LOGINMeu marido era frio até na cama. Cada vez que transávamos, Dante controlava o tempo com uma precisão quase absurda. Até aquela noite. Estávamos no meio do sexo quando o celular dele tocou. Era o toque exclusivo de Lu, sua secretária. — Chefe... Dante, um cano estourou aqui em casa. Estou com medo... Dante se levantou na mesma hora e começou a se vestir. Mordi o lábio, humilhada, e segurei seu braço. — Já está tarde. A gente ainda nem... — Lu está sozinha e não tem ninguém com quem contar. Sou o chefe dela. Não posso ignorar. Ele soltou minha mão sem sequer me olhar e ajeitou o colarinho. — Por hoje, já cumprimos a nossa parte. O tempo que faltou eu compenso na próxima. Minha respiração travou. Então era isso. Para ele, transar comigo também era só mais uma tarefa. Pouco depois que Dante saiu, recebi uma mensagem de Luna. Na foto, ela estava aconchegada no ombro do meu marido. [Desculpa, viu? Eu fiquei com tanto medo... Na próxima, faço o chefe compensar direitinho o tempo que ficou devendo a você.] [Hoje você vai ter que se virar com seu brinquedinho.] Li tudo em silêncio. Depois tomei um banho, troquei os lençóis e vesti um pijama limpo. Sem lágrimas. Sem escândalo. E, naquela mesma noite, enquanto apagava da cama os últimos vestígios dele, finalmente tomei uma decisão: eu não queria mais Dante Valença na minha vida
View MoreSem esperar pela resposta de Dante, saí e fui almoçar num restaurante ali perto.Peguei o celular e abri as câmeras de casa.Dante estava sentado na cozinha, diante da mesa cheia de comida, ainda me esperando.Meus olhos arderam.Um dia, fui eu quem esperou assim por ele.Agora que os papéis se inverteram, só conseguia sentir pena da mulher que eu fui.Depois do almoço, passei algum tempo andando pelo shopping.A noite caiu, e só voltei para casa horas depois.Dante já foi embora. A comida continuava sobre a mesa.Ele preparou muita coisa. Parecia até que se esforçou de verdade.Não provei nada.Chamei uma diarista e pedi que limpasse tudo.Nos dias seguintes, Dante não apareceu mais.Minha vida voltou a ficar leve.Até que, numa tarde, Luna apareceu na minha porta.Estava muito mais magra, quase abatida, com o rosto pálido e cansado.Ela cambaleou na minha direção e gritou, rouca:— Fica longe dele! Para de tentar seduzir Dante!Seus olhos estavam vermelhos.— Ele disse que era meu! C
Dante ficou em silêncio por muito tempo.Quando achei que continuaríamos presos naquele impasse, ouvi o clique da trava.Abri a porta.— Obrigada por hoje.Peguei a mala.— Qualquer dia eu te pago um jantar.Subi sem olhar para trás.Tomei um banho rápido, sequei o cabelo e, quando fui até a varanda, Dante ainda estava lá embaixo.O vidro do carro estava aberto. Uma das mãos descansava para fora, com um cigarro entre os dedos.Ele ficou ali por muito tempo.Me virei e fechei as cortinas.No dia seguinte, dormi até o meio-dia.À tarde, saí para jogar o lixo fora e encontrei Dante parado ali.Parecia cansado. Nas mãos, carregava sacolas de supermercado.Pelo jeito, chegou cedo.Ao notar minha surpresa, falou primeiro:— Comprei algumas coisas. Posso cozinhar pra você...Ele hesitou.— E tudo o que você dizia que queria fazer, eu posso fazer com você agora.Não me mexi.— Você não precisa trabalhar?Dante baixou os olhos, sem graça.— O trabalho... pode esperar.Fez uma pausa.— Eu também
Depois que deixei Dante, fui para uma cidade no sul do país.Passei mais algum tempo internada num hospital de lá e, depois da alta, comecei a viajar pelas cidades da região.Até que, um dia, ao sair da estação, minha mala quebrou do nada.Meus ferimentos acabaram de cicatrizar e eu ainda não podia carregar peso. Enquanto pensava se devia pedir ajuda a alguém, o peso sumiu da minha mão.Soltei um suspiro de alívio e virei o rosto.— Obrigada.Mas congelei assim que vi quem estava ao meu lado.Dante.Depois de meses sem vê-lo, ele estava ali, segurando minha mala com uma só mão.Sua voz tremeu levemente.— De nada.Levei apenas alguns segundos para recuperar a calma.Peguei o celular e comecei a chamar um carro.Dante segurou meu braço de repente. Sua voz carregava uma hesitação rara.— Você me viu e... não tem nada pra dizer?Balancei a cabeça e continuei mexendo no celular.Ele se adiantou num passo apressado, cobriu a tela com a mão e pegou minha mala com a outra.— Pra onde você vai
Dante ficou ali, imóvel, por muito tempo.Seu corpo parecia completamente rígido.Até que seus ouvidos captaram o som de passos se aproximando.Sua respiração ficou mais leve, mas o coração disparou.Ele se virou depressa.— Você voltou. Eu estava te procurando...As palavras morreram em sua garganta assim que viu quem era.A decepção tomou seus olhos.— Por que é você?Sua expressão esfriou.— O que está fazendo aqui?Luna sorriu e se aproximou rapidamente, abraçando o braço dele.— Vim porque estava com saudade, chefe~Ela inclinou a cabeça, manhosa.— Você não disse que eu podia vir quando quisesse?O corpo de Dante se enrijeceu. Sem demonstrar muito, ele soltou o braço e se afastou.Nem olhou para ela.— Você deveria estar trabalhando agora.Luna fez um bico e voltou a se aproximar, quase se encostando nele.— Mas não foi você que disse que eu podia descansar quando quisesse?Seu tom carregou um pouco de insatisfação.— Eu não quero trabalhar de dia e de noite.Enquanto falava, ela












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