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Capítulo 4

Author: Ôxeng
Por sorte, o toque do celular salvou Larissa do constrangimento.

— Alô?

O coração acelerou. Ela atendeu às pressas.

Do outro lado, veio a voz provocadora da modelo famosa e melhor amiga, Alisa Sampaio:

— Então? Minha Srta. Larissa assinou ontem. Aposto que à noite já foi aproveitar o corpo jovem e forte do marido, não foi?

O volume estava alto.

Larissa se lembrou de Arthur. Virou o rosto. Felizmente, ele já chegou à porta e saiu.

— A gente se casou. — Ela soltou o ar. — Mas não aconteceu nada.

— Cinco anos de namoro e no máximo uns beijinhos, né? Vocês com certeza nunca fizeram nada...

Alisa pareceu ligar os pontos de repente.

— Espera. Não me diga que você só descobriu na noite do casamento que seu marido é impotente?

A empolgação fez a voz subir ainda mais.

Nesse exato momento, Arthur abriu a porta e entrou.

Ouviu, sem tirar nem pôr, a última palavra.

Impotente? Ele?

A sobrancelha dele se ergueu lentamente. O olhar caiu sobre Larissa.

Ela seguiu o som e o viu à porta. O fôlego travou.

Alisa, alheia a tudo, continuou, cheia de boas intenções:

— Isso é sério. Você precisa levar ele ao hospital o quanto antes.

— Se não tiver tratamento, pensa bem se consegue aceitar um relacionamento platônico...

Larissa sentiu o rosto esquentar. Ela desligou na hora.

Forçou um sorriso desconfortável.

— Você... voltou?

— Esqueci o relógio.

Arthur pegou um relógio mecânico no closet. Colocou-o no pulso enquanto caminhava até ela.

Ao terminar, estendeu o braço à frente do corpo dela, apoiando a mão na penteadeira. O movimento a deixou meio presa entre o peito dele e o móvel.

Arthur se inclinou. O rosto ficou perto demais. A respiração quente roçou a pele.

— Se eu funciono ou não... — A voz saiu baixa, perigosa. — À noite você confere pessoalmente, não acha?

Larissa ficou rígida no banco. Piscou duas vezes, sem jeito.

— Eu não disse isso.

O canto da boca de Arthur se ergueu de leve.

— Sra. Vasconcelos, quando eu voltar, você pode me examinar com calma. — A provocação veio baixa. — E tirar suas próprias conclusões.

Sem lhe dar chance de explicar, ele deu meia-volta e saiu a passos largos.

Larissa soltou o ar que prendia no peito. Respirou fundo. Então ligou de novo para Alisa.

— Você entendeu errado.

— Errado como assim?

— Desligou na minha cara. Ficou brava?

— Foi porque eu disse que o Ciro não funciona naquela parte?

As perguntas e o descontentamento de Alisa vieram como uma enxurrada.

Larissa respirou fundo outra vez.

— Não era o Ciro. Era o Arthur.

Para evitar novo mal-entendido, acrescentou:

— Ontem quem se casou comigo foi o Arthur...

— O quê? — Alisa quase gritou.

...

Dez minutos depois.

Após ouvir tudo, Alisa despejou uma sequência de xingamentos contra Ciro e Melissa.

Sem economia. Nem elegância.

Depois de extravasar, finalmente se acalmou.

— Fez certíssimo. Que ele se arrependa. Se não quis te assumir, que vire seu cunhado.

Ela mudou de tom, animada:

— Larissa, seu gosto evoluiu rápido demais. Arthur é o presidente do Grupo Vasconcelos, bonito, rico, sem escândalos. Dá de dez a zero no Ciro. Mas...

Houve uma breve pausa.

— Ele casou com você pra escapar da pressão da família. Vocês não têm base emocional. Antes, nem se davam bem. Será que isso...

Alisa não precisou terminar.

Larissa entendeu.

— Não tem problema. — Baixou os olhos. — A gente só está atendendo às próprias necessidades.

O casamento nasceu do impulso.

Mas agora ela pensava com clareza.

Cumpriu o último desejo do pai. Não se divorciar também era uma opção.

— Nesse caso. — Alisa riu. — Fica de olho. Seu presente de recém-casada já está a caminho.

— O que é? — Larissa perguntou.

A resposta não veio. Do outro lado, alguém chamou Alisa para gravar um comercial. A ligação caiu.

Larissa ficou olhando para o celular.

A amiga era ocupada demais, modelo queridinha, sempre no centro das atenções.

...

No Grupo Vasconcelos, sede em Aurimare.

Último andar.

Gabinete presidencial.

A reunião havia terminado. Arthur permaneceu sentado à mesa, a postura reta, impecável. O terno escuro acentuava a elegância contida e a autoridade que o cercava.

Sem erguer o olhar, falou:

— Pedro, providencie alianças. E prepare um contrato de cessão de ações.

Pedro, seu primeiro assistente, inclinou a cabeça.

— Sim, senhor.

Ele ainda hesitou.

Arthur levantou os olhos, apenas o suficiente.

— Mais alguma coisa?

— O Sr. Henrique soube que o senhor voltou. — Pedro manteve o tom respeitoso. — Ele ligou. Quer que o senhor vá à mansão esta noite.

Os olhos de Arthur escureceram por um instante.

— Pode sair. Eu resolvo.

Pedro deixou o gabinete.

Arthur pegou o celular e ligou.

Antes mesmo que falasse, a voz firme do outro lado disparou:

— Cresceu e esqueceu o avô? Volta para Aurimare sem avisar, desaparece. Agora, para me ver, preciso marcar horário?

— Avô, calma. — A voz de Arthur permaneceu serena. Os dedos longos tamborilaram na mesa. — Eu estava lidando com o fuso. Não consegui avisar antes.

Henrique Vasconcelos bufou.

— Não inventa desculpa. Eu te disse inúmeras vezes: desta vez que você voltasse para Aurimare, precisava escolher uma mulher adequada. Casar. Ter filhos.

Houve uma pausa carregada.

— Não esqueça disso.

Arthur ficou em silêncio por um segundo. Algo suave passou por seu olhar.

— Não esqueci. — Um leve sorriso surgiu. — Vou deixá-lo satisfeito.

...

Enquanto isso, Ciro finalmente acordou.

Ainda meio embriagado, tateou a cama até encontrar o celular sob o travesseiro.

Quando viu a hora, a sonolência sumiu.

Se sentou de imediato.

Havia uma reunião pela manhã. E Larissa não tinha ligado para lembrá-lo.

Nesse momento, o assistente entrou apressado no quarto. Ao ver Ciro sentado na cama, abaixou a cabeça.

— Sr. Ciro...

— Por que só agora? — O tom veio carregado de reprovação.

No celular havia várias ligações perdidas. Todas do assistente.

— Achei que o senhor estivesse ocupado com algo importante. Não quis incomodar.

Ele tinha vindo para informar sobre o retorno de Arthur.

Mas não teve chance.

— E a Larissa? — Ciro interrompeu, frio.

O assistente hesitou. Balançou a cabeça.

Como ele saberia?

Nos últimos cinco anos, qualquer compromisso importante passava por Larissa. Ela lembrava Ciro pessoalmente. Sempre.

Ele já se acostumara.

Não importava a situação. Mesmo doente, ela ligava com uma hora de antecedência. Falava com voz suave até ele acordar.

Nunca falhou nessas pequenas coisas.

E agora, por causa de um simples registro não realizado, ousava lhe virar as costas?

Ele a tinha mimado demais.

O rosto de Ciro se fechou. Ligou para Larissa.

Chamou uma vez.

A ligação caiu.

Tentou de novo. O mesmo.

Bloqueado.

A expressão escureceu ainda mais.

Abriu o WhatsApp. Também bloqueado.

— Ótimo.

Os olhos ficaram frios. Desta vez ele não cederia.

Se aquela "princesa" mimada quisesse voltar, teria que aprender a baixar a cabeça.

...

O sol já descia no horizonte.

Península de Safira, na casa de Larissa.

No quarto, ela estava sentada na janela, pernas cruzadas, o notebook apoiado sobre as coxas. Os dedos claros e delicados corriam pelo teclado.

Passou o dia inteiro em casa, concentrada no roteiro.

Como roteirista, já teve dois projetos transformados em séries para streaming. Os resultados foram medianos.

Nem fracasso, nem sucesso explosivo.

O celular tocou.

Ela olhou o número e atendeu com doçura:

— Vovô.

— Menina, faz tempo que você não vem me visitar. — A voz de Samuel Moretti soou animada. — Ontem não era o registro? Escolhe um dia e venha jantar comigo. Traga o Ciro...

Larissa ficou em silêncio por alguns segundos.

— Vovô, eu terminei com o Ciro.

Do outro lado, veio uma risada tranquila, quase indulgente.

— O que foi desta vez? Ele aprontou de novo e te deixou brava?

A naturalidade da reação apertou algo dentro dela.

De repente, vieram à memória os anos de tolerância, de concessões, de pequenas humilhações.

A garganta ficou amarga.

— Desta vez é definitivo.

Fez uma pausa.

— Eu terminei com o Ciro. E me casei com o Arthur.

Do lado de fora do quarto, a mão de Arthur, que estava prestes a bater à porta, parou no ar.

O olhar escureceu. Algo passou por ele, complexo demais para ser nomeado.

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Comments (3)
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Magdali Rosa
imagino a cara do vovô kkkkk
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Angelica Dega
coitado do vovô
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RAIANE SOARES DA SILVA
Interessante
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