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Arthur narrando... capítulo 4

last update publish date: 2026-08-27 01:47:49

essa história passa em 1986 a 1991

O sol aparece no horizonte e eu já estou de pé. Aqui na fazenda não existe hora de dormir até tarde: o trabalho espera, e a terra não perdoa preguiça. Lavo o rosto com água fria da bica, visto a camisa de brim, a calça resistente e as botas de couro já gastas pelo uso. Gosto dessa vida — o cheiro da terra úmida, o som dos passarinhos, o silêncio que só o campo tem. É onde eu me sinto realmente eu mesmo.

Saio para a varanda e vejo meu pai, João, já dando ordens aos empregados. Ele tem muitas terras e muita gente para ajudar, mas sempre diz que quem quer comandar tem que saber fazer primeiro. Minha mãe, Soraia, aparece logo em seguida com a bandeja do café: café forte, pão de queijo quente, doce de leite que ela mesma faz.

— Vai com calma, menino — diz ela, me servindo. — Não queira carregar o mundo nas costas de uma vez só.

Dou um sorriso e bebo o café de um gole.

— Não se preocupa, mãe. Trabalhar não me cansa, me faz bem.

Antes de ir para o serviço, passo na casa da Rosana, minha namorada. Ela já está na porta esperando por mim, com aquele jeito doce que me acalma só de olhar. Abraço‑a forte e beijo sua testa.

— Vou passar o dia todo na roça, mas mais tarde venho te ver, tá? Ou quando a gente for para a cidade, a gente fica mais tempo juntos.

Ela segura minha mão, preocupada como sempre:

— Cuidado, Arthur. Não se esqueça de descansar um pouco.

— Pode deixar — respondo, sabendo que ela é a minha certeza, o meu porto seguro. O resto, o que acontece por aí,ela não precisa saber,eu vou as festas e acontecem não fidelidade da minha parte,mas eu exijo fidelidade,mas a mulher mesmo pra mim é Rosana o resto tudo é como chuva de verão.

Volto para a casa e encontro meu irmão Maurício pronto também. Ele veste‑se com mais cuidado, carrega sempre uma pasta com cadernos e papéis, diferente de mim que prefiro as mãos livres para o trabalho. Somos muito unidos, desde pequenos, e não há nada que a gente não resolva junto.

— Vamos? — chamo ele. — Hoje temos muito para ver.

Ele concorda com a cabeça e caminhamos lado a lado até o cavalo e a caminhonete que usamos para se locomover.

— Você sabe — começo a falar enquanto seguimos pela estrada de terra —, eu ando estudando com o Doutor Raimundo, agrônomo da região, para aprender a mexer direito com a terra. Não adianta só plantar, tem que saber o que cada tipo de solo precisa, como cuidar das sementes, quando adubar. Hoje eu tenho que passar nas áreas novas, olhar se estão fazendo tudo exatamente como eu mandei. Não quero ver trabalho mal‑feito.

Maurício balança a cabeça, concordando:

— Tem toda a razão. Eu também não fico parado: estou cursando administração na cidade, aprendendo a organizar as contas, a documentação das terras, os contratos e o dinheiro que entra e sai. Enquanto você cuida do que cresce na terra, eu cuido do que fica nos papéis e nas contas. Um não funciona sem o outro.

— É isso mesmo — respondo, olhando as plantações que passam pela janela. — O pai já tem muita coisa feita, mas a gente tem que saber manter e aumentar. Sei que posso confiar em você, e você sabe que pode confiar em mim.

Chegamos no primeiro talhão. Desço, caminho entre as fileiras, toco o solo, observo o tamanho das plantas e converso com os empregados. Tudo parece estar dentro do combinado, mas eu gosto de ver com os meus próprios olhos. O Doutor Raimundo me ensinou que a terra fala, basta saber ouvir.

Eu faço faculdade também,mas pra aprender rápido tenho meu professor Doutor Raimundo.

Mais tarde, quando já está mais quente, sentamos debaixo de uma grande árvore para descansar um pouco. Maurício me olha e fala com aquele tom de quem já pensa adiante:

— Quando terminarmos tudo por aqui, a gente pode ir para a casa da cidade, né? O pai comprou ela justamente para isso,mas ele não sabe que usamos ela pra farra e também para quando precisamos resolver negócios ou só para descansar e curtir um pouco a agitação. Não é só trabalho, também precisamos da nossa farrinha de vez em quando.

Dou uma risada, concordando:

— Pois é! Trabalhamos duro aqui, mas na cidade a gente tem a nossa liberdade. É bom mudar de ar, ver gente diferente, passear. Vida só de roça também cansa, e a gente gosta de aproveitar o que a vida oferece.

E assim seguimos o dia: ele com os cadernos e as anotações, eu com a terra e o plantio, os dois de mãos dadas com o trabalho, sabendo que a nossa força está em estarmos juntos, seja na roça ou na cidade, seja no serviço ou na diversão.

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