Share

O Chute que Fez Floco Pular

last update publish date: 2026-10-21 05:14:43

O quarto de Noah estava quase pronto.

Quase, porque Christine ainda achava que os livros ficariam melhor na prateleira de cima, Adrian insistia que a planta precisava de mais luz, e Christian tinha decidido que o cavalo de madeira ficaria mais bonito no lado esquerdo do berço. Kellan, por sua vez, dizia que todos podiam dar sugestões — desde que ninguém desmontasse nada que ele já tivesse montado.

— Não estou dizendo para desmontar — explicou Christian, com o cavalo de madeira nas mãos. — Só
Continue to read this book for free
Scan code to download App
Locked Chapter

Latest chapter

  • Algumas Cartas Nunca Deveriam Ser Respondidas   Uma Palavra De Cada Vez

    Noah completou um ano numa manhã de chuva. A água escorria pela janela do quarto, formando caminhos tortos no vidro. Floco estava deitado perto da cama, com o focinho apoiado nas patas, enquanto Kellan tentava prender um pequeno papel colorido na parede sem deixar que a fita adesiva soltasse. Noah observava tudo sentado no tapete. Ele já não ficava muito tempo no mesmo lugar. Mesmo quando parecia concentrado em um brinquedo, bastava um segundo de distração para que suas mãos alcançassem o próximo objeto interessante. Naquela manhã, porém, os olhos estavam presos ao papel que Kellan tentava pendurar. — Você poderia pedir ajuda — falei. Kellan pressionou a fita contra a parede. — Eu estou conseguindo. O papel caiu no chão. Floco levantou a cabeça. Noah bateu palmas. — Viu? — disse Kellan, olhando para ele. — Ele acha que foi de propósito. — Noah acha que tudo é uma apresentação. — Talvez seja. Kellan pegou o papel e tentou outra vez. Dessa vez, usou um pedaço maior de fita,

  • Algumas Cartas Nunca Deveriam Ser Respondidas   O Primeiro Banho de Noah

    A primeira vez que Noah espirrou, Floco latiu. Foi um latido curto, assustado, que ecoou pelo quarto enquanto Kellan segurava nosso filho enrolado numa toalha. Noah espirrou de novo, fechando os olhos e franzindo o nariz. Floco deu um passo para trás. — Está tudo bem — falei, rindo baixinho. — Foi só um espirro. Kellan olhou para o cachorro. — Ele ainda está aprendendo quais sons são normais. — E você? — Eu também. A banheira pequena estava sobre a bancada do banheiro, cheia com um pouco de água morna. Havíamos esperado até Noah estar acordado e tranquilo, e agora Kellan examinava a água com o cotovelo pela terceira vez. — Está boa? — perguntei. — Acho que sim. — Você já conferiu. — Estou conferindo de novo. — Kellan, se continuar testando, a água vai esfriar. Ele retirou o cotovelo e olhou para mim, sério. — Pronto. Está boa. Eu sorri. Desde que Noah chegara, Kellan fazia tudo com cuidado redobrado. Era como se cada fralda, cada manta e cada movimento merecesse atençã

  • Algumas Cartas Nunca Deveriam Ser Respondidas   A Manhã Depois Da Primeira Noite

    Acordei com a luz da manhã atravessando as cortinas e uma sensação estranha de não saber que horas eram. Por alguns segundos, fiquei imóvel. O quarto estava quieto. Kellan dormia sentado na poltrona, com a cabeça inclinada para o lado e uma manta caída sobre os joelhos. Floco estava esticado no tapete, perto do berço, tão profundamente adormecido que nem abriu os olhos quando me mexi. Então ouvi um ruído baixinho. Noah. Virei o rosto para o berço. Ele se remexeu sob a manta, soltando um som pequeno, quase um resmungo. Meu corpo inteiro pareceu despertar de uma vez. Kellan abriu os olhos também. Endireitou-se depressa, a manta escorregando até o chão. — Que horas são? — perguntou, com a voz rouca. — Não sei. — Noah está acordando? — Acho que sim. Ele se levantou, ainda meio sonolento, e foi até o berço. Floco ergueu a cabeça no mesmo instante, atento. Kellan olhou para o bebê e depois para mim. — Bom dia, filho — sussurrou. Noah abriu a boca num bocejo pequenino e voltou a

  • Algumas Cartas Nunca Deveriam Ser Respondidas   A Primeira Noite Em Casa

    A casa ficou diferente depois que escureceu. Durante o dia, a chegada de Noah tinha sido acompanhada por vozes, passos cuidadosos e uma alegria que parecia preencher todos os cômodos. Mas, quando a noite caiu, as visitas foram embora, as luzes diminuíram e o silêncio tomou conta da casa, percebi que estávamos sozinhos com a nova rotina que começava. Kellan conferiu a porta da frente duas vezes. Depois verificou se a bolsa do hospital estava perto do sofá, se havia água na mesa de cabeceira e se as mantas estavam ao alcance. — Acho que está tudo pronto — falei. Ele olhou para o berço, depois para mim. — E se não estiver? — Então a gente descobre o que falta quando precisar. Kellan assentiu, embora ainda parecesse estar fazendo uma lista mental. Desde que voltáramos do hospital, ele cuidava de tudo com uma atenção quase solene. Preparou a mamadeira de água para mim, ajeitou as almofadas e verificou se Noah estava confortável mais vezes do que eu conseguia contar. Floco também nã

  • Algumas Cartas Nunca Deveriam Ser Respondidas   O Primeiro Encontro

    O caminho para casa pareceu mais longo do que de costume. Noah dormia no bebê-conforto no banco de trás, tão pequeno sob a manta que eu mal conseguia acreditar que, poucas horas antes, o tinha segurado nos braços pela primeira vez. Kellan dirigia com cuidado redobrado. A cada sinal, diminuía a velocidade antes mesmo de precisar parar. De vez em quando, olhava pelo retrovisor para conferir se Noah continuava bem. — Ele está dormindo — falei. — Eu sei. — Você olhou para trás de novo. — Só queria ter certeza. — Já conferiu umas dez vezes. — Talvez onze. Sorri, cansada, mas feliz. O corpo ainda sentia o peso do parto, e meus olhos ardiam de sono. Mesmo assim, eu não conseguia parar de olhar para Noah. Seu rostinho tranquilo parecia pertencer ao mundo inteiro e, ao mesmo tempo, só a nós. Quando chegamos, Kellan estacionou diante de casa e desligou o motor. Ficamos quietos por um instante, escutando o silêncio. — Estamos em casa — sussurrei. Kellan virou-se para mim e pegou minha

  • Algumas Cartas Nunca Deveriam Ser Respondidas   A Chegada De Noah

    A primeira contração me acordou antes do amanhecer. Por alguns segundos, fiquei imóvel, tentando entender o que havia interrompido meu sono. O quarto estava escuro e silencioso. Ao meu lado, Kellan respirava profundamente, ainda dormindo. Uma das mãos dele repousava perto da minha, como se até durante a noite quisesse ter certeza de que eu estava ali. Então a dor voltou. Não era como os desconfortos que eu sentira nas últimas semanas. Dessa vez, veio como uma onda, apertando minha barriga e minhas costas, e depois foi embora devagar. Fechei os olhos e esperei. Quando a contração seguinte chegou, segurei o lençol com força. — Kellan — chamei. Ele acordou de imediato. — O que foi? Você está bem? A voz dele ainda carregava o sono, mas o corpo já tinha se erguido. Acendi o abajur ao lado da cama. Ele olhou para mim, depois para minha barriga, e entendeu antes que eu conseguisse explicar. — Acho que chegou a hora — falei. Kellan ficou parado por um instante. A expressão dele mud

More Chapters
Explore and read good novels for free
Free access to a vast number of good novels on GoodNovel app. Download the books you like and read anywhere & anytime.
Read books for free on the app
SCAN CODE TO READ ON APP
DMCA.com Protection Status