LOGIN- Estou brincando, aprendiz de adolescente - deixou claro – Não foi para você. 6. Chamar pelo nome do ex. Quem acredita que não é proposital? Eu não! Quem faz isto quer chamar a atenção. Eu já fui João, Pedro, Carlos... E fingi que não ouvi.
- E o 7?
- Não seguir as dicas de Jorel Clifford. – Piscou.
- Adorei o papo sexual, senhor Garoto do Podcast. Mas agora precisamos descer. Ou Olívia e Gabe me botarão de castigo.
- O beijo – ele disse – O beijo é alma do negócio. Você pode conquistar um homem com um simples beijo.
- Já foi conquistado com um simples beijo?
- Eu não sou um homem padrão.
- Não beija?
- Eu beijo... Beijo muito bem. Sou um expert.
- Como em tudo que faz, não é mesmo? – Não contive o sarcasmo.
- Sim, claro!
- E já foi conquistado com um beijo?
- Isa, entenda de uma vez: eu não me apaixono. Isto nunca acontecerá comigo.
Suspirei:
- Você não encontrou a mulher certa, Jorel. Eu também pensava assim... Até que conheci Kay. – Temi que saíssem corações dos meus olhos ao pensar nele.
- Você tem que olhar nos olhos dele, assim... – pegou meu queixo e me obrigou a encará-lo, fazendo com que eu conseguisse me ver dentro da cor âmbar de suas íris.
Senti um frio percorrer meu estômago quando Jorel se aproximou:
- Não pode rir...
- Eu não farei isto. – Garanti, tentando me conter.
- Já falou com ele alguma vez? – perguntou, com meu rosto ainda em seu poder.
- Sim... Uma amiga marcou um encontro – confessei, minha voz mal saindo enquanto o encarava, confusa.
- E ele foi? Já deram um grande passo! Se beijaram, então?
- Não.
- Mas... Por que não?
- Ele chegou e disse “Imagina se eu não tivesse vindo”... E eu respondi “Eu chamaria outro”. Então... Ele... Foi embora. – Meus olhos não desviam dos seus lábios, grossos, a barba por fazer me mostrando o quanto ele era diferente de Kay, que sequer tinha barba e sim uma penugem crescendo no queixo, que ele fazia questão de não raspar.
- Você foi... Uma garota bem má. – Ele riu, enquanto eu dava um passo para trás, me escorando na parede. – Não foi nada sedutora.
- Fui sincera.
- Não pode ser. Diga o que ele quer ouvir.
- Estaria sendo mentirosa.
- Ele gosta.
- Gosta? – Quando Jorel se aproximou, minha voz virou um nada.
O empurrei contra a parede, mudando nossas posições e pus meus cabelos para trás. Peguei seus ombros e desci levemente a alça do meu vestido, observando seus olhos descerem para o meu colo, tentando decifrar o que tinha por baixo. Toquei seus lábios com meu dedo e lambi os meus, sentindo o gosto do gloss de tutti frutti, que eu adorava. Jorel abriu levemente os lábios e eu disse, de forma provocante:
- Acho que sei seduzir, querido professor! Passei no teste? – Passei a língua novamente pelos lábios.
Senti as mãos dele irem para minha cintura, que apertou delicadamente. Me puxou para si, fazendo nossos corpos de chocarem.
- Vou me mostrar como é um beijo de verdade, aprendiz de adolescente.
Quando nossos rostos se aproximaram, ouvi o grito de Gabe:
- Que porra é esta?
Nos afastamos imediatamente. Gabe se materializou na nossa frente, como num passe de mágica:
- Estão loucos, é isto? Vá embora agora mesmo, Jorel! – apontou para a saída do corredor.
- Mas... Eu mal cheguei.
- Fora!
- Não aconteceu nada. Eu juro.
- Realmente não aconteceu! – assegurei – Jorel só estava me mostrando uma coisa.
- O pau dele?
- Não! Não era nada disto, Gabe.
- Ela me convidou para o aniversário. – Jorel alegou – E nós somos amigos.
- Amigos? Desde quando amigos se esfregam do jeito que vocês dois estavam? Vocês são o casal mais improvável da história. Caralho, ela tem 17 anos, Jorel!
- Eu... Estou fazendo 18... Hoje. – Lembrei, com a voz trêmula, tamanha fúria de Gabe.
- E eu com isto! Ele tem 27!
- Só o corpo – deixei claro – A mente dele é de 17.
- Isto doeu, aprendiz de adolescente! – Jorel tocou o peito, estreitando os olhos, fingindo tristeza - No seu caso a mente é de 27 e o corpo de 13.
- Você estava olhando para os meus peitos. – Fiquei furiosa – E não parecia achar que eram de 13 anos.
- Eu estava pensando o quanto deve ser triste não ter peitos grandes. A parte boa é que você pode botar implante de silicone.
- Será que tem implante de cérebro? Você precisaria de um.
- Não tenho culpa se seu corpo não se desenvolveu de acordo com a sua mente.
- Já vi você com mulheres com menos corpo que eu.
- Está me stalkeando agora?
- Acha que não tenho nada para fazer da vida?
- Chega! – Gabe gritou – Não vão me convencer fingindo que se odeiam. Eu já conheço muito bem esta história... Sei exatamente como começa e também como termina. A diferença é que eu sou responsável por Isabelle e não deixarei que alguém como você a toque, Jorel.
- Caralho, fala como se eu fosse um monstro!
- Você não é um monstro. Só não merece uma menina tão pura quanto minha cunhada.
- Ok, foi um mal entendido. Posso ficar na festa? – Jorel se desculpou.
- Pode. – Gabe me olhou e disse, a contragosto, porque certamente sabia que eu faria um escândalo se Jorel não ficasse, afinal, ele era meu melhor amigo. E sócio.
Gabe nos deixou seguir na frente enquanto nos acompanhava alguns passos atrás. Descíamos as escadas quando Jorel disse, num tom de voz baixo para que Gabe não nos escutasse:
- Vou suborná-lo... Sei que ele usa uma calça de cowboy que praticamente parte seus testículos ao meio.
- Você é ridículo! Deixe-o se divertir com minha irmã. É a vida deles. Vai cuidar da sua.
- Eu encontrei uma coisa enquanto ajudava Aneliese a se livrar das coisas de Rowan na semana passada, depois do enterro dele – falou olhando para os lados, para se certificar de que ninguém estava por perto.
- O quê?
Abriu levemente o bolso do paletó e vi um celular dentro.
- É o de Rowan?
- Não. Muito melhor.
- O... – arregalei os olhos – Dela?
- Sim, aquela que o nome começa com M.
- O que sumiu no acidente?
Ele assentiu com a cabeça.
- Você... Chegou a tentar ligá-lo?
- Sim... Ou não saberia que era dela.
- E...
Jorel me encarou e sorriu:
- Preparada para mais uma dose de investigação?
- Com emoção e adrenalina? – Não contive o sorriso.
- Sempre.
- Não conte para ninguém. Precisamos verificar tudo antes.
- Eu jamais faria isto. Nossos segredos são só nossos.
- Para sempre! – Sorri.
- Feliz aniversário! – Gritaram todos quando cheguei na sala principal.
Senti a mão dele nas minhas costas e novamente aquele frio percorreu meu corpo, agora na espinha.
- Feliz aniversário, aprendiz de adolescente! Que possamos comemorar esta data juntos, por muitos anos.
Engoli em seco, tentando não entender aquilo de forma romantizada, até porque eu não era nada romântica e tinha noção de que Jorel Clifford era só um idiota bonito sem cérebro.
- Nós dois e os seus 20 centímetros. Não o deixe fora disto. – Tocou meu pau, de forma sarcástica.- Ele é quem está pedindo uma semana inteirinha.- E você? – provocou, abrindo o botão da minha calça.- Eu não me satisfaço com uma semana... quero você pela vida inteira.- Sabe que finais felizes não existem, não é mesmo?- Não concordo. Estou vivendo o meu.- Final feliz é como um sistema invadido: você trabalha meses, mapeia cada vulnerabilidade, explora cada brecha… e no segundo em que finalmente acessa o root… tudo muda. O dono do sistema instala um patch, o firewall é atualizado, e seu acesso é revogado. O final feliz não é um estado permanente. É temporário.- Finais felizes são reais… mas só para quem sabe lutar por ele
- E você – Isabelle olhou para Ulric – foi uma grata surpresa ao longo do caminho. Me aproximei de você por causa do HD de Kay.- Eu nunca soube deste HD. – Ulric pareceu sincero.- Acho que ele nem existiu. – Isabelle deu de ombros.- Juntos, vocês cuidarão de tudo. E sempre que precisarem, poderão contar comigo ou Isabelle. É só ligar. Sue sabe exatamente como tudo funciona – olhei para Ulric – dobrarei o salário de vocês, mas você receberá menos do que ela, porque beijou a minha esposa.- Jorel! – Isa me criticou.- Ela não era a sua esposa na época. Vocês... nem tinha um envolvimento. – Alegou o garoto.- Ela estava grávida de mim e você sabia.- Mas...- Ganhará menos. É isto ou nada! – fui enfático.- Ganhará menos porque est&aacut
POV JOR-EL HENRIQUE JOAQUIM CLIFFORDAssim que entramos na Nebula, todos esperavam por nós. Era para ser a festa de lançamento do Mother Error, o primeiro jogo da minha esposa. Mas mais parecia o lançamento de Kal-El e Samara.Todos queriam pegar os gêmeos no colo. E cada um que tinha a sua vez, ficava sob os olhares atentos de Isabelle e eu. Talvez teríamos para a sempre a sensação de que alguém quereria roubá-los de nós pedindo dinheiro em troca.O fato de não termos babás fazia com que tivéssemos uma grande rede de apoio familiar. Embora Olívia e Gabe tentassem ser os protagonistas dos cuidados, Rarith era quem mais tinha a atenção dos gêmeos. Minha sobrinha pulava, cantava, dançava e ainda virava cambalhotas para entreter os primos. E desde que Isabelle confirmou que ela era a preferida deles, a garota virou oficialmente a nossa sombra.
- Nunca se perguntou se não foi ela que o fez chegar onde chegou?- Sim, eu já me perguntei. Sempre foi ambiciosa e tinha um grande peso nas decisões do meu pai. Ele não era um santo, como bem sabemos. Mas ela... era muito pior do que eu sempre imaginei. Ela cuidou de mim, diferente da sua mãe, que não fez isto. Mas hoje entendo que quem deu amor foi meu pai.- Mas Jacques pode ser um bom pai. Então você teria... dois pais, mas um deles ainda vivo.- Talvez um dia eu mude de ideia, Jorel. Mas agora não quero remexer nesta história. Deixemos Jacques lá, no seu cantinho, gerenciando a empresa rival à nossa. – Ri.- Respeito a sua decisão. Acha que ela não contou nada a ele?- Não sei. Se contou, ou Jacques é bem discreto ou também não quer ir a fundo nisto.- Talvez ele acha cedo demais para ter dois netos. –
Quando Jorel se recuperou e enfim recebeu alta para voltar para casa, fomos para a mansão de Gabe. Ocuparíamos o meu antigo quarto. Isto porque ainda não havíamos conseguido encontrar a casa que não era no Tibet, mas que precisava ter uma vaca e só funcionasse a internet discada (ok, esta parte eu poderia abrir mão).Eu imaginava o quanto Jorel estava com saudades dos nossos gêmeos, já que não os há três semanas, o exato tempo em que foi internado. Optamos por não levar as crianças para visitar o pai, pelas questões óbvias de que eram prematuros e o quanto o ambiente hospitalar poderia ser ruim para eles.Assim que chegamos em casa, Jorel foi imediatamente em direção às crianças, que estavam com Olívia e Rita, mais precisamente um com cada. Era impossível não perceber o quanto ficou emocionado por finalmente pode
Eu não tinha dúvidas de que Eike Fonseca estava destruído e já tinha perdido as eleições antes mesmo de elas acontecerem.Quando os malwares estavam dentro de mim, fiquei muito emotiva e fraca. Agora meus hormônios não estavam mais descontrolados. Era hora de botar tudo e todos em seus devidos lugares.- E os bebês? – Aneliese quis saber.- Estão com Rita. – Olívia explicou.- Eles não terão babá – deixei claro – Jorel e eu decidimos isto antes mesmo de nossos filhos nascerem. E os motivos acho que vocês já sabem.- O rodízio de pessoas estranhas que cuidaram de Jorel ao longo da sua infância – Aneliese constatou – ele sempre deixou claro o quanto isto o incomodava.- Sim, exatamente. Sem contar que – olhei diretamente para Gabe – não dá para confiarmos nem em







