LOGINSaio do quarto devagar, fechando a porta com cuidado para não fazer barulho. Gabriela,esse é o nome dela,ela me falou,e eu disse que o meu é Arthur.Ela ainda dorme profundamente, com o rosto tranquilo, alheia a tudo o que eu decido. Paro um instante no corredor e penso nela: que mulher, hein. Uma das mais lindas que já cruzou o meu caminho, educada, inteligente, com um jeito doce que cativa qualquer uma,deve ser essas riquinhas. Gostei muito do momento que passamos, não nego — foi uma noite diferente, intensa, que vai ficar na memória, maravilhosa. Mas para mim, isso é só sexo, diversão:
Coisas que acabam,chuva de verão. Vem forte, molha tudo, faz barulho, mas passa rápido e não deixa raiz. “Não vou procurá‑la nunca mais. Não tem porquê. Eu tenho a minha vida, tenho a Rosana, a mulher que eu amo de verdade, com quem eu quero construir o meu futuro, minha família. Fui parar naquela festa só porque o Carlos insistiu, me deu carona e não quis deixar eu ficar para trás. Foi só uma oportunidade que apareceu, um desvio no caminho, e agora eu volto para a minha estrada. Nada mais.” Desço as escadas sem pressa, com meu cigarro de palha na mão,saio da mansão e entro no meu Chevette branco. A cidade ainda está quieta, só começando a acordar com os primeiros raios de sol. Chego na minha casa antes das seis da manhã, abro a porta e já sinto que tem alguém me esperando, também tem cheiro de café fresco. Não é surpresa nenhuma: é a Rosana, minha namorada, sentada na sala, com a cara fechada e os braços cruzados. — Onde você estava até essa hora, Arthur? — pergunta ela logo, sem deixar eu respirar direito. — Fui chamar aqui mais cedo e disseram que você não tinha chegado. Que história é essa de sumir a noite inteira? Eu encosto a mão na cintura e respondo com toda a minha sinceridade, sem querer enrolar: — Olha, Rosana, eu não gosto de mulher que fica grudando, nem de quem fica cobrando cada passo que eu dou. Fui com o amigo a uma festa, o tempo passou e eu nem vi. Não fiz nada de mais, e não preciso dar conta de cada minuto da minha vida para ninguém. Ela levanta da cadeira, a voz já ficando mais alta, cheia de mágoa: — Ah é? Então é assim? Se você acha que eu sou cola e que não tenho o direito de perguntar onde anda o meu namorado, então é melhor a gente acabar com isso agora mesmo! Não quero homem que não me respeita nem me dá satisfação! Quando ouço a palavra “terminar”, o meu jeito muda de uma vez. Não posso perder ela, não é isso que eu quero. Chego perto dela, seguro o seu rosto com as duas mãos e falo com urgência, quase implorando: — Não, Rosana, por favor! Não termina comigo não, pelo amor de Deus! Me desculpa se falei daquele jeito, não foi por mal! Eu amo você, é você quem eu quero, ninguém mais! Beijo ela com força, tentando acalmar o coração dela, mas a briga já está armada e as palavras vão saindo mais duras de ambos os lados. Nisso, minha mãe, Soraia, que estava na cozinha ouvindo tudo, entra na sala com a colher de pau ainda na mão, interrompendo: — Já chega, vocês dois! Gritaria dentro de casa não resolve nada! Arthur, você tem que entender que quando se tem namorada, tem que ter mais juízo. E você, Rosana, também não precisa ficar cobrando tanto a ponto de deixar ele sem ar. Aos poucos, a conversa vai acalmando. Peço mais desculpas, digo que não vai mais acontecer, e ela acaba cedendo, como sempre faz. Voltamos às pazes, e depois de tudo, ela deita comigo no meu quarto, cansada de tanto nervosismo. Ficamos ali abraçados até que o sono nos vence. Quando acordo já é quase meio‑dia. Saio do quarto e encontro minha mãe Soraia e meu pai João na mesa da cozinha. Ela me olha com aquela cara de desaprovação que eu conheço bem. — Arthur — começa ela, séria —, eu não criei filho para ficar na farra nem para andar por aí fazendo coisa errada. O que você fez de chegar de madrugada, sem dar notícia, é muito feio. Homem de respeito não age assim, ainda mais quando tem uma moça esperando por ele. Ela vira para o meu pai e continua: — Ó, João, vê se você me ajuda a falar com ele! Eu não fiz homem para ficar perdido em festa, não! Criei ele para ter juízo e saber o que é certo e errado. Meu pai me olha, dá um gole no café e fala com calma: — Deixa o menino, Soraia. Ele é jovem, tem a vida toda pela frente. Deixa ele viver, conhecer o mundo, enquanto não tem obrigação maior. Homem tem que ter suas liberdades, não pode ficar preso como um passarinho na gaiola. Minha mãe balança a cabeça, mas não insiste mais. Eu só fico ali ouvindo, sem discutir. Na minha cabeça, tudo já está resolvido: Vou tentar mudar,vou viver tenho 22 anos preciso aprender algo na vida. Meu irmão ainda não chegou da farra vi ele com uma moça lá. Maurício…Maurício…📖 Apenas Uma NoiteE fim de tarde, minha mãe, a mãe de Gabriela,a mãe de Lívia está todo vapor ajudando em cada detalhe, pra essa festa na fazenda Afinal meu sobrinho nasceu..E o ar cheirava a terra úmida, acabou de cair um pé de chuva a flores, Gabriela correu e pegou o bolo pra não estragar,ele está recém-saído do forno. Sete mês passou. Um mês de calmaria, de crescimento, de ver tudo se encaixando do jeito que devia ser. E hoje, a fazenda está em festa. Por uma vida nova que acabava de chegar.Eu estou de pé na varanda, olhando tudo, e o coração me enche de um orgulho que não cabe no Estou ajudando também junto com meu irmão Maurício estamos montando uma linda cabana porque vem muitas visitas,e hoje é festa vai transbordar.A criança nasceu é dias e dias de arruda e alegria.Como falar dessas terra… a terra nunca me traiu. Olhei os canteiros, as fileiras crescendo fortes, os pés de fruto carregados, pesados de tanto que deram. O pai de Gabriela tinha razão sobre uma coisa: a terr
📖 Apenas Uma NoiteO tempo passou, e hoje, quando eu me olho no espelho, mal reconheço a mulher que sou. Não é só a roupa, e nem o cabelo arrumado de outro jeito… é o brilho nos olhos. É a paz que carrego no peito, sem medo de ser feliz. Estamos em meados de 1993, e a vida me vestiu de um jeito bonito. Trabalho no banco do meu pai, agora com mais responsabilidades, sentada numa mesa de madeira escura, com uma janela grande que deixa o sol entrar. Uso terninhos de alfaiataria — cores sóbrias, cortes retos, elegantes. Mas não é a roupa que me faz sentir mulher. É saber que tenho um lugar, uma voz, um trabalho que eu conquistei também. Isso é alegria de qualquer mulher à frente do seu tempo. Aqui no banco do papai eu já tenho responsabilidade maior, tudo passa por minha mão, sou gerente hoje.Quando cheguei em casa, tirei os sapatos de salto, soltei o cabelo e vesti roupas leves, confortáveis. Porque aqui, na minha casa, eu não preciso de aparências. Eu só preciso ser eu. E Arthur me am
❤️📖 Apenas Uma NoiteEstou arrumando alguns consertos em casa. Trabalhei só na parte da manhã. O dia passou rápido, e quando olhei no relógio, já era hora de buscar as crianças. Guardei as ferramentas, lavei as mãos na bica da torneira e fui. Gosto de chegar antes, de ficar ali esperando, vendo elas saírem correndo, rindo, com aqueles olhinhos brilhando. Quando me viram, acenaram de longe e vieram em disparada até mim.— Pai! — gritou Carolina, pulando no meu pescoço. — Hoje eu tirei dez na prova!— Parabéns, minha princesa! — beijei a testa dela, sentindo um orgulho que não cabe no peito. — Vocês merecem um presente. Que tal um sorvete?Os olhos deles brilharam mais ainda. Fomos até a sorveteria da praça central — aquela que existe desde sempre, com os potes de vidro cheios de sabores coloridos, o cheiro de baunilha e chocolate que toma conta da rua. A sorveteria é o ponto de encontro, é lugar de família, é coisa boa. Sentei com eles numa mesa de fórmica vermelha, e as crianças esc
Apenas Uma NoiteJá estava escondendo quando chegamos em casa, o carro cheio de caixas e embrulhos, e o coração ainda mais cheio do que tudo aquilo que compramos. Olhei pra Gabriela ao meu lado — os olhos brilhando, um sorriso que não saía do rosto — e senti um peso leve no peito.Mas antes passamos na escola pegamos as crianças.Hoje a minha, consciência está tranquila não vou mais vacilar com minha família eu decidi,ser feliz e estou gostando muito de ser marido e ter esposa, porque as crianças desde da primeira vez que eu soube que tinha filhos eu gostei.A Consciência do que eu tinha feito me acusa sempre, acredito que eu tenho um Deus bom que gosta de mim,me avisa sempre o que eu preciso fazer, e do caminho que eu escolhi pra nós dois.Estamos vivendo um tempo de fartura, um tempo de cansaço tecnológico, é tempo que as pessoas estão em desespero mas a vida não precisa seguir essas diretrizes.Nada é fácil. O dinheiro não cai do céu, as coisas custam caro, e o preço de tudo sobe se
📖 Apenas Uma NoiteNo dia seguinte, acordei com uma fome, acho que felicidade dá fome. O quarto estava em silêncio, e ao meu lado, a cama estava vazia. Sentei devagar, ainda com o cheiro dele no lençol, e fui até a janela. Lá embaixo, vi Arthur encostado no carro, de braços cruzados, olhando pra frente, como se estivesse tomando uma decisão importante.Quando ele me viu, sorriu daquele jeito que me derretia toda, e acenou com a mão. Desci as escadas devagar, e quando cheguei na sala, ele estava ali, de pé, esperando.— Bom dia, meu amor — disse ele, vindo me puxar pra um abraço apertado. — Dormiu bem? Apesar de tudo…— Dormi — respondi, encostando a cabeça no peito dele. — Mas acordei pensando naquela briga, Arthur. Na forma que a sua mãe me olhava… dói, sabe? Como eu vou voltar lá?Ele segurou o meu rosto com as duas mãos, olhando firme nos meus olhos:— É por isso que eu estou aqui ainda, com um plano. Vamos arrumar isso. Vou mostrar pra você e pra todo mundo que você merece o melh
Apenas Uma NoiteAutora: Edivânia RiosTodos os direitos autorais reservados à autora citada acima. Qualquer uso parcial ou total sem autorização será considerado crime virtual e/ou de violação aos direitos autorais. LEI Nº 9.610, DE 19 DE FEVEREIRO DE 1998.— Tempestade na Fazenda(Arthur não para, ele conseguiu o que queria, tanto que tentou que conseguiu, eu planejava fazer com ele aqui na fazenda,mas ele me atiçou tanto, que o desejo que eu estava sentindo por ele, não conseguir me segurar.Chegando na fazenda a mãe dele me olha com aquele olhar torto, acho que será só o começo. Mal pisamos dentro de casa, a mãe de Arthur começa,não está me deixando em paz. Fala pelas entrelinhas, fazia comentários cortantes, me olhava como se eu fosse uma praga que tinha invadido a sua casa. Disse que eu não era digna do filho dela, que eu só tinha vindo ali para tomar conta dos bens, que uma mulher com passado como o meu não merecia estar naquela terra. E foi piorando, cada palavra mais pesada,







