ログイン— N-Não... impossível... como isso seria possível...?Elena murmurou, em choque, já com a respiração descompassada.As pessoas que vieram com ela correram para acalmá-la, tentando impedir que perdesse o controle.Elena, porém, afastou quem estava ao lado com um empurrão e se obrigou a ficar de pé, embora o corpo tremesse visivelmente.— Você está mentindo. Como você poderia...?Vendo que ela se recusava a acreditar, o chefe da segurança deu um passo à frente.— A identidade dos moradores normalmente é mantida em sigilo, mas, já que o Sr. Daniel se pronunciou, não nos cabe mais esconder nada. Senhora, o homem diante da senhora é o atual presidente do Grupo Cardoso, o Sr. Daniel. E os dois são, sim, legalmente casados; apenas sempre mantiveram tudo com discrição...Fez uma breve pausa antes de continuar:— Quanto a este condomínio e a esta administradora, ambos também pertencem ao Grupo Cardoso. Se a Srta. Ayla mora aqui, como poderia estar usando dinheiro da família Siqueira? Isso chega
— Então é isso que a família Siqueira chama de bênção? Enganar uma mulher para casar, trair, manipular, fraudar, humilhar os outros sem o menor pudor... e ainda esperar que a vítima agradeça? Se é uma sorte tão grande assim, por que a senhora não fica com ela?Como se acolhesse um gatinho assustado, Daniel puxou Ayla inteira para dentro dos braços.A mão dele subiu devagar até a cabeça dela, num gesto de cuidado, como se quisesse barrar ali mesmo toda a sujeira que vinha atingindo seus ouvidos.Em outros dias, ainda fosse.Mas hoje ele estava ali.E, estando ali, como aceitaria ver Ayla lidando sozinha com gente daquela laia?Bastava pensar no que ela suportou durante todos aqueles anos para a dor e a revolta crescerem juntas dentro dele.O rastro de sorriso desapareceu por completo.Quando ergueu os olhos para Elena, o frio no olhar dele fez a velha estremecer por dentro.Mesmo assim, ao vê-lo protegendo Ayla daquele jeito, agarrado a ela diante de todos, Elena só se enfureceu ainda m
— A senhora pode falar daqui mesmo. — O chefe da segurança cortou, com frieza.— Ayla, você é mesmo muito esperta. Então esse aí é o seu rostinho bonito? Foi por causa dele que você tratou o Gustavo com tanta crueldade, não foi? Você faz ideia do estado em que ele está? Gustavo não dorme, não come, já adoeceu por sua causa...A voz de Elena saiu alta, aguda, cortando o ar. Os médicos já tinham avisado que ela não podia se alterar nem perder o controle, mas, naquele momento, ela não queria saber de nada. Com o dedo apontado para o rosto de Ayla, parecia até lamentar não ter duas bocas para despejar ainda mais veneno.— Rostinho bonito? A senhora devia medir melhor as palavras. Ele é meu marido, legalmente e em todos os sentidos. E também é alguém que a família Siqueira não tem cacife nem para afrontar.Ayla a interrompeu antes que a velha terminasse.A mão de Daniel continuava firme na dela, puxando-a para mais perto, e o corpo de Ayla acabou se acomodando sem perceber junto ao dele. Aq
— Ayla! Ayla!Elena gritava o nome dela do portão, tentando avançar na direção de Ayla sem se importar com os seguranças que a seguravam.As pessoas que vieram com ela também se meteram no empurra-empurra. O rosto do chefe da segurança endureceu.— Senhora, pela sua idade, ninguém aqui quer tocar na senhora. Mas a moradora desta unidade não recebe visitas. Por favor, não insista.— Moradora? Que moradora o quê? Ela é minha nora!Fora de si, Elena praticamente cuspiu as palavras no rosto do chefe da segurança.— E essa conversa de moradora importante... você faz ideia de que aquela casa foi comprada com o dinheiro do meu filho?Tomada pela raiva, Elena ergueu a bolsa e começou a acertá-lo com força. Por se tratar de uma idosa, ninguém ao redor ousava reagir como reagiria com qualquer outra pessoa, e isso acabou lhe dando espaço para avançar, fazendo o homem recuar alguns passos.O chefe da segurança lançou um olhar rápido para os outros. Alguns continuaram tentando contê-la, enquanto ou
Eden percebeu que Ayla ainda não tinha entendido o que ele quis dizer. Então a olhou com um sorriso leve nos olhos.— Não necessariamente.— Então...— Mas, pelo que me lembro, você acabou de dizer que, mesmo quando o Sr. Daniel perdeu a consciência, ele não feriu você.Ayla ficou parada.Como se, de repente, alguma coisa tivesse se encaixado.Eden então voltou os olhos para Daniel.— Sr. Daniel, nem tudo aquilo foi culpa sua. Veja bem: o senhor protegeu sua mãe. E também protegeu a mulher que ama. Assim como uma pessoa pode agir sem razão para proteger alguém, ela também pode parar, pelo mesmo motivo, antes de ferir.A voz dele continuou calma:— Agora que o senhor tem ao lado alguém que quer protegê-lo tanto quanto o senhor quer protegê-la, tudo tende a ficar cada vez melhor.Quando Eden terminou de falar, o silêncio caiu sobre a sala.Mas, dessa vez, era um silêncio quente.Ayla sentiu o peito amolecer por inteiro. O olhar que voltou para Daniel já vinha cheio de ternura e sorriso.
Contendo o impulso de beijá-la, Daniel sentiu os olhos umedecerem também. Com a voz presa na garganta, murmurou:— Vou fazer isso.Eden, sentado diante dos dois, observava em silêncio. Aos poucos, até ele recostou no encosto da cadeira, deixando o corpo relaxar de vez.Quando Giovanna lhe contou sobre Daniel, a princípio ele ficou preocupado.Feridas da alma não são exatamente difíceis de tratar. O problema é que, como acontece com todo mundo, uma ferida continua sendo uma ferida.Ela não surge do nada. E também não desaparece como se nunca tivesse existido.O que a cura pode fazer é ajudar a pessoa a sair disso por conta própria.Se houver resistência, a dor só continua rodando em círculos.Daniel tinha um transtorno de estresse com forte resposta emocional. Isso jamais desapareceria por completo. Mas, se ele aceitasse encarar as próprias emoções, tudo poderia ser trabalhado.Não existe ferida que volte a ser intacta. Mas também não existe dor da qual seja impossível sair.No fim, um
Selina lançou um olhar para Elena. Elena manteve a cabeça baixa e não disse uma palavra para impedir, era evidente que pensava exatamente o mesmo.— Não precisa chegar a esse ponto... A Ayla... — Gustavo fez uma pausa, a voz falhando por um instante. — Eu acho que ela não vai brigar comigo até o fim
— Desde que você ache que fez o certo, não precisa se importar com o que os outros pensam.A voz de Ayla saiu baixa, mas firme.O olhar pousado sobre Daniel tinha a leveza de um fim de tarde — era acolhimento puro.Ao ouvir aquelas palavras, a expressão carregada de Daniel começou a se abrir, pouco
Daniel soltou uma risada baixa. O polegar passou pelo canto da boca dela, esfregando com um pouco mais de força.— Se eu consigo ou não te proteger... — A Voz desceu, lenta. — Você pode testar. Testar se eu não consigo limpar tudo ao seu redor, deixar você intocável, sem que nem um fio de cabelo sof
— Eu...— Peça desculpas à Bianca. Vocês são da mesma família. No futuro, precisam se comunicar melhor.Elena interrompeu Selina com a voz mais baixa, mas firme, sem margem para discussão.Selina já estava casada com a família Siqueira há metade da vida. Sempre fora conhecida por sua força e por não







