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Adeus, Senhor Presidente
Adeus, Senhor Presidente
Author: S.R.Silva

Capítulo Um

Author: S.R.Silva
last update publish date: 2026-09-20 18:24:47

Samyra Aquilla

Dois anos atrás

Olhei pela quinta vez para os papéis do divórcio sobre a mesa. Depois, ergui os olhos para a mansão que, durante tanto tempo, havia me deslumbrado. Naquele momento, porém, já não sentia absolutamente nada ao olhar para aquele lugar.

Talvez porque aquela casa nunca tivesse sido realmente minha. Durante três anos, havia caminhado por aqueles corredores como esposa do homem mais poderoso que conhecia, mas, no fundo, sempre soube que existia uma distância entre nós que nenhum contrato seria capaz de diminuir. Aquele lugar tinha sido meu endereço, não meu lar.

Sobre a mesa, ao lado dos documentos do divórcio, estava a pequena carta que havia acabado de escrever.

Matthew Montenegro era capaz de passar horas analisando um relatório de cinquenta páginas, encontrando até mesmo os menores erros em contratos milionários, mas aparentemente nunca encontrava alguns minutos para ler as poucas linhas que sua esposa escrevia para ele. Talvez aquela carta jamais fosse lida. Talvez acabasse esquecida entre tantos outros documentos.

Ainda assim, precisava deixá-la ali. Não para fazê-lo sentir culpa, nem para implorar por uma última demonstração de carinho, mas porque algumas palavras precisam ser deixadas para trás antes que alguém consiga seguir em frente.

Dobrei a carta cuidadosamente e a coloquei sobre a mesa. Em seguida, meus olhos encontraram a fotografia do nosso casamento. Peguei o porta-retrato e permaneci alguns segundos encarando aquela imagem.

Éramos dois jovens sorrindo diante das câmeras, cercados por pessoas que acreditavam estar testemunhando o início de uma história de amor. Naquela época, até mesmo eu havia acreditado nisso. Talvez tenha sido esse o meu maior erro. Confundi a esperança com uma promessa que nunca havia sido feita.

Uma lágrima solitária escorreu pelo meu rosto. Sequei-a rapidamente com a ponta dos dedos e respirei fundo, recusando-me a derramar outras. Não queria sair daquela casa chorando. Depois de tudo o que havia suportado, a última coisa que desejava era carregar comigo a imagem de uma mulher destruída por um homem que sequer percebeu quando ela começou a partir.

— Adeus, senhor presidente — sussurrei.

Retirei a aliança do dedo e fiquei olhando para o anel de ouro com um diamante por alguns segundos. Aquele pequeno objeto havia representado tantas coisas para mim. Amor. Esperança. Promessas. Sonhos que nunca chegaram a existir.

Durante três anos, carreguei aquela aliança acreditando que, em algum momento, Matthew finalmente perceberia que havia uma mulher ao seu lado que o amava de verdade. Agora, porém, o anel não significava mais nada além do fim de uma história que começou como um contrato e terminou exatamente como havia sido planejada.

Coloquei a aliança sobre a mesa, ao lado da carta, e peguei minha mala. Dentro dela havia apenas algumas roupas que havia comprado com meu próprio dinheiro. Não levaria joias, presentes, roupas caras ou qualquer objeto que pudesse me fazer acreditar que alguma coisa daquela mansão realmente me pertencia.

Tudo o que havia recebido durante aqueles três anos ficaria para trás. Não porque não pudesse levar, mas porque não queria. Pela primeira vez, precisava sair dali levando somente aquilo que era verdadeiramente meu: minhas roupas, meus documentos, minhas lembranças e a certeza de que, apesar de ter perdido três anos da minha vida, ainda tinha tempo para recomeçar.

Caminhei até a porta e, antes de atravessá-la, parei por alguns segundos. Não havia ninguém esperando por mim. Matthew estava ocupado demais com a própria vida para perceber que aquela seria a última vez que sua esposa pisaria naquela casa. Talvez fosse melhor assim. Se ele tivesse aparecido, talvez uma única palavra fosse suficiente para me fazer hesitar. Talvez um simples “fica” tivesse sido capaz de destruir toda a coragem que reuni durante meses. Por isso, a ausência dele naquele momento era quase uma bênção.

Ao sair da mansão, encontrei o senhor Renildo próximo ao carro. O motorista me observou com uma expressão confusa ao perceber a mala em minhas mãos. Durante aqueles três anos, ele havia sido uma das poucas pessoas naquela casa que sempre me tratara com respeito, e provavelmente percebeu que havia algo diferente naquele dia.

— Vai viajar, senhora Samy?

— Vou — respondi simplesmente.

Ele franziu a testa e olhou novamente para a minha bagagem.

— Posso levá-la. Vamos?

Neguei com a cabeça e forcei um pequeno sorriso.

— Já chamei um Uber. Obrigada, senhor Renildo.

Ele pareceu querer perguntar alguma coisa, mas desistiu. Talvez tivesse percebido que não queria conversar. Talvez também tivesse entendido que certas despedidas não precisam de explicações.

Apenas assentiu, enquanto permaneci alguns segundos diante daquela mansão, olhando para o lugar onde havia vivido uma vida que, na verdade, nunca chegou a ser minha.

Poucos minutos depois, o carro chegou. Coloquei a mala no banco ao lado e, antes de entrar, olhei para a mansão uma última vez. Durante três anos, aquele lugar havia sido minha casa.

Durante três anos, esperei que meu marido me enxergasse além da mulher que assinou um contrato, além da secretária que organizava sua agenda e além da esposa que estava sempre disponível quando ele precisava de alguma coisa. Agora, finalmente, havia entendido que não precisava mais esperar.

Entrei no carro e fechei a porta. Quando o veículo começou a se afastar, não olhei para trás. Dessa vez, não estava fugindo. Estava indo embora e talvez aquela fosse a primeira decisão verdadeiramente minha em três anos.

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