uma espécie inferior, desprovidos de qualquer gota de humildade. E tudo bem, quer dizer, eles eram milionários, herdeiros de um império, então a arrogância parecia vir embutida no DNA da família Buarque.No entanto, o segundo em que escutei a voz cristalina de Carlota anunciar com entusiasmo que havia encontrado a "noiva perfeita" para o filho, senti um nó físico, doloroso e gélido se formar no meu estômago.Engoli seco, a garga
APOLO BUARQUE - CAPÍTULO 09ALGUNS ANOS ATRÁS...O trânsito daquela manhã na Avenida Principal parecia um pesadelo, daquelas em que parece conspirar para esmagar qualquer resquício de sanidade que nos resta. Eu estava preso em um engarrafamento interminável, buzinas ecoando, quando a minha atenção foi tragada para a calçada ao lado.Onde se fazia um tumulto repentino.Um garoto de capuz passou correndo, desabalado, puxando com força a bolsa de uma senhora que cambaleou e quase foi ao chão.Sem pensar duas vezes, empurrei a porta do carro, ignorei o terno apertado e disparei atrás do moleque. O alcancei a poucos metros, agarrando-o pelo colarinho com tanta força que o garoto quase perdeu o equilíbrio.Fitei-o de cima a baixo, o sangue fervendo nas minhas veias, descarreguei toda a minha fúria em um esporro seco e cortante.— Você perdeu o juízo, seu moleque insolente?! Ficar roubando os outros na rua, achando que vai ficar por isso mesmo? Devolva essa bolsa imediatamente antes que eu
APOLO BUARQUE - CAPÍTULO 08 DIAS ANTES... Ao abrir os olhos devagar, sentindo a claridade suave da manhã invadir o quarto. Por um segundo, estendi o braço para o lado em busca do corpo quente que preencheu a minha cama durante toda a noite, mas encontrei apenas os lençóis de seda frios e levemente desalinhados. Mabel já tinha ido embora. Um sorriso contido surgiu no canto dos meus lábios. Ela realmente tinha fugido na ponta dos pés, como uma ladra na calada da noite — ou, no caso dela, no alvorecer do dia. Levantei-me da cama, deslizei um short de tecido leve, permanecendo sem camisa e descalço, e caminhei em direção à sala. O silêncio do apartamento era quebrado apenas pelo aroma fresco de café recém passado que vinha da cozinha. Ao dobrar o corredor, dei de cara com Dona Bete ajeitando a mesa do café da manhã. Bete era muito mais do que uma governanta; ela cuidava de mim desde que eu me entendia por gente. Foi minha babá, presenciou meus primeiros passos e viu cada fase
MABEL - CAPÍTULO 07 A luz suave do amanhecer começava a atravessar a parede de vidro do quarto quando abri os olhos. Por alguns segundos, a sensação de conforto e o calor de um corpo ao meu lado me mantiveram em um estado de torpor agradável. No entanto, assim que a realidade caiu sobre mim, dei um pulo por dentro. Olhei para o lado. Apolo dormia profundamente de bruços, com metade do cobertor cobrindo seu quadril. A visão das suas costas largas, da musculatura definida e da postura relaxada me fez engolir seco. Ele era absurdamente lindo, não havia como negar. Mas a admiração durou exatos dois segundos antes que o pânico absoluto tomasse conta da minha mente. Meu Deus, o que foi que eu fiz? O arrependimento veio como uma onda avassaladora. A lembrança da noite anterior passou pela minha cabeça em câmera lenta: a humilhação no bar, a minha provocação impulsiva e a forma como me entreguei sem pensar duas vezes. Ele era meu chefe. Meu chefe! Eu tinha, na prática, tr
MABEL - CAPÍTULO 06 Assim que cruzamos as portas do bar e entramos no carro luxuoso de Apolo, um silêncio denso tomou conta do veículo. Olhei fixamente pela janela, mantendo minhas mãos unidas sobre o colo, apertando-as com tanta força que os nós dos meus dedos ficaram pálidos. Minha mente era um caos de dúvidas. Eu estava mesmo fazendo a coisa certa? Aceitando ter um caso as escondidas com meu chefe? A verdade é que dar para trás agora parecia impossível. Sentindo a minha tensão, Apolo deslizou uma das mãos do volante até a minha, cobrindo meus dedos num toque firme, quente e reconfortante. — Não precisa ter medo de nada, Mabel — ele disse baixinho, sem tirar os olhos da estrada. — A noite é toda sua. Olhei para ele, sentindo o ar preso finalmente escapar dos meus pulmões. Um pequeno sorriso surgiu nos meus lábios enquanto eu assentia levemente, deixando-me levar por aquele caminho sem volta — sem imaginar que ele faria de tudo para que eu me viciasse nele. ***** O apartame
MABEL - CAPÍTULO 05 MOMENTOS ANTES... — Achei que você estivesse fazendo horas extras no escritório, Mabel. Ah, esqueci... você não tem mais ninguém para enganar com essa historinha de garota dedicada. O homem que eu amei por anos agora me encarava com um desprezo frio que rasgava minha alma. — Deixa ela, Lívia. A coitadinha deve estar tentando entender onde errou — disse Patrick, dando um passo à frente e inclinando-se ligeiramente, encarando-me nos olhos com uma crueldade calculada. — Quer saber a verdade, Mabel? Você é sem graça. Sem sal. Eu só aturava esse seu teatrinho porque você pagava a comida e me dava abrigo. Acho que nenhum homem no mundo seria capaz de querer uma mulher como você. Aquelas palavras soaram como um soco direto no meu estômago. Senti todo o ar ser arrancado dos meus pulmões de uma só vez. A tontura veio imediata, fazendo o bar todo girar ao meu redor. Um zumbido agudo e ensurdecedor passou a martelar meus ouvidos, abafando o som do ambiente. L







