Share

Capítulo 2

Author: Ôxeng
A voz provocadora demorou alguns segundos para atravessar o torpor de Larissa.

— Arthur, seu mano acabou de brincar comigo. Agora é a sua vez?

Do outro lado da linha estava Arthur Vasconcelos, o irmão mais velho de Ciro.

Quando ela começou a namorar Ciro, Arthur nunca lhe ofereceu um olhar gentil.

— Já ficou plantada uma vez. Vai tremer por causa da segunda? — Ironizou. — Não combina com aquela sua coragem imprudente.

Larissa sempre foi intensa e direta. Provocação sempre funcionou com ela.

— Vou, sim. Quem é que está com medo? — Retrucou, orgulhosa. — Mesmo que eu vá com você, o cartório já deve estar fechado.

— Você não precisava se preocupar. — Arthur falou com leveza, quase displicente.

Vinte minutos depois, Larissa estava novamente diante do cartório.

Arthur surgiu à sua frente.

Alto, elegante, postura impecável. O rosto era de uma beleza quase ofensiva. Difícil de ignorar.

E a presença dele... esmagadora.

Ciro já era considerado bonito. Ao lado de Arthur, porém, parecia comum.

— Então você veio mesmo. — Comentou, com meio sorriso. Havia algo de provocador no brilho dos olhos.

Diante dele, Larissa já não tinha a mesma ousadia que mostrou ao celular.

— Não adianta nada. — Apontou para trás. — A porta já está quase fechada.

Arthur ergueu uma sobrancelha e lançou um olhar rápido ao portão.

— Vai mesmo casar comigo? Pensou bem?

Larissa sustentou o olhar.

— Se você não tem medo, por que eu teria?

No fundo, achava que, se alguém deveria hesitar, era ele.

Afinal, Arthur e Ciro eram irmãos de sangue.

— Admiro sua audácia.— Disse Arthur.

Um brilho quase imperceptível de admiração passou pelos olhos dele. Arthur segurou o pulso de Larissa e a puxou para dentro.

Larissa travou.

Ir mesmo? De verdade?

Ela parou de repente. Arthur virou o rosto, arqueou a sobrancelha.

— O quê? — Provocou. — Deu medo?

Houve um instante de hesitação.

— Por que você quer se casar comigo?

Ela não disse mais nada, mas o pensamento veio claro demais.

Ele não gostava dela.

Arthur soltou um riso baixo, curto.

— Alguém eu teria de escolher, não é? — Disse, sem pressa. — Em vez de perder tempo procurando outra pessoa, melhor escolher alguém que a família aprove.

Larissa não perguntou mais nada.

Talvez por causa da relação antiga entre as duas famílias.

Os Vasconcelos sempre gostaram dela. Sempre estiveram satisfeitos.

Se Arthur a escolhesse por conveniência, fazia sentido.

...

Menos de dez minutos depois, saíram do cartório. Cada um segurava a própria certidão.

Larissa ficou olhando o papel como se ele pudesse mudar de forma nas mãos.

A voz dele cortou o silêncio:

— Se estiver arrependida, já é tarde. Divórcio dá trabalho.

Que azar.

Mal haviam se casado e ele já falava em divórcio. Ela não tinha a menor intenção de se divorciar.

Larissa revirou os olhos. O tom, porém, saiu educado demais.

— Desde que você não se arrependa.

Ela desceu o primeiro degrau. Arthur a puxou de volta, firme, envolvendo-a pela cintura.

Larissa ficou pressionada contra o peito firme dele. Mesmo perto de um metro e setenta, ainda assim parecia pequena sob a presença de Arthur.

O perfume dele... cedro, limpo e profundo, lhe envolveu os sentidos.

O coração falhou um compasso.

O calor subiu pelo rosto.

— Aonde você pensa que vai? — Perguntou, a voz grave, quase roçando a pele dela.

Larissa demorou a recuperar o fôlego.

— Pra casa. — Respondeu, ajustando a respiração.

— Casou agora e já quer se separar do marido?

Arthur baixou o olhar.

Os cílios dela, escuros e longos, tremiam contra a pele clara. O rubor suave contrastava com a expressão naturalmente fria. Havia algo perigosamente sedutor naquela mistura de pureza e distância.

Larissa engoliu em seco.

— ...Eu esqueci.

Larissa ergueu o rosto e encontrou o olhar fixo nele. Não percebeu o leve lampejo que atravessou os olhos de Arthur.

Ele desviou o olhar com naturalidade e a soltou.

— Vem comigo.

Desceu os degraus primeiro.

Larissa o seguiu sem pensar muito.

Agora eram legalmente casados. Ele não a venderia no meio do caminho.

Além disso, transformar o ex-namorado em cunhado tinha um sabor quase doce. Só de imaginar, se sentia vingada.

...

A mansão ficava na Península de Safira, em Aurimare.

Meia encosta, terreno disputado palmo a palmo.

A decoração parecia minimalista à primeira vista, mas cada detalhe revelava luxo contido.

Larissa parou no centro da sala ampla e se voltou para ele, confusa.

— E isso?

— Nossa casa. — Respondeu, direto. — Você vai morar aqui.

— E você? — A pergunta escapou antes que pudesse segurar.

Arthur arqueou levemente a sobrancelha. O olhar frio pousou nela.

— O choque foi tão grande que você esqueceu o significado de "nossa"?

O subtexto era claro. Ele também moraria ali.

Larissa puxou um sorriso breve, constrangido. Por dentro, chamou-o de venenoso como sempre.

Dez anos tinham passado.

Arthur continuava igual.

Seco. Cortante. Nada simpático.

...

Arthur pediu que a funcionária, Maria, mostrasse a mansão a Larissa enquanto sua silhueta esguia subia as escadas.

Larissa finalmente conseguiu respirar aliviada. Ele tinha aquele ar frio constante, como se ela lhe devesse dinheiro.

Depois de dar a volta pela mansão com Maria, percebeu o tamanho absurdo do lugar.

Cinco andares. Elevador.

Dez funcionários em serviço, todos recém-contratados.

Foi por Maria que soube que Arthur voltou do exterior naquela mesma manhã.

Larissa se surpreendeu.

Ele acabou de chegar... e já sabia que Ciro a tinha deixado plantada no cartório?

Então aquele casamento era apenas uma revanche pelo que aconteceu há três anos?

Ela ainda queria confrontá-lo, esclarecer tudo.

Mas Maria explicou que Arthur estava trancado no escritório, lidando com trabalho.

Restou esperar.

Esperou tanto que acabou adormecendo no sofá da suíte principal, o corpo inclinado, vencido pelo cansaço.

Até sentir algo se mover sobre ela.

Larissa abriu os olhos, ainda sonolenta.

O rosto de Arthur estava ali, próximo demais.

— O que tá fazendo? — O ar lhe faltou por um instante. Ela cruzou os braços contra o peito, alerta.

Arthur largou o cobertor. As palavras vieram sem qualquer piedade:

— Fica tranquila. Não estou tão carente a ponto de me interessar por um corpo mal desenvolvido.

A irritação subiu de imediato.

— Eu não sou mais como há três anos. Já me desenvolvi, está bem?

Num impulso, Larissa agarrou a mão dele e a puxou em direção ao próprio peito, onde o corpo se erguia sob o tecido...

No último instante, a lucidez voltou. Ela travou o movimento e soltou a mão dele às pressas.

Que loucura.

Cinco anos com Ciro. Eles sequer se beijaram.

E agora, por um segundo, ela quase foi longe demais.

As bochechas de Larissa arderam até a ponta das orelhas. Arthur abriu um sorriso enviesado, carregado de malícia.

— Por que parou? — Provocou. Ele parecia saborear cada centímetro daquele vermelho que subia pelo rosto dela.— Com medo de eu não gostar do toque?

O rosto dela queimou ainda mais. Irritada, o empurrou.

— Mesmo que fosse mal desenvolvido, não é da sua conta.

Tentou se afastar. Uma força a pressionou de volta. As costas bateram no sofá.

Larissa lutou para se erguer. Arthur se inclinou sobre ela. O corpo alto bloqueou a luz. A presença dominadora veio junto com o perfume conhecido de cedro, quente e invasivo.

— Larissa...

A voz grave trouxe uma sedução perigosa.

— Teve coragem de casar comigo... e não tem coragem de fazer amor?

O rosto dele era bonito demais. A elegância contida escondia mal a posse no olhar e o desejo quase à flor da pele. A camisa aberta deixava à mostra o nó da garganta, tenso, provocador.

Uma imagem de três anos atrás cruzou a mente dela.

Ela nunca fez amor. Mas também não era ingênua.

O sangue subiu. Um impulso cego tomou conta. Larissa agarrou a gola da camisa dele e puxou para baixo. Selou os lábios nos dele, firme.

Mordeu, como se soubesse o que fazia. Fingiu experiência. Os movimentos saíram desajeitados. Os dentes se chocaram mais de uma vez.

O olhar de Arthur escureceu. O desejo quase rompeu o controle. A voz saiu contida, pesada.

— Larissa, você sabe o que está fazendo?

— Claro que sei. — Ela ainda provocava, teimosa. Voltou a mordê-lo. — Estou te seduzindo. O quê, ficou com medo?

O desafio brilhou nos olhos dela. Sabia que ele fazia aquilo de propósito, como três anos antes.

— Não se arrependa.

Arthur abaixou o rosto. Tomou a iniciativa. O beijo se aprofundou. Ele roubou o ar dos lábios dela. O calor do corpo dele a envolveu, intenso.

— Que tal terminar agora o que ficou pendente há três anos? — Murmurou ele, a voz rouca, enquanto o brilho nos olhos deixava à mostra o impulso mais primitivo.

Continue to read this book for free
Scan code to download App
Comments (7)
goodnovel comment avatar
Gislaine Fantini
maravilha que continue nesse jogo de rato e gato e vença o melhor
goodnovel comment avatar
Angelica Dega
eu estou amando esse irmão e muito apaixonado por ela
goodnovel comment avatar
Nizia Cruz
tá de palhaçada já li quase tudo agora querem que começo tudo de novo é só agente reclamar que volta tudo novamente
VIEW ALL COMMENTS

Latest chapter

  • Armadilha Doce: Casei com o Irmão do Meu Ex   Capítulo 537

    Beatriz mal reconheceu o filho que entrou na sala. Ciro vinha com o maxilar travado, a raiva estampada em cada passo.— O que aconteceu? Quem deixou você nesse estado?Ele parou diante dela.— Por que me mandou ficar longe da Larissa?Beatriz abriu a boca, mas Ciro não lhe deu tempo de responder.— E o que quis dizer com aquela história de que ela descobriu o que aconteceu cinco anos atrás? — Sua voz ganhou força. — E a Melissa? O que aconteceu de verdade com ela? Mãe, quantas coisas você ainda está escondendo de mim?O nome de Melissa pegou Beatriz desprevenida.Então ele também sabia?— Quem foi que te contou essas coisas? — Ela desviou o rosto, apertando as mãos que mantinha cruzadas à altura do ventre. — Não se meta nisso, Ciro. São boatos. Gente de fora inventando histórias sem saber de nada.Desde o desaparecimento de Eduardo, Beatriz vivia à espera de uma notícia que temia receber. Cinco anos de segredos podiam desmoronar se o médico abrisse a boca.E se Larissa já descobriu alg

  • Armadilha Doce: Casei com o Irmão do Meu Ex   Capítulo 536

    Arthur colocou em palavras exatamente o que Larissa vinha tentando negar. Ela não respondeu. De que adiantava protestar, se era justamente aquilo que passou pela sua cabeça?— Minha equipe estava vigiando Eduardo. Descobrimos que ele pretendia queimar o prontuário, então agimos antes que destruísse as provas. E, para não correr o risco de ele alertar os cúmplices, trouxemos o homem também.Arthur pousou as mãos nos ombros dela e a virou delicadamente para si. A firmeza de seus dedos contrastava com a ternura que lhe atravessava os olhos.— Eu prometi que ia continuar investigando, Larissa. E prometi que não voltaria a te decepcionar. Queria reunir provas mais concretas antes de colocar tudo nas suas mãos. Só que você veio me cobrar explicações antes que eu conseguisse te trazer aqui.Larissa ficou sem palavras.Arthur não era homem de inventar desculpas para escapar de uma situação. Detestava mentiras, sobretudo quando não precisava delas.E havia outra coisa. Entre a movimentação susp

  • Armadilha Doce: Casei com o Irmão do Meu Ex   Capítulo 535

    A pergunta ficou suspensa entre os dois.Larissa prendeu quase toda a respiração, à espera da resposta. Tinha tanto medo de ouvir uma confirmação quanto de descobrir outra mentira.— Fui eu.Arthur respondeu sem hesitar.Aquela certeza a atingiu com a violência de um golpe seco. Por mais que Augusto insinuasse, por mais que as suspeitas apontassem naquela direção, uma parte dela ainda esperava estar enganada.— Por quê?A palavra custou a sair. Larissa sentiu a garganta áspera e, quando voltou a encará-lo, já não restava ternura em seu rosto.Até Leandro se enrijeceu ao volante.Então foi mesmo Arthur quem levou Eduardo? Depois de tudo o que aconteceu, ele ainda seria capaz de fazer Larissa sofrer outra vez?— Quer saber? — Arthur perguntou.Ergueu a mão para acariciar o rosto dela, mas Larissa afastou seus dedos com um tapa.Ele ainda tinha coragem de provocá-la?Ela estava esperando uma explicação, e Arthur agia como se aquilo fosse uma brincadeira. Será que aquele homem achava que e

  • Armadilha Doce: Casei com o Irmão do Meu Ex   Capítulo 534

    — O que foi, Ciro? — Larissa observou o café derramado e a mão avermelhada dele. — Ou será que Melissa estava falando a verdade?Ciro procurou ajeitar a xícara sobre o pires, mas seus movimentos desajeitados só fizeram o frio se espalhar pelo corpo de Larissa.— Claro que não! — Ele se apressou em responder. — Você conhece a Melissa. Ela mente como respira. Inventou essa história porque queria que você retirasse a queixa. Não percebe?Falava como se tentasse convencê-la de algo perfeitamente óbvio, mas a palidez que lhe tomava o rosto traía o esforço.Larissa já encontrou parte da resposta que procurava.— Pode ser. Só que ela me disse outra coisa naquela ocasião. Disse que alguém estava tentando matá-la. E apontou sua mãe como responsável.Ciro ficou em silêncio.— Na hora, achei que fosse mais uma invenção dela. Mas, poucos dias depois, Melissa desapareceu daquele jeito. — Larissa deixou as palavras assentarem antes de continuar. — Convenhamos, Ciro, é coincidência demais.Ela acompa

  • Armadilha Doce: Casei com o Irmão do Meu Ex   Capítulo 533

    Um sobressalto atravessou Larissa, mas ela não deixou transparecer nada. Continuou mexendo o café, a colher roçando a porcelana num tilintar discreto. Baixou os olhos para o líquido escuro, tentando adivinhar o que Beatriz acabava de contar ao filho.— Certo. Entendi.Ciro desligou pouco depois. Ao baixar o celular, uma sombra lhe atravessou as feições, mas desapareceu antes que ele voltasse a encará-la.— Larissa.— O que foi?Ele esboçou um sorriso, embora não tão espontâneo quanto antes.— Você ia me dizer o que posso fazer por você. Pode falar. Se estiver ao meu alcance, eu faço.Larissa o observou por alguns segundos. A perturbação de instantes antes desapareceu por completo, como se aquela ligação não passou de um assunto qualquer.O que Beatriz lhe contou?Não podia simplesmente perguntar sobre a morte de Manuel. Precisava encontrar uma maneira de chegar ao assunto sem despertar suspeitas.— Larissa? — Ciro insistiu, atento ao rosto dela. — Por que ficou tão quieta?Se aquela pr

  • Armadilha Doce: Casei com o Irmão do Meu Ex   Capítulo 532

    Pedro sabia, porém, que Arthur não estava blefando.Ameaças nunca bastaram para dobrá-lo. Na noite do aniversário, se cedeu à chantagem de Pamela, foi porque ela guardava uma verdade capaz de destruir Larissa: a participação involuntária da senhora na morte de Heloísa.Arthur podia enfrentar qualquer inimigo. O que não suportava era a possibilidade de Larissa sucumbir àquela culpa.E Pamela descobriu, da pior maneira, o preço de confundir amor com fraqueza.Seus segredos mais sórdidos vieram à tona, um após o outro. O escândalo arruinou sua reputação, atingiu em cheio os Duarte e fez as ações do grupo oscilarem durante dias.Pedro conhecia bem o homem a quem servia. Arthur podia ceder uma vez por amor, mas ninguém devia esperar que ele aceitasse perder duas vezes.De volta ao escritório, Larissa tentava encontrar outro caminho para chegar à verdade sobre a morte do pai. Sem Eduardo e sem o prontuário original, por onde poderia recomeçar?Antes que encontrasse uma resposta, o celular to

  • Armadilha Doce: Casei com o Irmão do Meu Ex   Capítulo 6

    A provocação de Arthur acendeu de imediato a timidez de Larissa. Do pescoço ao rosto, tudo nela ficou vermelho. Mordendo o lábio, ela ergueu-se na ponta dos pés e beijou a bochecha dele com delicadeza, como uma borboleta tocando uma pétala.— Assim está bom?Com o beijo, já tentou se afastar.Arthur

  • Armadilha Doce: Casei com o Irmão do Meu Ex   Capítulo 5

    As palavras de Larissa deixaram Samuel incrédulo. Ele confirmou mais de uma vez e, ao ter certeza, riu com ainda mais entusiasmo, a alegria evidente.— Ótimo. Casaram, então está decidido. Venham me ver com Arthur.— Claro, vovô. — Respondeu ela, com sorriso doce.Assim que desligou, a porta do quar

  • Armadilha Doce: Casei com o Irmão do Meu Ex   Capítulo 4

    Por sorte, o toque do celular salvou Larissa do constrangimento.— Alô?O coração acelerou. Ela atendeu às pressas.Do outro lado, veio a voz provocadora da modelo famosa e melhor amiga, Alisa Sampaio:— Então? Minha Srta. Larissa assinou ontem. Aposto que à noite já foi aproveitar o corpo jovem e f

  • Armadilha Doce: Casei com o Irmão do Meu Ex   Capítulo 3

    Larissa ficou imóvel. O coração acelerou.Quando Arthur abaixou o rosto para beijá-la, o corpo dela tremeu, fora de controle.Ele percebeu. Parou no mesmo instante, forçando o domínio sobre o desejo que quase transbordava.— Com medo?Larissa ainda não tinha recuperado os sentidos.Arthur passou o i

More Chapters
Explore and read good novels for free
Free access to a vast number of good novels on GoodNovel app. Download the books you like and read anywhere & anytime.
Read books for free on the app
SCAN CODE TO READ ON APP
DMCA.com Protection Status