LOGINEra Bianca quem ligava.Sem retorno algum de Gustavo, ela finalmente perdeu a paciência.Já levaou Thiago para ficar com ela, e ainda assim ele parecia ter simplesmente apagado a existência dos dois da memória.Gustavo não queria atender. Mal recusou a chamada, o telefone voltou a tocar.A dúvida surgiu no rosto de Sra. Elena.— Quem é? Está ligando sem parar.— Da empresa. Deve ser trabalho — Respondeu ele, sem convicção.— Então atende. Somos todos família. O que teria de inconveniente nisso?Enquanto falava, a velha pareceu se lembrar de algo.— A propósito, onde está o Thiago?Mesmo sendo uma criança adotada, continuava sendo o bisneto da família Siqueira. Desde que aceitara Ayla, Sra. Elena já não se apegava a questões de sangue.— Ah, é que... fiquei com receio de fazer barulho com a sua chegada, então mandei alguém levá-lo para passear.A velha não comentou nada. Por fim, se levantou e seguiu para a sala de jantar.À noite, Selina e Vera também chegaram à casa de Gustavo.A visi
— Liga pra ela. Eu mesmo falo com ela.Ninguém sabia se aquelas palavras convenceram a velha ou não. Ainda assim, ela tirou o celular da bolsa e o entregou a Gustavo.O número de Ayla foi discado. Ele ativou o viva-voz.Após alguns segundos de espera, a ligação foi atendida.— Alô? Vovó?Ao ver o número da avó, Ayla decidiu atender.Os assuntos da família Siqueira não eram algo em que quisesse envolvê-la.A idade já pesava. O coração nunca fora forte, a pressão vivia alta. Os médicos tinham alertado repetidas vezes: emoção em excesso era veneno. Até conversar exigia calma, qualquer sobressalto podia ter consequências graves.— Lalá, voltei pra casa hoje e não te vi. Você anda fugindo da vovó? Já não quer mais me ver?Assim que ouviu a voz de Ayla, o tom da velha suavizou de imediato. Não restava sinal algum de que estivesse contrariada.— Eu...— Ayla, a vovó ouviu dizer que você se mudou e ficou preocupada, achou que tinha acontecido alguma coisa entre vocês. Eu expliquei que você and
Depois de pensar por um bom tempo, Ayla ainda assim respondeu à mensagem de Gustavo.— Tenho compromissos. Peça para a vovó não me esperar.A recusa já não era novidade para Gustavo. Ainda assim, o simples fato de ela ter respondido ao mencionar a avó lhe deu algum alento. Ele enviou várias outras mensagens em seguida.Talvez a volta da velha senhora fosse justamente a chance de quebrar o gelo entre eles.Mas Ayla não respondeu mais nenhuma vez. Não importava o que ele escrevesse depois, tudo caiu no silêncio.No dia seguinte, ao meio-dia, Sra. Elena chegou pontualmente à mansão de Gustavo.Ele já havia ordenado que os empregados deixassem tudo impecável para recebê-la como se devia.— E a Ayla? — Perguntou Elena assim que entrou, sem sequer lançar um olhar mais atento ao neto que não via havia um ano.— Vovó, eu já expliquei. A Ayla não está em casa ultimamente. Esses dias ela anda muito ocupada, não tem tempo de voltar para almoçar. A senhora não precisa se preocupar com isso agora.
Embora mantivesse a voz controlada, Gustavo já sentia o coração sair do compasso.Sra. Elena apreciava o silêncio. Vivia sozinha, há anos, numa propriedade afastada, aos pés da serra, nos arredores da cidade. Fora datas festivas, nem mesmo visitas da família costumavam ser aceitas.Por isso, receber uma ligação dela era algo raro.Ainda mais porque, em toda a família Siqueira, Sra. Elena foi a única que demonstrou verdadeira aprovação por Ayla.Quando Gustavo levou Ayla para casa pela primeira vez, foi Elena quem se impôs contra todas as objeções e decidiu que o casamento deveria acontecer.Depois da morte do patriarca, antes de se afastar definitivamente da família, ela segurou as mãos dos dois e advertiu Gustavo com extrema seriedade:— Lalá pode não vir de uma família poderosa nem ter ninguém para protegê-la. Justamente por isso, você nunca pode maltratá-la. A vovó já viveu muito. Hoje em dia, meninas que sentem de verdade e ainda são competentes como ela são raras. Você precisa val
— O Enzo comentou que você quase não se alimentou nesses dias. Com a garganta assim, algo leve ajuda a aliviar — Disse Ayla.— Obrigado — Respondeu Daniel, após um breve silêncio.Ao ver a colher se aproximar de seus lábios, ele se sentiu inexplicavelmente constrangido. O pomo de Adão se moveu de forma involuntária. Ainda assim, se inclinou um pouco para a frente e aceitou a colher.O mingau morno desceu pela garganta. O cuidado dela refletido no olhar quase derreteu algo dentro dele, como lava prestes a transbordar.Quando Daniel terminou a tigela inteira, Ayla finalmente se deu por satisfeita. Se preparava para sair, decidida a deixá-lo descansar mais um pouco.Foi então que ele segurou a mão dela.— Nesses dias em que não nos vimos, você sentiu minha falta? — Perguntou.A voz estava rouca, áspera, mas ainda assim carregada de um tom capaz de fazer o corpo inteiro reagir.— Sr. Daniel... — Ayla corou, pega de surpresa.Antes que conseguisse concluir a frase, ele continuou:— Poder ve
— Enzo... — Chamou Daniel, com a voz rouca. A garganta ainda ardia, seca e dolorida.Ele se lembrava de ter trabalhado no escritório até tarde na noite anterior, mas não tinha qualquer memória de quando voltou para o quarto e se deitou.— Sr. Daniel!Daniel afastou a coberta e se preparou para sair da cama. No entanto, antes que conseguisse se levantar, uma silhueta familiar entrou em seu campo de visão. Ele estreitou os olhos, convencido de que estava vendo coisa errada.— Ayla?— Sou eu. A febre acabou de ceder. Não se mexa, fique deitado — Disse ela, com firmeza suave.Ayla se aproximou carregando uma tigela de mingau leve de milho-miúdo. Após colocá-la ao lado, segurou o braço dele e o pressionou de volta contra a cama, sem dar espaço para discussão.Daniel era alto, e mesmo debilitado, sua força superava em muito a dela. No breve embate, bastou um movimento instintivo para que ele a puxasse para si, envolvendo-a com facilidade.O corpo de Ayla caiu contra o peito largo e firme del







