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Capítulo 2

Author: Bagel
Durante o caminho, os dois nos bancos da frente conversavam animadamente.

Falavam sobre ângulos de câmera, trajetórias de voo dos drones e qual trecho da região selvagem seria melhor para fotografar cenas épicas de motocross.

Também comentavam que, se publicassem aquela viagem nas redes sociais, o título seria "A Última Aventura Selvagem Antes da Formatura".

Eu estava sentada no banco de trás, com o tablet apoiado no colo, exibindo o roteiro que havia preparado.

O horário da partida, o horário de chegada ao destino, o posto de gasolina onde deveríamos abastecer com antecedência, o trecho da estrada sem sinal de celular e o responsável pelo camping que eu precisava contatar antes para confirmar as reservas.

Tentei me intrometer várias vezes.

— O responsável pelo camping de hoje à noite disse que há lobos selvagens circulando pela região. É melhor chegarmos antes de escurecer.

Mas ninguém prestou a menor atenção em mim.

Ao meio-dia, enquanto descansávamos à beira da rodovia desértica, enviei a Roman a rota pavimentada que havia traçado.

— Essa estrada de terra tem buracos demais e pode danificar a suspensão. Vamos pela rodovia ao lado.

Clara deu uma olhada no GPS.

— Só quero pegar esse atalho para encontrar um bom lugar para a câmera.

— Quanto mais acidentada a estrada, mais emocionante fica. Qual é a graça de pegar a estrada principal?

Roman sorriu.

— Sem problemas. O que você quiser.

Franzi a testa.

— Mas os pneus já estão muito desgastados.

— Blair. — Seu tom revelava uma impaciência evidente. — Será que você não pode parar de estragar a diversão quando estamos tentando nos divertir?

— Temos um pneu sobressalente no porta-malas. Por que está exagerando tanto?

— Além disso, você não confia na minha habilidade ao volante?

No fim, eles insistiram em levar o carro por uma estrada péssima, cheia de cascalho.

Roman pisou fundo no acelerador e aproveitou cada segundo daquela aventura radical.

Meia hora depois, o SUV teve um pneu furado. Irritado, ele trocou o pneu sob o sol escaldante e acabou arranhando as costas da mão.

Tirei o kit de primeiros socorros da bolsa e usei uma compressa com álcool para limpar o ferimento e fazer um curativo.

Clara se encostou ao capô, sacudindo seu cantil e debochando de mim.

— Blair, é só um arranhãozinho. Você parece a mãe dele falando.

Roman me deixou fazer o curativo, mas interrompeu os movimentos por um instante. Em seguida, também soltou uma risadinha, com um tom difícil de decifrar.

— Ela é assim mesmo. Vive se preocupando demais comigo. Já estou acostumado há muito tempo.

Os dedos com que eu segurava a gaze ficaram rígidos na mesma hora.

Eu o amava de todo o coração. Até os arranhões mais insignificantes dele me faziam sofrer.

Mas, quando aquelas palavras saíam da boca deles, tudo se transformava em motivo para uma piada barata.

À tarde, o SUV continuou acelerando pela região selvagem.

O tempo mudou de repente. A areia girava ao nosso redor, atingindo o para-brisa com um estalo contínuo.

Não consegui evitar o aviso a Roman:

— Vá mais devagar. A visibilidade lá na frente está muito ruim.

Clara estava de cabeça baixa, ajustando as configurações da câmera, sem sequer levantar o rosto.

— Blair, se está com medo, é só fechar os olhos e dormir.

— Não distraia o motorista.

Roman segurava o volante com uma mão e entrou na conversa, rindo.

— Ouviu o que ela disse? Cale a boca e durma.

Apertei o cinto de segurança com força e engoli todas as palavras que queria dizer.

Mais tarde, a tempestade de areia ficou ainda mais violenta, e os solavancos dentro do carro fizeram meu enjoo de movimento piorar de vez.

Meu estômago se contorcia de dor, e minha testa estava coberta de suor frio.

Procurei os remédios para enjoo na mochila. Então, de repente, me lembrei de que havia deixado o frasco sobre o balcão do corredor naquela manhã.

Chamei Roman com a voz fraca:

— Podemos parar no posto de gasolina ali na frente? Quero comprar um remédio.

Ele soltou um resmungo indiferente.

A música pesada de metal dentro do carro estava ensurdecedora. Ele e Clara balançavam a cabeça no ritmo da música, completamente alheios ao meu sofrimento.

Clara colocou animadamente a tela da câmera diante dos olhos dele.

— Olha essa foto espontânea. A tensão ficou absolutamente incrível.

— Se editarmos essas fotos, vão virar capa de revista.

Roman virou a cabeça para admirá-la.

— Ótima foto, Clara.

— Tenho que admitir que seu estilo de fotografia é bem diferente do da Blair. As fotos que você tira são bem mais sensuais.

— Blair, quer dar uma olhada depois?

Ninguém se importou com a minha resposta, e os dois caíram na gargalhada juntos no mesmo instante.

Afundei debilmente contra o banco de trás, fechei os olhos e senti meu estômago revirar.

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