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Linhas de ensaio

last update publish date: 2026-05-28 23:17:56

​A terça-feira amanheceu com o céu limpo, mas a tensão dentro da Alvorada parecia ter dobrado de volume. O aviso do Theo e a quase descoberta do contrato haviam transformado a nossa farsa em uma bomba-relógio. Eu ainda estava oficialmente de afastamento por causa do tornozelo, mas Julian decidiu que o confinamento na casa de apoio não era mais seguro contra os olhos do Silas.

​No início da tarde, ele me buscou para que eu ficasse no escritório do casarão principal. Era mais fácil me vigiar — e
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  • Aliança de conveniência: Promessas de vidro   O brinde do recomeço

    ​A voz do Pastor Reinaldo ecoava pelo jardim como um eco suave, mas cada palavra parecia carregar o peso de uma promessa eterna no meu peito. Eu olhava para as nossas mãos unidas — a minha, pequena, contrastando com a dele, grande, firme e protetora. ​— “O amor é paciente, o amor é bondoso...” — o pastor recitava, os olhos sábios fixos em nós dois. — “Não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade. Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.” ​A verdade. Aquela palavra ecoou na minha mente, fazendo-me olhar bem no fundo dos olhos cinzentos de Julian. Nós havíamos começado tudo aquilo calcados em uma mentira conveniente, em cláusulas rígidas de um papel de gaveta. Mas ali, sob o céu estrelado da Alvorada, cercada pelo perfume das tulipas e pelo calor dos dedos dele, uma chave virou dentro de mim. ​Eu olhava para o homem ao meu lado e meu coração batia compassado, sem medo. Julian estava impecável. O terno grafite sob medida moldava seus ombros largos perfeitament

  • Aliança de conveniência: Promessas de vidro   Trinta e um de Dezembro

    ​Os dias que se separaram do Natal daquela tarde no mirante pareceram passar em um piscar de olhos, como se o tempo estivesse correndo para nos empurrar em direção ao inevitável. E o inevitável havia chegado. ​Trinta e um de dezembro. Noite da virada. O grande dia. ​O quarto de hóspedes do casarão parecia o epicentro de uma operação de guerra elegante. Havia caixas de maquiagem espalhadas pela penteadeira, o aroma de fixador de cabelo flutuando no ar e três costureiras dando os últimos ajustes no meu vestido. O acordo feito na tarde de Natal fora cumprido à risca: as mulheres da família e as investidoras francesas que transitavam pelos salões exibiam vestidos longos em tons de esmeralda, azul-noturno e rosa-velho. Ninguém ousaria quebrar o protocolo disse uma das funcionárias. ​Ajeitei a postura diante do espelho de corpo inteiro. A garota de jeans e botinas de montaria que tira pó e limpava as cocheiras parecia ter sumido, dando lugar a uma mulher que eu mal reconhecia. O vest

  • Aliança de conveniência: Promessas de vidro   O horizonte da Alvorada

    O restante da tarde de Natal trouxe uma calmaria há muito esquecida nos corredores do casarão. Com a desgraça política de Silas e o sumiço precoce de Melissa e seus pais, o clima pesado se dissipou. Alguns tios mais próximos a eles, envergonhados pela tentativa de sabotagem, arrumaram as malas e foram embora antes do anoitecer. No entanto, uma boa parte da família e os investidores decidiram ficar para o casamento. A presença deles agora era diferente; os olhares de desconfiança haviam se transformado em respeito. Durante o café da tarde, na varanda interna, as tias de Julian se reuniram ao redor de minha mãe e de mim para alinhar os últimos detalhes da festa. Foi ali, entre xícaras de porcelana e fatias de panetone, que um acordo unânime foi selado: na noite da virada, a única mulher autorizada a vestir branco seria a noiva. Todos os outros convidados deveriam escolher outras cores. Era um gesto simbólico de respeito, uma forma de a família Lancaster se redimir e me colocar,

  • Aliança de conveniência: Promessas de vidro   O alinhamento das peças

    {POV JULIAN: Me inclinei e depositei um beijo suave em sua testa, um gesto que selava a nossa cumplicidade além de qualquer cláusula legal. — Mas o veneno dele ainda corre pelos corredores em forma de fofoca. Precisamos cortar esses murmúrios antes que o almoço de Natal comece. ​— Você tem razão. Se nos escondermos, vai parecer que temos algo a ocultar. Vamos descer juntos. ​Sofia ofereceu seu braço e, com a mão apoiada na curva do meu cotovelo, caminhamos em direção ao pátio central do casarão. À nossa passagem pelo hall, os funcionários que organizavam os arranjos do almoço da família diminuíam o tom de voz, lançando olhares curiosos. Mantive o queixo erguido. ​Quando saímos para a varanda principal, avistei um grupo de capatazes e ajudantes conversando perto do pavilhão central. Entre eles estava o Seu Beneditino, o funcionário mais antigo e influente da fazenda. ​— Vamos até lá — murmurei para Sofia. ​Caminhamos juntos, demonstrando a tranquilidade de um casal em perfeita ha

  • Aliança de conveniência: Promessas de vidro   Xeque-mate na manhã de natal

    ​O silêncio que se instalou na sala do conselho era tão absoluto que o único som audível era o zumbido baixo do projetor contra a parede. Olhei para Silas e vi a cor sumir do seu rosto em tempo real. A empáfia que ele ostentava segundos atrás desmoronou, dando lugar a um vinco tenso entre as sobrancelhas. ​— O que significa isso? — o Dr. Otávio perguntou, ajeitando os óculos e inclinando-se para a frente, analisando os gráficos químicos na tela. — Que relatório é esse, Julian? ​— Este é o laudo da análise do copo de água que estava na minha cabeceira na noite passada, doutor — Julian respondeu. A voz dele era um trovão controlado, ecoando pelas paredes da sala de reuniões. — Como os senhores podem ver nos dados técnicos coletados pelo chefe de segurança, o líquido foi contaminado com uma dosagem massiva de acepromazina, um sedativo analgésico de uso estritamente veterinário, extraído do pavilhão de medicamentos dos cavalos. Tudo isso misturado a um destilado de alta gradação para

  • Aliança de conveniência: Promessas de vidro   A contraofensiva

    ​O silêncio que se instalou na biblioteca era tão denso que eu podia ouvir as batidas descompassadas do meu próprio coração. A foto na tela do celular de Theo parecia uma sentença de morte para tudo o que havíamos construído até ali, mas o brilho obstinado nos olhos do primo de Julian indicava que a guerra estava longe de terminar. ​— Que notícia, Theo? — perguntei, dando um passo à frente, agarrando-me àquela fagulha de esperança. — O que você conseguiu descobrir? ​Theo guardou o aparelho no bolso e cruzou os armados, olhando fixamente para Julian antes de responder. ​— Eu não saí daqui às pressas à toa, Julian. Fui direto me encontrar com o Marcos, o chefe de segurança da fazenda, antes que o Silas pudesse suborná-lo ou apagar os rastros da noite passada. E ele conseguiu. O Marcos acabou de me confirmar que isolou o quarto do Julian e recolheu o copo de cristal que ficou na cabeceira da cama. Eles fizeram um teste químico rápido com o kit de contaminação que temos no pavilhã

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