LOGINDo outro lado da cidade, Pedro entrou na presidência com o semblante carregado.Parou diante da mesa por alguns segundos, ainda hesitando se devia contar a Arthur sobre a tentativa frustrada de golpe dentro da família Moretti.Arthur continuava inclinado sobre os documentos, concentrado no trabalho. Só precisou erguer os olhos uma vez para perceber que havia algo errado.— O que aconteceu?Pedro demorou a responder.A impaciência imediatamente atravessou o olhar de Arthur.— Se não vai falar, então não fala nunca mais.Nos últimos dois dias, o humor dele estava péssimo. Qualquer hesitação parecia suficiente para consumir o pouco de paciência que ainda restava.Pedro não ousou enrolar.— É sobre a senhora.A caneta entre os dedos de Arthur parou.— O Grupo Moretti está com problemas. Marcelo apareceu tentando tomar o controle interino do grupo.A mudança no rosto de Arthur foi imediata.A frieza se aprofundou, e a mão que segurava a caneta ficou imóvel por alguns segundos.Então ele fal
Durante anos, a história de Larissa seguindo Ciro por toda parte como uma sombra virou motivo de comentário entre a alta sociedade de Aurimare.No conselho do Grupo Moretti, muita gente chegou a ver aquilo com bons olhos. Se a herdeira realmente se casasse com um Vasconcelos, a aliança entre as duas famílias praticamente garantiria estabilidade ao grupo por muitos anos.Só que, de repente, Larissa rompeu o noivado.E, poucos dias antes, ainda surgiu o escândalo de que tentou seduzir Arthur. A confusão terminou com Samuel no hospital, inconsciente e sem previsão de despertar.Diante disso, era natural que os conselheiros olhassem para ela com reservas.Um deles finalmente perguntou:— Srta. Larissa, administrar um grupo deste porte não é brincadeira. E se, daqui a uma semana, a senhora não conseguir resolver nada?Outro foi ainda mais direto:— Não podemos acompanhar uma aposta sua e fingir que os interesses da empresa não estão em risco.Larissa ergueu levemente o queixo.Não havia hes
Pouco depois, Larissa chegou à imponente sede do Grupo Moretti. O edifício de linhas frias se erguia diante dela com a mesma imponência de sempre.Leandro já a esperava diante dos elevadores. Assim que as portas se abriram, ele se aproximou com respeito.Larissa saiu sem diminuir o passo.— Onde eles estão?— Todos na sala de reuniões.Ela assentiu e seguiu direto para lá.Empurrou a porta.Seu olhar encontrou imediatamente Marcelo Moretti, instalado na cabeceira da mesa como se aquele lugar já lhe pertencesse.À primeira vista, Marcelo mantinha a compostura de sempre, sereno, cordial, quase inofensivo. Mas havia arrogância demais escondida por trás daquela aparência polida.Quando viu Larissa entrar, primeiro se surpreendeu.Depois, o desprezo apareceu.— Lari? O que você está fazendo aqui?Os demais conselheiros voltaram os olhos para ela.Larissa atravessou a sala em passos firmes e parou diante de Marcelo.— O que você pensa que está fazendo?Seu rosto delicado nunca foi do tipo qu
— Mas, Alisa... está doendo tanto. Parece que eu vou morrer...Larissa chorava com os soluços presos na garganta, forçando-se a engolir o som enquanto o corpo inteiro traía o esforço para não desmoronar. — Eu não fiz nada de errado... então por que fazem isso comigo? Por quê?Era como se alguma coisa rasgasse seu coração ao meio.A dormência que a protegeu nas últimas horas desapareceu por completo. No lugar dela, a dor voltou com toda a violência, se espalhando pelo corpo, mordendo cada nervo, cada osso, sem lhe dar um segundo de trégua.Alisa sentiu o próprio desespero crescer. Doía vê-la assim.E, pior, começava a ter medo de que Larissa realmente não aguentasse mais.— Porque eles são cegos, idiotas, incapazes de enxergar o que têm diante deles. Mas isso não é culpa sua.Alisa enxugou as próprias lágrimas e continuou falando, tentando puxá-la de volta para tudo o que ela mesma parecia ter esquecido.— Você não lembra de como a gente se conheceu?Larissa chorava contra seu ombro.—
— Faz tanto tempo que eu não tomo café da manhã com o vovô Samuel. Quando o senhor acordar, eu prometo vir mais vezes. Que tal?Alisa continuou conversando com ele como se Samuel pudesse ouvi-la.Larissa observou a cena, e algo dentro dela finalmente encontrou um pouco de alívio.Ela ainda tinha o avô. Ainda tinha Alisa.Quanto a certas pessoas... Talvez só tivessem passado por sua vida.Afinal, a vida não deixava de ser uma longa viagem: em cada parada, algumas pessoas chegavam, outras iam embora. Nem todo mundo que entrava no caminho ficava até o fim....As duas só deixaram o hospital depois que anoiteceu.Ao chegarem ao apartamento, Alisa pediu comida. Quando terminaram o banho, o pedido já estava na porta.Larissa vestiu uma camiseta larga de tecido macio. Prendeu os cabelos de qualquer jeito com uma presilha, deixando o rosto completamente à mostra.Sem maquiagem, com aquela aparência limpa e despretensiosa, parecia finalmente ter se livrado de uma parte do peso dos últimos dias.
Beatriz empalideceu.— Você está... está me ameaçando? Eu sou sua mãe!— Minha mãe?Os lábios de Arthur se curvaram num sorriso frio, sem o menor traço de afeto.— Curioso. Porque, em tudo o que a senhora fez, não parece que se lembrou em momento algum de que eu sou seu filho.Sua voz permaneceu baixa, mas a raiva contida por trás dela tornava cada palavra mais opressiva.— Para impedir que eu e Larissa tornássemos nosso casamento público, o que exatamente vocês fizeram pelas minhas costas? Precisa mesmo que eu refresque sua memória?Arthur não elevou o tom.Ainda assim, a fúria que emanava dele parecia comprimir o ar no escritório.Beatriz perdeu toda a cor. Seu corpo chegou a vacilar.Então ele sabia. Sabia de tudo.Pensando bem, ela nem deveria se surpreender. Da última vez, em Santa Marina, Arthur já desmantelou um de seus planos antes que ela conseguisse levá-lo adiante.Já que não havia mais motivo para fingir, Beatriz abandonou de vez a máscara.Soltou algumas risadas frias.—
A voz provocadora demorou alguns segundos para atravessar o torpor de Larissa.— Arthur, seu mano acabou de brincar comigo. Agora é a sua vez?Do outro lado da linha estava Arthur Vasconcelos, o irmão mais velho de Ciro.Quando ela começou a namorar Ciro, Arthur nunca lhe ofereceu um olhar gentil.—
— Sr. Ciro, hoje é o dia de você e a Larissa assinarem no cartório. Você não vai mesmo? Você simplesmente não apareceu. Não tem medo de ela explodir?— Explodir? Todo mundo sabe que a Larissa vive grudada no Sr. Ciro, igual carrapato. Mesmo se ela descobrir que ele faltou por causa da Mel, ela engol
A provocação de Arthur acendeu de imediato a timidez de Larissa. Do pescoço ao rosto, tudo nela ficou vermelho. Mordendo o lábio, ela ergueu-se na ponta dos pés e beijou a bochecha dele com delicadeza, como uma borboleta tocando uma pétala.— Assim está bom?Com o beijo, já tentou se afastar.Arthur
As palavras de Larissa deixaram Samuel incrédulo. Ele confirmou mais de uma vez e, ao ter certeza, riu com ainda mais entusiasmo, a alegria evidente.— Ótimo. Casaram, então está decidido. Venham me ver com Arthur.— Claro, vovô. — Respondeu ela, com sorriso doce.Assim que desligou, a porta do quar






