LOGINQuando Maia viu o rosto da empregada ficando roxo de falta de ar, ela finalmente afrouxou os dedos.Ela se recostou na cabeceira, com o olhar perdido, e murmurou, quase para si mesma:— Onde o Fabiano está?A empregada, ainda em pânico, levou as mãos ao pescoço e começou a puxar o ar com força. O ar entrando pela traqueia irritada queimava por dentro, mas ela se esforçou ao máximo para não tossir.De repente, Maia olhou na direção dela. A empregada levou um susto e estremeceu:— Srta. Maia… eu… eu não falo mais nada.— Mais tarde você liga para o Fabiano e fala para ele que eu estou me sentindo muito mal.A empregada assentiu com força. Porém, quando ela ligou, a mensagem do outro lado continuou a mesma de antes. Ela não teve coragem de contar a verdade para Maia e apenas disse que ninguém tinha atendido.À tarde, à noite, a empregada ligou incontáveis vezes. O resultado foi sempre o mesmo.Será que Fabiano realmente tinha decidido não cuidar mais de Maia?…Na UTI especial, o médico f
— Impossível!Maia abaixou a cabeça, e as lágrimas começaram a se acumular nos olhos. A visão dela ficou completamente embaçada.Fabiano não a abandonaria. Ele não podia simplesmente decidir que não queria mais vê-la. Ela não carregava justamente o sangue que ele considerava tão precioso?Ele, como sempre, ficaria aflito assim que soubesse que ela tinha passado mal. Ficaria ao lado dela sem arredar pé, orientaria pessoalmente os médicos sobre cada detalhe do tratamento e providenciaria os melhores remédios e suplementos para a recuperação dela.Como a empregada costumava dizer, ela era a mulher que Fabiano guardava no lugar mais especial do coração.Dessa vez não seria diferente.Maia tinha cuspido tanto sangue que, sem dúvida, ele ficaria ainda mais preocupado do que antes e cuidaria dela com um zelo redobrado.A voz rouca de Maia começou como um murmúrio, mas logo se transformou num grito estridente:— Isso é impossível! O Fabiano jamais escolheria não me ver! Vocês estão mentindo pa
Maia sabia que, mesmo que aquele veneno permanecesse para sempre em seu corpo, ainda assim poderia ser salva.Ela não voltaria a usar a própria vida como ficha de aposta com tanta facilidade. Se morresse, nunca mais veria Fabiano, nunca mais teria a atenção dele.Uma vez já tinha sido suficiente.Naquele ano em que tentou tirar a própria vida por causa da paralisia nas pernas, a lâmina cortara o pulso dela sem qualquer hesitação. O sangue jorrara quente, enquanto as lágrimas desciam frias pelo rosto.Nos ouvidos dela, o vento quente de verão se misturava à voz grave de Fabiano dizendo:— Eu prometo.Aquela aposta desesperada dera certo. Ela vencera.Vencer naquela ocasião já tinha sido suficiente para fazer Ivone sofrer por muito tempo e, ao mesmo tempo, transformara Maia, aos olhos de todos, na mulher mais especial no coração de Fabiano.Até hoje, quando as pessoas em Uíge falavam dela, sabiam que ela fora a primeira mulher que Fabiano reconhecera publicamente.Jogadas desesperadas só
— Levem-na imediatamente para a sala de emergência!— Srta. Maia!…O novo jato de sangue que Maia vomitou transformou a sala de repouso em um caos absoluto.O líquido escorria em fios grossos pelos vãos entre os dedos com os quais ela tentava tapar a própria boca. O rosto inteiro dela estava pálido como cera mortuária, e o vermelho vivo do sangue manchava a boca de forma quase grotesca. Os olhos, vermelhos e cheios, não se sabia se de dor ou de desespero, lembravam os de um fantasma saído do inferno.O veneno fazia seu corpo estremecer em espasmos involuntários. Depois de vomitar sangue duas vezes seguidas, ela finalmente perdeu as forças e desabou sobre a cama.O mundo girava sem parar, e sua consciência começou a se desfazer aos poucos. Ela olhou para o homem parado na porta, imóvel, com expressão fria, e sentiu o coração apertar com uma dor que gelava até os ossos. Foi nesse frio profundo que uma compreensão começou a surgir.Quando a equipe médica empurrou a maca passando rapidame
Era leve. Macio. E cruelmente irônico.Ivone se lembrou da vez em que ela e Fabiano tinham ficado presos no elevador. Quando a cabine despencou de repente, ele a envolveu nos braços e depositou um beijo na testa exatamente daquele jeito, tentando acalmá-la.Naquele dia, aquele beijo realmente tinha conseguido afastar o pânico. Mas agora, o mesmo gesto parecia uma lâmina cega abrindo uma ferida já exposta. A dor não vinha de uma vez mas avançava devagar, profunda, consumindo tudo por dentro.— Você pode, por favor, parar de me dar nojo?Fabiano sustentou o olhar carregado de repulsa dela. O maxilar se contraiu. De repente, ele ergueu a outra mão e cobriu os olhos de Ivone com a palma quente>— É melhor você fechar os olhos.— Por que não diz logo que seria melhor eu nunca mais abrir os olhos? — Ivone já tinha perdido completamente a paciência diante daquela calma obsessiva que ele insistia em manter.Uma veia saltou no pescoço de Fabiano:— Que absurdo é esse que você está dizendo agora
Quando Davi voltou ao quarto, encontrou a porta escancarada.— O que aconteceu?Ele acelerou o passo, aflito.O médico atrás e Bendinho à frente correram para ampará-lo.— Davi, a Srta. Ivone foi levada pelo Sr. Fabiano. — Explicou Bendinho, com o rosto carregado de culpa, olhando para ele com um misto de vergonha e angústia. — Me desculpa, Davi, eu…Davi puxou o ar com força. O ferimento no abdômen latejou de dor. Ele olhou para a cama vazia. Tinha ficado fora por tão pouco tempo, e Fabiano já havia aparecido, como um predador farejando sangue.Ele lançou um olhar rápido para Bendinho, que se culpava sem parar, e forçou a respiração a voltar ao ritmo normal:— Você se machucou?Ao ouvir que, mesmo naquele momento, Davi ainda se preocupava com ele, o peito de Bendinho se apertou ainda mais de culpa.— Não. — Ele já se colocara em posição de alerta ao ver Fabiano surgir. — Suspeitava que o estado de Ivone tivesse alguma relação com Fabiano e, de um jeito ou de outro, não poderia mais pe







