LOGINGiovanna rodeou o assunto por um tempo e depois falou, como se aquilo fosse só um detalhe:— Tenho uma amiga que trabalha muito bem com terapias no exterior. Você acha que conseguiria arrumar um horário para vê-la nos próximos dias?— Eu sei que essa ferida dentro de você nunca cicatrizou de verdade. Mas, hoje em dia, todo mundo carrega algum trauma, alguma coisa mal resolvida. Isso nem é mais doença. Quando a pessoa consegue colocar para fora, melhora.Por mais que Giovanna tentasse falar como se não fosse nada demais, aquele cuidado excessivo, aquela leveza claramente forçada, ainda assim caiu sobre Daniel como um peso difícil de suportar.Ele já era um homem feito.E, mesmo assim, ainda fazia a avó se preocupar daquele jeito.No fim das contas, talvez realmente nunca tivesse se tornado alguém à altura de sustentar a família Cardoso.— Está bem.Daniel não acrescentou nada. Apenas aceitou.Quando a ligação terminou, ele não resistiu e abriu a lista de contatos.O nome Amor ficou ali,
Giovanna se sentia impotente, mas, em tudo, estava do lado de Daniel.Na verdade, o que aconteceu foi ainda pior do que ela deixou transparecer.Depois que voltaram para casa naquela noite, Letícia ficou arrasada. Brigou feio com Cassian e chegou até a falar em divórcio.Depois de tantos anos, ela também já não suportava mais o temperamento dele.Só que, por amor, por responsabilidade e pelo cuidado que sempre teve com a família Cardoso, Letícia viveu por muito tempo como o elo que mantinha tudo de pé. Só ela conseguia conter aquele jeito duro, teimoso, impossível de lidar.Mas, agora, vendo Daniel e Ayla serem feridos daquele jeito, principalmente Daniel...Cassian sabia muito bem do trauma que o filho carregava desde pequeno. E, ainda assim, escolheu apertar exatamente essa ferida só para descarregar a própria raiva. No fim, ainda fez Ayla sair machucada.Só de lembrar da cena da noite anterior, Letícia ainda sentia o coração disparar. Ela simplesmente não conseguia aceitar.Depois d
Nenhuma mensagem. Nenhuma ligação.A essa hora... será que ele pelo menos estava descansando direito?Com Giovanna e os outros por perto, provavelmente estavam cuidando bem dele.Ayla devia estar com raiva. Mas o que lhe subia ao peito, na maior parte do tempo, era preocupação. Era inquietação.A ponto de ela até se arrepender de ter endurecido com ele na noite anterior.Só que...Daniel estava mal, e por acaso ela estava bem?O que queria dizer aquilo de ela ter se arrependido e, por isso, os dois terminarem ali?O que queria dizer dar a ela a chance de ir embora?Ao ouvir Daniel dizer aquelas coisas, frias, cortantes, Ayla sentiu o coração quase se partir.Foi ele quem falou, tantas vezes, em confiança mútua. E, no entanto, no primeiro problema, a reação dele foi duvidar dela e empurrá-la para longe.Sem sequer perguntar o que ela realmente sentia.Mesmo que ela quisesse ir embora, ele não podia ao menos lutar por ela com firmeza?Ainda mais quando ela já lhe disse tantas vezes qual
Daniel ainda não se recuperou por completo. Quando chamou Enzo no meio da madrugada e pediu que o levasse embora, ele achou que o destino seria a mansão Cardoso.Não foi.Daniel quis voltar para perto da empresa.Antes, para facilitar os momentos de descanso dele, mantiveram dois apartamentos independentes perto do escritório, sempre prontos para quando precisasse se recolher ou receber algum convidado importante.A decoração era simples, quase fria, com a mesma sobriedade impecável da recepção da empresa. Ainda assim, tudo ficava sempre limpo, organizado e confortável.No caminho, Enzo tentou sondá-lo algumas vezes, querendo entender o que aconteceu.Nenhuma tentativa foi adiante.Daniel só mandou que preparassem algumas coisas. Disse que ficaria ali nos próximos dias.Não voltaria para casa.Tampouco voltaria para Ayla.Durante todo o trajeto, permaneceu de olhos fechados, apoiado no banco, com uma sombra pesada ao redor do corpo, sufocante.Só quando Ayla mandou mensagem perguntando
Daniel parecia não ouvir Ayla tentando detê-lo.Era a primeira vez que ele falava sem pensar no que aquilo faria com ela.Então Ayla se lembrou.Uma vez, Daniel perguntou o que ela faria se ele a enganasse.— E daí?Sem resistir mais, Ayla apenas devolveu a pergunta em voz baixa.Não havia muita emoção no tom dela.Era uma calma funda, pesada, como o céu antes da tempestade.— E daí... — Daniel fez uma pausa. A voz já não tinha a suavidade de sempre. Saiu fria, estranha, quase como a de outro homem. — Se você se arrependeu agora, então podemos parar por aqui.Pelo canto dos olhos, ele olhou para ela.Ayla estava de cabeça baixa. A mão ferida balançou de leve.Daniel não ousava pensar no que teria acontecido se, naquele instante, ele não tivesse despertado.Será que Ayla ainda estaria sentada diante dele, inteira, ilesa?Nesses últimos dias, ele se permitiu acreditar.Agarrou-se à sorte, viveu uma felicidade tão plena que parecia impossível.Mas agora, talvez, fosse hora de acordar.Por
Agora que Daniel finalmente tinha se aquietado nos braços dela, o que ele mais precisava era de um pouco de silêncio.Giovanna fez sinal para que a funcionária se aproximasse em silêncio, cuidasse da mão de Ayla e enrolasse o ferimento. Depois, mandou limpar rapidamente o sangue no chão.Letícia não disse nada. Miguel amparou Giovanna, e os três ainda lançaram alguns olhares preocupados para o casal antes de sair.Quando todos se retiraram em silêncio, o ambiente inteiro ficou mergulhado apenas na respiração dos dois e no compasso desencontrado dos seus corações.Ayla não afrouxou o abraço. Ao contrário. Encostou de leve o queixo no alto da cabeça dele e, com a mão que não estava ferida, passou a acariciar suas costas tensas, devagar, uma vez após a outra.Sentiu o corpo de Daniel ainda tremer. Sentiu também aquela tensão ir cedendo aos poucos.— Pronto, pronto... já passou. Todo mundo foi embora. Está tudo bem. Um homem desse tamanho e ainda faz uma coisa dessas, impulsivo igual menin
Ayla realmente era muito forte em termos de conexões e recursos. Manuel, por sua vez, não queria se indispor com ela.Diante da postura agressiva de Vera, ele acabou perdendo a paciência e até soltou: Ayla era uma mulher admirável, e ele invejava Gustavo por ter ao seu lado uma esposa tão competente
Gustavo logo voltou a si:— Lalá, o que está acontecendo com você? Você nunca se importou com essas coisas antes. O Grupo Siqueira é fruto do nosso esforço conjunto. Somos marido e mulher. As minhas ações já são, por direito, metade suas. Isso que você está pedindo é totalmente desnecessário. Além d
Ela não queria esconder nada. Apenas achava que se tratava de uma aliança por conveniência. Ninguém teria interesse em ouvir aqueles episódios constrangedores, aquele passado que não merecia subir ao palco.Mas agora era diferente.Giovanna e os outros já eram família. E havia Daniel... Ela o valori
Foi justamente naquele momento que, do outro lado da rua estreita, uma silhueta familiar entrou no campo de visão de Bruno.A mulher vestia roupas esportivas casuais e carregava uma mochila de viagem nas costas. Parada diante do semáforo, aguardava para atravessar.Quando Bruno a viu, ela pareceu pe







