MasukHenrique se aproximou dela e acompanhou a direção do dedo de Carolina. De fato, havia uma pera muito madura pendurada no alto da árvore, grande, dourada, com uma cor de dar água na boca.Ele ergueu a mão, mas também não conseguiu alcançá-la. Faltavam apenas alguns centímetros. Talvez, se ficasse na ponta dos pés, conseguisse.— Eu também não alcanço. — Henrique baixou a mão e olhou para Carolina. — Que tal eu levantar você?O coração de Carolina deu um salto.— Acho melhor eu pegar uma cadeira.— Não precisa.Antes que ela pudesse se afastar, Henrique já havia se abaixado. Com as duas mãos, segurou as coxas dela e a ergueu de uma vez.O abraço inesperado assustou Carolina. Quando seus pés deixaram o chão e seu corpo subiu, ela, nervosa, apoiou as mãos nos ombros largos e firmes dele.Seu coração disparou. Ela nem sabia se era por medo da altura ou por causa das mãos dele em suas pernas.Henrique mantinha o rosto inclinado para cima. O perfil bonito dele quase encostava na altura da cin
Ela esperou em silêncio pela resposta dele. Seus olhos claros e brilhantes deixavam escapar uma ponta de dúvida.Henrique mantinha uma das mãos apoiada na porta. No fundo daqueles olhos escuros, havia uma emoção densa demais para ser dita em voz alta. O impasse durou alguns segundos até que, por fim, ele baixou a mão com relutância evidente, apertou os lábios, soltou um suspiro baixo e balançou a cabeça.Aquela hesitação, aos olhos de Carolina, parecia esconder um esforço imenso de contenção.Ela não conhecia a personalidade de Henrique. Não sabia que tipo de homem ele era, muito menos se lembrava de como os dois costumavam conviver antes.A sensação era um pouco parecida com a de um casamento repentino. A relação existia, estava ali, mas ainda lhe parecia estranha, distante, cheia de cuidados.— Vou voltar para o quarto para estudar.Carolina explicou, de forma indireta, por que queria fechar a porta.Henrique respondeu com sinceridade:— Você não precisa trabalhar. Eu posso sustentar
Pouco tempo depois, alguém bateu à porta.Carolina se desprendeu da leitura, ergueu os olhos para a porta e sentiu o coração falhar uma batida.Mais cedo ou mais tarde, ela teria que encarar aquilo.Ela largou o livro, levantou-se e caminhou até a porta. Antes de abrir, parou, respirou fundo e tentou se encorajar em silêncio:"Carolina, não tenha medo. Ele é seu namorado, não um desconhecido."Ela havia ficado internada por mais de dois meses, e ele passara mais meio mês fora a trabalho. Somando tudo, tinham ficado separados por quase três meses. Se aquele namorado, jovem e cheio de vigor, quisesse dormir com ela, também seria normal.Era só fechar os olhos e aguentar.Passaria.Carolina imediatamente colocou um sorriso no rosto e abriu a porta.— Namorado, precisa de alguma coisa?Henrique estava parado do lado de fora. Seu rosto bonito mantinha uma serenidade natural.— Não me chame de namorado. Parece distante demais.Carolina ficou curiosa.— Então como eu chamava você antes?— Mar
O carro voltou para a C&H.Vanessa e Lívia estavam na entrada, esperando os dois chegarem.Assim que Henrique desceu do carro, as duas foram até ele, visivelmente animadas.— Bem-vindo de volta, irmão.— Você deve estar exausto. Passou meio mês trabalhando e até emagreceu. Preparei uma mesa inteira só com os seus pratos preferidos. Hoje você vai comer direito.Henrique ergueu a mão e afagou a cabeça de Lívia. Depois olhou para Vanessa.— Obrigado, mãe.Do outro lado, Carolina tirava a mala dele do porta-malas. Como a bagagem estava pesada demais, acabou fazendo barulho ao encostar no chão, chamando a atenção dos três.Henrique se virou e, ao vê-la carregando a mala, foi depressa até ela e segurou a bagagem.— Você não precisa carregar isso.Carolina abriu um sorriso sem jeito.— É o mínimo que eu posso fazer.Henrique soltou um suspiro leve.Lívia se aproximou e passou o braço pelo de Carolina.— Cunhada, isso realmente não é coisa para você fazer. Meu irmão só deixa você pegar coisas
Leandro ficou sem graça na mesma hora.A expressão de Vitória se fechou. Ela se apressou em explicar:— Carol, você entendeu errado. Eu me importo muito com o Leandro. Nós estamos juntos porque nos amamos.Carolina não deu a mínima.— E por que está explicando isso para mim? Explique para o seu namorado.Depois de dizer isso, virou-se e foi embora.O sorriso no canto dos lábios de Henrique ficou ainda mais evidente. Ele acompanhou Carolina.Enquanto caminhava, Carolina continuou resmungando em voz alta:— Que tipo de homem é esse? Tem mulher do lado e ainda fica de olho na ex. Nem percebe se quem está ao lado dele é gente ou assombração. Se é tão cego assim, por que não vai logo a um oftalmologista?Henrique não conseguiu segurar o riso e baixou a voz:— Carol, a gente ainda não se afastou tanto. Eles conseguem ouvir.Carolina virou o rosto para ele, ergueu uma sobrancelha e abriu um sorriso com um toque travesso.— E se eu tiver dito justamente para eles ouvirem?Henrique riu, satisfe
Carolina deu um branco. Todas as frases que havia ensaiado sumiram da cabeça. Depressa, ergueu a mão e estendeu o buquê para ele.Henrique baixou os olhos para as flores.Embrulhado em páginas de um jornal em inglês, aquele buquê tinha uma beleza simples, cheia de charme.O jornal era dele, com reportagens sobre tecnologia aeroespacial espalhadas pela página. As flores também tinham sido plantadas por ele.E, nas mãos dela, tudo parecia bonito. Não ficava atrás de nenhum daqueles buquês sofisticados que custavam uma fortuna. O mais importante era que tinha sido feito por ela.Nos poucos segundos em que Henrique ficou parado, Carolina começou a se sentir cada vez mais constrangida. Abriu um sorriso rígido, sem jeito, enquanto pensava:"Será que ele percebeu que esse jornal saiu da estante dele?Um homem como ele nem deve reparar nas flores plantadas no jardim, deve?Será que achou simples demais? Pouco caprichado?Afinal, ele é um herdeiro importante!"Ela precisava tomar a iniciativa.







