LOGINA mão dele estava bem ali, ao meu alcance e eu sentia uma descarga eletrica incomum toda vez que olhava para ele.Por alguma razão supernatural eu queria tocar em sua mão, só tocar e ficar assim. Me remexi e lentamente aproximei minha mão da sua, estava quase, mas ele se virou para mim e rapidamente puxei meu braço de volta.— Está tudo bem? — perguntou. Estava tudo bem, não estava? Se estava, por que eu sentia como se meu coração fosse explodir toda vez que ele estava perto de mim? — Está sim. Por que não estaria? Está tudo perfeitamente, concretamente, absolutamente, inimaginavelmente bem!Ele sorriu mantendo seus olhos presos a estrada. Bati em seus ombros e o carro perdeu direção por alguns segundos. — Está tentando se matar e me levar junto no processo? — Quem está tentando se matar o quê! — falei alto demais, quase gritando. — Você que está rindo, do que esta rindo, tenho cara de palhaça? — Você fica fofa quando esta nervosa. — Ele apertou minha bochecha. — Senhorita todas
Eram exatamente dez e quarenta e três da manhã quando meu nome foi anunciado. Lembro-me da hora porque, naquele instante, olhei para o relógio que tinha no pulso, como se precisasse de uma confirmação de que aquele momento era real, precisava de algo que me mantivisse vinculada a realidade. Quatro anos. Quatro anos inteiros da minha vida resumidos numa cerimónia, num diploma e no som de centenas de pessoas a aplaudirem dentro de um auditório.A felicidade era tão grande que não cabiam no meu simples corpo frágil e mortal, e com ela, não existiam palavras para expressá-la.— Senhorita Nadja. Meu nome. Era realmente o meu nome que eles estavam chamando.Por um segundo, não me mexi.Não porque não tivesse escutado, mas porque ouvir aquelas palavras em voz alta era diferente de imaginá-las durante as noites em que estudava até os olhos arderem, alimentada pela esperança desde dia.Doutora.Eu tinha conseguido. Sorri!Me levantei, alisei a beca preta sobre os joelhos e respirei fundo.
— Vai se mudar pro apartamento que comprei para ti? Foi a primeira coisa que ele disse após longos minutos de silêncio. O sol já longo havia se deitado e lugar a noite, escura e melancólico, sem nem uma estrela ou se quer a lua para brilhar. A neve cobria maior parte de Nova York, a cidade não precisava de um céu estrelado ou uma lua naquele momento, ela brilhava por si só, luzes e decorações de natal espalhadas em todo canto, porém eu só notava o quão o céu parecia triste. Talvez por que eu estava!Olhei para o homem do outro lado do caro, ele parecia calmo, sereno. Aquela era a primeira vez que eu o via assim. — Por que me trouxe ao central park? Não que o lugar fosse ruim, o problema era eu. Eu não queria ter que enfrentar uma multidão, e nessa época do ano, o central park era um dos lugares mais lotados.— Só queria te animar.— Agradeço pelo esforço, mas eu só quero ir para casa!— Que casa? A do Adam?Ele tinha toda razão. Que casa?Eu não tinha uma casa nessa cidade, tinh
A manhã seguinte havia chegado muito mais cedo, ou talvez eu não tivesse dormido o suficiente a noite passada. Um, ninguém merece virar a noite escutando o que não deveria, me senti uma intrusa. Dois, a simples hipótese de que Hale possa estar de volta arrepiava até o último pelo do meu corpo.No período da manhã, peguei carona da Gabi ate a faculdade, dessa vez a supervisora havia finalmente aceite o meu trabalho e o mais importante era que a minha defesa estava marcada. Aquele era o último passo antes da minha graduação. Após sair da faculdade, passei em vários lugares na esperança de que pelo menos um fosse conseguir tirar aquela maldita aliança do meu dedo mas não é que nada funcionava.Cansada antes mesmo do meio dia, tive que ir para cafetaria, lascada, mas nunca faltando ao trabalho. Parte da minha vida depende daquele mísero salário. O sol sa mostrava sinais de estar se pondo quando a cafetaria começou a esvaziar, dessa vez não seria eu fechando, gracasa Deus. 15 minutos
— Eu preciso de um lugar para ficar!Adam encarou minha pequena mala e me olhou confuso. — Ficar? Ele coçou a cabeça e por um instante notei que seus olhos se voltaram para o interior e pareceram exitar. — Se você estiver ocupado posso arranjar outro lugar. Eu não estava mais me sentindo segura no meu pequeno cubico que estava caindo aos pedaços. Aos pedaços era exagero, mas não era lá grande coisa. Porem, desde que Alexander comentou que havia um homem sondando minha casa eu não conseguia mais descansar. E se ele estivesse de volta?— Entre por favor, não vou deixar minha irmãzinha desamparada. Ele deu espaço para que eu entrasse, segurei na alça da mala e fui entrando. A casa continuava quase a mesma, porem parecia que havia ganho um pouco mais de cor e nela estava impregnado uma nova fragrância. Doce e suave.— O que aconteceu? — Ele perguntou. Pela força do hábito me joguei no sofa co.o se aquela fosse minha casa. Mas ageitei a postura tão rapido quanto me joguei. —
Sabe aquela sensação de ter dormido mais do que o normal? Bem, essa era a sensação que eu estava tendo. Meu alarme deveria ter tocado horas atrás, pelo menos era o que deveria ter acontecido, a não ser que ainda fosse de madrugada, o que não era.Tateei pela cama em busca do celular até encontrá-lo. Ainda embebida pela sonolência, busquei pelas horas. — Puta merda!Meu corpo pulou na frente, porem minha alma ainda precisava de se conectar ao dia de hoje. Corri apressada pelo quarto ainda com o celular na mão. Não era suposto eu ter dormido tanto, eu deveria ter acordado duas horas atrás. A minha supervisora irá me matar!Após voltas sem rumo nem remos, sai correndo do quarto com o intuito de ir pro banheiro. Algo chamou minha atenção antes que eu alcancase alcansa-se a porta do banheiro. Recuei de costas e dei de cara com o Haltman e o seu filho, confinados no pequeno buraco que era a minha cozinha. O que ele estava fazendo aqui? Ah, lembrei. Mas por que a minha casa estava c







