LOGINAo ouvir aquilo, o ambiente inteiro se calou.Os olhares se cruzaram de um lado para o outro. Aos poucos, pareceu que todo mundo entendeu o que Nuno tinha presumido. Alguns ainda olharam para Mafalda, sem saber se deviam falar alguma coisa.Depois de alguns segundos, um dos funcionários tratou de aliviar o clima:— Tudo certo, tudo certo. O Sr. Bruno só se preocupou com a gente.O rosto de Mafalda ficou vermelho na mesma hora.— Nuno... quer dizer, Sr. Bruno. Não foi isso. Ninguém me mandou buscar café. Fui eu que quis pagar. E... também não foi ninguém que me deixou carregando tudo sozinha. Fui eu que insisti.O pessoal do setor sempre tratou Mafalda muito bem. Ela não sabia se isso tinha a ver com algum aviso de Ayla ou se todos ali eram assim por natureza, atentos, acolhedores, gentis.No meio deles, Mafalda quase se sentia a caçula do lugar.Já no primeiro dia, recebeu vários presentes de boas-vindas, todos escolhidos com cuidado. Depois que entrou na equipe, surgiram muitos proced
Por quê...Por que Ayla pôde feri-lo de todas as formas, ir embora sem olhar para trás, e ainda assim ele conseguiu perdoá-la?Mas ela, que entregou tudo o que tinha para amá-lo, recebeu dele apenas frieza?...No fim da manhã do dia seguinte, Mafalda vinha apressada em direção ao elevador, carregando vários cafés, quando alguém esbarrou nela ao passar.Era horário de almoço. O movimento estava intenso.Por muito pouco ela não deixou tudo cair.— Vem.A voz passou por ela de repente, familiar demais.Mafalda ergueu os olhos e viu Nuno passando ao lado, já seguindo em frente com os assistentes, sem sequer desviar o olhar, na direção de um elevador reservado.Por um segundo, ela até se confundiu.Será que ele falou com ela? Pelo jeito, ele nem devia tê-la visto.— Srta. Mafalda, o Sr. Nuno pediu que a senhora suba com ele.Enquanto ainda hesitava, outro assistente apareceu atrás dela e explicou.Só então Mafalda, meio sem jeito, foi atrás.Nuno já estava parado dentro do elevador. Um dos
— Gustavo, você está duvidando do que eu sinto?O corpo de Bianca tremeu. A lágrima presa no canto do olho pareceu até cruel.Ela entregou tanto, e ainda assim ele não acreditava nela?— Você não é ela.O canto da boca dele se ergueu, e bastou isso para o rosto de Bianca mudar de vez.— O quê?— Estou dizendo que você me enganou por dez anos inteiros. Já não basta de encenação?Gustavo não soube explicar por que, ao dizer aquilo, o riso insistiu em escapar.Só que, por dentro, o ódio cresceu como uma trepadeira brava, se espalhando sem freio.Ao olhar para a mulher diante dele, não restou mais nada do que sentiu antes. Nem compaixão, nem dor, nem culpa.Restou apenas repulsa. Raiva. E um ressentimento sem fim.Se ela não tivesse enganado os sentimentos dele, empurrando o jovem ingênuo que ele foi para uma estrada tão absurda...como a família Siqueira teria chegado a esse ponto?E como ele teria cometido coisas tão sujas que nem ele mesmo imaginava ser capaz de fazer?E, pior ainda, co
Durante muito tempo, ninguém abriu a porta.Bianca ficou esperando do lado de fora por quase meia hora. A noite foi ficando mais funda, o frio foi entrando até os ossos, e só então ela se preparou para ir embora.— O que você veio fazer aqui?Nesse instante, a porta finalmente se abriu.Gustavo apareceu diante dela, usando um suéter preto de tricô grosso, largo no corpo, com o rosto abatido.Ainda havia gaze presa à cabeça. Os hematomas no rosto já tinham perdido um pouco da força, mas continuavam visíveis. Ao andar, ele mancava, sem firmeza alguma.O cabelo estava todo bagunçado, mas não parecia alguém que tivesse acabado de acordar.Bianca se virou na mesma hora e entrou sem esperar convite. O cheiro pesado de álcool bateu nela assim que passou pela porta.— Você está bebendo?Gustavo não respondeu. Apenas virou as costas e seguiu para dentro.O corpo dele balançava levemente a cada passo. As costas, antes sempre retas, agora se curvavam num cansaço estranho. Parecia outro homem.Ele
À primeira vista, o assunto até fazia sentido. Ainda assim, Daniel não conseguia ficar em paz.— Você não pode ir. — Ayla falou baixo. — Você precisa se recuperar.— Posso, sim.Como ele insistiu, Ayla só encontrou um jeito de contê-lo: trouxe à tona o acordo entre os dois.— Então agora você não vai mais me ouvir? Tudo o que a gente combinou deixou de valer?— Eu não quero ficar longe de você. Nem por um dia. Eu...Daniel franziu a testa. A voz saiu mais apressada, mais tensa. O pomo de adão subiu e desceu, e as palavras se partiram no meio.Ele estava com medo.Sempre existia dentro dele uma inquietação que não se apagava.Daniel já não sabia se era só aquela ansiedade antiga voltando a rondá-lo ou se, desta vez, havia mesmo algum pressentimento ruim.— Eu também não quero me afastar de você. Mas agora é uma situação diferente. Não posso arrastar um paciente comigo para tão longe. E você também precisa respeitar meu lado como esposa.Antes, foi Daniel quem pediu que ela respeitasse o
— Está bem, eu me rendo.Ayla achou que realmente não conseguia mentir diante de Daniel.Não porque não soubesse mentir. O problema era mentir para ele. Isso pesava em sua consciência.— Eu vou precisar ver meu avô.A voz dela saiu um pouco mais baixa, carregada.— Sr. André Fonseca?Uma emoção difícil de decifrar passou pelos olhos de Daniel.André, pai de Samuel, morava em Eldoria havia muitos anos.Corria o rumor de que ele não saiu de Astério para viver uma velhice tranquila no exterior, e sim porque passou anos em conflito com Samuel e preferiu manter distância.Também circulava a notícia de que, quando Samuel adoeceu gravemente, o velho não voltou. Só apareceu às pressas depois da morte dele, para comparecer ao funeral.E, ao que tudo indicava, foi embora no mesmo dia.Ayla assentiu.Na volta da cúpula, naquela tarde, ela recebeu uma ligação de Carolina. Assim que ouviu a voz dela, Ayla se pôs em alerta. Mas Carolina mal introduziu o assunto e já passou o celular para André.Naqu
Igor também entrou na onda:— Pois é! A herdeira do Grupo Fonseca é uma figura de outro nível. Ia perder tempo vindo aqui pedir investimento pra gente? Melhor fazer o que a gente quer e beber mais um pouco. Aí talvez a gente feche negócio.O Sr. Júlio até tentou passar o braço pelos ombros de Ayla,
Ele realmente foi egoísta, nunca pensou na situação da Bianca, apenas exigiu que ela se submetesse a tudo calada.— Me desculpa.Mas agora, tudo o que Gustavo podia dizer eram essas palavras.Ele abraçou Bianca com força.Nos últimos dias, ele tinha ficado cansado da relação dos dois por causa de to
Ao ouvir o que Bianca disse, Selina não conseguiu conter uma risada fria.Ficou na casa da família Siqueira por alguns dias e já achou que o Thiago era filho dela? Que era a dona da casa?Bianca saiu batendo a porta, e Gustavo queria ir atrás dela, mas foi puxado bruscamente por Selina.— Deixa ela
O rosto dela estava completamente vermelho, o corpo exalava cheiro de álcool e o olhar parecia um pouco perdido.Mas mesmo embriagada, Ayla continuava linda de tirar o fôlego.Rebeca olhou para Ayla e entendeu claramente o que se passava na mente daqueles homens ousados.Afinal, Ayla era mulher, e p







