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Gabriela narrando capitulo 3

last update publish date: 2026-08-27 01:45:17

Passam‑se dois meses desde aquela noite, e a minha vida parece ter virado de cabeça para baixo sem que ninguém ao meu redor perceba. Sinto o meu corpo mudar de um jeito que eu não entendo bem de primeira: enjoos de manhã cedo, vontade de chorar por qualquer coisa, o peito sensível e uma cansaço que não passa nem dormindo. Quando conto os dias, o medo aperta o meu peito como uma mão fechada. Não tenho dúvida: estou grávida.

O pai do meu filho não aparece não sei quem é ele.

Fico desesperada, sem saber para onde correr. Meu pai e minha mãe vai fazer o povo dessa época é perdido, para uma moça da minha condição, isso é a pior desgraça que pode acontecer. Os meus pais são tão rígidos, tão preocupados com a nossa honra e com o que a sociedade fala, que só de imaginar a reação deles, o meu sangue gela. Não tenho coragem de contar nada a ninguém, nem mesmo às minhas primas, que são as pessoas mais próximas de mim. Tenho medo de ser julgada, de ver a decepção nos olhos delas, de virar motivo de fofoca antes mesmo de tudo ser descoberto. Guardo esse segredo só para mim, e cada dia que passa a aflição aumenta mais e mais — é uma angústia que não me deixa dormir, não me deixa comer direito, não me deixa sorrir. Sinto‑me sozinha no mundo, carregando um peso que parece cada vez maior.

Chegam o terceiro meses, e a minha barriga começa a aparecer devagar, mas de um jeito que eu não consigo mais esconder completamente. Tento usar vestidos mais largos, amarrar faixas na cintura, andar mais curvada, mas é inútil: a vida vai abrindo caminho, e não há como parar.

Passam‑se mais um mes, e já não há mais disfarce. A barriga está bem visível, redonda e firme, e a verdade não cabe mais dentro de casa. Os meus pais percebem primeiro. O meu pai me chama para o escritório, com a cara fechada, séria como nunca vi antes, e a minha mãe fica ao lado, com os olhos cheios de lágrimas e vergonha.

— Gabriela — diz o meu pai, com a voz pesada —, você vai ficar de castigo, trancada dentro do seu quarto, até que resolva falar a verdade. Não sai mais, não recebe visita, não vai a lugar nenhum. Agora, me diga: quem é o pai dessa criança? Você vai me dizer o nome dele, e ele vai ter que se casar com você, de qualquer jeito. Não aceito que a minha filha tenha um filho fora do casamento, isso é uma vergonha para o nosso nome, para a nossa família!

E a vergonha não fica só dentro de casa. Lá fora, na cidade pequena onde todo mundo conhece todo mundo, os comentários já correm de boca em boca há tempos. A minha mãe ouve de tudo: pessoas que jogam indiretas, que falam pelas costas, e até ditados antigos que ferem mais do que qualquer palavra: segura as suas éguas em casa, porque os cavalos estão soltos”. É como se dissessem que ela não me educou direito, que não soube me controlar.

Quando eu saio para comprar pão na padaria da esquina, sinto os olhares perfurando‑me. As senhoras se afastam e cochichando,as velhas fofoqueiras são as piores falam muito entre si, as moças da minha idade viram o rosto e fingem não me ver. Ninguém quer mais andar ao meu lado.

Tento chamar a minha prima para ir comigo até a pracinha, só para tomar um pouco de ar:

— Vem comigo, Livia? Faz tanto tempo que não saio, vem fazer companhia para mim.

Ela abaixa a cabeça, sem olhar nos meus olhos, e responde baixo:

— Não posso, Gabriela. O meu pai não deixa. Ele disse que não posso sair com você agora… que é melhor não chamar a atenção, para não falar mal de mim também.

Fico parada, sentindo uma dor tão grande no peito que parece que vou desmaiar. Estou sozinha, julgada antes mesmo de contar toda a história, carregando um filho no ventre, sem saber onde está o pai dele, sem ter a quem recorrer, e com a pressão dos meus pais exigindo que eu diga o nome do homem que me fez chegar até ali.

Sento‑me na cama, passando a mão devagar sobre a barriga que cresce, e penso: O que vai ser de mim agora? O que vai ser de nós dois?

__Gabruela,eu e seu pai temos uma solução, você vai pra casa de sua avó cria essa criança e deixa lá.

__Mas mãe

__Mae nada,se você não fizer isso vamos colocar no orfanato, você escolhe.

Fico muito triste,eu vou ficar sem meu filho.

Não acredito.

E assim passou o tempo eu ganhei gêmeos uma menina e um menino, minha avó não quis ficar com eles.

Meus pais me obrigaram deixar a casa lá,eu dependo dos meus pais.

Eles me prometeram que quando o pai da criança aparecer eu posso vim pegar.

Fiz tanto escândalo pra não deixar a criança pra trás.

__Eu não aceito, não vou deixar eles no orfanato.

__Então você escolhe ou orfanato ou doar pra família que precisa de filhos.

__Qual é a diferença papai e mamãe?

__A diferença é que no orfanato você vai poder vim visitar eles todos finais de semanas,e com país adotivos, nunca mais.

_Eu aceito no orfanato então.

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