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Capítulo 3

Author: Ôxeng
Larissa ficou imóvel. O coração acelerou.

Quando Arthur abaixou o rosto para beijá-la, o corpo dela tremeu, fora de controle.

Ele percebeu. Parou no mesmo instante, forçando o domínio sobre o desejo que quase transbordava.

— Com medo?

Larissa ainda não tinha recuperado os sentidos.

Arthur passou o indicador de leve pela lateral do nariz dela, divertido.

— Estou brincando. Não leva a sério.

O peso sobre o corpo dela desapareceu.

Arthur se afastou e seguiu para o banheiro.

Só então Larissa conseguiu respirar. Levou a mão ao peito, tentando acalmar o ritmo acelerado, embora o rosto ainda queimasse.

Ela realmente achou que eles iam... fazer.

Não era conservadora. Mas ele era o irmão mais velho de Ciro.

Arthur sempre foi duro com ela. Não era muito mais velho, mas tinha o jeito de um homem sério demais para a idade.

Aquilo a deixava desconfortável.

Principalmente depois do que aconteceu há três anos.

Chega.

Larissa sacudiu a cabeça e empurrou os pensamentos para longe.

Quando Arthur saiu do banho, ela já aceitou a ideia de morarem juntos e também foi se lavar.

Banho, cuidados com a pele, hidratante no corpo. Levou quase uma hora e meia.

Achou que Arthur já estivesse dormindo.

Mas, assim que abriu a porta do banheiro, ouviu a voz dele, carregada de ironia:

— Pensei que você fosse morar aí dentro.

A língua afiada de sempre.

Larissa já estava acostumada. Caminhou até o pé da cama e parou ali, cautelosa.

— Eu... durmo onde?

Arthur arqueou a sobrancelha, um brilho divertido dançando em seus olhos.

— Larissa, nosso casamento foi registrado de forma legal, certo?

— Claro. — Ela respondeu, ainda confusa.

— Então me diz. Desde quando casal recém-casado dorme em quartos separados?

Larissa ficou atônita diante da eloquência de Arthur.

Tudo bem.

Ela desistiu de argumentar.

— Aqui.

Ele bateu de leve no espaço ao lado.

Desta vez, Larissa obedeceu.

Mal se deitou, a voz dele voltou, divertida:

— Sra. Vasconcelos, a cama já está aquecida. À sua disposição.

Larissa virou o rosto. O olhar ficou estranho. No limite da paciência.

— Arthur, você sempre me detestou. E ainda assim me incentivou a casar com você. Fala logo. O que você quer?

Ele pareceu achar graça.

— Você acha mesmo que eu te odeio?

— Não é? — A certeza era absoluta.

— Essa sua cabeça... — A voz grave se alongou. O canto da boca subiu. — Realmente não é das mais rápidas.

Afinal, gostar de Ciro já dizia muita coisa.

Ela franziu a testa.

— O quê...

A palavra nem chegou a sair.

Arthur a puxou para perto e a envolveu nos braços, pressionando-a contra o peito. A voz baixa circulou sobre a cabeça dela, quente.

— Shhh. Dorme.

Ele a manteve ali, firme e tranquilo.

— Somos casados. Vamos ter tempo de sobra pra nos conhecer.

O tom dele carregava cansaço. A respiração ficou mais profunda, mais lenta.

Larissa permaneceu presa ao corpo dele. Sentiu o calor, o ritmo constante do coração, o perfume que reconhecia. E o próprio coração acelerou, sem pedir licença.

Enquanto isso.

Já passava da meia-noite.

Numa sala VIP de karaokê, Ciro checava o celular sem parar, claramente distraído.

Antes, sempre que Larissa ficava irritada, não levava nem meio dia para procurá-lo por conta própria.

Hoje ele faltou ao registro de casamento. Ela se exaltou, jurou que não perdoaria. Mas, seguindo o padrão de sempre, em três horas no máximo ela já estaria ligando para pedir desculpas.

Só que agora estava tarde. E nenhuma mensagem.

Ela realmente evoluía. O teatro ficava cada vez mais elaborado.

— Ciro, você está esperando a ligação da Larissa? — Perguntou Melissa, sentada ao lado dele.

O rosto dela mostrava culpa.

— Talvez você devesse ir atrás dela. A essa hora, ela deve estar muito zangada.

Ela baixou os olhos, como se se censurasse.

— A culpa é minha. Eu não devia ter voltado hoje. Assim não teria atrapalhado o registro de vocês... nem deixado a Larissa tão irritada.

Melissa conhecia Ciro bem demais.

Ele tinha orgulho. Muito.

Quanto mais ela falava daquele jeito, mais ele se fechava.

E, como esperado, o efeito foi imediato.

— Ela sempre foi assim. — Ciro respondeu, indiferente. — Princesinha arrogante. Não demora e aparece rastejando de volta. Não precisa se preocupar.

Depois acrescentou, num tom condescendente:

— E isso não tem nada a ver com você, Mel. Registro se faz qualquer dia. Você passou anos fora. É óbvio que eu tinha que te receber direito.

Assim que ele terminou, os amigos entraram na conversa.

— Claro, Mel. Esses três anos sem você foram duros pro Sr. Ciro.

— Se não fosse por causa da Larissa, você nem teria ido embora naquela época.

— Essa Larissa é mesquinha demais. Faz escândalo sem saber a hora. Sr. Ciro, dessa vez o senhor tem que dar uma lição nela.

O rosto de Ciro ficou frio. Ele soltou um riso curto.

— Desta vez, se ela não pedir desculpa direito pra Mel, eu não volto com ela.

Melissa sorria com felicidade genuína. Enlaçou o braço de Ciro com intimidade e se aproximou sem qualquer distância, o corpo inteiro colado ao dele.

— Obrigada, Ciro. Você não imagina o quanto eu fiquei com medo de voltar desta vez. — A voz saiu suave. — Se a Larissa ficasse chateada, eu teria que ir embora de novo.

— Isso não vai acontecer. — Ciro garantiu, virando o celular com a tela para baixo. — Desta vez, não vou deixar que ela faça o que quer. Fique tranquila em Aurimare. Eu vou te proteger.

O sorriso de Melissa se abriu, luminoso.

— Você é tão bom comigo, Ciro. De todo mundo da família, é você quem mais cuida de mim.

Muito mais do que Arthur.

Arthur nunca lhe dirigia um sorriso sequer. Sempre aquele rosto fechado, como se ela fosse uma inimiga.

...

Na mansão, Larissa sentia a respiração de Arthur, lenta e estável. Aos poucos, também adormeceu.

Dormiu profundamente.

Como não dormia havia muito tempo.

Na manhã seguinte.

Larissa abriu os olhos e se deparou com um par de olhos escuros e bonitos, de expressão suave.

Arthur a observava.

— Sra. Vasconcelos, dormiu bem? — A voz saiu baixa, carregada de calma.

Ela assentiu.

— Dormi.

Depois de uma noite inteira abraçados, o desconforto tinha diminuído.

O canto da boca dele se ergueu.

— Então parece que este marido não foi tão ruim assim.

Larissa franziu a testa.

O que isso tinha a ver?

Arthur já se levantava da cama. De costas para ela, seguiu em direção ao banheiro.

— Tenho uma reunião cedo. Não vou conseguir tomar café com você.

— Tudo bem. — Ela respondeu.

Em cinco anos ao lado de Ciro, nunca esperou nada demais.

Também não esperava agora.

Ainda mais num casamento relâmpago.

Arthur voltou pouco depois, impecável no terno.

Larissa cuidava da pele diante da penteadeira. Pelo espelho, acompanhou a aproximação dele.

O terno escuro realçava a elegância contida. As sobrancelhas bem marcadas, a presença firme, a pressão silenciosa que avançava passo a passo até ela.

Ele parou ao lado dela.

— Compra mais coisas do que você gosta. O que ficou no outro lugar, pode descartar. — Colocou um cartão preto sobre a penteadeira. — Sra. Vasconcelos.

Larissa ergueu os olhos para ele.

Tão elegante, tão reservado, que por um instante pareceu impossível conciliar aquela imagem com o homem provocador da noite anterior. Quase um delírio.

— Vou fazer isso. — Aceitou o cartão com naturalidade. Ao aceitar, aceitou também o título.

No fim das contas, casasse com qualquer um dos irmãos, seria Sra. Vasconcelos.

A diferença era simples. O ex virou cunhado.

Pensando bem, ser a mulher do irmão mais velho não parecia nada mal.

Arthur percebeu o devaneio. Se inclinou de repente. Os lábios quentes roçaram o ar junto à orelha dela, numa provocação calculada.

— Sra. Vasconcelos, espero que se adapte logo a esse papel. — A voz veio baixa, firme. — O tipo de casamento que eu quero inclui tudo o que marido e mulher fazem.

O rosto de Larissa ardeu num instante. A cor subiu até as orelhas.
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