FAZER LOGINPOV: Matteo Volkov
Giulia continuava encostada no meu peito, a respiração calma. Sentir o corpo dela relaxado contra o meu era a prova de que ela estava segura e finalmente livre das garras daquele infeliz. Ela se afastou devagar, mantendo as mãos apoiadas levemente nos meus braços. Olhou no fundo dos meus olhos e depois correu o olhar, ainda levemente hesitante, na direção da cidade lá embaixo. — Matteo... e a minha casa? — perguntou ela, a voz ba— Assim será feito, Don Massimo — Enzo respondeu com um aceno curto e ríspido, afastando-se logo em seguida junto de Sergei para continuar coordenando a escolta dos carros. O caixão finalmente atingiu o fundo da cova. O som da primeira pá de terra batendo contra a madeira ecoou pelo cemitério, cortando o silêncio pesado. Aurora soltou um soluço mais alto, sendo abraçada com mais força por Sofia e Chiara. Eu dei um passo à frente, peguei um punhado de terra úmida com a mão direita e a joguei para baixo. Descanse em paz, Vittorio, mentalizei enquanto observava a terra cobrir a madeira escura. O império está em boas mãos. E a sua morte será cobrada com juros de sangue, a Tríade se encarregará disso. Dei um sorriso contido e invisível ao completar o pensamento: E vou cuidar muito bem da sua princesa Sofia. Depois que o enterro terminou e os convidados da alta sociedade e aliados da Tríade se retiraram sob a vigilância rigorosa dos nossos soldados, nós retornamos para a mansão Capone. O
POV: Matteo Volkov O céu sobre o cemitério particular da família Capone parecia refletir o humor da Tríade Negra. Nuvens cinzentas e carregadas cobriam o sol, deixando o dia com uma luz opaca, fria e sem vida. O vento soprava forte, balançando as copas das árvores e trazendo o cheiro pesado de terra molhada. Eu estava de pé, vestindo um terno preto sob medida, com os óculos escuros escondendo meus olhos, mas não a fúria que continuava a queimar silenciosamente nas minhas veias. O caixão de carvalho escuro com detalhes em ouro onde descansava o corpo de Vittorio Capone estava posicionado acima da cova aberta. Ao redor, dezenas de homens leais à Tríade, todos vestindo ternos escuros e mantendo as mãos estrategicamente perto de seus coldres, formavam um perímetro intransponível. A segurança era absoluta. O ataque no Palazzo havia nos ensinado que baixar a guarda não era uma opção, e hoje, no funeral do antigo Don, qualquer aproximação suspeita seria respondida com a morte imediata. Ol
POV: Matteo Volkov Massimo permaneceu em silêncio por alguns instantes, o copo de cristal imóvel em sua mão. Os olhos verdes e afiados dele se estreitaram, absorvendo a minha resposta. A mandíbula de Massimo travou enquanto ele processava a informação, franzindo a testa com uma mistura de estranhamento e dúvida. — De quem você tá falando? — Massimo perguntou, a voz grave e desconfiada. — Você tá falando da Giulia Bianchi? A garota que é amiga da Chiara e da Sofia? — Sim, ela mesma — respondi, mantendo a postura firme e levando o copo de uísque aos lábios para um gole lento. Massimo colocou o copo sobre a mesa com um estalo seco, inclinando o corpo para a frente e me encarando com uma expressão severa. — Desde quando você tem esse tipo de intimidade com a Giulia, Matteo? — questionou ele, com o tom de voz subindo ligeiramente. — Se eu não me engano, eu mes
Olhei para o perfil dele pelo retrovisor interno. — A Giulia pertence a mim, Sergei — respondi de forma direta e sem hesitação. — Isso já é mais do que suficiente. Não preciso dar rótulos ou explicações burocráticas para o que sinto ou para a forma como cuido dela. Sergei assentiu devagar, processando a resposta. Mas ele não parou por aí. — Entendido, Pakhan... Mas e a senhorita Sofia? O senhor também está se envolvendo com ela? Ajustei meu corpo no banco de couro, franzindo levemente a testa. — Por que essa pergunta agora, Sergei? — Porque eu não sou cego, senhor — respondeu Sergei com naturalidade e o respeito de quem me acompanhava há anos. — Eu vi a senhorita Sofia entrar e sair do seu quarto na mansão tarde da noite em mais de uma ocasião. Além disso, já presenciei várias situações, trocas de olhares e a química evidente entre vocês dois. Soltei um suspiro abafado, encostand
POV: Matteo Volkov Giulia continuava encostada no meu peito, a respiração calma. Sentir o corpo dela relaxado contra o meu era a prova de que ela estava segura e finalmente livre das garras daquele infeliz. Ela se afastou devagar, mantendo as mãos apoiadas levemente nos meus braços. Olhou no fundo dos meus olhos e depois correu o olhar, ainda levemente hesitante, na direção da cidade lá embaixo. — Matteo... e a minha casa? — perguntou ela, a voz baixinha e um pouco rouca pela agressão no pescoço. — A minha casa ficou um caos... — Não se preocupe com nada disso — interrompi suavemente, deslizando o polegar pela bochecha dela com cuidado. — Já ordenei que uma equipe vá até lá hoje mesmo. Eles vão consertar a porta, trocar todas as trancas da casa, reparar qualquer estrago e limpar cada centímetro da casa. Você não precisa esquentar a cabeça com nada. Um brilho de alívio genuíno passou pelos olhos escuros dela.
POV: Giulia Bianchi A luz suave da manhã começava a atravessar a cortina entreaberta, projetando um tom dourado e acolhedor pelas paredes da suíte de hóspedes. Abri os olhos devagar, sentindo o corpo pesado pelo cansaço acumulado e uma dor incômoda na região do pescoço. Por um segundo, a confusão me tomou. O teto alto, o edredom de linho cinza e o cheiro suave de perfume amadeirado misturado com flor de laranjeira não pertenciam a minha casa. Lembrei-me de tudo em um estalo doloroso: os gritos, a porta arrombada, o aperto sufocante na minha garganta, o desespero ao ligar para Matteo e a sensação de segurança imediata assim que ele me tirou daquele pesadelo e me trouxe para a cobertura de Massimo. Girei a cabeça com cuidado sobre o travesseiro. A dor no pescoço lembrou-me das marcas roxas que Felipo tinha deixado. Um som baixo de passos no piso de madeira fez com que eu olhasse para a entrada do quarto. Uma senhora de cabelos grisalhos presos num coque elegante, vestindo um avental







