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Antes que Eu Esqueça o Nome Dele

Antes que Eu Esqueça o Nome Dele

By:  Jasmine FlowerCompleted
Language: Portuguese
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Meu professor de psicologia social nos passou uma tarefa simples: enviar as palavras "eu te amo" ao familiar de que cada um de nós era mais próximo e, depois, registrar sua primeira reação. Meus pais morreram sete anos antes, numa emboscada destinada à Família DeLuca. Como não tinha mais ninguém a quem mandar a mensagem, a enviei para Roman DeLuca — o Don mais jovem do submundo de Nova York, nomeado pelo tribunal como meu tutor temporário no passado. O balão que indicava que ele estava digitando apareceu e sumiu durante toda a noite. Às duas da madrugada, a resposta dele finalmente chegou: [Mara, você não devia confundir dependência com amor. O que quer que existisse entre nós jamais poderia ultrapassar esse limite.] No dia seguinte, ele retirou todos os privilégios que um dia me concedeu, desativou nossa linha particular e ordenou a Luca, seu subchefe, que não lhe passasse mais nenhuma informação a meu respeito. Quando fui à Torre DeLuca, na Baixa Manhattan, a equipe de segurança me barrou diante das portas giratórias. — As ordens exatas do Don foram estas: poderíamos deixar até uma família rival entrar aqui naquela noite, exceto você. Depois disso, sempre que Roman me via em alguma festa ou pelos corredores, era ele quem ia embora primeiro. Ele agiu assim durante seis meses. Até que um médico me informou que um glioma agressivo, de alto grau, crescia dentro do meu cérebro. O tumor pressionava a região responsável pela linguagem e pela memória, e talvez o tempo que me restava fosse suficiente apenas para uma única despedida.

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Chapter 1

Capítulo 1

Durante aquela que talvez fosse a última primavera da minha vida, concordei em continuar saindo com Elias Hart, o homem que Roman escolheu para ser meu parceiro. Mesmo que não tivesse efeito algum, talvez isso o convencesse de que eu já não era um erro que ele precisava corrigir.

Naquela noite, Roman voltou à propriedade da família DeLuca, em Westchester, pela primeira vez em semanas. Ele estava diante da lareira do escritório, com as mangas da camisa preta dobradas até os cotovelos, girando entre os dedos um charuto apagado. Roman nunca fumava perto de mim. Mesmo depois de passar seis meses me oferecendo cada migalha de afeto a conta-gotas, ainda preservava aquele cuidado.

— Como estavam as coisas com Elias? Quantas vezes vocês se encontraram? — Perguntou Roman, sem olhar para mim.

— Quatro.

— Ele já fez o pedido?

Quase ri. Elias era um amigo que guardava meu segredo, não um pretendente. Ele nunca sequer segurou minha mão. Ainda assim, Roman falava com tanta calma, como se estivesse apenas verificando o desfecho de um negócio que, enfim, deu certo.

— Ele estava perto de fazer o pedido.

Os dedos de Roman ficaram imóveis ao redor do charuto.

Eu não queria desperdiçar a primeira conversa de verdade que tivemos em meses, então descrevi o casamento com que um dia me permiti sonhar:

— Caso aconteça, eu quero anêmonas de inverno penduradas no teto de vidro. Também não quero um diamante branco, e sim uma pedra oval da cor do mel. Depois da cerimônia, nada de comboio de carros de luxo. Só um velho conversível azul e o rio Hudson ao nosso lado durante todo o trajeto rumo ao norte.

A expressão dele ficava mais sombria a cada detalhe.

— Chega. Contanto que você esteja disposta a começar uma vida própria, isso é tudo o que importa.

Roman guardou o charuto no estojo, como se precisasse deixar as duas mãos livres para arrancar de si as palavras seguintes.

— Seus pais deixaram você aos meus cuidados, Mara. Eu fui seu tutor. Essa responsabilidade não desaparecerá de uma hora para outra. Você sempre terá um quarto aqui.

Olhei para as duas caixas empilhadas ao lado da porta. Minhas roupas, meus livros e as fotografias que meus pais deixaram para mim já seguiam rumo à Suíça. Algumas coisas antigas permaneciam no quarto para que ninguém percebesse minha partida.

— Você não precisa manter um quarto para mim. Provavelmente, eu não voltarei a morar em Nova York.

Não havia nada de provável naquilo, independentemente de abrir os olhos sob as luzes da sala de cirurgia ou não, eu não voltaria.

O centro de neuro-oncologia de Zurique aceitou realizar uma craniotomia comigo acordada e avaliar se eu poderia participar de um ensaio clínico com uma vacina personalizada. Dali a dois dias, eu deixaria Nova York na mesma manhã em que Roman deveria se casar com Sienna Caruso.

Roman ergueu os olhos, com uma expressão de quem faria uma pergunta, mas me antecipei:

— Quais são as flores favoritas de Sienna?

— Ranúnculos bordô.

A resposta veio sem a menor hesitação.

Meu peito se apertou, embora eu mantivesse o sorriso no rosto.

— Ela gosta de antiguidades ou de joias?

— Ela não precisa de nada. É melhor você não mandar presente algum, e nem incomodá-la.

Roman achava que eu poderia estragar o casamento. Fazia sentido. Seis meses antes, eu o segui por toda aquela casa, exigindo saber por que ele conseguia passar a noite inteira sentado ao meu lado quando eu estava com febre, mas era incapaz de admitir que sofreria se me perdesse.

Naquele momento, eu mal conseguia me lembrar das palavras que lançamos um contra o outro.

O tumor roubava minhas palavras, minha noção do tempo e até os caminhos que eu conhecia. No dia anterior, fiquei parada na cozinha por dez minutos porque não conseguia me lembrar do nome da cafeteira. Mesmo assim, ainda me lembrava de como Roman era quando amava alguém com todo o cuidado. Ele memorizava flores favoritas, tamanhos de vestido, números de voo e desejos mencionados uma única vez.

Sienna tinha Roman, ela não precisava de nada que viesse de mim.

Eu só queria acertar tudo o que devia à Família DeLuca antes de partir.

Um cheiro acre de queimado invadiu minhas narinas. O neurologista me avisou que aquilo não era real. A irritação no lobo temporal causava odores fantasmas, que muitas vezes surgiam poucos segundos antes de uma crise epiléptica.

Agarrei o encosto de uma cadeira e esperei que as manchas negras diante dos meus olhos desaparecessem.

Roman avançou na minha direção.

— O que foi?

— Minha glicose baixou.

Ele ergueu a mão na direção da minha testa, mas parou a poucos centímetros de me tocar. A mesma mão que me levou embora do funeral dos meus pais se fechou num punho antes de cair ao lado do corpo.

— Você precisa dormir um pouco. — Disse ele.

Subi as escadas sem comentar que acreditava estar ouvindo, pela última vez, algo parecido com preocupação na voz dele.
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Simone Santos
Simone Santos
Este é o primeiro romance curto mais lindo que já li! Que história linda de amor, de superaçã! Amei! A escritora esta de parabéns!
2026-10-13 03:35:25
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