LOGINCarolina deixou o celular na mesa de cabeceira, aproximou-se e subiu na cama, apoiando um joelho no colchão. Segurou o braço dele e tentou puxá-lo.— Henrique, se levanta. Essa é a minha cama.— Tô tonto… Vou dormir um pouco…Ele nem se mexeu. Apenas virou o rosto, afundando ainda mais no colchão macio.O edredom, num tom bege suave, ainda guardava o perfume doce de Carolina. Ele inspirou fundo. O cheiro era leve, acolhedor… Bom demais.E ele não queria sair dali.Carolina tentou puxá-lo mais algumas vezes. Conseguiu erguer apenas o braço. O resto do corpo, firme e pesado, não saiu do lugar nem um centímetro.Cansada, soltou-o e respirou fundo.A folga dele já começava a irritá-la de verdade.Ela se sentou ao lado dele e avisou, fria:— Se você não se levantar, vou chamar a sua noiva pra te buscar.— Uhum…Henrique respondeu baixo, de olhos fechados, como se nem estivesse prestando atenção.— Se ela vier, a situação muda. O que você tá fazendo aqui já é praticamente traição.Ele contin
A respiração de Carolina falhou.Tomada pela culpa, ela baixou a cabeça e mordeu o lábio trêmulo.— Carol...A voz dele saiu fraca, quase um sussurro.Por um instante, tudo dentro dela pareceu parar.Antes, quando ainda estavam juntos, era assim que ele a chamava sempre que queria amolecê-la, naquele tom macio, arrastando levemente o final, capaz de derrubar qualquer resistência.Soava como um toque suave no coração… E, ao mesmo tempo, atingia direto o ponto mais vulnerável dela.Os olhos arderam.O nariz pinicou.Ela fechou as mãos com força. As unhas cravaram na própria pele, precisava da dor para não perder o controle.A voz de Henrique veio abafada, rouca, carregada de álcool, quase um choro contido:— Quando aquilo aconteceu com o seu pai… E você terminou comigo… Não foi coincidência, foi? Você me amava tanto que não quis estragar o meu futuro. Foi isso, não foi?Carolina respirou fundo.— Não.A resposta saiu firme.— Por que você não admite?Henrique soltou uma risada baixa, ama
No silêncio profundo da noite, Carolina saiu do banheiro ainda envolta pelo vapor do banho. Vestia uma camisola longa, leve, de tecido macio. Os cabelos já estavam secos.Ia apagar a luz da sala quando alguém começou a bater à porta.Não era uma batida discreta. Eram pancadas fortes, insistentes, quase uma atrás da outra, urgentes demais para serem ignoradas.O coração dela falhou por um instante.Àquela hora, daquele jeito… Não precisava nem pensar. Só podia ser Henrique.Carolina se aproximou e olhou pelo olho mágico.Como imaginava, era ele.Apoiado com a mão esquerda na parede para não cair, Henrique batia com a direita. A cabeça pendia, os ombros estavam caídos. O rosto, excessivamente corado, denunciava o álcool. O corpo oscilava de leve, como se pudesse desabar a qualquer momento.Ela ficou ali, em silêncio, por quase dois minutos, esperando que ele desistisse.Mas as batidas continuaram, irregulares… Persistentes.Ficou claro que ele não iria embora tão cedo.Sem alternativa, C
A ideia de Carolina com Cláudio era como um espinho cravado no peito de Henrique.No sábado à noite, como não precisaria trabalhar no dia seguinte, ele chamou Cláudio para sair e beber.O bar tinha um ar sofisticado, com um charme retrô e detalhes étnicos na decoração. Havia poucos clientes. No palco, um rapaz cantava folk sob uma luz suave, sentado num banquinho. A melodia fluía mansa, e a voz dele era limpa, agradável. O ambiente inteiro tinha um aconchego raro.Depois de algumas doses de uísque, Henrique, já incomodado, abriu de uma vez os dois primeiros botões da camisa preta e enfim perguntou:— Você está interessado na Carolina?Cláudio estava largado na cadeira, numa postura relaxada. Um dos braços descansava no encosto atrás dele. Com a outra mão, levou o copo aos lábios e bebeu devagar. Sem tirar os olhos do cantor no palco, respondeu:— Estou.Henrique puxou o ar fundo.— Vocês estão juntos?Cláudio curvou os lábios num meio sorriso e só então olhou para ele.— Rick, você est
Henrique tinha mandado uma mensagem perguntando o que havia acontecido, mas Carolina não respondeu.O comportamento dele já tinha ultrapassado todos os limites.Ela se arrumou, trocou de roupa, tomou o remédio em jejum e saiu às pressas, com a pasta numa mão e o celular na outra.Quando chegou ao escritório, já passava das dez da manhã.O escritório funcionava em regime de sociedade. Ninguém batia ponto. Cada advogado atuava como sócio da banca, com os lucros divididos meio a meio. Por isso, não havia controle de horário, nem na entrada, nem na saída.Assim que entrou, Carolina deu de cara com André.Ele estava na recepção, segurando uma marmita e conversando com uma senhora mais velha.Ao vê-la passar, chamou:— Carolina, hoje você chegou bem tarde. A manhã foi puxada?Ela parou, olhou para ele e esboçou um sorriso por educação.— Foi, sim.A senhora acompanhou o olhar do filho, virou-se para Carolina e arregalou os olhos.— Mas veja só... Você não é filha da Luana?Carolina também a
O coração de Carolina apertou.Teria sido coincidência?Ou aquele carro era, na verdade, do Henrique?Se fosse dele... Então ele vinha parar ali, embaixo do prédio, todas as noites?Ela se virou e apoiou as costas no parapeito da varanda. Baixou os olhos para o celular, abriu o WhatsApp e entrou na conversa com Henrique.Não havia mais nada ali.Todo o histórico tinha sido apagado havia muito tempo.Desde o término, um ano antes, Henrique a bloqueou. E, desde então, ela nunca mais tentou mandar mensagem.Agora, ele a tinha desbloqueado.E ela, num impulso absurdo, abriu a conversa como se quisesse se explicar.Era ridículo.Se ele foi embora, então foi.Se entendeu errado, que ficasse assim.Um ex prestes a se casar. Duas pessoas que não voltariam a ficar juntas.Não fazia sentido continuar presas a algo mal resolvido, sem nome.Carolina ficou em silêncio por alguns segundos.No fim, não enviou nada.Voltou para dentro, fechou a porta de vidro, puxou as cortinas e foi para o quarto. To
Tomada pela culpa, Carolina desviou o olhar. Aproximou-se devagar e, fingindo naturalidade, levantou a mão, puxando discretamente o registro.O pequeno movimento não escapou à visão periférica de Henrique.Antes que ele entendesse o que estava acontecendo, o chuveirinho em sua mão parou de repente.
Quando Carolina saiu do quarto, Marcelo se levantou do sofá. Ao perceber que era ela, o sorriso em seu rosto foi murchando pouco a pouco.— Cadê o Henrique?Carolina fechou bem a porta atrás de si e caminhou até ele.— Ele está consertando o encanamento. Você pode ir embora agora.— Eu espero. — Mar
Enquanto ele ainda tentava entender o que estava acontecendo, Carolina falou num tom sério, quase como quem dá uma bronca de coração.— Você já é adulto. Não sabe se cuidar? Sai do banho sem se vestir, andando assim pela casa? Não tem medo de alguém ficar de olho em você?O canto da boca de Henrique
— Me leva até a sua casa. Quero ver ele.— Não.— Vai… Se comporta, deixa eu encontrar ele.— Marcelo, eu vou ficar brava.— Tanto faz. Hoje eu preciso ver ele.Carolina afastou a mão dele, mas, no instante seguinte, foi puxada novamente. Entre empurrões e tentativas de se soltar, os dois seguiram a







