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capitulo 54

Autor: Evelyn750
last update Fecha de publicación: 2025-10-30 06:58:53
Inácio Hall

A hora da retaliação se aproximava. Dentro do carro, seguíamos em direção ao território dos Ricci. Hoje eles pagariam com sangue, embora muitos não valessem nada, ainda assim faziam parte da família. Não podíamos deixá-los morrer em vão. Nossa ida era, principalmente, para vingar a morte de Suellen. August não deixaria isso passar em branco, nem eu, não depois de terem mexido com meus homens. Só eu tinha o poder de fazê-los sofrer. Se alguém ousasse tocá-los, sua mão seria arranca
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    Inácio HallO galpão está mais silencioso do que nunca. Nem os homens falam. Nem August. Nem eu. É como se o ar tivesse se tornado sólido, uma massa pesada que todos nós somos obrigados a carregar. Todos sabem que hoje algo termina. Ou talvez, tudo termine.Empurro a porta. O rangido do metal ecoa como um lamento fúnebre. O cheiro lá dentro é insuportável — uma mistura de ferro, suor e decomposição — mas meus sentidos já estão anestesiados. Nada mais me alcança.X9 ainda está lá, ou o que restou dele. As correntes o mantêm em uma posição grotesca, mas a vida já não habita mais aquele corpo com vontade. A cabeça pende, os olhos estão semicerrados, e a respiração é tão rasa que o silêncio parece vencê-la.Caminho até ele. Cada passo é uma sentença. Paro a poucos centímetros. Espero.Um segundo. Dois.Sentindo minha presença, ele faz um esforço sobre-humano para erguer a cabeça. Seus olhos me encontram. Não há mais desafio, não há mais a arrogância do traidor. Existe apenas um pedido mud

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    Inácio HallO cheiro de ferrugem e sangue velho me recebe antes mesmo de eu atravessar completamente a porta do galpão. É um odor familiar, quase reconfortante. Em um mundo onde tudo desmoronou, o cheiro da morte é a única coisa que ainda faz sentido.Os homens já fizeram o trabalho inicial. X9 está amarrado a uma cadeira de metal, os braços presos para trás, o corpo inclinado. O pé baleado foi enfaixado de forma improvisada, não por humanidade, mas por estratégia: eu precisava garantir que ele não morresse rápido demais. Eu queria tempo. Queria cada segundo da agonia dele.Caminho devagar. Cada passo ecoa no concreto vazio, um som seco e definitivo, como um relógio marcando o fim de uma era. Quando ele levanta a cabeça, o sorriso de deboche desapareceu. Só restou o medo. Finalmente.— Achei que você demoraria mais — ele tenta provocar, mas a voz falha, perdendo-se na imensidão do galpão.Não respondo. Puxo uma cadeira e me sento à sua frente, apoiando os cotovelos nos joelhos. Eu o

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    Inácio HallQuando abro os olhos novamente, a escuridão já tomou conta do lado de fora. O quarto de hospital está mergulhado em um silêncio sepulcral; não há ninguém aqui, além de mim e dos meus fantasmas.A memória volta como uma avalanche, soterrando qualquer vestígio de paz. As palavras de Gabriel me golpeando como socos, o vazio negro onde ouvi a voz dela, o olhar de terror da Diana... Tudo converge para uma única e dolorosa verdade: no final, fui eu. Fui eu quem a destruiu. Tirei sua liberdade, seu sorriso e, por consequência, sua vida.Arrastei Amélia para o meu mundo infernal, acreditando egoisticamente que eu merecia o seu calor. Eu estava errado. Monstros não merecem amor. Monstros não têm direito à felicidade. Eu não merecia a Mel, não merecia a Diana e, certamente, não merecia o filho pelo qual ela lutou até o último batimento cardíaco.— Não se preocupe, meu amor — sussurro para o vazio do quarto, minha voz soando como um juramento vindo do além. — Quando eu terminar o que

  • Acordei Casada    Capítulo 78

    Inácio HallIsso está errado. Tudo está errado.O mundo não pode continuar girando se ela não estiver nele. A lógica não se aplica, as leis da natureza não permitem. Ela não pode ter me deixado. Não assim. Não agora que eu finalmente entendi que ela era a única coisa real em meio às minhas sombras.— Fale a verdade! Onde está a Amélia? Onde ela está? Me diz, porra! — Minhas mãos esmagam o tecido da camisa de Xz, sacudindo-o como se eu pudesse arrancar a resposta dele à força.— Ela... eu... eu não consigo... — A voz de Xz morre. O olhar dele, baixo e covarde, é a minha ruína.A raiva explode em minhas veias, um incêndio que consome qualquer resquício de racionalidade. Empurro-o e saio do quarto, ignorando a fraqueza do meu corpo, o curativo que repuxa ou os olhares de pena dos enfermeiros. Eu precisava encontrá-la. Eu ia arrastá-la de volta para mim, nem que tivesse que ir buscá-la no inferno.— Papai...A voz pequena me ancora no meio do corredor. Diana está ali. O contraste é cruel:

  • Acordei Casada    Capitulo 77

    Gabriel Martins O corredor do hospital parece ter quilômetros de extensão. Quando o médico se aproxima, o som de seus passos no piso frio ecoa como uma contagem regressiva. Diana, pequena e vulnerável naquele ambiente hostil, agarra a barra da minha calça com força. — Tio, cadê a mamãe? — A voz dela é fina, carregada de uma esperança que me corta como uma navalha. Meu coração erra a batida. Eu olho para o médico, buscando qualquer faísca de otimismo, mas aquela expressão eu conhecia bem demais. É o rosto de quem carrega o peso de uma notícia que muda vidas para sempre. — Então, doutor... como ela está? E o bebê? — A voz de Xz corta o ar, urgente e carregada de uma tensão que ele raramente demonstra. A hesitação do médico é palpável. Ele não responde de imediato. Seu olhar recai sobre Diana por um breve segundo — um olhar de profunda piedade — antes de se voltar para mim. — O senhor poderia me acompanhar, por favor? — ele diz, e eu entendo o código. Ele não quer falar na frente d

  • Acordei Casada    Capítulo 76

    Inácio HallEstá escuro.Não é a escuridão de um quarto com as luzes apagadas; é um vazio denso, sem chão ou teto, que parece sugar o oxigênio dos meus pulmões. Sinto como se estivesse afundando em um oceano de piche, onde o tempo não faz sentido e a gravidade é uma memória distante.— Que porra é essa…? — Minha própria voz soa estranha, vinda de algum lugar fora de mim. — Onde eu estou?Tento dar um passo, mas é como se correntes invisíveis puxassem meu corpo para o nada. O controle que eu sempre tive sobre tudo — sobre as pessoas, sobre os negócios, sobre a minha vida — evaporou.— Amélia? — chamo, e o nome dela corta o silêncio como um tiro. — Para de brincadeira e aparece!Silêncio. E então, uma voz. Baixa, cortante, carregada de uma melancolia que eu não reconheço.*“Você não se cansa, não é?”*Meu peito trava. Meus punhos se fecham por instinto.— Amélia? — Desta vez, não há raiva na minha voz, mas uma urgência que me incomoda. — Onde você está? Aparece logo!*“Até quando, Ináci

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