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Andrea - O poder do Girassol

Author: Sol Costa
last update publish date: 2026-10-07 08:50:07

Hoje é terça.

Eu quase não dormi. Passo a noite com a Bianca e a Beatrice no meu quarto. Nosso pai ficou hospitalizado. Francesco, o homem que nunca ficou doente na vida, com febre e branco feito papel por causa de uma quimio que a gente nem sabia que ele tinha começado.

Câncer. Descobrimos ontem. Ele escondeu de quase todos por dois meses e só quem sabia era minha mãe e Nicolas.

Mas por todo esse tempo tentou levar o fardo sozinho.

Bem a cara dele.

Isso bagunçou toda a nossa rotina de domingo
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    Ela não respondeu. Só assentiu, de costas.Eu abri a porta e saí. Com o coração estilhaçado.Fechei a porta com cuidado, como se qualquer barulho mais alto pudesse quebrar ela de vez lá dentro. Tranquei por fora com a minha chave. Duas voltas. A chave arranhou na fechadura porque minha mão estava tremendo tanto que eu não acertava o buraco.Fui direto pra garagem. Eu não peguei o elevador social. Desci pelas escadas de serviço, de dois em dois degraus, como se precisasse cansar o corpo pra abafar o que tava acontecendo na minha cabeça.Minha vaga era a mais escura, no canto. O carro preto blindado que o Nicolas me obrigou a usar desde que comecei a dirigir.Entrei. Não liguei o carro. Só sentei. Deixei a porta aberta pra entrar o ar úmido da garagem. Fiquei olhando pro teto de concreto, pro número da vaga dela vazia do lado da minha.Eu sabia que a luz da sala ainda tava acesa lá em cima. Mesmo daqui de baixo eu conseguia imaginar a sombra dela passando de um lado pro outro. Pensando

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    — Então em algum momento a gente nem vai mais poder ficar junto?Quando ela falou isso, meu cérebro parou.Não foi a pergunta que me deu pânico. Foi o que a pergunta queria dizer.Até aquele segundo, eu ainda sentia um mínimo de esperança que ela entendesse. Por mais difícil que seja. Que eu estava sendo cruel, mas que minha sinceridade poderia contornar a situação de alguma forma milagrosa. Falar de viagem, de Paris, de dormir junto. Eu realmente achei que se eu desse pra ela tudo que um casal faz, ela ia aceitar o "menos a parte pública".Eu sou um idiota. Um idiota completo.Eu não tinha entendido que quando ela falava "namorada", ela já estava pensando em noiva. E quando falava em noiva, já estava pensando em casar. E quando falava em casar, estava pensando em família. Em véu. Em casa. Em filhos.Ela tem 18 anos. Ela cresceu num orfanato de freira. É claro que ela estava pensando em casar. O que mais uma menina como a Anna ia pensar?E eu, com 25 e tantos anos de máfia na cabeça,

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    — Então a gente vai ficar pra sempre escondido?A pergunta saiu da minha boca antes mesmo de eu conseguir segurar. Minha voz tão baixa que eu nem sabia se ele tinha ouvido.Ele ouviu. Porque ele continuou de joelhos. Na minha frente. O Andrea. O homem que ao que parece é temido por todos na Itália, de joelhos na sala do loft, diante de uma menina. Uma menina que nunca imaginou nada do que acabou de ouvir.E ele não respondeu. Ele só me olhou. Com seus olhos enormes cheios d'água. E aquele silêncio foi a resposta mais cruel de todas.Eu ainda estava tentando entender tudo. Porque tudo que ele tinha falado nos últimos dez minutos tinha entrado na minha cabeça como faca.A Bianca.A primeira facada foi a Bianca. Quando ele falou que ela não está em perigo físico, mas não é livre. Que ela é a chave da paz. Eu entendi na hora o que isso queria dizer. Eu não sou burra, eu cresci vendo filmes.Ela vai ter que casar. Vai ter que casar com um homem perigoso, um estranho, que ela nem conhece, p

  • Andrea:A ascensão do Mafioso Zombeteiro e da Órfã Sonhadora   Andrea - A Regra mais Antiga.

    Ela assente.— Eu te amo. Eu te amo com todo o meu entendimento e com todas as minhas forças. Você não tem ideia do que você fez comigo. Com esse loft. Com a minha vida. — Respiro fundo apenas para encontrar as palavras certas. Coração batendo na garganta. — Desde que eu te vi, não sou mais o mesmo. Não sou mais o filho do meio, ou o conselheiro da família Rossi. Eu sou só o Andrea. O seu Andrea.Abro meu coração de vez porque eu não sei se terei outra oportunidade. E ela precisa saber o que gerou em mim. — Você fez um milagre. Transformou um coração de pedra num coração de carne, Anna. — Com cuidado, guio a mão pequena dela até o meio do meu peito. Pra que ela sinta, o que só ela fez. — Hoje ele bate por você. Eu nunca sequer me apaixonei por uma mulher na vida. Mas você… você conquistou meu coração. E eu sei que é de forma irrevogável. Lágrimas escorrem dela. Meus olhos embaçam.— Mas você nunca... — minha voz falhou. Eu tive que recomeçar. — Eu nunca vou poder te apresentar form

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    Ela não voltou.Faz duas horas.Duas horas que eu tô aqui na cozinha que ela arrumou pra mim, olhando pra duas xícaras de café que já ficaram frias. Pra torrada mordida que eu mordi só pra agradá-la. Pro copo d'água com a flor.Eu devia ter contado antes.Essa frase não sai da minha cabeça. Martelando. Em loop.Eu devia ter contado no primeiro dia. Quando eu voltei sozinho. Ou na segunda visita. Ou quem sabe na primeira noite que ela dormiu aqui. Quando ela reclamou porque a cama era grande demais.Mas eu não contei. Porque eu sou um covarde.Eu sou conselheiro de uma das famílias mais perigosas da Itália, me sento em mesa com gente que decide quem vive e quem morre, e eu não tive coragem de olhar pra uma menina de 18 anos que pesa menos de 50 quilos e falar "Anna, eu sou mafioso".Porque eu sabia que ela ia olhar pra mim exatamente como olhou hoje. Como se eu fosse um monstro.Eu levantei. Precisava fazer alguma coisa com as mãos senão eu ia socar a parede. Peguei a esponja. Comecei

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    Eu fui pro quarto porque se eu ficasse mais um segundo na cozinha eu ia desabar na frente dele.E eu não queria que ele me visse desabando.Fechei a porta devagar. Não bati. Eu nunca bato porta. Costume do orfanato. Lá é extremamente proibido. Mas eu queria bater. Eu queria gritar. E como vício, apenas encostei as costas na madeira e escorreguei até sentar no chão frio, com o pijama que eu não tirei antes de ir fazer café pra ele ainda no corpo.O loft ficou silencioso de novo. Igualzinho quando ele saiu ontem pra trabalhar.Ontem.Parece que faz um ano que foi ontem e faz só algumas horas.Quando ele saiu eu fiquei andando pela casa que nem boba. Não sabia o que fazer com o tempo. Olhei as coisas, cada detalhe. Com saudade. Liguei a TV enorme da sala. Fiquei passando de canal por canal. Nada prestava. Era tudo barulho. Então desliguei.Peguei o laptop que ele mostrou. Abri. Fechei. Abri de novo. Tentei escrever. Eu catava milho demais nas teclas, errava tudo, apagava. Eu nunca tive

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