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Capítulo 8

Author: Linda primavera
Agora que a foto dele com Mayra veio à tona, Mayra naturalmente ocupou o lugar de namorada oficial de Ibsen.

Se fosse antes, ela certamente teria ligado para Ibsen, exigindo que ele esclarecesse tudo imediatamente.

Mas agora, ela queria ver o que Ibsen faria diante da sua indiferença, sem lágrimas nem escândalos.

Deixaria as coisas seguirem? Ou esclareceria a situação?

Inês largou o celular como se nada tivesse acontecido e continuou a trabalhar.

Imaginava que passaria o dia distraída, mas, pelo contrário, manteve-se focada e ainda superou sua meta de trabalho.

Perto do fim do expediente, Inês abriu o Facebook.

O assunto que estava nos trending topics pela manhã já havia sido completamente retirado, e tanto no Facebook pessoal de Ibsen quanto no oficial da Voyage Technology não havia qualquer declaração a respeito do caso.

Ele certamente sabia que não esclarecer significava consentir.

Além disso, embora o relacionamento dela com Ibsen não tivesse sido amplamente anunciado, algumas pessoas sabiam.

Ao não esclarecer agora, ele basicamente plantou uma bomba-relógio para a própria empresa.

Quando essa bomba explodisse, certamente afetaria a imagem da empresa dele.

Mas, por Mayra, ele nem sequer se importou com as possíveis consequências.

No entanto, Inês não se surpreendeu com esse desfecho, na verdade, já era esperado.

Era como começar a assistir a um filme e já conseguir prever o final, sem nenhum fascínio.

Finalmente, ela aceitou que, há muito tempo, já não era importante no coração dele, sendo facilmente apagada.

Nem mesmo o título de namorada ele reconhecia mais.

Com expressão tranquila, ela guardou o celular, desligou o computador e saiu.

Os dois voltaram à rotina que tinham antes de Ibsen levar Mayra para o Arquipélago de São Vicente, mas desta vez, Inês não voltou a tocar no assunto do casamento diante dele.

Como Inês não tocava no assunto, Ibsen muito menos, agindo como se nada tivesse acontecido.

Na internet, além da foto de Ibsen dando comida para Mayra, não surgiu mais nada, mas frequentemente alguns que diziam trabalhar na Voyage Technology faziam insinuações de que Ibsen mimava muito Mayra, levando-a e buscando-a no trabalho todos os dias, além de presenteá-la com vários artigos de luxo e bolsas.

Só esses relatos já eram suficientes para alimentar a imaginação dos internautas.

Inês pegou dois casos e, mergulhada no trabalho, não percebeu que a repercussão da foto ainda estava em ebulição.

Os colegas do escritório perceberam, mas não ousaram comentar com Inês.

Na sexta-feira, Inês trabalhou até depois das seis da tarde, finalmente organizando os materiais para a audiência.

Ela se espreguiçou, pronta para sair, quando o celular tocou de repente.

Ao ver que era Ibsen, seu olhar vacilou levemente e, após um momento, atendeu:

— O que foi?

Ibsen já demonstrava impaciência, sua voz era baixa, carregada de irritação:

— Minha mãe chamou a gente para jantar lá em casa. Estou aqui embaixo do prédio do seu trabalho.

Instintivamente, Inês apertou o celular, demorando um momento para responder:

— Estou indo.

Dez minutos depois, Inês entrou no carro de Ibsen.

Ele estava com a expressão fechada, claramente de mau humor.

Cansada depois de um dia intenso, Inês não se interessou em perguntar o motivo do mau humor dele e, recostando-se no banco, adormeceu rapidamente.

Ela dormia leve e acordou quando o carro parou em frente ao prédio onde moravam.

— Vou ali comprar umas frutas. Pode subir.

Ibsen não respondeu, e Inês também não esperava por isso. Abriu a porta e saiu.

Na entrada do condomínio onde Fausta morava, havia uma frutaria. Inês escolheu algumas das frutas favoritas da mãe de Ibsen, Fausta, pagou e retornou com as sacolas.

Ibsen não tinha subido, estava ao lado do carro, encostado na porta do motorista, fumando um cigarro cuja brasa brilhava e se apagava, tornando seus traços difíceis de distinguir na penumbra.

O passo de Inês hesitou, mas ela desviou o olhar com serenidade.

Ao ouvir os passos, Ibsen apagou o cigarro, olhou rapidamente para Inês e entrou no prédio.

Em silêncio, caminharam juntos até a porta do apartamento de Fausta. Antes de bater, Ibsen olhou para ela e, sem expressão, declarou:

— Minha mãe viu a foto minha com Mayra na internet. Se ela perguntar, diga que é mentira.

— Então, você me chamou aqui hoje só para eu mentir para a sua mãe e ajudá-lo a enganá-la?

Ibsen arqueou uma sobrancelha, demonstrando total indiferença:

— O que mais poderia ser?

Então, de repente, ele se inclinou para mais perto de Inês, com um toque de sarcasmo no olhar:

— Inês, você não vai me dizer que ainda tem alguma expectativa em relação a mim, vai?

Inês apertou levemente as alças das sacolas, sentindo os dedos doerem sob o plástico, uma dor que parecia atravessar os dedos até o coração, que também se contraiu, latejando.

No silêncio que se instalou entre eles, a porta atrás de Ibsen se abriu de repente, e a voz de Fausta soou.

— Chegaram e nem bateram na porta? Entrem logo, a comida já está pronta.

Ibsen entrou primeiro e Inês, mordendo os lábios, o seguiu.

Fausta pegou as frutas das mãos de Inês e sorriu:

— Daqui a pouco vocês já serão uma família, não precisa trazer nada quando vier jantar.

O gesto de Inês ao trocar os sapatos parou por um instante, pelo visto, Ibsen ainda não contara a Fausta sobre o adiamento do casamento.

Ela ergueu o olhar para Fausta, sorrindo:

— Tia, é só um pouco de fruta.

— Está bem, da próxima vez não traga mais nada. Vá lavar as mãos e venha comer.

Inês assentiu, mas por dentro pensava que talvez nem soubesse se haveria uma próxima vez.

Durante o jantar, Fausta perguntou várias vezes sobre os preparativos do casamento de Inês e Ibsen, querendo saber se precisava de ajuda.

Ibsen, já incomodado com tantas perguntas, respondeu com frieza:

— Mãe, isso é entre mim e a Inês, não precisa se preocupar.

Desde que viu a foto dele com a secretária pela manhã, Fausta vinha se controlando, mas ao ver o filho tão impaciente, decidiu não se conter mais.

Ela bateu com o garfo na mesa, furiosa:

— Está bem, não preciso me preocupar com o casamento. Mas me diga, o que está acontecendo entre você e sua secretária? Está quase casando e se envolve num escândalo com a secretária, o que você pensa que está fazendo?!

A sala de jantar mergulhou no silêncio. Inês largou o garfo suavemente, sem intenção de defender Ibsen.

Afinal, ele realmente havia traído, e ela não tinha obrigação nem vontade de acobertar.

Ibsen lançou um olhar para Inês, vendo-a alheia à situação, e soltou uma risada fria.

— É exatamente o que você viu. Se a senhora achar que ela é uma boa pessoa, da próxima vez posso trazê-la aqui para conhecer você.

Fausta ficou vermelha de raiva e, sem hesitar, deu-lhe um tapa no rosto.

— Ibsen, você ainda é um homem? Quando você começou a empreender, não tinha nada, e foi a Inês quem ficou do seu lado, morando no porão, ajudando você a construir tudo. Agora, só porque ganha dinheiro, acha que é alguém importante? Essa secretária só está com você por causa do seu dinheiro! Se você ainda fosse aquele rapaz pobre, acha que ela olharia para você?!
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