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Só pra te Provocar

last update Data de publicação: 2026-09-20 01:34:05

Depois de ter se distraído admirando o corpo de seu colega de quarto, Bianca levou tudo o que acreditou precisar para o banheiro.

Banho, cabelo, maquiagem, roupa...

— Ainda vai demorar muito, BB?

— Não, só mais um minuto, já estou saindo!

Val revirou os olhos e voltou para junto dos amigos. Estavam todos esperando Bianca terminar de se arrumar. Confirmando o estereótipo, ela estava quinze minutos atrasada. O que os rapazes não entendiam é que se arrumar em um banheiro pequeno e fechado não é uma tarefa fácil. Além disso, Eduardo tomou banho antes dela, aparecendo no quarto vestindo apenas uma toalha em volta do corpo, algo que a distraiu e a fez perder preciosos minutos.

Como não conhecia o clube onde comemorariam o aniversário de Val, Bianca demorou um pouco para decidir o que vestir. Finalmente optou por um vestido rosa, frente única exibindo um decote que valorizava seus seios, sem mostrar mais pele do que deveria, como sua mãe sempre fez questão de frisar. Discreto, sexy e elegante.

Naquela noite, que estava quente e abafada, aquele vestido lhe pareceu perfeito. O tecido era leve, justo no tronco e solto a partir da cintura, chegando ao meio de suas coxas, revelando suas belas pernas.

— E aí, ela já está pronta? — perguntou Alex, sem desviar os olhos do celular, onde digitava freneticamente para responder o mais rápido possível todos os contatos femininos que reclamavam sua atenção.

— Disse que já está saindo...

— Ela disse a mesma coisa vinte minutos atrás — comentou Renato, apoiando o corpo na parede.

A porta do banheiro se abriu e todos se viraram na direção de Bianca.

— Desculpa a demora rapazes, não estou acostumada a me vestir em um espaço tão apertado...

Bianca falava enquanto caminhava na direção deles, ainda olhando seu reflexo em um pequeno espelho que segurava, conferindo a maquiagem sob a luz do quarto. Como não ouviu nenhuma resposta, desviou o olhar do espelho para os rapazes. O rosto dela na mesma hora ficou vermelho como um tomate. Todos estavam olhando para ela como se estivessem hipnotizados, até mesmo Alex, boquiaberto, parou de digitar no celular.

— Oie! — Bianca acenou para eles, despertando-os do transe. Ela seguiu ao encontro de Val, abraçando-o para desejar-lhe feliz aniversário, já que não o tinha visto durante o dia, pois ele passou o dia fora com os rapazes.

— Obrigado, BB — Val agradeceu, espremendo Bianca em um de seus abraços de urso.

— É isso! Já podemos ir... — disse Val.

"Alex."

"Alex?"

"Alex!"

SLAP

— Cara, isso dói! — gritou Alex quando Val deu uma tapa no ombro dele.

Os outros caíram na gargalhada, mais pela cara de assustado de Alex do que pela tapa.

— Você estava quase babando... — comentou Renato, rindo do irmão.

— Estava nada! — ele respondeu ainda olhando para o decote dela.

— Alex, meus olhos ficam aqui em cima! — disse Bianca, apontando dois dedos para o próprio rosto.

Alex exibiu um sorriso tímido e o brilho dos olhos dele se intensificou pela timidez inesperada. Eduardo abriu a porta ruidosamente e, um por um, todos deixaram o quarto. Bianca saiu por último, pois teve que pegar a bolsa no guarda-roupa. Ao passar por Eduardo, que segurava a porta, ela percebeu que ele sorria na direção dela, mas quando seus olhos se encontraram, o sorriso dele se transformou em seu sorriso cínico e provocador.

Ao chegarem à garagem da pensão, uma nova discussão se iniciou. Discutiam como o grupo se dividiria. Val parou ao lado da porta do motorista de seu carro. Um Dodge Durango, 4x4, preto que combinava muito com ele. Eduardo, por sua vez, entrou em seu carro e esperou que resolvessem o dilema sentado no banco do motorista, procurando um CD no porta-luvas tranquilamente.

— Eu tenho que passar na casa da Vanessa — comentou Alex ainda dedilhando seu celular.

— Eu tenho que chegar logo lá, senão perderemos a reserva da mesa, se desviar até a casa da Vanessa vai ficar tarde... — comentou Val.

— Ok — comentou Eduardo revirando os olhos. — Eu passo na casa da tua "mina" antes de ir para o clube.

— Valeu, irmão! — disse Alex, seguindo na direção do carro de Eduardo.

— Então, eu vou com você, Val. Passar na casa da Vanessa antes de ir para o clube vai levar pelo menos meia hora a mais e eu estou com sede — comentou Rafael, dirigindo-se para o carro de Val.

Renato olhou para Bianca sem saber ao certo o que fazer, esperando que ela decidisse em qual carro queria ir.

— Eu vou com Eduardo, vai ser bom conhecer a namorada do Alex, assim poderei fazer amizade com uma garota.

— Ela não é minha namorada! — gritou Alex, já parado ao lado do carro de Eduardo.

O grupo ficou assim dividido: Eduardo, Alex e Bianca seguiriam até a casa da Vanessa, enquanto Val iria direto para o clube, acompanhado de Rafael e Renato. Bianca parou ao lado da porta de trás, mas Alex, com um sorriso malicioso nos lábios, abriu a porta da frente e fez uma reverência para que Bianca sentasse ao lado de Eduardo.

— Vai na frente Bianca, o banco de trás é para mim e Vanessa...

— Nem pense em ficar de "melação" no meu carro! — rosnou Eduardo, enquanto Alex se jogava no banco de trás.

— Relaxa, Eduardo, guarda seu mau humor para mais tarde.

Eduardo não respondeu a provocação do amigo. Ao invés disso, ligou o carro e seguiram caminho até a casa de Vanessa. Vinte minutos se passaram sem que ninguém dissesse nenhuma palavra, apenas o som das músicas escolhidas por Eduardo quebrava o silêncio.

— Já chegamos? — perguntou Alex de repente.

— Não começa, Alex! — resmungou Eduardo.

— E agora, já chegamos? — insistiu Alex, prendendo o riso com dificuldade.

— Cala a boca, Alex!

— E agora, chegamos?

— Cara, você não é normal!

— Ele está imitando o personagem Burro do Shrek? — perguntou Bianca.

— Não liga para ele, tem problemas sérios...

— Hey! Pelo menos eu quebrei o silêncio... — se justificou Alex, rindo.

— Verdade — concordou Bianca, mordendo o lábio para não rir.

Eduardo olhou para ela e riu do esforço que ela estava fazendo para não rir, os dois acabaram rindo juntos. Alex então, devagar, ergueu o corpo, sua cabeça bem próxima à cabeça de Eduardo.

— E AGORA, CHEGAMOS?

— Porra! — Eduardo se assustou. Imediatamente Bianca e Alex caíram na gargalhada. — Cara, se fizer isso de novo, você e sua namorada terão que ir a pé.

— Ok, parei! — ripostou Alex, entre risos. — E ela não é minha namorada.

Poucos minutos depois Eduardo parou o carro na calçada em frente a um enorme portão. A casa, que demonstrava sem a menor dúvida o poder aquisitivo de seus proprietários, era a casa mais bonita e luxuosa da rua. Alex desceu do carro, não sem antes ouvir Eduardo dizendo a ele que não demorasse. Eduardo soltou o cinto de segurança e inclinou o corpo na direção de Bianca, que prendeu a respiração ao perceber o movimento dele. Eduardo abriu o porta-luvas e escolheu outro CD, seu rosto mais uma vez estampou seu sorriso malicioso característico ao perceber a reação de Bianca.

— Então... — começou Bianca, tentando quebrar o desconfortável silêncio. — Há quanto tempo você e Val são amigos?

— Desde a infância, o conheci quando estava no quarto ano da escola.

— E os outros?

— Rafael era meu vizinho e os outros conheci na festa dos calouros quando entrei na U.C.C.

— Quantos anos você tem?

— Vinte e dois.

— Qual seu curso na faculdade?

— O que são essas perguntas agora? Estou me sentindo em uma entrevista de emprego...

— Oh! Desculpa, só estava tentando iniciar uma conversa... não farei mais perguntas — Bianca virou o rosto para a janela, olhando para a rua.

— Música.

— Sério? — Bianca se virou e olhou para ele, surpresa. — Eu adoro música, mas por causa dos meus pais, que são médicos, entrei para a área de saúde.

— Você sempre faz o que seus pais querem?

— É o que se deve fazer, não é?

— E o que você quer fazer, não conta?

— Claro que conta, mas não é tão simples assim...

Bianca desviou o olhar, evitando os olhos de Eduardo. Estalava nervosamente os dedos da mão.

— Não faça isso! — disse Eduardo, segurando a mão dela para que ela parasse de estalar os dedos.

— O quê? — perguntou Bianca, com um brilho diferente nos olhos.

— Não estale os dedos, isso me deixa nervoso.

Bianca olhou para ele atentamente nos olhos, em seguida estalou os dedos na frente dele, um a um, erguendo uma sobrancelha em desafio.

— Terminou com a tortura, princesa?

— Sim, infelizmente meus dedos acabaram — respondeu Bianca, rindo.

— Por que fez isso depois de eu te pedir para parar?

— Só queria te provocar...

— Hummmm... — Eduardo balançou a cabeça de cima para baixo. — Vou me lembrar dessas palavras...

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