Beranda / Máfia / Até Que o Sangue Nos Separe / ## Capítulo 07: O Peso das Madrugadas

Share

## Capítulo 07: O Peso das Madrugadas

Penulis: Karine Oliveira
last update Tanggal publikasi: 2026-07-25 06:22:34

O mês que antecedeu o casamento transformou-se em um teste de resistência física e mental. A rotina dos negócios da família parecia ter triplicado de volume, com reuniões intermináveis sobre os novos pontos de distribuição em Turim, checagens rigorosas de carga nas docas e o alinhamento da segurança na propriedade para o dia da cerimônia. No entanto, o verdadeiro trabalho começava quando o silêncio da noite tomava conta da minha suíte.

Se antes a insônia era um visitante esporádico, agora ela havia se instalado de vez. Dormir mais do que duas horas seguidas tornou-se impossível. A imagem de Aurora naquela sala de estar — com o vestido de cetim rosa destacando o contraste do cabelo castanho-avermelhado e as sardas no nariz — recusava-se a deixar meus pensamentos. As palavras diretas e ingênuas que ela havia dito sobre a própria inexperience ecoavam na minha mente toda vez que eu fechava os olhos.

Na terceira semana do mês, o cansaço acumulado finalmente me fez pegar no sono por volta das três da manhã. O sonho veio denso e vívido.

Eu estava de pé no meio do meu quarto, no escuro, assistindo Aurora caminhar na minha direção. Ela usava uma camisola fina e semitransparente, que desenhava cada curva do seu corpo curto e violão. Os seios grandes se destacavam sob o tecido leve, e o movimento suave do seu quadril enquanto se aproximava mantinha meu olhar totalmente preso a ela. No sonho, a timidez dela dava lugar a uma entrega calma. Ela subia na grande cama de casal, puxando-me pela gola da camisa até que meus braços envolvessem sua cintura fina e o calor da sua pele branca queimasse contra a minha. A sensação do corpo dela sob o meu, a textura macia das suas coxas e o som da sua voz melodiosa sussurrando meu nome no meio da escuridão pareciam reais demais para ser apenas uma projeção da mente.

Acordei em um pulo, com a respiração descontrolada e o peito subindo e descendo rápido. O suor frio cobria minha testa e a pele do meu pescoço. O quarto continuava em absoluto silêncio, imerso na penumbra da madrugada de Milão.

Sentei-me na borda da cama, passando a mão pelo rosto para tentar afastar o impacto do que acabara de viver. Meu corpo estava tenso, completamente desperto e carregado de uma frustração física que não dava para ignorar. A necessidade de tê-la, de ser o único a tocar aquele corpo intocado, havia atravessado o campo dos negócios e tomado conta de cada parte dos meus sentidos.

Levantei-me, caminhando até o banheiro espaçoso de mármore escuro. Sem acender as luzes fortes, apenas deixando a iluminação fraca do corredor entrar pela porta entreaberta, parei em frente ao espelho. O reflexo mostrava o maxilar travado e a tensão visível nos ombros largos.

Encostei as costas na parede fria de mármore e fechei os olhos. A imagem de Aurora na camisola do sonho voltou com força total. Lembrei da forma como os olhos dela castanho-avelã me encararam no sofá quando ela me contou sobre a própria virgindade, e a lembrança dos seus lábios desenhados em rosa fez meu sangue correr quente. Deslizei a mão para baixo, envolvendo meu membro rígido com firmeza, ditando um ritmo lento e pesado que acompanhava a minha respiração desregulada.

Cada movimento rápido da minha mão trazia de volta a sensação fantasma do corpo dela sob o meu, o perfume doce que emanava da sua pele e a ideia fixa de que, em poucos dias, ela estaria trancada comigo naquela mesma suíte, sem nenhum sonho ou fantasia intermediando. Aquelei o ritmo, soltando um arfar pesado no silêncio do banheiro à medida que o ápice se aproximava, até que a tensão acumulada naquelas semanas finalmente transbordou de vez, deixando meu corpo exausto encostado na parede fria.

Abri os olhos devagar, lavando as mãos e o rosto na pia com água gelada. O cansaço físico voltou com peso duplo, mas a mente continuava focada na mesma certeza. O tempo de espera estava acabando. O próximo passo não seria um sonho.

Lanjutkan membaca buku ini secara gratis
Pindai kode untuk mengunduh Aplikasi

Bab terbaru

  • Até Que o Sangue Nos Separe    ##Capítulo 23: Julgamento em Como

    A estrada para Como era uma serpente de asfalto molhado cortando a vegetação densa das colinas. A névoa da manhã pendia baixa sobre o vale, escondendo o contorno das montanhas e envolvendo o comboio de SUVs pretos em uma atmosfera cinzenta e soturna. Dentro do banco traseiro do veículo da frente, mantive meu olhar fixo no vazio do caminho, sentindo o peso do compromisso assumido ao lado do leito de Aurora.A imagem dos dedos dela cravados na minha mão e o som daquela voz rouca implorando pela vida do pai e pelo poupar da vida do irmão ainda ressoavam na minha mente. A misericórdia não era um conceito que eu costumava cultivar. Na nossa organização, a fraqueza diante de uma traição daquela magnitude costumava ser o primeiro passo para a ruína. Porém, a promessa feita a Aurora era inviolável. Paolo não morreria, mas aprenderia que viver sob a minha sentença podia ser infinitamente mais doloroso do que o disparo de uma pistola.— Dom Matteo — a voz de Marco soou do banco do passageiro da

  • Até Que o Sangue Nos Separe    ## Capítulo 22: Misericórdia e Sangue

    A luz prateada do início da manhã começava a infiltrar-se pelas frestas da persiana da suíte de isolamento, desenhando linhas pálidas sobre o piso de vinil do hospital. O bipe cadenciado do monitor cardíaco preenchia o ambiente com uma frequência calma, muito diferente do ritmo caótico e aterrorizante de horas atrás.Perto das sete da manhã, percebi uma alteração imperceptível na postura de Aurora. Suas pálpebras tremeram devagar, os cílios longos projetando sombras sutis sobre as bochechas que finalmente recuperavam a cor natural. Um pequeno gemido rouco escapou de sua garganta, interrompido pelo desconforto do curativo cirúrgico e pela sensibilidade da incisão recente na cartilagem cricóide.Aproximei-me imediatamente, inclinando meu corpo sobre a beirada da cama.— Não se force — disse, a voz soando grave, contudo mais suave do que o normal. — Você está no hospital. Está segura.Os olhos castanho-avelã se abriram devagar, vagando pelo teto branco até encontrarem o meu rosto. Uma on

  • Até Que o Sangue Nos Separe    ## Capítulo 21: A espera

    A notícia dita pelo médico ressoou pelo corredor silencioso como a única sentença aceitável naquela madrugada. Olhei nos olhos do homem por alguns segundos, observando a palidez estampada em sua pele e o suor que ainda brilhava em sua testa. A rigidez extrema que travava os músculos dos meus ombros cedeu ligeiramente, substituída por um controle frio e absoluto.— Ela está consciente? — perguntei, a voz grave e pausada cortando o ar estéril do hospital.— Não, Dom Matteo — respondeu o doutor Aris, ajeitando a postura e tentando manter a firmeza na voz. — Ela passou por um evento de anoxia severa e edema glótico. Precisamos realizar um procedimento cirúrgico de emergência no pescoço para garantir a entrada de ar. Ela está sob sedação leve para que as vias aéreas se recuperem sem o estresse da dor. Vamos transferi-la para a Unidade de Terapia Intensiva nas próximas horas.— Não — decretei sem hesitar, dando um passo à frente. — Ela não vai para a ala geral da UTI. Quero o andar superior

  • Até Que o Sangue Nos Separe    ## Capítulo 20: Sob a Sombra de Dom Matteo

    Perspectiva do Médico As portas duplas de acesso restrito se fecharam atrás de mim com um baque abafado, mas a sensação do tecido do meu jaleco sendo violentamente puxado e a Frieza absoluta no olhar de Dom Matteo Giordano continuavam impregnadas em cada centímetro do meu corpo. Meus dedos ainda tremiam discretamente enquanto eu corria em direção à sala de ressuscitação. O suor frio escorria da minha fonte, descendo pela linha da máscara cirúrgica que eu tentava ajustar a todo custo.Eu não era um recém-formado. Exercia a medicina de emergência no Hospital San Raffaele há mais de vinte anos e já havia atendido vítimas de acidentes brutais, ferimentos de arma de fogo e grandes traumas. No entanto, a ameaça murmurada por aquele homem no corredor não parecia uma força de expressão. Era uma promessa direta, cirúrgica e letal. Se aquela garota morresse naquela mesa, nenhum de nós saindo daquela sala veria a luz do dia seguinte.— Doutor Aris! A saturação caiu para 82%! — gritou a enfermei

  • Até Que o Sangue Nos Separe    ## Capítulo 19: Resgate e a Promessa de Morte

    A porta de ferro cedeu sob o impacto do chute, colidindo contra a parede de alvenaria com um estrondo que ecoou pelas vigas de aço do galpão. Avancei para o interior do antigo escritório com a pistola em rasteira, os olhos varrendo cada canto da sala iluminada apenas por uma lâmpada fraca pendurada por um fio descascado no teto.Não havia mais atiradores. O espaço cheirava a mofo, umidade e poeira acumulada de décadas.E então eu a vi.Aurora estava jogada no chão de concreto frio, no canto mais distante da sala. O vestido leve que usava estava completamente coberto por uma camada espessa de poeira cinzenta e detritos da fábrica abandonada. Seu corpo pequeno parecia ainda mais vulnerável sob a luz amarelada e vacilante da lâmpada. As mãos estavam soltas ao lado do tronco, mas a posição em que caíra indicava que desabara sem qualquer defesa.Abaixei a arma imediatamente, guardando-a no coldre enquanto cruzava o cômodo em três passadas largas. Ajoelhei-me ao seu lado no concreto úmido,

  • Até Que o Sangue Nos Separe    ## Capítulo 18: Sesto San Giovanni

    O comboio avançou pela estrada vicinal como uma sombra silenciosa. Os quatro SUVs blindados rodavam com os faróis desligados nos últimos quinhentos metros, guiando-se apenas pela iluminação escassa da lua oculta pelas nuvens de chuva. Sesto San Giovanni desdobrava-se diante de nós como um cemitério industrial: galpões de tijolos expostos, chaminés desativadas e portões de ferro corroídos pela ferrugem.O complexo da antiga tecelagem ocupava uma área isolada, cercado por vegetação densa e um muro alto com concertina danificada pelo tempo. Parei o carro a uma distância segura, sob a copa fechada de uma árvore. A água da chuva escorria pelo para-brisa, distorcendo as poucas luzes amareladas que piscavam dentro da estrutura abandonada.Marco inclinou-se entre os bancos da frente, apontando para o tablet que exibia a visão térmica captada pelo drone de vigilância que ha tínhamos lançado minutos antes.— O drone identificou quatro pontos de calor no piso térreo do prédio principal — informo

Bab Lainnya
Jelajahi dan baca novel bagus secara gratis
Akses gratis ke berbagai novel bagus di aplikasi GoodNovel. Unduh buku yang kamu suka dan baca di mana saja & kapan saja.
Baca buku gratis di Aplikasi
Pindai kode untuk membaca di Aplikasi
DMCA.com Protection Status